segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Recontagem de votos nos Estados Unidos garante transparência.

No Brasil, o voto é um ato de fé.

Não tem como ser conferido. Parece a época da República Velha. Ou velhíssima...

Nas últimas eleições americanas sempre têm casos de recontagem para confirmar os resultados das urnas. Imaginem se fosse no Brasil, onde os resultados eleitorais não têm batido com as pesquisas...

Sem circo, a prioridade nos Estados Unidos é a transparência no sistema eleitoral e a possibilidade de RECONTAGEM para confirmação do resultado. A Folha tem dado notícias timidamente, mas tem dado. Vejam a de hoje, segunda-feira, dia 19.

Após recontagem, republicanos vencem disputas do Senado e governo na Flórida


Rick Scott conquistou vaga no Senado com 50,05% dos votos, por pouco mais de 10 mil votos que o 2º colocado

Júlia Zaremba WASHINGTON - FOLHA – 19/11/2018.

Após um turbulento processo eleitoral, o governador da Flórida, Rick Scott, foi finalmente declarado o vencedor da disputa para o Senado no estado neste domingo (18).

O candidato recebeu 50,05% dos votos, ficando à frente do adversário, o senador democrata Bill Nelson, por pouco mais do que 10 mil votos (de um total de mais de 8 milhões), segundo autoridades eleitorais.

Como os primeiros resultados após o pleito de 6 de novembro indicaram que Scott estava à frente do oponente por apenas 0,15 ponto percentual, ou cerca de 12,6 mil votos, as cédulas de votação tiveram de ser submetidas a novas checagens.

A legislação da Flórida estabelece
que quando a margem de diferença entre os candidatos é de 0,5 ponto percentual ou menos, os votos precisam ser conferidos por meio de uma máquina. Se a nova recontagem indicar uma margem de 0,25 ponto ou menos, um novo escrutínio é feito de forma manual.

Foi o que aconteceu na disputa para o Senado. A primeira recontagem foi encerrada em 15 de novembro e a manual, neste domingo.

A corrida para o governo do estado também passou por uma nova contagem por máquinas, que terminou com a vitória do republicano Ron DeSantis sobre o prefeito de Tallahassee, Andrew Gillum.

Com a vitória de Scott, o partido Republicano deve ficar com 53 das 100 cadeiras do Senado, duas a mais do que antes. Isso depende da vitória do candidato republicano nas eleições do Mississippi, que serão realizadas em 27 de novembro.

O candidato derrotado ligou durante a tarde para Scott para parabenizá-lo. Em comunicado, Scott pediu união aos americanos. "Precisamos fazer o que os americanos sempre fizeram: se reunir para o bem do nosso estado e do nosso país", afirmou.

O presidente Donald Trump comemorou o resultado. "Desde o primeiro dia, Rick Scott nunca hesitou. Foi um ótimo governador e será um senador ainda melhor representando o povo da Flórida", escreveu em uma rede social.

"Parabéns ao Rick por ter conduzido uma campanha tão corajosa e bem-sucedida!"

A batalha no "estado-pêndulo" (nome dado àqueles que não têm preferência partidária bem definida) levou democratas e republicanos a entrarem com mais de dez ações na Justiça nas últimas semanas solicitando desde a ampliação do prazo para a recontagem até a apreensão de equipamentos de votação.

Democratas, que estavam em desvantagem, tentavam fazer cada voto valer, enquanto republicanos, inclusive Trump, insistiam no discurso de fraude eleitoral.

Alguns estados não conseguiram entregar resultados da durante a primeira etapa de recontagem.

Palm Beach, que está entre as três maiores jurisdições eleitorais do estado, foi um deles. Máquinas antiquadas foram uma das razões que levaram ao atraso. Já em Broward, os resultados foram entregues com dois minutos de atraso, o que gerou frustração entre os envolvidos no trabalho de recontagem.

O juiz federal Mark Walker chegou a afirmar que a Flórida era “motivo de piada” por não antecipar problemas nas eleições. “Nós temos sido motivo de risada no mundo, eleição após eleição, e nós escolhemos não consertar isso”, afirmou.

Os condados de Broward e Palm Beach estiveram no centro de uma controvérsia envolvendo contagem de votos nas eleições presidenciais de 2000, quando a vitória de George W. Bush contra o democrata Al Gore demorou semanas para ser oficializada.

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