sábado, 17 de novembro de 2018

A crise econômica e social pesou mais que o "petismo"

A Folha finalmente voltou ao cerne da questão

"A crise econômica, política e social pesou mais do que o petismo"

Da mesma forma que a pesquisadora chilena sabia disto, os coordenadores das campanhas também sabiam, a imprensa também sabia, o judiciário sabia, os empresários, tanto sabiam que pagaram para o real motivo não aparecer, preponderando nas campanhas o ódio, as repetições grosseiras, onde, o que menos importava era a verdade. Mais parecia uma arena romana do que uma campanha eleitoral. Até o PT preferiu entrar na guerra-suja a fazer diagnósticos mais construtivos.

Se na campanha, faltou bom senso e honestidade, durante o governo, tende a continuar sem bom senso, sem honestidade, sem transparência e sem compromisso com a verdade. O que vai continuar é que "o importante é vencer!"

Vejam o bom artigo sobre a pesquisadora chilena e a crise brasileira.



A crise econômica, social e política
pesou mais que antipetismo

Insatisfação do brasileiro com condição de vida explica eleição de Bolsonaro, diz analista chilena

Diretora do Latinobarómetro diz que crise
teve efeito maior que antipetismo

Folha - Sylvia Colombo - BUENOS AIRES – 17/11/2018
A insatisfação dos brasileiros com suas condições de vida explica a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência mais que os escândalos de corrupção ou o desgaste do PT, na opinião da chilena Marta Lagos, diretora do Latinobarómetro, que realiza anualmente pesquisa sobre o desempenho da democracia em 18 países da América Latina.

“A queda da satisfação dos brasileiros com suas condições de vida caiu quase 20 pontos desde 2010, isso é algo muito acentuado.

Creio que isso explica a eleição de Bolsonaro muito mais do que o desgaste do PT ou os escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava-Jato”, afirma ela em entrevista à Folha.

Lagos acrescenta que os que se encontram mais insatisfeitos são aqueles que ficaram “estancados no meio do túnel”, ou seja, os que começaram a ter uma melhora de vida no começo dos anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), mas que não chegaram a sair do túnel, “ficaram presos na escuridão e são os mais prejudicados”.

Neste sentido, ela considera que a eleição de Bolsonaro é “causa e consequência de um processo que colocou parte da sociedade em posição de reação, de medo, de sentir que precisa, ela mesma, cuidar de sua proteção.”

Para Lagos, o problema do Brasil vai além do político. “Quando vemos o nível da confiança interpessoal, ele é de 4%. É basicamente uma sociedade em que um não confia no outro, em que a confiança está se voltando apenas a pequenos grupos, como os familiares. É muito perigoso esse processo, porque destrói a possibilidade de se construir cidadania”, afirma Lagos.


E ela acrescenta: “fica-se com a sensação generalizada de que todos devem defender-se contra todos. E se a confiança no outro vai mal, muito pior vai a confiança em instituições e no Estado”.

Para Lagos, esse é um caldo cultural em que atos de agressão e violência podem surgir, “isolada ou coletivamente”. E alerta que a pesquisa já vinha mostrando que esse cenário era possível.

Os dados da última pesquisa do Latinobarómetro, divulgada neste mês, mostram que, em 2018, houve na América Latina um dos mais acentuados retrocessos da confiança na democracia desde que o levantamento começou a ser feito, em 1995.

Somente 5% dos entrevistados na região dizem acreditar que seu país vive uma democracia plena, enquanto 45% afirmam que as democracias em que vivem possuem grandes deficiências.

Mais, só 20% dos latino-americanos acham que seu país está progredindo. E aumentou o número de cidadãos que afirmam não acharem que vivem em sociedades democráticas.

“Isto se deve, entre outros motivos, à radicalização de regimes como o venezuelano e o nicaraguense”, de acordo com Lagos.

O Brasil aparece com apenas 10% de satisfação com a democracia. Na Argentina, o apoio à democracia é de 59%; no Uruguai, sempre um dos campeões nesses levantamentos, 61%.

“Os dados sobre o Brasil já vinham mostrando uma queda na confiança com a democracia por parte dos brasileiros. A novidade é que neste ano ela foi inédita, porque mostra não apenas uma descrença na política, mas também que se derrubou a base sobre a qual a sociedade funcionava.”

O autoritarismo se mostrou em alta em outros países da região, sendo visto como algo positivo por 27% dos paraguaios e por 23% dos chilenos.

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