sexta-feira, 24 de maio de 2019

França e Casino: Capitalismo pero non mucho

Casino/Pão de Açúcar pede PROTEÇÃO JUDICIAL contra credores

Jornal Valor destaca na capa A CRISE DO GRUPO CASINO

“O empresário Jean-Charles Naouri, presidente do grupo varejista francês CASINO, controlador do Grupo Pão de Açúcar, tomou ontem a medida mais extrema desde que busca, há anos, desalavancar seus negócios na França.

A Rallye, holding que controla as empresas de Naouri, OBTEVE ONTEM NO TRIBUNALDE COMÉRCIO DE PARIS proteção contra credores por, pelo menos, seis meses, para neste período tentar montar um plano de reestruturação de dívidas com bancos e detentores de títulos.

A empresa pode ganhar tempo já que, com a medida , PELOS SEIS MESES DE DURAÇÃO DA SALVAGUARDA os pagamentos de débitos da Rallye ficarão suspensos. A depender da situação, uma companhia beneficiada pela proteção pode renovar o período por até 18 meses.

A Rallye tem 51% do CASINO e DÍVIDAS de US$ 3,4 bilhões ao fim de 2018.

Já no CASINO são outros US$ 3 bilhões, em débitos, e o grupo francês tem 36% do Grupo Pão de Açúcar.“

Naouri, dono do Pão de Açúcar, controla atualmente uma estrutura complexa de certas empresas endividadas. Por isso, a proteção judicial atinge também duas subsidiárias da Rallye e outras empresas eu controlam a Rallye.

Parte dos negócios são de CAPITAL FECHADO o que impede análise financeira mais detalhada. O tribunal nomeou dois administradores judiciais para o caso.

A decisão judicial foi anunciada após ter sido suspensa pelas empresas, ontem, a negociação das ações da Rallye e do CASINO, na bolsa de Paris. Isso gerou ao longo do dia rumores sobres os passos futuros do CASINO.

A vida é dura:

1 - Os neoliberais defendem “o livre mercado”, mas, na crise, pedem proteção judicial. Ao mesmo tempo, são contra os direitos dos trabalhadores e das organizações sociais. Os neoliberais só pensam em dinheiro, mesmo que o povo passe fome, fique desempregado, doente e ignorante.

2 – A economia, as empresas, as instituições públicas judiciais, políticas e executivas devem estar à serviço do povo e do país, tendo liberdade dentro dos limites das garantias de que o povo esteja em primeiro lugar.

3 – Quanto mais o mundo se globaliza e aumenta a influência da China na produção industrial, mais crise tende a aparecer, provocando desemprego e instabilidade econômica, política e social nos países.

4 – O Brasil faz parte deste turbilhão e os setores sociais comprometidos com a democracia, a diversidade, a pluralidade, principalmente a economia de mercado sobre controle social, a preservação das políticas públicas e a liberdade de organização social.

Um outro mundo é possível
e o Brasil tem grande responsabilidade na construção deste novo mundo.

terça-feira, 21 de maio de 2019

O caos brasileiro está matando o Brasil

O Brasil travou?

O caos tomou conta do Brasil.
A economia está parada, ou andando para trás.
Os políticos "estão matando o tempo" como forma de barganhar benefícios.

O judiciário continua fazendo o que quer, passando por cima da democracia e dos interesses nacionais.
A imprensa, que teve papel fundamental no golpe e nas eleições, agora está perplexa.
O CÂMBIO disparou. Vivemos com o dólar a 4,12 reais!!!

Os empresários e suas empresas nacionais estão quebrando e perdendo mercado para as empresas estrangeiras.

O povo está desempregado, os salários estão sendo rebaixados, o endividamento está escandaloso, e as famílias com suas crianças estão passando necessidades...

O governo não está governando. Isto é, não está fazendo o que é necessário fazer. Não está priorizando as necessidades básicas do povo, das empresas e das políticas públicas.

O governo, de forma consciente ou não, está provocando o caos e o desespero. Em vez de fazer suas funções, o governo prioriza fazer manifestações de ruas...

O povo não pode ser cúmplice desta irresponsabilidade.
A imprensa não pode estimular esta forma de governar.

As Igrejas precisam cuidar mais da caridade e
da solidariedade, em vez de priorizar as tarefas partidárias
e de querer apropriar-se do aparelho do Estado.

Precisamos restabelecer a paz, o progresso, a credibilidade nacional e internacional.
Precisamos parar com a violência, com as mortes e com a ausência de segurança nas ruas.

Precisamos construir um novo projeto para o Brasil. Um projeto que represente às necessidade de todos os brasileiros, do campo e das cidades, jovens e velhos. Um projeto que torne o Brasil mais competitivo internacionalmente e que valorize a formação educacional e profissional.

O Brasil precisa ser respeitado.
Os brasileiros precisam participar desta reconstrução.
O Brasil precisa ser para todos, com todos e de todos.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Um artigo muito bom sobre KAFKA

O túmulo de Kafka

Uma tuberculose galopante pôs fim à sua existência,
quando entrava na maturidade.
Hitler acabou com o resto da família


Mario Vargas Llosa
, O Estado de S. Paulo
20 de maio de 2019 | 02h00

O túmulo de Kafka está no novo cemitério judeu de Praga, no bairro de Strasnice. Ele foi enterrado ali junto com seus pais e suas três irmãs, mortos nos campos de extermínio nazistas. Na verdade, esta bela cidade é pouco menos do que um monumento ao mais ilustre dos seus escritores. Passo o dia inteiro visitando as esculturas dedicadas a ele, as casas onde viveu, os cafés que frequentou, o magnífico museu, e em todos esses lugares me defronto com bandos de turistas que tiram fotos e compram seus livros e lembranças. Eu também: dos escritores que admiro colecionaria até os seus ossos.

Fico comovido ao ver, no museu Franz Kafka, muitas páginas da sua Carta ao Pai, que nunca enviou. Ele tinha uma letra intrincada e saltitante que parecia desenhos em quadrinhos. Essa longa carta foi a primeira obra que li dele, quando era adolescente. Minha relação com meu pai era ruim e eu tinha pânico dele, e assim eu me identifiquei totalmente com esse texto desde as primeiras frases, principalmente quando Kafka acusa seu progenitor de tê-lo tornado uma pessoa insegura, desconfiada de todos, de si mesmo e da sua própria vocação. Lembro com um calafrio aquela frase em que ele explica sua insegurança que chegou ao extremo, diz ele, de não confiar mais em ninguém e em nada, salvo aquele pedaço de terra sob seus pés.

Esse museu, diga-se de passagem, é o melhor que vi dedicado a um escritor. Sua penumbra, seus corredores labirínticos, seus hologramas, os filmes antigos da Praga do seu tempo, as grandes caixas misteriosas que não se pode abrir, e até a terna canção em iídiche cantada por uma jovem em carne e osso (mas não é) não poderiam ser mais kafkianos. Tudo o que se sabe dele está exposto no museu e de maneira sutil e inteligente. As fotos mostram a trajetória fugaz dos seus 41 anos de vida: dele criança, jovem e adulto, a figura estilizada, o olhar penetrante e suas grandes orelhas curvas de lobo da estepe.


Há um texto maravilhoso escrito quando, recém-formado advogado, começa a trabalhar em uma companhia de seguros (de oito a nove horas diárias, seis dias por semana), em que ele afirma que esse trabalho assassinará sua vocação, porque, como alguém chegaria a ser um escritor dedicando todo seu tempo a um estúpido labor alimentício? Salvo os que auferem uma renda, todos os escritores do mundo fizeram pergunta parecida. Mas o que a maioria não costuma fazer é escrever quase sem parar em todos os momentos livres, como ele, e apesar de publicar muito pouco em vida, deixar uma obra, que incluídas suas cartas, tem um enorme fôlego.

Nada me parece mais triste do que alguém que sentia intensamente essa vocação, como Kafka, que escreveu tantos livros, mas jamais foi reconhecido em vida e só postumamente considerado um dos grandes escritores de todos os tempos (W.H. Auden comparou Kafka a Dante, Shakespeare e Goethe e disse que ele, como aqueles, era a síntese e símbolo da sua época). As obras que publicou ainda vivo passaram praticamente despercebidas e entre elas estava A Metamorfose. O pedido feito a seu amigo Max Brod para que queimasse seus trabalhos inéditos revela que ele acreditava ter fracassado como escritor, embora, talvez lhe restasse alguma esperança porque senão ele próprio os teria queimado.

A propósito de Max Brod, um dos poucos contemporâneos que acreditavam no talento de Kafka, há agora, por causa da publicação do livro de Benjamin Balit, Kafka’s Last Trial, um ressurgimento dos ataques que já haviam sido feitos contra ele no passado, por críticos e intelectuais respeitados, inclusive por Walter Benjamin e Hanna Arendt. Que injustiça! O mundo deveria ser agradecido a Max Brod, que, em vez de acatar a decisão do amigo que admirava, salvou para os leitores do futuro uma das obras mais originais da literatura. Brod pode ter exagerado em sua biografia e seus ensaios sobre Kafka a influência que o misticismo judaico teve sobre ele e, possivelmente, se equivocou deixando em seu testamento os inéditos que ficaram para Esther Hoffe com quem o Estado judeu e a Alemanha passaram anos em litígio por causa daqueles textos. (No final Israel ficou com a posse deles), um tema que é tratado no bizarro livro de Benjamin Balint. Ninguém que desfrute de verdade da leitura de Kafka deve ler o livro de Balint. Os que o atacam teriam de estar conscientes de que tudo o que dizem em suas análises sobre Kafka não teria sido possível sem a decisão sagaz de Max Brod de resgatar essa obra essencial.

Hermann Kafka, o destinatário da impressionante carta que seu filho jamais lhe enviou, era um judeu humilde que não tinha nenhum elo com a literatura. Ele se dedicou ao comércio, abrindo lojinhas de passamanaria que tiveram algum sucesso e elevaram o nível de vida da família. Mas dentro dele havia algum germe de excentricidade kafkiana porque, como é possível ele ter passado a vida mudando de apartamentos, e num mesmo prédio? Há indicações de que ele mudou 12 vezes de residência e não menos mudanças ocorreram no caso de suas lojas. A família se considerava judia e falava alemão, como a maioria dos checos na época, e não era particularmente religiosa. Tampouco Kafka, pelo menos antes de chegar a Praga a companhia de teatro em iídiche que tanto o impressionou. O museu documenta muito bem os efeitos dessa experiência, o empenho com que começou a estudar hebraico (que nunca chegou a aprender) a ler livros sobre o judaísmo hassídico e outros movimentos místicos, como também o belíssimo texto que escreveu sobre aqueles atores e atrizes que representavam em iídiche, mal sobrevivendo com as gorjetas oferecidas pelas pessoas nas ruas ou nos cafés onde atuavam.

O museu também traz detalhes sobre as quatro noivas que Kafka chegou a ter e as suas complicadas relações sentimentais. Quando se apaixonava era, sem dúvida, um amante tenaz, compulsivo, e propunha casamento à amada. Mas quando ela aceitava, ele voltava atrás, aterrorizado por ter chegado tão longe. A insegurança o perseguia também no amor. Pelo menos três dessas noivas sofreram; com uma delas, Felicia Bauer, ele comemorou o compromisso matrimonial com uma festa e pouco depois o rompeu. Com amizades era muito mais constante. Seu melhor amigo foi Brod, que na época tinha um nome literário e havia publicado alguns livros. Foi um dos primeiros a se dar conta do gênio de Kafka e o encorajou a escrever e a acreditar em si mesmo, o que efetivamente ocorreu, pois Kafka, quando escrevia, perdia a insegurança e se transformava em um insólito e seguro contador de histórias. Uma tuberculose galopante pôs fim à sua existência, quando entrava na maturidade. Hitler acabou com o resto da família. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

sábado, 18 de maio de 2019

Qual direita irá apoiar a Família Bolsonaro nas ruas

Tudo indica que será a direita evangélica

A Renascer, a Assembléia de Deus, e muitas das mais de 50 Igrejas Evangélicas que existem no Brasil, provavelmente estarão nas ruas no próximo dia 26, um domingo, apoiando abertamente a Família Bolsonaro.

As Igrejas Evangélicas são conservadoras, gostam de dinheiro, mesmo tendo como apelo principal a Fé em Jesus e no Cristianismo. As Igrejas podem se transformar em partidos políticos? NÃO. Mas seus fiéis podem criar, organizar e serem eleitos pelo povo.

O povo, inocentemente ou não, entregou o poder brasileiro pela primeira vez a um presidente da República, louco, pentecostal, militar indisciplinado e reformado, incendiário e com pouca escolaridade.

Os brasileiros, que são metidos a progressistas, saíram do armário e liberaram seu lado conservador, reacionário, preconceituoso e violento. Acontece que 70% dos brasileiros não são iguais aos evangélicos, não apoiam estas mudanças na Constituição e nas leis ordinárias.

O Brasil está caminhando rápido para um impasse: transição pacífica ou confrontos de ruas e violência como na Venezuela, Ucrânia, Palestina e tantos outros países???

Não podemos transformar os evangélicos em bodes expiatórios e responsáveis pelos erros de Bolsonaro. Tem muita gente interessada em inviabilizar o governo brasileiro, desmoralizar o judiciário e desacreditar do legislativo.

Precisamos organizar uma grande caminhada por mais empregos, mais salários, mais saúde e mais educação. Esta marcha deve incluir entre suas bandeiras as liberdades democráticas, o direito de existência dos sindicatos, a livre negociação entre patrões e empregados e o reconhecimento da Convenção 87 da OIT - Organização Internacional do Trabalho.

Unidos, devemos defender os jovens.
Unidos, devemos garantir saúde e educação para todos.

Unidos, devemos exigir mais emprego e melhores salários.
Unidos, devemos garantir aposentadoria decente para todos.

Unidos, devemos combater a alta dos preços do custo de vida.
Unidos, devemos combater as privatizações que nos desmoralizam.

Unidos, devemos defender o Brasil, suas riquezas e sua soberania.

Unidos, devemos restabelecer a imagem internacional do Brasil.
Unidos, devemos combater a violência e as mortes,

O Brasil merece respeito!
Vamos defender o povo brasileiro e a nossa soberania.

Respeitamos todas as religiões mas não queremos ser manipulados por elas...

sexta-feira, 17 de maio de 2019

O "desmanche" do governo Bolsonaro

Quando vão destituir o presidente?

A cada dia que passa, só piora a imagem do Brasil internacionalmente, além do aumento da crise interna, tanto econômica, como social e política. De repente, em menos de seis meses de mandato, aquele que conseguiu a façanha de derrotar os petistas, NÃO CONSEGUE GOVERNAR, sem os petistas e sem ninguém para atrapalhar a governabilidade. O governo que mostrou-se capaz de ganhar as eleições não consegue governar...

Há pessoas que ajudam e há as que atrapalham.

Há pessoas que são boas em determinadas funções,
mas são péssimas em outras.

O governo Bolsonaro está cheio de gente que não tem perfil para a função que foi nomeada. Gente que pode até ser um bom bispo evangélico, mas não consegue ser um bom ministro da Educação, da Fazenda, da Casa Civil ou mesmo do Turismo.

Em 2002 quando Lula foi eleito presidente na primeira vez, muita gente temeu que o governo de Lula fosse caótico; o governo Bolsonaro, conseguir ser bem pior do que se imaginavam que o governo Lula seria.

Bolsonaro está fazendo o povo brasileiro ficar com a sensação de que "era feliz mas não sabia". Que bom mesmo foi com Lula na presidência. Daí o crescimento do LULA LIVRE.

Sabemos que o povo está perdendo o emprego;
Sabemos que o povo está perdendo a aposentadoria;

Sabemos que o povo está perdendo suas escolas públicas;
Como também está perdendo o acesso à saúde pública;


Como o transporte está piorando,
como o custo de vida está matando...

"Quem não tem competência não se estabelece",
já dizia o ditado popular.
O governo Bolsonaro já mostrou que não tem competência para governar. Que não é do "ramo". O negócio dele é discurso falso, moralista, ameaçador como aqueles cachorrinhos que, quanto menor for, mais barulho faz.

"Que Deus salve o Brasil!"

Mesmo que, se for necessário, este seja mais um governante a ser destituído da presidência da República.

O povo merece respeito!
A soberania nacional, também!

quarta-feira, 15 de maio de 2019

VOLKSWAGEN - Um caso a ser repetido pelas demais empresas

EX-FUNCIONÁRIOS DA VOLKS VÃO À FÁBRICA E COBRAM REPARAÇÃO POR PERSEGUIÇÃO

Trabalhadores querem pedido formal de desculpas, entre outras medidas.
E reclamam não ter tido acesso a acordo que vem sendo discutido
entre a empresa e o Ministério Público

Publicado: 14 Maio, 2019 - 09h26 – CUT
Escrito por: Vitor Nuzzi, da RBA


Um grupo de aproximadamente 40 ex-funcionários da Volkswagen, que sofreu perseguição no período da ditadura, foi nesta segunda-feira (13) à fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, cobrar reparação pelas atitudes da empresa durante o regime autoritário. Um acordo está sendo costurado entre o Ministério Público e a montadora, mas os trabalhadores afirmam que não tiveram acesso aos termos negociados.

O grupo foi na tarde de hoje distribuir jornais na troca de turnos da fábrica, entre 13h45 e 15h30, aproximadamente. Havia trabalhadores demitidos por militância política, presos e torturados, com o caso notório de Lúcio Bellentani, que em 1972, quando era militante do PCB, foi detido ainda dentro da Volks, por agentes do Dops, acompanhados de seguranças da própria empresa. Atualmente, ele preside a Associação Henrich Plagge, homenagem a um ex-metalúrgico que morreu em 2017 e também foi vítima da repressão.

"Os protagonistas não estavam participando da negociação", afirmou Bellentani, ainda na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, de onde os ex-trabalhadores saíram para a fábrica. "Quando nós entramos, o Ministério Público já tinha um acordo pronto com a Volks. Já tinha um pacote para a gente. Temos minimamente o direito de participar dessa discussão", acrescentou, afirmando que a associação não teve acesso aos termos do possível acordo.

Desde que um dossiê foi elaborado pelo instituto Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas (IIEP), em 2015, o caso da Volkswagen tornou-se o mais avançado em termos de investigação sobre colaboração de empresas com a ditadura. Várias delas, públicas e privadas, ajudaram a repressão, materialmente ou passando informações sobre empregados "subversivos". A Comissão Nacional da Verdade dedicou ao tema parte de seu relatório final, assim como as comissões organizadas na Assembleia Legislativa paulista e na Câmara Municipal da capital.

Funcionário de 1974 a 2003 em São Bernardo, Geovaldo Gomes dos Santos, por exemplo, só soube muito tempo depois que seus dados pessoais haviam sido fornecidos para órgãos como Dops e SNI. Encontrou um verdadeiro dossiê. "Levantei umas 100 folhas." Como cipeiro, integrante da comissão de fábrica e posteriormente diretor do sindicato, ele garantiu estabilidade no local de trabalho.

"Tinha guarda até no banheiro, era pesado...", diz João Belmiro de Araújo Duarte, 72 anos, que trabalhou na Volks entre 1969 e 1970. "Lula estava começando. Quem andava muito por aí era o Frei Chico (José Ferreira da Silva, irmão do ex-presidente e militante do PCB)", recorda. Militante da Ação Popular, ele conta que fugiu, da própria fábrica, para escapar da prisão. Entrou mato adentro e passou anos na clandestinidade. "Fugi pelo Brasil afora."

Vindo do interior paulista, Antonio Rodrigues trabalhou de 1975 até o final de 1978 na fábrica do ABC. "Veio a perseguição. Não arrumei mais emprego", conta, lembrando que estava se preparando para passar da funilaria para o setor de ferramentaria. Hoje, diante da Portaria E da Volks, próxima da Ala 1 (Estamparia), ele segurava uma faixa pedindo "justiça em vida".

Os ex-funcionários querem um acordo que envolva a criação de um memorial pelas vítimas da ditadura, pedido formal de desculpas e reparação coletiva e individual. No final de 2017, a Volks divulgou relatório elaborado pelo historiador alemão Christopher Kopper, que comprova colaboração com o regime, mas sem identificar uma ação institucional da empresa.

Ainda naquele ano, um documentário exibido na Alemanha contou a história ocorrida no Brasil, retratando a história de Bellentani. "Aquela pressão fez com que a Volks mudasse de comportamento, mas não o suficiente para nos atender", diz o ex-metalúrgico, que na semana passada conversou com o procurador regional dos Direitos do Cidadão Pedro Antonio de Oliveira Machado, que trata do assunto. Machado disse que não poderia falar sobre o caso, porque as conversas com a empresa continuam.

Uma emissora de TV alemã acompanhou a manifestação de hoje. A panfletagem na fábrica, além do protesto contra a montadora, tinha o objetivo de informar os trabalhadores sobre a história ocorrida naquele local, décadas atrás. "O pessoal conhece pouco. Até dentro da própria representação", diz o coordenador geral de representação dos funcionários, Wagner Lima. Ele lembra que durante plenária realizada em fevereiro, na sede do sindicato, os trabalhadores passaram a saber mais sobre aqueles fatos – provavelmente, a maior parte dos atuais 9.200 empregados não havia nascido.

domingo, 12 de maio de 2019

A mentira tomou conta do Brasil:

É preciso restabelecer o respeito e a dignidade

- Fomos criados acreditando no Brasil e no progresso;
Fomos criados aprendendo a trabalhar em equipe, superando às dificuldades;
Crescemos nos últimos 50 anos juntos com o Brasil.

O Brasil estava entre as melhores economias do mundo;
O Brasil tinha boas escolas, tinha o SUS, tinha estradas, ferrovias e aviões;
O Brasil tinha indústria, agricultura, mineração, Carmen Miranda e Pelé.

Aprendemos a trabalhar pela liberdade religiosa, política e cultural;
Aprendemos a acreditar na democracia e nos direitos iguais;
Aprendemos a viver com a busca da segurança e da defesa da nossa vida.

Conquistamos a liberdade, fizemos uma Constituinte
e vimos surgir mais de trinta partidos políticos;

Mas a liberdade conquistada não foi bem aproveitada,


A mentira e a enganação tomaram conta do Brasil.

Precisamos vencer o medo.

Precisamos superar este governo incompetente que governa contra o povo brasileiro.
Precisamos participar das atividades convidadas pelos movimentos sociais e populares.

Precisamos dizer Não à esta situação de desemprego, custo de vida alto e de ameaças contra os direitos dos trabalhadores.

Nesta quarta-feira, dia 15 de maio, os professores e todo o povo brasileiro estarão nas ruas contra o corte nas verbas das escolas e da educação; contra a reforma trabalhista e contra esta reforma da previdência criminosa.

Exigimos aposentadorias decentes.

Contra a mentira e a enganação, GREVES NELES!

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Ao povo brasileiro,


Vivemos com medo, vivemos morrendo...
morrendo de morte matada e de morte morrida;
Nas eleições, votamos nos homens e nas mulheres,
mas as coisas pioram a cada dia que passa...

O desemprego vem crescendo em todo Brasil
e em todas as profissões. A penúria está crescendo.

Maridos e mulheres estão desempregados;


nossos filhos estão saindo das escolas por falta de pagamentos;
nossos convênios médicos estão perdendo a validade,
sobrecarregando o sistema público de saúde.

nossos carros estão ficando nas garagens, sem gasolina...
já não podemos brincar nas nossas ruas e praças, estamos ficando cada vez mais doentes e sem dinheiro para remédios.

A solução para o Brasil não é acabar com as escolas públicas,
a solução para o povo não é fechar as empresas e demitir
nossos jovens. Precisamos de famílias saudáveis, famílias empregadas, estudando, tendo transporte, tendo saúde e lazer.

Nós, brasileiros e brasileiras, precisamos:


de mais trabalho, de mais empresas produzindo e exportando,
gerando mais dinheiro para mais investimento e para sustentar nossos filhos. Precisamos de uma velhice digna.

precisamos de mais escolas de qualidade, rede de saúde com mais agilidade, precisamos ter trabalho para gerar dinheiro para comprar comida, comprar material escolar, comprar livros e praticar atividades esportivas e culturais

As pessoas pobres e as de origens e opções diferentes precisam ser também respeitadas. O Brasil precisa voltar a ter saúde, educação, cultura e alegria de viver.


Estamos nos sentindo enganados e traídos...


Como o governo anda destruindo o pouco que temos,
como o governo vem destruindo nossos empregos e trabalhos,
somos obrigados cada vez mais a participar das manifestações
contra o desemprego, contra a recessão e contra a reforma da previdência

No dia 15 de maio teremos manifestações e greves em todo o Brasil,

liderados pelos professores teremos um dia nacional exigindo respeito ao povo brasileiro.

o governo precisa ouvir o clamor do povo,
o Congresso Nacional precisa ouvir o clamor do povo,
os juízes precisam ouvir o clamor do povo,
a imprensa precisa ouvir o clamor do povo,

Os políticos precisam ouvir o clamor do povo,.
as entidades sociais e populares também precisam
entender as necessidades do povo.
as religiões precisam ouvir o clamor de seus fiéis

Precisamos restabelecer o respeito às pessoas e às instituições,
precisamos dialogar mais, precisamos ouvir mais,
precisamos nos unir para mudar, mudar para melhor.

Esperamos que o governo ouça o clamor do povo no dia 15 de maio,

caso contrário,

no dia 14 de junho
teremos muito mais gente fazendo greve.
Teremos uma grande greve geral.

É preciso restabelecer o respeito e a dignidade.

Viva o povo brasileiro! Viva o Brasil!


terça-feira, 7 de maio de 2019

Liverpool e Barcelona, uma aula de oportunidades

Ganhar de 3 a 0 e perder de 4 a 0 é de chorar

Se no futebol, o mundo pode presenciar tanta dedicação, tanta vontade de ganhar e o resultado ser invertido, isto é, quem achava que estava tudo garantido, ver escorregar pelos dedos, como água, e tomar de 4 a 0, é tão duro quanto perder em casa de 7 a 1.

Por que o Barcelona não jogou pelo empate? Por que não fez o futebol tinhoso? Será que foi excesso de autoconfiança?

Seja o que for que tenha acontecido, foi um jogo histórico e que deve servir de estudos e mais estudos, exemplos e mais exemplos de como transformar uma derrota em uma grande vitória.

Eu adoro o Barça, adoro o Messi. Mas não podemos deixar de reconhecer que o Liverpool nos fez lembrar dos Beatles e suas músicas maravilhosas.

Que este jogo sirva como ponto de virada para a economia mundial e para as disputas eleitorais.

Viva o futebol de garra e de solidariedade!

Família desempregada vende tudo

O desemprego é o pior mal

Conhecer alguém desempregado trás sempre uma dor em saber que esta pessoa e seus familiares estão sofrendo.

Conhecer alguém onde todos na família estão desempregados, trás uma sensação de TRAGÉDIA COLETIVA. Como pagar as contas? Como comer? Como pagar as escolas das crianças? Como conseguir novos empregos, se todas as empresas estão demitindo ou reduzindo custos?

A situação acima está aumentando aceleradamente. Todos os dias recebemos novos pedidos de ajuda para conseguir trabalho ou algum bico. Veja que as pessoas aceitam qualquer tipo de trabalho que possa diminuir o sofrimento da falta de dinheiro. Já não se prioriza o "emprego com carteira assinada". Todo este sofrimento é criado pelo governo Bolsonaro para impedir que o povo seja contra a reforma da previdência e o fim da aposentadoria. Pior do que o populismo, é o neoliberalismo.

É A PRECARIZAÇÃO DA VIDA!


Este sofrimento que já é comum para os mais pobres, agora está acontecendo com a classe média e em qualquer profissão e mesmo com os melhores funcionários.

Com o desemprego, vem também a falta de "convênio médico", justamente quando as pessoas tendem a ficar mais doente em função do sofrimento emocional e da falta de perspectiva.

E os políticos ainda querem acabar com as políticas públicas.


O Brasil vive uma situação de governo batendo cabeça, congresso nacional confuso e conservador, empresas fechando as portas, custo de vida crescendo assustadoramente.

Junto com a crise econômica, vem a violência armada!


Mortes de civis e militares.
O medo cresce e interfere na vida das pessoas, dos governos e das moradias...

Qual é a saída?


Vender tudo e ir morar em Portugal? Mesmo lá virando "zucas" de brazucas?
Vender tudo e ir morar com os pais?

Uma boa alternativa é juntar-se aos movimentos sociais e populares, organizar os desempregados e seus familiares e participar das manifestações convocadas pelas centrais sindicais.

Resistir, organizar, ler para entender o que está acontecendo e lutar para impedir a destruição de nossas famílias e do Brasil.

Podemos vender nossos bens materiais, mas não podemos vender nossa dignidade!

sábado, 4 de maio de 2019

Sem emprego, sem dinheiro e sem aposentadoria. É mole?

O povo está ficando desesperado.

E a reação, quando começa?

Talvez tenha começado no primeiro de maio...

Talvez aumente no dia 14 de junho quando as centrais estão convocando uma greve nacional, com manifestações em todos os estados. Tudo isto como parte da campanha contra a reforma da Previdência que acaba com a aposentadoria na prática.

Por que os governos conservadores e a imprensa mentem quando querem se eleger e depois governam contra o povo e principalmente contra os pobres? Até quando será assim?

O desemprego está assustador!

Este desemprego alto é planejado ou é incapacidade do governo?

Tudo está indicando que é incapacidade do governo...

sábado, 27 de abril de 2019

Por quê André Singer saiu da Folha?

Não sei, mas o artigo dele de hoje é brilhante:

Conclusões provisórias

Encerro meu percurso nesta Folha com três notas breves

27.abr.2019 às 2h00 – Folha – André Singer

Há mais de seis anos comecei a escrever neste espaço. De lá para cá, a democracia brasileira entrou em crise e ainda não se vê luz no horizonte. Encerro o percurso com três notas breves, a título de considerações finais sobre o tema.

1. Ascensão do Partido da Justiça (PJ). No final de 2012, quando esta coluna tinha início, acabava o julgamento do mensalão. Manobras discutíveis no STF (Supremo Tribunal Federal) visavam prender líderes petistas. Um ano depois, o então presidente da corte, Joaquim Barbosa, mandou-os para a cadeia, num feriado de 15 de novembro.

À época, assinalei que era “o simbolismo ideal para um possível futuro candidato a chefe do Executivo”. Dito e feito: em 2018, Barbosa passou meses na condição de presidenciável pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro). Por razões pouco claras, na última hora, desistiu do sonho presidencial.

O metafórico PJ, porém, já havia encontrado um sucessor à altura, o que talvez explique a desistência do ministro aposentado do STF. O juiz Sergio Moro, líder da Lava Jato e hoje ministro da Justiça, é virtual candidato à sucessão de Jair Bolsonaro.

2. Surgimento do Partido Fardado (PF). Em meio ao vazio que tomou conta do sistema partidário, varrido pela Lava Jato, militares da ativa, completamente afastados da cena política desde 1989, voltaram a agir. Em 2017, comandantes do Exército conclamaram a população a se manifestar. Hoje, um deles é vice-presidente da República.

Se a existência do PJ é até hoje motivo de controvérsia, o aparecimento do PF foi um verdadeiro raio em céu azul. As casernas tinham permanecido por 30 anos em rigoroso silêncio. Em questão de meses, no entanto, fardados ocuparam postos-chave na administração do país, tendo à frente umcapitão reformado expulso dos quartéis.

A reviravolta foi tamanha que há poucos dias o general Hamilton Mourão, o mesmo que no passado demonstrou simpatia pelo torturador Brilhante Ustra, foi objeto de elogios por uma deputada do PC do B (Partido Comunista do Brasil ).

3. Paralisia oposicionista. O golpe à brasileira —lento, gradual e seguro— encontrou a oposição desarticulada. O povo, por sua vez, tem assistido a tudo bestializado, como disse Aristides Lobo em 1889.

O lulismo, que segue vivo na estrutura capilar do PT (Partido dos Trabalhadores), desdobrou a falsa percepção histórica de que seria possível eliminar a pobreza e reduzir a desigualdade de cima para baixo. Não será. Chegado certo limite, as classes dominantes, com o entusiástico apoio da classe média, repõem o atraso.

Agradeço à Folha o privilégio de ter me permitido dialogar por quase 300 sábados com os seus leitores.

André Singer
Professor de ciência política da USP, ex-secretário de Imprensa da Presidência (2003-2007). É autor de “O Lulismo em Crise”.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Brasil: a destruição dos direitos trabalhistas e sociais

Um governo à serviço dos patrões

A palavra de ordem dos patrões, desde a eleição de Collor, incluindo FHC, Temer e Bolsonaro, é a destruição da Era
Vargas. Isto é, a destruição das conquistas sociais a aprtir de 1930, ano da vitória do movimento tenentista contra as oligarquias agricolas nacionais e internacionais.

Construção de estradas por todo o Brail, crescimento da produção, da industrialização e das exportações, aumento da rede pública de educação , saúde, transporte coletivo, introdução da indústria automobilística no Brasil, produção naval, extração de minérios em grande quantidade gerando superavit comercial.

Enfim, o Brasil crescia sem parar e ocupava importante papel no mundo.


Mesmo com o golpe militar e civivl de 1964, os militares estimularam a reforma bancária, a criação do Banco Central, criação do BNDES, grandes investimentos como Itaipu e Cia. Vale do Rio Doce. Era o Brasil que dava certo. Era a economia desenvolvimentista. Era o caminho para a redemocratização e do combate à pobreza, principalmente no Nordeste e no Norte.

Com a democratização veio também a organização da Classe Trabalhadora.


Anistia, liberdade de organização de partidos políticos de esquerda, fundação de centrais sindicais e de movimentos populares no campo e nas cidades. Mesmo com a repressão formal e informal, os trabalhadores cresciam em organizações e representações nacionais e internacionais. O povo brasileiro estava presente em todas as instituições mundiais. Era a força da democracia participativa.

Um peão assustou a direita brasileira!
Surge o melhor presidente que o Brasil já teve.

De 1978 a 2010, o Brasil e o mundo viram Lula combater a forme e a pobreza.

A esperança estava vencendo o medo.


A reação conse1rvadora foi violenta, dando mais uma vez um golpe de Estado, alterando as regras institucionais restringindo a capacidade de luta das organizações popularese combatendo Lula ferrenhamente. Com o regime de terror, criou-se as condições para os fascistas ganharem as eleições.

A partir de 2018, a direita sentiu-se LEGITIMADA para acabar com o que restava de direito dos trabalhadores e de participação popular. Os neoliberais, aliados aos evangélicos, à imprensa entreguista e ao judiciário manipulador, partam para destruir o Estado do Bem Estar Social e construir um processo acelerado de concentração de renda.

Desemprego, arrocho salarial, destruição da rede pública de educação e saúde, liberação geral de preços, aumentando os custos da classe média e dos pobres, escondendo o crescimento da inflação, como aconteceu na Argentina. Lá a inflação já passa de 50% ao ano. Aqui o governo diz que a inflação é de 4% ao ano.

A destruição de tudo que é público está levando o Brasil a perder sua soberania.


A CUT, como central sindical comprometida com todos os segmentos e tipos de profissionais da classe trabalhadora, tem como obrigação:

1 - ajudar a organizar os servidores públicos - municipais, estaduais e federais – organizar os setores industriais que estão sendo atacados pelos entreguistas.

2 – Defender os pequenos e médios negócios, defender e ajudar na organização dos agricultores e trabalhadores rurais.

3 - Contribuir mais intensamente na organização dos trabalhadores dos setores de transporte interestaduais e também metropolitano.

4 – atuar intensamente na organização dos setores de serviços, gerando mais empregos qualificados e com acesso às políticas públicas e convênios de qualidade.

5 – valorizar os trabalhadores dos setores culturais e de informação.

6 – defender os interesses da classe trabalhadora, mesmo que, para isto, tenha que enfrentar pressões patronais, governamentais e até policiais.

O primeiro de maio está chegando e deve ser nossa grande manifestação unitária de protesto contra o governo neoliberal e entreguista.

A greve geral, organizada de todas as formas, também está na ordem do dia. É Preciso defender nossos direitos, defender o direito de todos se aposentarem com dignidade. É preciso lutar na defesa da soberania nacional.

O Brasil não está à venda! O Brasil merece respeito!

A participação nas atividades do primeiro de maio é fundamental.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Brasil: Um governo à serviço da destruição

Poderes desmoralizados e aumento da pobreza

O Brasil vive um processo de contínua destruição da credibilidade de suas instituições.

1 - Até as eleições, que deveriam ser a base da democracia, virou um abismo entre o que se promete na campanha e o que se faz depois de eleitos. Uma farsa imensa!

2 - A imprensa que deveria ser o modelo de transparência para ajudar o povo a ter acesso à verdade, virou instrumento de interesses escusos. Por exemplo: O Estadão tem sido o principal porta-voz dos operadores da Lava Jato. O jornal tem livre acesso a informações que são consideradas sigilosas pelo Judiciário. Manipulação à serviço de interesses não revelados.

3 - O Judiciário tem funcionado como aparelho dos golpistas e dos manipuladores da opinião pública. E a OAB vinha se calando e até participando do golpe. Nas últimas eleições a clima voltou a ser mais comprometido com as funções institucionais da Ordem.

4 - Os partidos políticos são os mais desacreditados. Estimulando medidas golpistas e ditatoriais. A Ucrânia é o caso mais recente da desmoralização dos partidos em todos os países. O sistema de monopólio da política pelos partidos está superado historicamente. Precisamos construir formas mais diretas e mais participativas.

5 - A violência, incluindo assaltos e assassinatos, vem crescendo diariamente. As armas de fogo são usados em qualquer tipo de assalto, banalizando à morte. A impunidade é grande e não sinaliza diminuição.

6 - As Igrejas viraram partidos políticos conservadores que querem aparelhar o Estado e censurar o conhecimento científico e acabar com a pluralidade.

7 - As privatizações estão destruindo às políticas públicas, principalmente educação, saúde e previdência. O Brasil está destruindo sua soberania, com total omissão dos setores mais mobilizados da sociedade e ante o silêncio das Forças Armadas. Por que se calam????

8 - Os movimentos sociais e populares estão com baixo poder de mobilização e pressão. Já foram muito mais fortes. O que aconteceu? Como combater o desemprego e as reformas destruidoras dos direitos e benefícios do povo mais pobre?

9 - Por que o judiciário, a imprensa e os demais setores da sociedade estão omissos ante a destruição que o governo atual está fazendo com as entidades sindicais? Acabar com o imposto sindical foi positivo, mas, impedir que os sindicalizados paguem as mensalidades no hollerith, descontando do salário, é crime contra a liberdade de organização sindical dos trabalhadores. Por que se calam???

10 - A reação popular tarda mais não falha. A dúvida é se esta reação vem de forma organizada para valorizar a democracia, ou se vem acompanhada pelas quadrilhas de traficantes e quadrilhas de paramilitares que se dizem defensores dos moradores???

Por que se calam????

Um dia passarão...

terça-feira, 16 de abril de 2019

Mentiram tanto que virou verdade!

Brasil: Degradação política, econômica e social

A farsa virou tragédia.

Para combater a instabilidade do governo Dilma, a imprensa foi juntando tudo que podia para destruir a imagem positiva do governo Lula e o que tinha de positivo no governo Dilma. O judiciário aceitou fazer o papel de "legalizador" dos abusos da imprensa, criando a operação lava jato, onde os erros estavam sempre de um lado, caracterizando a partidarização do judiciário. Os empresários financiaram esta "operação bandeirantes" ideológica e violenta.

Não bastava perseguir e tentar destruir os petistas, era necessário tomar de volta as conquistas que os pobres tiveram, pregando uma recessão enorme, com desemprego, arrocho salarial e muita violência contra os pobres, os negros e os contestadores.

Como convencer os pobres a votar num candidato conservador, inescrupuloso, à serviço dos patrões e dos Estados Unidos? A solução foi "empoderar os evangélicos", com todos os seus defeitos e suas virtudes. A demonização da democracia, com suas diversidades serviu de motivação moral e espiritual para sair da racionalidade e ficar apenas no ideológico.

Agora, todo mundo pode matar todo mundo?
A violência se espalha por todas as áreas e por todo o território nacional.

O caos tomou conta do Brasil.

Um governo que é pior do que a ditadura militar;
Um judiciário que se coloca acima da sociedade e da Constituição;
Um legislativo que virou um amplo balcão de negócios e de desmonte dos valores democráticos;
Uma imprensa falida financeiramente, desacreditada moralmente e confusa quanto ao que fazer;
Um empresariado que vê tudo que é brasileiro ser vendido aos estrangeiros à preço de bananas;
Nem mesmo os militares se preocupam em preservar a soberania nacional.

E o povo diz que é contra tanta violência contra o próprio povo, mas ainda não consegue erguer-se, organizar-se e reagir nos locais de trabalho, nos bairros e nas praças.

As pesquisas estão provando que este governo é um tragédia nacional.

Precisamos salvar o Brasil!
Precisamos recuperar a soberania nacional!
Precisamos recuperar os empregos e os salários!

Precisamos recuperar a dignidade nacional!
Precisamos voltar a ser um país de todos, com todos e para todos.

sábado, 13 de abril de 2019

André Singer, o lulismo e a Folha

A Folha é o Centro?

Ando com "ressaca de imprensa". Todas... direita, esquerda, mais direita e mais esquerda. Não consigo achar "leitura de centro", isto é, de autores que estejam mais preocupados com tentar chegar à verdade, em vez de autores sectários.

Autores como André Singer, Bresser Pereira, Fernanda Torres, têm me atraído com seus artigos mais aglutinadores. Este blog eu ganhei de presente do pessoal da Formação do Sindicato dos Bancários de São Pulo, que completa 96 anos neste próximo dia 16. Os autores pediram-me para contar casos e causos...

Na época da ditadura militar eu assinava quase todos jornais que eram contra a ditadura. Com a democratização eles foram fechando, fechando, agora há pouca coisa boa para ler.

Os grandes jornais - que geralmente são conservadores e apoiam golpes civis, militares e jurídicos - continuam parecidos com antigamente. Alguns perderam sua identidade, ficaram mais conservadores e cínicos, como o Estadão. Já a Folha, que teve grande relevância nas DIRETAS JÁ, participou do golpe contra Dilma e o PT, ajudou a eleger Bolsonaro, e agora anda tentando voltar a ser um jornal mais equilibrado...

Eu sempre gostei de divulgar artigos de outros autores publicados na grande imprensa. Carentes de dinheiro, esta mídia passou a proibir reproduções, a não ser com mais pagamentos além das assinaturas. E assim as boas informações ficam mais restritas. Elitizadas...

Por exemplo, o artigo de André Singer na Folha de hoje, está impecável. Brilhante! Mas, para eu reproduzi-lo, preciso fazer um malabarismo danado... O artigo tem como titulo ETERNO RETORNO, e aborda a volta ao empobrecimento e à ignorância. QUE FAZER?

Desde 2015 os ortodoxos prometem a ativação da economia para depois da austeridade. Vivemos nela há quatro anos e o ritmo do PIB não sai do 1%. Já dizia o bom André...

A pobreza vai se agravar, firmando-se outra vez no centro do embate político... Prevê André Singer, o analista e professor da USP. além de filho de outro grande pensador, Paul Singer.

Vamos reaglutinar os democratas, os centristas, os que aceitam diferenças???

Vamos ajudar o povo que votou em Bolsonaro a voltar a pensar no povo e no Brasil, ajudando a fazer deste país uma grande Nação???

segunda-feira, 1 de abril de 2019

O Brasil neste primeiro de abril

O Brasil passou a ser um primeiro de abril?

Isto é, aquilo que prometia ser, ou quê tinha tudo para ser, mas não fez, não realizou-se...

O futebol definhou...

A economia está sendo transferida para outros países e as empresas brasileiras, públicas ou privadas, estão sendo vendidas à preços de bananas.

A Justiça substituiu os "capitães do mato", da era da República Velha.
E os juízes e procuradores acham que substituiram o papel do Estado, que eles são a nova ordem nacional e internacional...

A imprensa acha que, mentindo, pode definir o quê é verdade e o quê é mentira.
A imprensa quer ter o poder da Igreja Católica na Idade Média. Quando gerou o terror e o medo.

Precisou Lutero e Calvino inventarem a Reforma Protestante, criando uma nova ordem religiosa chamada de "Protestante".

Hoje o moderno é a informática e seus derivados. Informação mundial de livre acesso, em qualquer lugar e em qualquer hora. Basta saber inglês, como naquele tempo era o "latim".

Os empresários, por concordarem ou por omissão, estão aceitando ser apenas coadjuvantes, prepostos do empresários internacionais.

O Brasil voltou a "ficar deitado eternamente"?

Precisamos construir uma forma de o Congresso Nacional e seus novos ocupantes, conservadores, neoliberais e serviçais, serem contidos na atual saga de entreguismo e empobrecimento do povo brasileiro.

E pensar que, quando surgiu Komeine, no Irã, com sua Revolução Islâmica, com seus dogmas e bloqueios, eu pensei que os evangélicos, mesmo também sendo dogmáticos e seus bloqueios, não teriam coragem de transformar o Brasil num ridículo internacional.

Que as caminhadas se multipliquem por todo Brasil e pelo mundo. Que os governos voltem a ser para o povo, com o povo e do povo. Como ainda se chamam as democracia...

Que Deus proteja o Brasil e seu povo!
E que este 31 de março de 2019 passe para a história como o início de uma grande mudança. A mudança que evitou que o Brasil optasse pelo retrocesso e pela subserviência.

Que este 31 de março se unifique com o 25 de abril, data da revolução portuguesa, o primeiro de maio, dia internacional dos trabalhadores e trabalhadoras.

terça-feira, 26 de março de 2019

O Estado corporativo no Brasil

Um bom texto de Ericson Crivelli

O novo fica velho e o "novo novo" gera resistência...

Com as autoritárias reformas conservadoras e neoliberais aprovadas nos governos Temer-Bolsonaro, ambos serviçais dos empresários que querem privatizar tudo e entregar nossa soberania aos Estados Unidos, o Brasil vai ficando cada vez mais para trás na competitividade internacional.

O Brasil da esperança está se evidenciando como o Brasil do constrangimento.


Governos que mal tomaram posse já estão implodindo, levando setores da sociedade a analisar a necessidade de mais um impeachment - ou golpe, como queira chamar as derrubadas de governos eleitos democraticamente; legislativo composto por maiorias eleitas apenas como voto de protesto contra o governo Dilma e do PT; judiciário que abusa das atribuições e quer fazer papel de executivo-legislativo-judiciário, passando a ser de fato o interventor em nome da moralidade e de uma sociedade que não a elegeu. E os empresários, satisfeitos com tanta reforma entreguista, mas, ao meso tempo acovardados por constatar que teremos mais quatro anos de desgoverno.

Os militares, que "andavam fingindo de morto", saíram da retaguarda e voltaram a governar. O problema é que o eleito é ingovernável! Assim, cada vez mais vão voltando a ter mais poder e mais espaço...

A imprensa, com mais poder do que os poderes oficiais, manobra para lá e para cá, mais ainda não conseguiram estabilizar os poderes. A imprensa tem sido a porta-voz dos entreguistas e dos neoliberais. É a nova UDN de antigamente.

O povo, este só é levado em consideração quando precisam eleger os candidatos conservadores e entreguistas. Os segmentos mais pobres são considerados como "passivos financeiros e com pouca produtividade". São conceitos contábeis, onde gente não existe.

Vivemos sob a constatação de um Estado aristocrático, dos ricos e dos entreguistas. A soberania vai se diluindo nas declarações subservientes aos Estados Unidos.

Como repensar as instituições nacionais?


Como repensar o papel das instituições representantes dos trabalhadores? Começar de novo, mesmo sem o imposto-contribuição sindical? Sem Justiça do Trabalho? Como se organizarão os sindicatos, federações e confederações? Qual o papel das Centrais Sindicais?

Ericson Crivelli, advogado que começou a trabalhar nos sindicatos dos trabalhadores quando ainda era estudante, hoje, já doutor em direito pela PUC e profissional respeitado internacionalmente, tem um bom texto sobre "modelos corporativos sindicais". Não sei quando ele publicou o artigo, talvez seja parte da tese dele, vou verificar. Mas achei o texto tão atual que resolvi fazer estes comentários.

Afinal, se éramos contra o imposto/contribuição sindical, esta é a hora de viver sem ele. Se somos pela Convenção 87 da OIT - Organização Internacional do Trabalho, esta é a hora de formalizar a liberdade de organização dos trabalhadores, sem interferência dos patrões nem do governos.

Os sonhos e os sonhadores continuam presentes... Para provar que os governos, os judiciários, a imprensa e os patrões atuais continuam usando o Estado como instrumento de repressão, é só lembrar que LULA CONTINUA PRESO, João Vaccari continua preso, E vários outros companheiros continuam presos. E continuam assassinando trabalhadores e trabalhadoras no campo. A barbárie está presente.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Quando as casas novas ficam velhas

Quando não entendemos as mudanças na vida

A casa da nossa infância é "a casa verde", de perto do cemitério. Uma casa com três quartos, térrea, com fogão à lenha e "banheiros" no fundo do quintal. Pagávamos aluguel e não tinha água própria ou encanada. Foi onde passamos longos anos descobrindo a vida, as ruas, os bairros e a própria cidade de Serrinha, que ainda não tinha luz elétrica, mas tinhas boas escolas públicas...

Quando mudamos para "a casa nova", construída por nosso pai e um equipe de pedreiros, alguns irmãos já tinham ido morar fora e outros estavam chegando ao tempo de partida, embora eles, como eu, ainda não soubessem disto...

A casa nova era maior que a "casa verde", mas faltavam alguns filhos ou faltavam os filhos para dormir em suas camas. Foram partindo, como ave de arribação. O mais velho passou no concurso do Banco do Brasil e, por um tempo, ficou morando em Rui Barbosa para depois ir morar em Brasília. Os demais irmãos fomos morar em São Paulo.

Depois de quase 50 anos de deixar de morar na "casa nova", hoje vi uma foto desta casa que, embora enfeitada por palmeiras e outras plantas, deixou de ser "a casa nova" e passou a ser a casa de nossos pais. Cada um de nós passou a ter "a sua casa nova". Nesta semana, de forma meio assustadora, quase tivemos que trocar de moradia, deixando de morar na nossa casa florida para ir morar em apartamento.

Sabemos que temos que fazer esta transição - da casa para o apartamento - mas, como podemos aceitar tão de repente a mudança de casa, se ainda sequer nos acostumamos de ver a filha casada e morando em outro bairro? É claro que a casa ficou mais espaçosa. Mas, cada cômodo da casa tem uma ou mais história, tem seus barulhos e suas luminosidades, além de seus livros.

A nossa casa na Vila Madalena continua nova, porque a pintamos regularmente. Mas nossa vida, depois do casamento da filha, já sinaliza que estamos ficando mais velhos. Principalmente quando chegamos aos 65 anos de vida. Nesta idade também aparecem as doenças e os cansaços. E nem sempre temos pique para subir ou descer as nossas belas escadas da nossa bela casa iluminada e bem ventilada.

O Brasil está ficando velho. São Paulo anda mais tensa e esburacada. Nosso bairro ainda consegue manter as árvores e as flores. Só não sabemos se somos nós que estamos ficando velhos ou se é nossa casa que não tem o mesmo significado que tinha quando nossa filha estudava e morava na nossa casa. A casa que teve muitos significados positivos para ela, nossa principal alegria.

No fundo, nós tendemos a gostar das casas velhas... principalmente àquelas onde moramos por algum tempo.


sábado, 16 de março de 2019

Petrobras: Crime contra a liberdade e a democracia

O importante é vencer?

Liberdade religiosa e partidária, direito de se organizar em Igrejas, partidos políticos e associações culturais e étnicas, isto representa o grau de democracia que cada comunidade ou país tenha e pratique.

“Aos amigos tudo, aos inimigos a lei” é um ditado antigo no Brasil que mostra bem o quanto a nossa prática democrática é relativa e frágil.

No caso do governo atual, utilizou-se do espaço democrático para ser democraticamente eleito, tanto para governar como para ter maioria no Congresso Nacional. Uma maioria que é a soma de partidos políticos do centrão conservador e do “vale-tudo”.

No caso da Reforma da Previdência, pouco importa quanto vai custar o voto de cada parlamentar, o parecer de cada juiz, jurista, as opiniões de jornalistas que “vendem notícias” e pareceres de professores universitários como forma de dar seriedade e neutralidade para o “jogo do vale-tudo”.

No caso da sustentação financeira das entidades dos trabalhadores, acabar com o imposto sindical, também chamada de Contribuição Sindical, é corretíssimo. Quanto ao querer impedir a cobrança das mensalidades livremente negociadas diretamente com os trabalhadores e em campanhas democráticas com os patrões, aí já é ditadura e abuso de poder...

Ganhar mentindo, e até roubando pode, o que não pode é perder... Esta é a tradição brasileira.

A matéria da Folha-UOL sobre a ação do governo atual contra os trabalhadores da Petrobrás é uma boa demonstração de como se usar os poderes para prejudicar pessoas no singular e na coletividade. A citar com destaque a decisão do governo em relação à Petrobrás, a Folha passa uma ideia de neutralidade, mas esconde que a democracia e a liberdade estão sendo sacrificadas em nome do vale-tudo do neoliberalismo e da venda da soberania nacional. O tempo vai mostrar quem está com a razão...

Petrobras avisa sindicatos que contribuição de março não será descontada em folha


16.mar.2019 às 8h00 - Folha - Anaïs Fernandes

A Petrobras comunicou nesta sexta-feira (15) a FUP (Federação Única dos Petroleiros) que não descontará contribuições sindicais do contracheque de seus funcionários já a partir deste mês.

A companhia disse que atende a determinação da Medida Provisória 873, publicada pelo governo no Carnaval, segundo a qual o recolhimento das contribuições passará a ser feito por boleto bancário ou equivalente eletrônico. A mudança tem sido alvo de questionamentos na Justiça.

"A responsabilidade pela emissão do boleto será de cada sindicato. Não cabe mais ao empregador o desconto e o recolhimento de contribuições de empregados a sindicatos", disse a Petrobras em carta à FUP.

Segundo a petroleira, a mudança vale tanto para a mensalidade sindical, cobrada dos empregados efetivamente filiados a sindicatos, quanto para a contribuição (antigo imposto sindical), equivalente a um dia de trabalho e descontada de todos os funcionários anualmente em março.

As contribuições assistenciais aprovadas e descontadas durante a vigência do atual acordo coletivo (válido até 31 de agosto) permanecem na folha de pagamento, informou a Petrobras.

"Para viabilizar o recolhimento da contribuição sindical por parte dos empregados que fizerem essa opção", diz a empresa, foi disponibilizado aos funcionários um simulador informando o valor de um dia de serviço e o sindicato responsável pela emissão do boleto.

A FUP alega que a decisão da Petrobras foi tomada de forma unilateral, sem discussão com os sindicatos. "Os petroleiros estão sendo comunicados de que teriam que realizar o pagamento das mensalidades através de boletos bancários a serem emitidos pelos sindicatos, que não foram sequer comunicados previamente pela empresa", disse a entidade em seu site.

A FUP diz que encaminhou uma notificação extrajudicial à Petrobras solicitando que a companhia reconsidere a decisão.

O Sindipetro (sindicato dos petroleiros) de Alagoas e Sergipe obteve nesta sexta uma decisão liminar (de caráter temporário) na Justiça de Sergipe determinando que a Petrobras não suprima da folha de pagamento os descontos das mensalidades dos empregados filiados ao sindicato.

Na decisão de primeira instância, a juíza substituta Luciana Doria de Medeiros Chaves cita que "a Constituição brasileira prevê, como direito básico do trabalhador, a liberdade de associação profissional ou sindical, estabelecendo que a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independente da contribuição prevista em lei".

A contribuição para "custeio do sistema confederativo" citada é a mensalidade paga pelos filiados do sindicato. Já a "contribuição prevista em lei" é o antigo imposto sindical. A modalidade foi alvo da reforma trabalhista de Michel Temer, que definiu que a contribuição só poderia ser feita com autorização prévia e expressa do trabalhador.
Chaves disse ainda que é fundado o receio do Sindipetro de dano irreparável, "tendo em vista que a supressão dos descontos de referidas mensalidades de forma abrupta e sem prazo razoável para adequação, poderá deixar o sindicato sem a arrecadação de sua quase única e exclusiva receita, com evidente prejuízo à classe de trabalhadores cujos direitos são por ele tutelados".

sábado, 9 de março de 2019

Além de falar de flores, eu gostaria...

de falar de muitas outras coisas. Por exemplo:

1 - Poder olhar os jornais pela manhã e sentir que eles se esforçam para mostrar as várias versões, em vez do pensamento único;

2 - Poder ir na padaria e ver o quanto as pessoas estão animadas com o dia que começa, em vez de reclamarem, reclamarem, reclamarem;

3 - Poder sentar para tomar um café da manhã e planejar o dia com a família sem se preocupar demais com dívidas, juros bancários, violência dos assaltantes e dos policiais;

4 - Poder ir trabalhar sem medo de ser atropelado pelos motoboys ou pelos motoristas nervosos;

5 - Poder acreditar nas boas intenções dos governos e dos políticos;

6 - Poder entender a diferença entre a inflação nominal de 3% ao ano e o custo de vida que deve estar em 25%;

7 - Poder falar em transparência e confiança e constatar que as pessoas estão praticando o respeito e as parcerias;

8 - Poder falar da vida e da morte, sem ter tanto medo do custo dos remédios, da resistência dos convênios médicos em "autorizar" que os hospitais tratem dos doentes sem os doentes terem que vender tudo que tem para poder pagar as despesas com hospitais, remédios e atividades complementares;

9 - Poder falar de amor afetivo entre familiares, colegas e amigos, onde prepondere o respeito e o incentivo ao crescimento enquanto pessoas;

10 - Poder falar de flores, de amor, de vida e de morte, transparência e confiança, custo de vida e inflação, acreditar de verdade, trabalhar sem medo, alimentar-se como um monge, aprender a conviver respeitando os acertos e os erros, reconhecendo as diversidades, as equidades e que todos morreremos. Mais felizes ou menos felizes...

Sentimos que vivemos momentos de retrocessos na vida, nos empregos, na saúde e na política. Estamos envelhecendo sentindo uma frustração muito grande. Mas, temos muitos anos pela frente e esta loucura ampla, geral e irrestrita vai passar. Já cantava Chico Buarque.

Lendo o caderno Fim de Semana, do jornal Valor, encontrei uma ótima matéria sobre a guerra no Iraque, as milhares de mortes e, ao mesmo tempo, a descoberta de milhares de sítios arqueológicos. O Iraque violentado é a Babilônia de antigamente, a verdadeira Babilônia do Império ASSÍRIO e de mais de 4 mil anos de histórias e estórias. Os assírios helenizaram os hebreus, que por sua vez, ajudaram a helenizar o Oriente Médio.

Se a vida continua, a luta para melhorar a qualidade de vida também continua.
Não vamos desistir, navegar é preciso...
Já dizia Fernando Pessoa e cantava Caetano Veloso.

sábado, 2 de março de 2019

O Brasil cheio de ameaças

Há uma grande crise de hegemonia no Brasil.

1 - Os trabalhadores estão sob forte ataque dos empresários e seus subordinados neoliberais;

2 - Os trabalhadores, na sua quase totalidade estão perdendo com o desemprego estimulado desde o governo Temer e agora acentuado com o novo governo; ao perder o emprego, perde ajuda alimentação, ajuda refeição e, principalmente, convênios médicos familiar.

3 - Tão grave quanto o desemprego é o grande golpe que o governo e seus apoiadores estão dando com esta reforma da previdência e o fim das aposentadorias, fim da previdência social e a entrega de todos os recursos financeiros, administrativos e sociais para a gestão dos bancos privados. É a maior fraude já realizada no Brasil desde 1930.

4 - Se, materialmente, há perda de salários e benefícios, em todas as áreas, os empresários estão excluindo a participação dos trabalhadores, como forma de deixar mais fácil a exploração. Afinal é todo um aparelho do Estado, mais as grandes empresas e a grande imprensa. O judiciário e o legislativo também estão sob controle dos empresários.

5 - A principal perseguição contra os trabalhadores se dá com prisões de pessoas vinculadas ao PT e, ao mesmo tempo, destruindo a estrutura sindical, que no Brasil, está organizada tanto pelos trabalhadores como os patrões. Com a nova lei trabalhista aprovada no governo Temer, além de tirar importantes conquistas sociais e financeiras, os patrões partiram para acabar com a sustentação financeira dos sindicatos.

6 - Aparentemente, o governo e os patrões, acabaram com o imposto sindical dos dois lados, mas os patrões escondem da sociedade e dos trabalhadores que com o dinheiro do Sistema S, como SESC, SESI, etc., este dinheiro é mais usado pelos patrões para fazer política do que para fazer serviço social. O fim do imposto sindical, também conhecido como contribuição sindical, acabou sendo mais uma farsa, mais uma mentira deste governo e do governo Temer. Uma mentira de todos que apoiam este governo.

7 - O governo atual e seus aliados vêm atacando o ENSINO, vem diminuindo recursos para Saúde Pública, vem atacando até mesmo a Igreja Católica. Além da censura, todos convivem com ameaças e intimidações. As instituições vinculadas ao Estado, que deveriam defender a Constituição e a Liberdade, estão usando estas instituições para intimidar os que são contra seus valores conservadores.

8 - O fato de o governo ter sido eleito não quer dizer que vivemos numa democracia. Estas eleições se deram depois de um golpe de Estado e de mudanças fundamentais tanto na Constituição como nas leis ordinárias. O Brasil está sendo violentado.

9 - O PSDB sempre gostou de "namorar" a direita brasileira. Esta proteção conservadora do PSDB facilitou a ascensão eleitoral deste agrupamento composto artificialmente de evangélicos, banqueiros, empresários nacionais e estrangeiros, procuradores e judiciário conservadores, imprensa golpista e contou também com alguns erros primários por parte do PT ou de seus filiados.

10 - Presenciamos todos os dias a confusão de notícias nos rádios, jornais e TVs. O governo tateia entre o entreguismo econômico e social, acabando com a nossa SOBERANIA NACIONAL, uma ditadura civil, por enquanto, sustentada pela votação que recebeu nas urnas, mas que, na medida que a economia piora visivelmente, o povo pode rebelar-se e tirar a base de apoio a estes aventureiros e falso-moralistas. Podemos estar abrindo as portas do inferno e levando o Brasil ao imponderável...

Para falar dos desafios do Brasil, precisamos lembrar que é preciso combinar legalidade com legitimidade.

A Imprensa marqueteira e manipuladora precisa ser superada pela imprensa que tem responsabilidade com a verdade e o diálogo. O Brasil precisa de um judiciário que seja o mais neutro possível. Se a OAB está voltando a ser uma instituição comprometida com a Democracia e o Estado de Direito, o judiciário como um todo não pode fugir ao seu juramento.

Os patrões, ah os patrões, estes estão atordoados como baratas tontas, procurando o governo para cobrar o crescimento econômico e a fartura que tanto prometeram.

O povo, ah o povo, quantos crimes cometem em seu nome, o povo precisa de segurança. Segurança na vida, nas ruas, nos empregos, nas aposentadorias e na vida familiar.

Não vamos esquecer que o povo deve ser a razão de tudo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Compram-se e Vendem-se Empresas, Países, etc

O Brasil transformou-se em "vende tudo".

Vejam algumas informações interessantes na capa do jornal Valor e sobre compras e vendas de empresas:

1 - Drogasil-Raia compra a Onofre.

Rede vendida tinha 50 lojas e vendas brutas de 479,4 milhões no ano passado, era controlada pelos americanos da CVS Health. Com a
transação, a CVS deixa o mercado brasileiro de farmácias.

2 - Acionistas da EMBRAER aprovam fusão com a Boeing.

Dos 21 acionistas presentes à assembleia de ontem, quatro votaram contra o acordo.

3 - HONDA inicia a produção em ITIRAPINA - SP

Finalmente, com três anos de atraso, Itirapina, cidade com 17 mil habitantes na região central de São Paulo, entra hoje no mapa da
indústria automobilística brasileira.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

A "Nova Previdência" É UMA FARSA!

PROPAGANDA ENGANOSA E VALE TUDO POR DINHEIRO

IGNORAM AS PESSOAS...

Toda vez que os compradores de empresas, principalmente que é uma privatização manipulada, estão montando "esquema" para comprar uma empresa pagando bem menos do que a empresa vale na realidade, estes "especialistas em negócios legais, ilegais e imorais chamam as simulações contábeis, financeiras, comerciais, jurídicas, tributárias e de "colaboradores" de NOVA EMPRESA. A própria apresentação em power-point do governo parecia uma grande peça de enganação. Parecia obra de Nizan quando ele quer mostrar uma felicidade que não existe.

Foi assim com a VARIG, que virou NOVA VARIG e a Varig quebrou. Foi assim com a ABRIL (da Veja), que virou NOVA ABRIL e a Abril está praticamente quebrada. Com os Bancos Estaduais, as empresas de energia elétrica - lembram do escândalo da Eletropaulo? - Vale, telefônicas e até empresas de água...

Os Bancos e os Fundos de Investimentos estão destruindo as democracias, estão destruindo as políticas públicas, piorando a qualidade do serviço prestado em nome de baratear custos e em nome de garantir acesso a toda população e combater os privilégios.

Esta nova reforma da Previdência é uma verdadeira FARSA!
Não é por acaso que estão querendo chamar este "novo pessoal" de UDN. A direita de antes de 1964 que quer levar o Brasil para antes de 1930...

Mentem, mentem e mentem tanto que é capaz de eles mesmos acreditarem nas mentiras que estão apresentando ao povo brasileiro.
Antigamente existia uma instituição que julgava as propagandas enganosas, abusivas ou que atentasse ao pudor.
Agora, estamos vivendo um momento histórico no Brasil onde, até as instituições foram tomadas por mentirosos e estes não são punidos por mentirem abusivamente.

Hoje cedo, ouvi na rádio CBN propaganda da NOVA PREVIDÊNCIA! Tudo mentira! Mas a CBN pode alegar que era propaganda paga e não noticiário...

Ao abrir os jornais de hoje, a mesma coisa. Páginas inteiras de propaganda enganosa, PAGAS COM O DINHEIRO DA FIESP. A Fiesp de Skaf? Como diz os trabalhadores do Centro de São Paulo:

SE OS PATRÕES ESTÃO PAGANDO PARA DEFENDER A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, é porque esta reforma não serve para os trabalhadores...

A Fiesp ainda tem a coragem de escrever: "Parlamentares, o futuro do Brasil depende de vocês... "
Triste país, que depende deste parlamento, digo eu...

Realmente, numa democracia, o parlamento representa o povo.
E este povo não vê os parlamentares votar contra o povo que os elegeram...

Já venderam ou privatizaram quase tudo...

A Saúde está sendo privatizada.
A Educação está sendo privatizada.

Agora querem acabar com a agricultura familiar e entregar tudo ao latifúndio, mesmo que sejam matadores. O Judiciário está cada vez mais à serviço das multinacionais e de políticos mentirosos. A imprensa está em campanha permanente em defesa das privatizações e da venda da soberania nacional.

Nem os militares, durante a ditadura, entregaram tanto as riquezas brasileiras como andam entregando...
Nem os militares, durante a ditadura, destruíram as políticas públicas como andam destruindo...
Nem os militares, durante a ditadura, trataram as pessoas com tanto desprezo como andam tratando atualmente.

Por mais que Chico Buarque cante "Vai passar..",
não podemos esperar passivamente que destruam nossos rios, nossas florestas, nossos empregos, nossas aposentadorias, nossa soberania nem nossa dignidade.

Por isto estamos cantando outra música de Chico Buarque: "Amanhã, vai ser outro dia..."
Quantos brasileiros e brasileiras precisarão morrer até este "amanhã" chegar?
Isto depende mais de cada um de nós do que do nosso Congresso Nacional.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Só a RETOMADA ECONÔMICA salva o Brasil

Sem conseguir resolver a ECONOMIA,
os governos querem matar a Previdência


Lendo o bom artigo abaixo, chamou-me atenção que o autor afirma que A RECESSÃO ACELEROU O DESEQUILIBRIO FISCAL". Fui pesquisar e achei outro bom artigo sobre o desequilíbrio fiscal, de autoria de Claudia Safatle, que afirma: "RAIZ DAS CRISES HÁ 35 ANOS, desequilíbrio fiscal é grande desafio do novo governo".

Se o DESEQUILIBRIO FISCAL é muito mais importante que a Previdência, por que tanta mentira???

Aproveitem o fim de semana e leiam o bom artigo do professor José Luis Oreiro:

"Só a retomada salva o País

22 de fevereiro de 2019 Valor - José Luis Oreiro

Retomada do desenvolvimento exige que o país reinicie processo de “catching-up” industrial e tecnológico
A sociedade brasileira passa por uma profunda crise econômica, política e social desde 2013. As manifestações de 2013 foram o evento catalizador de um processo de crescente descrédito na classe política e, posteriormente, de outras instituições da República.

A insatisfação de parte expressiva da população com a performance dos políticos, em particular, e do Estado, em geral, foi incrementada pelos efeitos deletérios da recessão iniciada no segundo trimestre de 2014 – que foi detonada por um colapso do investimento do setor privado, que se contraiu por três trimestres consecutivos, a taxa de 10% por trimestre. Isso resultou de um processo de “profit squeeze”, ou seja, queda das margens de lucro e da taxa de retorno sobre o capital próprio das empresas não financeiras, a qual se tornou na mais duradoura e profunda crise econômica do Brasil nos últimos 30 anos. No auge da crise, mais de 14 milhões de brasileiros estavam desempregados e o PIB apresentou retração superior a 8% em termos reais, com destruição de riqueza de R$ 600 bilhões.

A recessão acelerou o desequilíbrio fiscal da União e dos entes subnacionais, muitos dos quais passaram a enfrentar dificuldades crescentes para manter o pagamento dos servidores em dia. A deterioração crescente do resultado primário da União a partir de 2014 gerou um crescimento acelerado da dívida pública como proporção do PIB, colocando o endividamento da União em trajetória claramente insustentável. A perda de espaço fiscal decorrente desses desdobramentos impediu a realização de uma política fiscal anticíclica justamente no momento em que a mesma era mais necessária. Pelo contrário, a política fiscal executada em 2015 foi francamente contracionista, amplificando assim os efeitos da recessão iniciada em 2014.

Outro fator que amplificou os efeitos recessivos do colapso do investimento privado foi a elevação da taxa básica de juros promovida pelo Banco Central em 2015, na tentativa de debelar os efeitos de segunda ordem que o aumento das tarifas dos públicas e dos combustíveis poderiam ter sobre a dinâmica da taxa de inflação.

O desemprego crescente aguçou a percepção de que a crise brasileira era o resultado da corrupção generalizada dentro do Estado, tal como estava sendo revelado ao público pela Lava-Jato. Essa percepção acabou por gerar um sentimento difuso de “ódio” à classe política, principalmente aos políticos diretamente ligados ao PT.

O imenso apoio popular ao impeachment da presidente Dilma Rousseff foi a demonstração clara de que, na cabeça do cidadão mediano, a crise era resultado direto da corrupção dirigida e organizada pelo PT e seus aliados. Nesse contexto, uma ampla parcela da população acreditava que o afastamento do PT do poder, pelo impeachment, cujas bases jurídicas eram duvidosas, seria uma condição necessária, quando não suficiente, para o fim da corrupção e para a retomada do crescimento econômico.

Os primeiros meses do governo Michel Temer pareciam apontar para uma retomada robusta do crescimento no início de 2017, ainda que poucas pessoas acreditassem na vontade do governo de combater a corrupção.

O governo Temer apresentou à sociedade brasileira uma narrativa essencialmente ortodoxa das causas da crise de 2014 a 2016. O problema fundamental era o desequilíbrio fiscal estrutural, resultado do “contrato social” estabelecido pela Constituição de 1988. Segundo economistas ligados ao governo, a Constituição havia produzido um conjunto de benefícios sociais para os mais pobres e de privilégios para os funcionários públicos que impunham um ritmo para o crescimento dos gastos públicos (entre 5 a 6% ao ano em termos reais) que era muito superior à capacidade de crescimento da economia.

Durante um certo período foi possível acomodar esse aumento dos gastos com o aumento da carga tributária. Contudo, a partir de 2011, a receita passou a crescer mais ou menos em linha com o PIB de tal forma que a deterioração do resultado primário da União tornou-se inevitável. Essa deterioração teria sido “mascarada” pelas “pedaladas fiscais” e outros artifícios de “contabilidade criativa”; mas, a partir de 2014, ficou impossível encobrir a verdade nua e crua de que o governo não era mais capaz de gerar superávits primários e que, portanto, a dívida pública entraria em trajetória explosiva. O desequilíbrio fiscal crescente acabou por gerar perda de confiança dos empresários no governo, o que se refletiu em elevação do prêmio de risco país, desvalorização da taxa de câmbio, queda dos preços das ações e elevação dos juros futuros. Esse quadro levou a uma queda dos gastos de investimento e de consumo, fazendo com que o país entrasse na pior recessão dos últimos 30 anos.

Face a essa narrativa, a solução para a crise era muito clara: o governo precisava fazer um ajuste fiscal estrutural, cujo foco deveria ser a redução do ritmo de crescimento das despesas. Para tanto, foi desenhada uma estratégia em duas etapas. Na primeira, o governo enviou para o Congresso uma PEC criando um teto de gastos para o governo federal. Esse teto não seria a solução do problema fiscal, mas apenas uma espécie de mecanismo que explicitaria o conflito distributivo existente dentro do orçamento. A ideia era congelar os gastos primários da União em termos reais por dez anos, ao final dos quais poderia ser modificado o indexador dos gastos públicos, que havia sido definido como a variação do IPCA no período inicial de vigência do teto.

O problema é que todos os itens das despesas obrigatórias (aposentadorias, pensões, salários do funcionalismo público, gastos com saúde e educação) apresentaram nos últimos 20 anos uma taxa de crescimento muito acima da variação do IPCA. Dessa forma, se nada fosse feito para reduzir o ritmo de crescimento desses gastos, o cumprimento da regra do teto obrigaria a administração federal a reduzir progressivamente os gastos discricionários, que incluem gastos com o investimento em infraestrutura, com o reaparelhamento das Forças Armadas e com a manutenção de instalações do governo federal.

Como é impossível manter o funcionamento da máquina pública federal sem a realização de um valor mínimo de gastos discricionários, segue-se que a ameaça de “shutdown” obrigaria o Congresso a realizar aquilo que foi denominado de “a mãe de todas as reformas”, a reforma da Previdência. Uma vez aprovada uma “boa” reforma, o desequilíbrio fiscal estrutural seria eliminado, e o teto dos gastos poderia, eventualmente, ser abolido. Nessas condições, o Brasil poderia retomar o crescimento em bases sustentáveis, pois se produziria uma “contração fiscal expansionista”, ou seja, o ajuste das contas públicas levaria automaticamente a um aumento do investimento e do consumo do setor privado.

A PEC do teto dos gastos foi aprovada no final de 2016 e tudo apontava para a aprovação de uma reforma da Previdência em 2017. As condições financeiras da economia brasileira (risco país, taxa de câmbio, juros futuros e índice Bovespa) apresentavam nítidos sinais de melhora no primeiro trimestre de 2017. A melhoria das condições financeiras ocorrida a partir do segundo semestre de 2016 permitiu ao BC iniciar um processo “lento, gradual e seguro” de redução da taxa de juros, o qual deveria, em algum momento, estimular o crescimento.

Mas no meio do caminho havia uma pedra, e essa pedra foi o escândalo da gravação das conversas, por assim dizer, pouco republicanas, entre o presidente da República e Joesley Batista, da JBS. A divulgação desses áudios produziu uma crise política de proporções gigantescas, obrigando o presidente a gastar todo o seu capital político e otras cositas más na tentativa de angariar apoio político para o seu governo e impedir um novo processo de impeachment. No fim do ano de 2017 já estava claro que a reforma da Previdência não teria condições políticas de ser aprovada durante o governo Temer.

Surpreendentemente os mercados financeiros não desabaram com o adiamento da reforma da Previdência. Índices de condições financeiras continuaram relativamente bem-comportados ao longo do segundo semestre de 2017 e no primeiro trimestre de 2018. Apesar disso, o crescimento foi decepcionante em 2017. O PIB apresentou expansão de 1,1% em termos reais, após dois anos de queda acentuada. No fim de 2017, a economia ainda se encontrava 6% abaixo do nível observado em 2013. E o pior, o desemprego superava 13 milhões de pessoas. A produção industrial encontrava-se ao nível de 2004, recuo de mais de 10 anos.

O ano de 2018 se inicia com grandes expectativas de aceleração do crescimento. O ministro da Fazenda esperava um crescimento entre 2,5% a 3%. Se essas expectativas se confirmassem, a taxa de desemprego poderia fechar o ano em torno de 10% da força de trabalho, gerando um saldo de 2 a 3 milhões de novos empregos. Nesse cenário róseo, o candidato à Presidência da República que encarnasse a continuidade da política econômica do governo Temer seria praticamente imbatível nas eleições de outubro.

Mas o otimismo de Henrique Meirelles mostrou-se sem fundamento. No primeiro semestre de 2018 a atividade mostrava sinais de recuperação muito lenta, embora a grande recessão tivesse oficialmente terminado no fim de 2016. A implantação do teto dos gastos pode ter até ancorado as expectativas dos agentes do mercado financeiro, contribuindo assim para a relativa estabilidade dos índices de condições financeiras; contudo, o seu cumprimento estava impondo redução sem precedentes, nos últimos 15 anos, dos gastos com investimento público.

A contração do investimento público – justamente o componente da despesa primária que possui o maior efeito multiplicador – atuou como mecanismo de desestímulo à demanda agregada, numa economia que estava operando com nível absurdamente elevado, para seus padrões históricos, de ociosidade da capacidade produtiva. A greve dos caminhoneiros, a crise econômica na Turquia e Argentina e a indefinição do quadro eleitoral contribuíram para aumentar a incerteza reinante entre agentes econômicos, que se expressou numa deterioração significativa do índice de condições financeiras ao longo do segundo semestre de 2018. Como resultado desses desdobramentos, o ritmo de recuperação da atividade econômica desacelerou e a economia deve ter fechado o ano passado com um crescimento em torno de 1%.

O quadro econômico desolador combinado com a constatação de que a corrupção na máquina pública não estava restrita ao PT levou uma ampla parcela da população a acreditar que os problemas só seriam resolvidos por um outsider da política tradicional. A maioria dos eleitores identificou em Jair Bolsonaro a pessoa que encarnava o anti-establishment.

Mas será que o governo Bolsonaro poderá atender ao desejo de mudança, ou melhor, será que o novo governo poderá recolocar o Brasil na trajetória de desenvolvimento?

Bolsonaro, influenciado pelo czar da economia, Paulo Guedes, parece acreditar que a reforma da Previdência, combinada com um programa ambicioso de privatizações, irá fazer o país sair daquilo que o próprio Guedes chamou de “armadilha de baixo crescimento”. Não é a primeira vez que se propõe uma ampla agenda de privatizações como solução para os problemas nacionais. Essa agenda foi extensamente adotada nos governos Collor e FHC.

A taxa média de crescimento no período 1990-2002 foi inferior a 2,5%, mesmo se expurgarmos os dois primeiros anos do governo Collor, quando a economia entrou em recessão devido ao “confisco das poupanças”. Também não é a primeira vez que se diz que um ajuste fiscal é fundamental para a retomada do desenvolvimento. Ajustes fiscais foram feitos em 1994-1995; 1999-2000, 2003-2004, 2011, 2015, 2016-2018. Nesses casos, apenas um deles, o período 2003-2004, foi seguido por um período de aceleração significativa e razoavelmente duradoura do crescimento.
Nesse caso, a contração fiscal se mostrou expansionista devido ao espetacular aumento das exportações de manufaturados ocorrida no período 2002-2004, decorrente da enorme desvalorização da taxa de câmbio ocorrida em 2002. Em todos os demais casos, ou não houve aceleração do crescimento, ou a aceleração foi pequena e curta ou ocorreu queda do nível de atividade econômica. Em suma, o ajuste fiscal pode ser necessário para evitar um desastre, mas não é nem de perto condição suficiente para a retomada do crescimento.

Esta requer o atendimento de duas condições. No curto prazo é necessária expansão da demanda agregada para que se possa eliminar a ociosidade na capacidade produtiva e para dar emprego digno a mais de 12 milhões de brasileiros. Essa expansão da demanda agregada não poderá vir do investimento, devido à enorme ociosidade da capacidade produtiva e nem do consumo das famílias, devido ao nível elevado de desemprego. O desequilíbrio fiscal também impede uma expansão significativa do investimento público.

A expansão da demanda agregada só pode advir de um forte crescimento das exportações, principalmente das exportações de produtos manufaturados, o que requer taxa real de câmbio estável e competitiva. No médio e longo prazos, contudo, o crescimento só será sustentável se for acompanhado por aumento da produtividade. Ao contrário do que pregam economistas liberais que acham que a produtividade é uma característica embutida nos trabalhadores por intermédio da educação, a boa teoria econômica e a experiência internacional mostram que a produtividade é uma variável cujo comportamento é regido por uma série de fatores, sendo a educação apenas um entre vários.

A produtividade é afetada pela quantidade e a diversificação do conhecimento técnico e científico que está embutido nas pessoas (capital humano), nas máquinas e equipamentos (capital físico), na capacidade das pessoas em se conectarem e assim trocar informações (capital social). Dessa forma, aquilo que uma economia produz e exporta revela a sofisticação ou complexidade das suas capacitações produtivas. A estrutura produtiva importa para o crescimento econômico.

Tendo em vista esse entendimento sobre as causas da produtividade, a retomada do desenvolvimento exige que o Brasil reinicie o processo de “catching-up” industrial e tecnológico interrompido na década de 1980. Um elemento essencial dessa retomada será a reindustrialização, ou seja, o crescimento da participação do valor adicionado da indústria no PIB e do emprego industrial no emprego total. Esse processo irá demandar uma mudança no regime macroeconômico, de forma a manter a taxa de câmbio em níveis competitivos internacionalmente, a exemplo do que foi adotado, de forma bem-sucedida, nos países do Leste Asiático; como também a adoção de uma política industrial que permita aumentar a complexidade tecnológica da pauta de exportações do Brasil. A exemplo do que é feito nos Estados Unidos, Japão, China, e países da Europa Ocidental, o desenvolvimento de um complexo industrial militar no Brasil, puxado por gastos necessários para o reaparelhamento das Forças Armadas, atualmente em grau acentuado de sucateamento, pode ser um dos eixos dessa política.

Se o governo Bolsonaro não trilhar esse caminho e insistir apenas na agenda privatização-reforma da Previdência, então a economia continuará trilhando trajetória de baixo crescimento, provavelmente em torno de 2% ao ano. Esse ritmo será insuficiente para gerar empregos na quantidade suficiente para absorver a enorme massa de desempregados, bem como os brasileiros que ingressam todos os anos no mercado de trabalho. A força de trabalho cresce atualmente 1% ao ano, o que significa que, para manter a taxa de desemprego estável ao longo do tempo, é necessário criar, pelo menos, 1 milhão de postos de trabalho por ano. Considerando crescimento da produtividade de 1% ao ano (o que destrói postos de trabalho na velocidade de 1 milhão de empregos por ano) no cenário no qual não ocorre a mudança estrutural descrita, uma taxa de crescimento de 2% ao ano irá criar postos de trabalho apenas na magnitude necessária para manter o desemprego indefinidamente acima de 10 % da força de trabalho.

Dada a pequena duração do seguro-desemprego e a baixa densidade da rede de proteção social, é pouco provável que a permanência da taxa de desemprego em patamares tão elevados por um período tão longo de tempo seja social e politicamente sustentável. Nesse cenário a desordem social poderá aumentar rapidamente. Além disso, o crescimento econômico anêmico irá agudizar a crise fiscal dos Estados, podendo, inclusive, fortalecer movimentos separatistas no Sul, haja vista que, para parte significativa da população desses Estados, a sua crise fiscal resulta do fato de que (sic) “o Sul tem que sustentar os vagabundos do Nordeste com o Bolsa Família”.

O exemplo recente da tentativa de secessão na Catalunha – resultado dos efeitos da crise econômica de 2008-2012 – mostra que o risco de movimento separatista no Brasil não pode ser subestimado. Daqui se segue, portanto, que ou o governo Bolsonaro coloca o Brasil na rota do desenvolvimento econômico – o que implica em mudança estrutural e catching-up com respeito aos países ricos – ou o clima de insatisfação social reinante culmine numa crescente desordem, podendo levar, no limite, à guerra civil."

José Luis Oreiro é professor associado do Departamento de Economia da Universidade de Brasília, Pesquisador Nível IB do CNPq

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Ford e outras notícias trágicas

Demissões podem chegar a 24 mil


Morte de Reis Velloso, Planalto tenta virar página do caso Bebianno, Caixa 2 à parte...

Morreu o estilista de origem alemã Karl Lagerfeld, diretor de criação da Chanel...

Faltou notícias das tragédias de Minas Gerais. Notícias que abalaram o mundo...

Polícia investiga desvios no Sistema S...


Estas notícias estão na capa do jornal Valor de hoje. O melhor jornal do Brasil.


"Ford opta por incentivo (fiscal) e fecha sua fábrica em SP" é a matéria principal da capa do Valor. Um bom artigo, escrito por Marli Olmos.

Com o fechamento da fábrica, 4,3 trabalhadores diretos e indiretos serão demitidos.

Os trabalhadores calculam que o fechamento da fábrica terá impacto na cadeia do setor, capaz de provocar o corte de outros 24 mil empregos.

Em Detroit, nos Estados Unidos, a companhia informou que a medida é para que as operações na região voltem à lucratividade.

O fechamento da fábrica em São Bernardo é um marco.

Inaugurada em 1967, foi palco de negociações históricas, incluindo a primeira Comissão de Fábrica do ABC e as greves memoráveis...

Como memoráveis foram os carros que saíram dali. Como o Jeep, a Rural, o Corcel e tantos outros.

Até o velho Raul Seixas está triste no Céu. Se não fosse a Ford, Raul não teria seu Corcel 73...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

FORD fechar fábrica em São Bernardo É CRIME!

Empresas montadoras desmoralizam governo

Como provocação, depois de o General Mourão ter recebido representantes dos trabalhadores em defesa do emprego na GM, a FORD, que é um símbolo do sindicalismo do ABC, avisou aos trabalhadores, fornecedores e governantes que pretende fechar a fábrica local.

Este aviso acontece um dia antes da grande manifestação contra o fim da aposentadoria pública, contra o desemprego, contra o arrocho salarial, e a redução dos benefícios sociais previdenciário.

A cada eleição, a instabilidade no Brasil aumenta. Aumentando a violência, os assaltos à mão armada e a insegurança...

Vergonha! Vergonha! Vergonha!

As empresas destroem os empregos, os produtos e a qualidade de vida.
Não foi para isto que este governo foi eleito pelo povo.

Leiam a matéria da Ford, que saiu publicada no Estadão.

Ford vai fechar fábrica em São Bernardo com 2,8 mil trabalhadores

A companhia anunciou nesta terça-feira, 19, a sua saída do mercado de caminhões na América do Sul; companhia teve prejuízo de US$ 678 milhões na região em 2018

Cleide Silva e André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo
19 Fevereiro 2019 | 16h00 Atualizado 19 Fevereiro 2019 | 16h38

A Ford anunciou nesta terça-feira, 19, a sua saída do mercado de caminhões na América do Sul e o encerramento da produção da planta de São Bernardo do Campo (SP).

A companhia disse que a medida é um dos passos para “o retorno à lucratividade sustentável de suas operações na América do Sul”. Em balanço referente ao ano passado, a Ford apresentou prejuízo de US$ 678 milhões na região.

A unidade de São Bernardo, que hoje produz caminhões e também o modelo Fiesta, será fechada ao longo de 2019. Com a medida, a Ford deixará de comercializar as linhas Cargo, F-4000, F-350 e Fiesta assim que terminarem os estoques.

A empresa disse que os custos com essa decisão serão de cerca de US$ 460 milhões. Segundo estimativa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o encerramento da fábrica da Ford em São Bernardo representa a demissão de 2,8 mil trabalhadores.

A fábrica é a mais antiga em operação da montadora no Brasil, que ocupava a quarta posição no segmento de caminhões no País, com 12% de participação em 2018, atrás de Mercedes-Benz, Volkswagen e Volvo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

BB – novo presidente dá vexame

No dia da posse, novo presidente depõe contra o BB.

Urubu, em vez de falar em aumentar a importância histórica do papel do banco na indústria, na agricultura, na distribuição do dinheiro e na ajuda à população mais, o novo presidente do BB, fala em acabar com o BB e vendê-lo à preço de banana como fizeram com o Banespa e os demais bancos estaduais.

Vergonha! Vergonha! Vergonha!

Estes governantes envergonham o Brasil internacionalmente.

Leiam a matéria do Estadão de hoje:

‘Todos ganhariam se o BB fosse privatizado’

Ao anunciar lucro de R$ 13,5 bilhões da instituição em 2018, presidente do banco ponderou que medida não está no radar do governo Bolsonaro

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo
15 Fevereiro 2019 | 04h00

“Se o BB fosse privatizado, seria mais eficiente e todos ganhariam”, disse na quinta-feira, 14, o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, ao divulgar resultados da instituição, que registrou lucro líquido de R$ 13,5 bilhões em 2018, alta de 22,2% em relação ao ano anterior. O executivo ponderou, porém, que vender o banco não está nos planos do governo de Jair Bolsonaro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Globalização e Protecionismo

As contradições ameaçadoras

Na história, desde os povos primitivos, as pessoas disputam por espaço para sobreviver. Com mais ou com menos qualidade. Mesmo as comunidades que se adaptavam a áreas mais difíceis, de vez em quando se viam invadidas por tribos ou comunidades vizinhas. Quem ganhasse mantinha o território...

Com o Brasil não foi diferente. Área conquistada por Portugal, mas, por tabela, fazendo parte da "aliança" com o Império inglês, este continente sobreviveu a muitas guerras e conseguiu manter seu território e sua língua. Manteve também a religião. O Brasil sempre fez papel de provedor e de economia complementar. Este aspecto defensivo talvez tenha ajudado a manter a unidade que sobrevive até hoje.

A primeira guerra mundial mudou muito o mapa da Terra. As monarquias diminuíram e surgiu a força da mão de obra feminina com a conquista do voto e do direito de liberdade. O mundo mudou muito com a introdução do automóvel e do avião... O tempo foi diminuindo as distâncias entre os continentes. O Brasil viveu uma grande industrialização, começando um grande movimento de urbanização.

Mas a grande transformação do mundo se deu efetivamente com s segunda guerra mundial. A Terra deixou de ter áreas desconhecidas. Tudo era sabido e fotografado... e, na maioria das vezes, ocupado.

O Brasil aceitou passivamente ser parte do Império Americano. O quê, economicamente trouxe vários benefícios. Já que o bloco soviético, na economia ficou para trás na competitividade internacional.

Com o fim do bloco soviético, parcela significativa de brasileiros acreditou que era o momento histórico de o Brasil construir sua autonomia. Daí surgindo um forte movimento de integração entre a economia e a construção de um Estado democrático, constitucional e com liberdade de imprensa. A melhor lembrança deste desejo vem dos governos Juscelino e Lula.

Internacionalmente, o quê parecia ser a salvação econômica do Brasil, por tabela levou os setores conservadores internos e externos a reagirem ao crescimento da influência da China. A mesma China que foi ajudada pelos Estados Unidos para fazer frente à Rússia, foi levando a economia americana a perder competitividade internacional e ameaçando a hegemonia dos Estados Unidos. A reação foi crescendo, até se transformar em intervenção, em golpe de Estado e em um país subordinado, aparentemente de livre e espontânea vontade.

O uso abusivo do aparelho do Estado e dos mecanismos privados, como a imprensa e a intimidação corporativa levaram também ao enfraquecimento momentâneo dos movimentos de esquerda. Para isto, o uso das Igrejas Pentecostais foi apoiado com todos os recursos necessários. O Brasil finalmente deixou de eleger um católico e elegeu um pentecostal do "Vale Tudo", que montou um governo controlado por generais e por corporações patronais.

A classe média, angustiada, desempregada e com recursos financeiros apertados, espera para ver o quê vai acontecer. Os pobres, também mais empobrecidos, também esperam. Até quando? Ironicamente, para os mais intelectualizados, a esperança é a eleição presidencial americana. Trump precisa perder. Assim o mundo se acalmará. E se Trump ganhar novamente? O mundo continuará indo ao encontro da terceira guerra mundial...

Hoje, todo mundo tem celular e usa transporte rápido. Mas a segurança é cada vez menor.

A globalização volta a estimular o protecionismo,
que volta a investir em guerras que nunca saberemos como acabarão.
E aí pode ser tarde demais para todos.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Fernão Bracher: Um brasileiro arrojado morreu

Foi do Banco da Bahia, do Bradesco, do Banco Central e do Itaú

A história de Fernão Bracher faz parte da História do Sistema Financeiro brasileiro. Bracher era como Pedro Conde, do BCN, faziam parte da dos empreendedores que cresciam acompanhando o crescimento do Brasil. Eram mais de 300 bancos, que viraram 130 e hoje em dia o mercado financeiro de varejo nacional está controlado por apenas quatro bancos,Itaú, Bradesco, Santander e governo (BB, CEF e BNB, BASA, BNDES).

O Estadão publicou uma boa retrospectiva do banqueiro. Faltou uma boa comparação com a evolução da economia e do Brasil como Estado moderno. Ou quase moderno...

Vejam a íntegra da matéria do Estadão:


Fernão Bracher morre em SP

Além de fundar o banco de investimento, vendido ao Itaú em 2002 por R$ 3 bilhões, Bracher também foi vice-presidente do Bradesco

O Estado de S.Paulo 11 Fevereiro 2019 | 16h24 Atualizado 11 Fevereiro 2019 | 21h56

O banqueiro Fernão Botelho Bracher morreu, na manhã desta segunda-feira, 11, no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ex-presidente do Banco Central e um dos idealizadores do Plano Cruzado, no governo José Sarney, Bracher, que tinha 83 anos, sofreu complicações decorrentes de uma queda. O banqueiro deixa cinco filhos: Candido – atual presidente do Itaú Unibanco –, Beatriz, Eduardo, Elisa e Carlos, além de 15 netos e três bisnetos.

Formado em direito pela Faculdade São Francisco (USP), em 1957, mudou-se em seguida, com sua mulher, a historiadora e psicanalista Sonia Sawaya, para a Alemanha para prosseguir estudos nas faculdades de Freiburg e Heidelberg. Voltou dois anos depois para ser sócio de um dos maiores escritórios do País, o Pinheiro Neto. Em 1961 deixou para trás a carreira de advogado para trilhar sua carreira como executivo de banco.

Foi convidado para ser assistente de diretoria no Banco da Bahia, sendo promovido a diretor da instituição para o setor sul e depois a coordenador da área externa. Em 1973, quando o banco foi incorporado pelo Bradesco, ficou mais um ano na instituição financeira a convite do maior acionista do Bradesco, o banqueiro Amador Aguiar.

Antes de criar o maior banco de investimento do Brasil em 1988, Bracher teve duas importantes passagens pelo governo: foi diretor de câmbio do Banco Central entre 1974 e 1979. Em 1985, foi convidado pelo então presidente José Sarney para presidir o BC em um dos momentos mais turbulentos da economia brasileira: o período da hiperinflação.

Deixou o Banco Central em 1987 – nove dias antes de o País decretar a moratória. Foi a última passagem pelo governo de Bracher, antes de se tornar dono de um dos maiores bancos de investimentos do País. Um ano depois de sair do governo, uniu ao economista André Lara Resende para fundar o BBA em parceria com a instituição financeira Creditanstalt, um dos bancos mais antigos da Áustria.

O BBA virou referência nacional e protagonizou importantes operações de fusões e aquisições do País. No fim de 2002, o BBA foi incorporado pelo Itaú por R$ 3,3 bilhões, criando o Itaú BBA.

Entre abril de 1997 a abril de 1996, Fernão Botelho Bracher foi membro do Conselho Consultivo do Grupo Estado.

O banqueiro recebeu diversas homenagens. Em nota, o BC foi lamentou a morte de Bracher: “Em 11 de janeiro passado, (Bracher) nos honrou e emocionou com sua participação no evento História Contada do BC, no qual relatou sua contribuição nas áreas de desregulamentação do mercado de câmbio, no combate à inflação e na renegociação da dívida externa”, afirmou o BC.

“Fernão Bracher prestou inestimáveis serviços ao Brasil, tanto no Banco Central, quanto nas suas várias atividades no setor privado.”

Um banqueiro de atuação pública

O Brasil quebrou mais uma vez, oficialmente, em 20 de fevereiro de 1987, quando o presidente José Sarney anunciou a suspensão de pagamento dos juros da dívida externa. Nove dias antes o presidente do Banco Central (BC), Fernão Bracher, havia pedido demissão.

“Saí porque queria aumentar os juros e não me deixaram”, explicou anos depois, distante do setor público e bem conhecido como um banqueiro de sucesso. Elevar os juros em fevereiro de 1987 era apenas uma das medidas de bom senso recomendadas para um país como o Brasil, cheio de distorções, com a moeda supervalorizada e as contas externas em frangalhos.

Ao tentar um aperto da política monetária o presidente do BC reagiu, simplesmente, ao fracasso do Plano Cruzado II, implantado no fim do ano anterior. A insistência do chefe de governo em manter a fantasia do controle de preços e de salários, juntamente com uma taxa de câmbio irrealista, conduziria o País a uma nova moratória.

Outra quebra havia ocorrido cinco anos antes, quando uma enorme crise cambial se espalhou por dezenas de países, a partir da moratória do México. O governo brasileiro havia recorrido ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Nem tudo se consertou. Pelo menos as contas externas melhoraram, mas por pouco tempo. A lição havia sido esquecida pelos estrategistas do primeiro governo civil.

Bracher presidiu o BC entre 28 de agosto de 1985 e 11 de fevereiro de 1987, quando Dilson Funaro chefiava o Ministério da Fazenda e conduzia as tentativas de liquidar a inflação com intervenção em preços e salários, mas sem dar a atenção necessária aos problemas fiscais, monetários e cambiais.

O presidente do BC havia passado pela instituição entre 1974 e 1979, como diretor da área externa. Conhecia bem os problemas cambiais, quando assumiu a chefia da política monetária em 1985, mas só poderia usar plenamente seu conhecimento se confrontasse a política econômica. Em 1985 Bracher participou da reunião anual do FMI em Seul, na Coreia, e destacou-se como um defensor da política brasileira como responsável e digna de confiança. Cumpriu seu papel, mas foi incapaz de evitar o retorno do País ao Fundo, menos de dois anos depois.

Fernão Bracher foi mais conhecido, no último quarto de século, como banqueiro de sucesso. Em 1988, fundou o BBA, banco de investimentos, em associação com o austríaco Creditanstalt. Com a absorção pelo Itaú, 14 anos depois, criou-se o Itaú BBA. Candido Botelho Bracher, filho de Fernão, hoje preside o Itaú Unibanco. /Rolf Kuntz