terça-feira, 25 de dezembro de 2018

40 anos de vitórias e derrotas democráticas

Agora, a direita quer legitimar o poder neoliberal

Em 1978 para 1979, passamos o Natal e o Ano Novo fazendo campanha eleitoral para a chapa 2 dos bancários de São Paulo. Dormíamos num escritório sobre uma pastelaria e passamos três meses fazendo cavaletes, cartazes, andando numa kombi sem freio e sem buzina, mas o clima era de alegria geral...

Os pelegos iam perder as eleições para uma chapa de jovens que defendiam a liberdade, a diversidade, a anistia, eleições gerais para o Brasil e, principalmente, defendiam os interesses dos bancários de São Paulo e do Brasil.

Fizemos uma greve improvisada em 1978, e, depois de ganhar as eleições e tomar posse no dia 08 de março de 1979, dia internacional da mulher, fizemos outra greve, também improvisada.

Com mais de vinte anos de ditadura militar, sindicatos sob intervenção, lideranças cassadas e presas, mesmo assim os bancários resistiam.

Em abril de 1979, que este ano de 2019, completará 40 anos, conheci minha esposa. Foi numa festinha de inauguração de um apartamento de militantes.

Neste tempo que já dura 40 anos, tivemos muitas vitórias e muitas derrotas... faz parte.

Com as vitórias democráticas e com a saída dos militares do poder, o Brasil conviveu:


1 - Com Sarney, que era civil, mas tinha o aval dos militares. Com Sarney, a luta contra a inflação veio para o centro dos desafios; Começaram os pacotes econômicos e o uso dos pacotes econômicos para beneficiar-se em eleições parlamentares e governamentais. Foi o auge do PMDB, mas foi também o começo do fim...

2 - Depois veio o candidato da Globo, Collor, que prometia moralizar o Brasil e acabar com a inflação. Não fez nem uma coisa, nem outra e deu o início aos impeachments, desmoralizando o governo...

3 - Itamar substituiu Collor, e foi melhor do que Collor e do que Sarney, embora fosse meio pavão e louco.

4 - A loucura de Itamar abriu espaço para Fernando Henrique, como ministro da Fazenda, e criador do Plano Real. O único que deu certo efetivamente no combate à inflação. O preço que o Brasil pagou foi conviver com o neoliberalismo, as privatizações a preço de banana e a intensificação do fim das industrias brasileiras. O Brasil, que cresceu com modelo nacionalista dos militares, viu-se governado de forma entreguista às multinacionais e aos interesses americanos.

5 - O entreguismo de FHC e a desvalorização cambial, levou o povo brasileiro a eleger Lula no seu primeiro mandato. Pouca gente acreditou que fosse dar certo. E deu certo no primeiro mandato como no segundo. Foi o melhor presidente da história do Brasil. Teve como principal erro, manter a candidatura de Dilma em 2014.

6 - Em 2010, Lula, encorajado pelo alto índice de aceitação, bancou a candidatura de Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente do Brasil. A virtude de Dilma foi implementar o pleno emprego e manter a valorização do salário mínimo.

7 - Já em 2014, Dilma comeu o pão que o diabo amassou, e neste caso, o diabo era Aécio Neves, líder do PSDB e do "vale-tudo", para derrubar o governo Dilma, prender tudo que pudesse de petistas e de empresários que tivessem apoiados o governo do PT. Derrubaram Dilma e começaram nova ditadura no Brasil. O vice de Dilma, Michel Temer, representante do PMDB na chapa de 2014, traiu cinicamente Dilma e entregou-se às multinacionais, ao judiciário e à imprensa. Os golpistas preparam o Brasil para impor o neoliberalismo e restringir a liberdade de imprensa.

8 - Para impedir que Lula fosse candidato, prenderam-no, inventando os mais cretinos argumentos e os processos que, se torcer os papeis, corre sangue e vergonha. Depois de tantos presos, mortos e exilados, a direita brasileira saiu do armário, passou a assumir-se como direita, fascista quando necessário, e fizeram uma frente ampla contra a classe trabalhadora e contra as conquistas da classe media e do povão. Agora vem mais desemprego, mais arrocho salarial, menos aposentadoria e menos políticas públicas para atender o povo pobre.

9 - Com um governo eleito no vale tudo, as forças armadas e o judiciário passaram a ser os principais avalistas da nova ditadura que se inicia na próxima semana.

10 - Estamos nas mãos de Deus???

O Natal passou, o Ano Novo passará na próxima semana e o Brasil terá que conviver com mais este período de derrotas e vitórias, até recuperar sua dignidade e finalmente recuperar sua autonomia e sua soberania nacional.

Vamos precisar muito de Deus e dos religiosos, mas precisaremos muito mais do povo brasileiro na construção do Brasil como uma grande Nação.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo...

Estaremos vencendo mais um desafio e avançando na democracia participativa em vez de conviver com democracias de fachadas... Democracia se aprende fazendo ativamente. Cuidando da vida, do trabalho e também das flores e da cultura.

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