sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Os jovens e os velhos

Depende de onde parte o olhar...

Quando nosso pai fez 40 anos eu pensei com meus botões:

"Papai está ficando velho, já chegou aos 40 anos." Papai agora está chegando aos 95 anos de idade...

Um dia, telefonei para nossa irmã mais nova, que para os irmãos mais velhos, ela sempre será a caçulinha, e ao dar os parabéns eu perguntei quantos anos ela estava fazendo. Ela respondeu: 51!. Eu fiquei encabulado e comentei, quer dizer que agora nós todos temos mais de 50 anos? Ela deu risada...

Outro dia no supermercado, ao me ver procurando um caixa, a jovem não teve dúvida e recomendou-me ir ao caixa dos idosos. Eu, perplexo ao vê-la mandar-me ir ao caixa dos idosos em voz alta, pensei comigo mesmo, realmente estou ficando velho.

Numa viagem a Buenos Aires, ao ir visitar o museu de arte onde está a pintura Abaporu de Tarsila do Amaral (creio que seja), perguntei a caixa se pagava meia, ela respondeu-me: somente a partir dos 65 anos.

Nesta semana, nos dias que passei em Chapecó, meu guia era um jovem cheio de energia e de grandes propostas... Com o passar das corridas para lá e para cá, ao falar sobre saúde ele comentou; "Meu pai está ficando velho, anda esquecendo muito e me deixa preocupado." Eu perguntei quantos anos tinha o pai do jovem. Ele respondeu-me: 55. Assustado respondi: Seu pai ainda está muito jovem! Ele viverá até os 95 anos ou mais...

Hoje, ao completar 65 anos, pretendo usar todos os meus direitos nacionais e internacionais. Agora posso pagar meia entrada em todos os museus do mundo, nos teatros, nos cinemas, etc. Já uso bilhete de idoso no Metrô. Entre tantas realizações, só falta ser avô. Embora não sinta prioridade nisto, nossa filha já nos deu muitas e muitas alegrias. A esposa e mãe também morre de alegria com a filha e suporta as reclamações de seu baianinho.

Continuarei trabalhando, gostando de flores, contando casos e causos, defendendo a solidariedade, a amizade e o respeito mútuo.

Entre as coisas desagradáveis em 2018, perdemos um irmão - Prof. Gildenor - que, se eu não me engano estava com 69 anos. Três meses depois, nossa mãe faleceu aos 95 anos. Mostrando que nossa família está chegando à contagem regressiva. Iremos fazer festa no céu...

Ainda continuo me sentindo um jovem rabugento, chatinho, crítico e até inoportuno, mas que gosta muito de ser prestativo.

Há três anos apareceu de mansinho algo que carregarei comigo até à morte: o Mal de Parkinson. Isto obrigou-me a mudar a rotina, a tomar cuidado com um monte de coisas, a tomar muitos comprimidos, a gastar muito dinheiro com o dito mal, a conhecer médicos interessantes, que me recomendaram fazer Tai Chi, Natação, caminhadas e tantas outras coisas.

E como desgraça pouca é bobagem, tivemos que aprender a conviver com um governo golpista, com desemprego, recessão, reformas criminosas como a trabalhista e da previdência.

E quando pensávamos que ganharíamos às eleições presidenciais e restabeleceríamos o crescimento econômico com distribuição de renda e inclusão social, vieram as prisões de Lula, Vaccari entre outros e passaremos a conviver com mais uma ditadura no Brasil.

Mas ainda tenho mais 30 anos pela frente. Venceremos como já vencemos nas outras vezes.

Não tenho medo de ser feliz, mesmo com as alegrias e as tristezas; as doenças e seus remédios; o trânsito de São Paulo e as grosserias destes loucos neoliberais e entreguistas das riquezas do Brasil. Trabalho desde os 9 anos de idade, pago INSS desde 1970, portanto, há 48 anos e continuarei na luta até a hora final. Para isto eu tenho tantos amigos...

E vamos deixar os jovens nos chamar de velhos, loucos e sonhadores...
Afinal, são os loucos e sonhadores que mudam a História. Os velhos ajudam.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Dom Paulo e a economia solidária

A Igreja está voltando a fazer trabalho de base

Foi muito bonito ver o bispo presente no seminário internacional da Ccresol Sul.

O encontro acabou com muita confraternização.

Apesar dos tempos bicudos, a solidariedade continua.

Viva Dom Paulo

Viva a Economia Solidária.


P.S.:


O duro foi chegar cedo no Aeroporto e uma tempestade cancelar todos os voos

Seja o que Deus quiser

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Paul Singer presente!

Segundo Seminário Internacional de Cooperativismo de Crédito Solidário

Cresol Central SC/RS

Centenas de delegados de various estados do Brasil mais representantes de países da Europa e da América Latina presentes em Chapecó Santa Catarina.

O tema é a necessidade de se estudar os modelos econômicos de. De solidariedade,principalmente para os pequenos agricultores e para os pequenos empreendimentos urbanos.

O destaque do dia foi a homenagem ao professor PAUL SINGER

sábado, 24 de novembro de 2018

“A direita como organização criminosa”

Apropiar-se do Estado para pregar ódio é crime

O Brasil vive um período muito peculiar: Há uma democracia aparente onde o judiciário passou a ser usado explicitamente como instrumento partidário e de uso e abuso da estratégia internacional contra a soberania nacional dos países. O judiciário substituiu os militares como golpistas e repressores, na tentativa de passar a imagem de que “ditadura de judiciário” é melhor do que “ditadura militar”.

Os pactos democráticos e participativos estão sendo substituídos

por pactos entre empresas, imprensa, judiciário e direita parlamentar.


A novidade nacional é o importante papel que passou a ter os pentecostais como “partido conservador, de MASSA e ORGÃNICO“ . Os fiéis e obedientes aos seus bispos e pastores, que representam por volta de 30% da população, desempenham importante peso nos resultados eleitorais e na inibição dos movimentos populares.

Ao mesmo tempo, o jornal Folha, que estimulou e participou de tudo que aconteceu recentemente, há dias publicou e estou com parte do caderno da Folha pregando a conciliação nacional para pacificar o Brasil.

Tenho pensado com calma como abordar este assunto de “conciliação e pacificação nacional.”

Primeiro porque também sou favorável a pacificação e a agir colocando o Brasil em primeiro lugar.

Segundo porque pacificar não pode ser confundido com o ESQUECER ou APAGAR OS FATOS E A HISTÓRIA. Como garantir que os golpistas não pratiquem novos golpes quando estiverem perdendo para o povo? Precisamos definir mecanismos que garantam o respeito às regras democráticas e plurais.

Terceiro, como falar em pacificação se, quando recebemos o jornal em casa e a principal manchete é uma grande provocação e ação criminosa gerada por uma grande organização chamada “direita neoliberal internacional”???

Vejam a manchete do jornal Estadão. Dá para levar a sério???

“Lula, Dilma, Mantega e Palocci viram réus por organização criminosa
Segundo a PGR, esquema de corrupção conhecido como ‘quadrilhão do PT’, em órgãos públicos e estatais, teria rendido R$ 1,48 bilhão em propinas
O Estado de S. Paulo - 24 Nov 2018 - Teo Cury Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA”

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

O circo jurídico-partidário contra o PT continua

O cachimbo deixa a boca torta: Novos governantes querem INTIMIDAR a oposição

Transparência, equidade, respeito à Constituição.... "Os fins justificam os meios"


56ª fase da Lava Jato apura superfaturamento na construção de sede da Petrobras em Salvador

Nova etapa ocorre nesta sexta-feira (23). Até o fim da manhã, 17 pessoas tinham sido presas.

Por José Vianna, Thais Kaniak e Alana Fonseca, RPC Curitiba e G1 PR
23/11/2018 07h28 Atualizado há 11 minutos
Bom Dia Brasil--:--/--:--

Força-tarefa da Lava Jato cumpre mandados na 56ª fase da operação

A 56ª fase da Lava Jato, deflagrada na manhã desta sexta-feira (23), apura o superfaturamento na construção da sede da Petrobras em Salvador (BA), de acordo com a Polícia Federal (PF).

Até o momento, 17 pessoas foram presas. Ao todo, há 33 mandados de prisão para 22 alvos. O número de mandados é maior do que o número de pessoas porque alguns dos investigados têm mais do que um endereço.

Com superfaturamento, projetos e obra da sede da Petrobras na BA passam de R$ 320 milhões para R$ 1,3 bilhão

Esta nova etapa foi autorizada pela juíza substituta Gabriela Hardt e por Sérgio Moro. A autorização dos juízes ocorre depois de o Ministério Público Federal (MPF) pedir à Justiça permissão para que os mandados sejam executados. Com a ida de Moro para o Ministério da Justiça, Gabriela Hardt ficará à frente da Operação Lava Jato até 30 de abril de 2019.

Conforme a PF, também houve superfaturamento nos contratos de gerenciamento da construção, de elaboração de projetos de arquitetura e de engenharia.

As ordens judiciais são cumpridas nos seguintes estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.

O G1 apurou que Marice Correa, cunhada do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, é uma das pessoas presas em São Paulo. A prisão dela é temporária.

Mario Cesar Suarez, da OAS, foi preso preventivamente na capital baiana. Já Wagner Pinheiro Oliveira, ex-presidente da Petros e Correios, foi alvo de busca e apreensão no Rio de Janeiro.
A PF ainda não divulgou o nome dos outros alvos. Os presos preventivos devem ser levados para a sede da Polícia Federal em Curitiba.-:--

10% do valor da obra

O nome da sede da Petrobras, em Salvador, é Torre Pituba. O prédio foi construído pela OAS e pela Odebrecht – ambas já investigadas anteriormente pela Lava Jato.

As duas empreiteiras distribuíram vantagens indevidas de, pelo menos, R$ 68.295.866 que representam quase 10% do valor da obra, segundo o MPF.

Os valores eram direcionados, segundo o PF, para viabilizar o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos da Petrobras, do PT e dirigentes da Petros.

O esquema de contratações fraudulentas e pagamentos de vantagens indevidas aconteceu entre 2009 a 2016, de acordo com o MPF.

O G1 tenta contato com os citados.

Corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta de fundo de pensão, lavagem de dinheiro e organização criminosa estão entre os crimes investigados nesta fase.

Polícia Federal cumpre mandados da operação Lava-Jato
Como funcionava o esquema

Em resumo, de acordo com a PF, o Fundo Petrobras de Seguridade Social – Petros, mediante parceria com a Petrobras, investiu na execução da obra para alugar o prédio à empresa estatal por 30 anos.

Ainda conforme a PF, porém, com o direcionamento da execução das obras para uma empresa ligada e outras duas empreiteiras já conhecidas da Lava Jato, o valor da execução ficou muito acima do que deveria, assim como o valor de aluguel a ser pago.

Diante disso, ainda conforme a Polícia Federal, os investigados direcionavam parte dos valores obtidos para o pagamento das propinas, ocultando e dissimulando a origem deles.

As penas somadas podem chegar ao total de 50 anos de prisão e multa.

Esta fase da operação foi batizada de "Sem Fundos" por conta da perda do Fundo de Pensão da Petrobras e pelo fato de os crimes investigados parecerem revelar um "saco sem fundos".

Quebra de sigilo

Para embasar as ordens judiciais, as investigações levaram em conta a quebra de sigilo de dados bancários, fiscais, telemáticos e telefônicos que comprovaram as afirmações dos colaboradores, além de documentos vindos de cooperação jurídica internacional.

Além disso, diligências realizadas mostraram a utilização de dinheiro em espécie por parte dos beneficiários finais do esquema, mediante depósitos estruturados e compra de bens valiosos – alguns não declarados à Receita Federal.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Brasil 2016 - É possível esquecer e começar outra etapa?

Como não ganhavam nas regras vigentes, deram o golpe em 2016

Assumiram o controle de tudo,

aparentemente preservaram apenas as Forças Armadas,
o Judiciário e a Imprensa fizeram o serviço sujo...

Assim chegamos em 2018 com uma eleição duvidosa.


E os "vencedores" agora falam em "virar a página" e começar nova etapa, com novas regras, onde fica bem mais difícil de eleger uma coligação comprometida com os mais pobres, as políticas públicas, governar para todos e todas brasileiros e brasileiras... Sem medo de ser feliz.

Vejam as DEZ REGRAS DE OURO
que os empresários brasileiros declaravam - antes do golpe de 2016 e das eleições de outubro de 2018, quando deixaram tudo de lado. Analisem se há coerência. Mesmo assim, estamos abertos para negociar respeitando as diversidades e os direitos coletivos.

Eu prefiro OS DEZ MANDAMENTOS DEMOCRÁTICOS. O culto ao OURO não pode sobrepor-se ao culto a DEUS.

1 - Dividir é ganhar - quem aceita diluir sua participação acionária para atrair novos sócios sai lucrando. é melhor ter menos de muito do que muito de menos.

2 - O cliente é igual a você - o dinheiro dos investidores tem o mesmo tratamento do dinheiro dos donos. Isso se chama "alinhamento de interesses".

3 - Todos são iguais - numa empresa, qualquer um pode ser dono. E quem não tem essa mentalidade, trabalha no lugar errado.

4 - Uma empresa fala pelos sinais - o chefe não deve ter privilégios nem nada que ostente seu poder. Uma sala suntuosa é um mau sinal.

5 - Contrate sempre alguém melhor - não tenha medo dos subordinados. Se eles forem mais competentes do que você, sua vida será mais fácil.

6 - Não existe zona de conforto - a cada ano, novos sócios entrarão e alguns sairão. A competição é saudável, desde que haja FAIR PLAY (JOGO LEAL QUE SE RESPEITA AS REGRAS).

7 - Reconheça seus erros - ninguém é infalível. E os equívocos devem ser compartilhados para que não se repitam.

8 - Lidere pelo exemplo - quem está no topo também deve gastar sola de sapato. A dedicação e o trabalho inspiram os subordinados.

9 - O CEO é um vendedor - ninguém "vende" melhor seu serviço ou seu produto do que o próprio presidente da companhia.

10 - Não existe um teto - não há limites para uma organização que esteja sempre pronta para se renovar e oxigenar seu capital humano.

"Queremos que o Brasil seja um país, de todos, com todos e para todos, com democracia, liberdade, respeito às regras e às leis legítimas, economia de mercado, políticas públicas, principalmente saúde, educação e segurança. Assim seremos um país competitivo no mercado internacional e respeitado como NAÇÃO SOBERANA." - Esta é a missão dos cidadãos brasileiros e brasileiras.

Publicação muito próxima do texto acima saiu na Revista Dinheiro, em 15 de Dezembro de 2010. Época em que a "serpente ainda não tinha saído do ovo" e o Brasil gozava de ótima imagem internacional.

Agora vivemos a consolidação do golpe de 2016, como aconteceu no Egito e em outros países. O neoliberalismo tenta consolidar-se como governo sem democracia plena, apenas como um arrazoado de discursos inconsistentes e cheios de falar e negar o falado, valendo mais a intimidação do que a participação.

Concordo que devemos tentar "virar a página", desde que, não neguemos nosso passado, com nossos erros e acertos, além de construir um novo código de relacionamento e governabilidade que haja mecanismos efetivos de respeito às regras acordadas e assinadas. Por isto que nós falávamos em Constituinte. Por ser mais legítimo. Libertar os presos políticos e condenados processos forjados partidariamente também faz parte da pacificação...

Sem medo de ser feliz!

Recontagem de votos nos Estados Unidos garante transparência.

No Brasil, o voto é um ato de fé.

Não tem como ser conferido. Parece a época da República Velha. Ou velhíssima...

Nas últimas eleições americanas sempre têm casos de recontagem para confirmar os resultados das urnas. Imaginem se fosse no Brasil, onde os resultados eleitorais não têm batido com as pesquisas...

Sem circo, a prioridade nos Estados Unidos é a transparência no sistema eleitoral e a possibilidade de RECONTAGEM para confirmação do resultado. A Folha tem dado notícias timidamente, mas tem dado. Vejam a de hoje, segunda-feira, dia 19.

Após recontagem, republicanos vencem disputas do Senado e governo na Flórida


Rick Scott conquistou vaga no Senado com 50,05% dos votos, por pouco mais de 10 mil votos que o 2º colocado

Júlia Zaremba WASHINGTON - FOLHA – 19/11/2018.

Após um turbulento processo eleitoral, o governador da Flórida, Rick Scott, foi finalmente declarado o vencedor da disputa para o Senado no estado neste domingo (18).

O candidato recebeu 50,05% dos votos, ficando à frente do adversário, o senador democrata Bill Nelson, por pouco mais do que 10 mil votos (de um total de mais de 8 milhões), segundo autoridades eleitorais.

Como os primeiros resultados após o pleito de 6 de novembro indicaram que Scott estava à frente do oponente por apenas 0,15 ponto percentual, ou cerca de 12,6 mil votos, as cédulas de votação tiveram de ser submetidas a novas checagens.

A legislação da Flórida estabelece
que quando a margem de diferença entre os candidatos é de 0,5 ponto percentual ou menos, os votos precisam ser conferidos por meio de uma máquina. Se a nova recontagem indicar uma margem de 0,25 ponto ou menos, um novo escrutínio é feito de forma manual.

Foi o que aconteceu na disputa para o Senado. A primeira recontagem foi encerrada em 15 de novembro e a manual, neste domingo.

A corrida para o governo do estado também passou por uma nova contagem por máquinas, que terminou com a vitória do republicano Ron DeSantis sobre o prefeito de Tallahassee, Andrew Gillum.

Com a vitória de Scott, o partido Republicano deve ficar com 53 das 100 cadeiras do Senado, duas a mais do que antes. Isso depende da vitória do candidato republicano nas eleições do Mississippi, que serão realizadas em 27 de novembro.

O candidato derrotado ligou durante a tarde para Scott para parabenizá-lo. Em comunicado, Scott pediu união aos americanos. "Precisamos fazer o que os americanos sempre fizeram: se reunir para o bem do nosso estado e do nosso país", afirmou.

O presidente Donald Trump comemorou o resultado. "Desde o primeiro dia, Rick Scott nunca hesitou. Foi um ótimo governador e será um senador ainda melhor representando o povo da Flórida", escreveu em uma rede social.

"Parabéns ao Rick por ter conduzido uma campanha tão corajosa e bem-sucedida!"

A batalha no "estado-pêndulo" (nome dado àqueles que não têm preferência partidária bem definida) levou democratas e republicanos a entrarem com mais de dez ações na Justiça nas últimas semanas solicitando desde a ampliação do prazo para a recontagem até a apreensão de equipamentos de votação.

Democratas, que estavam em desvantagem, tentavam fazer cada voto valer, enquanto republicanos, inclusive Trump, insistiam no discurso de fraude eleitoral.

Alguns estados não conseguiram entregar resultados da durante a primeira etapa de recontagem.

Palm Beach, que está entre as três maiores jurisdições eleitorais do estado, foi um deles. Máquinas antiquadas foram uma das razões que levaram ao atraso. Já em Broward, os resultados foram entregues com dois minutos de atraso, o que gerou frustração entre os envolvidos no trabalho de recontagem.

O juiz federal Mark Walker chegou a afirmar que a Flórida era “motivo de piada” por não antecipar problemas nas eleições. “Nós temos sido motivo de risada no mundo, eleição após eleição, e nós escolhemos não consertar isso”, afirmou.

Os condados de Broward e Palm Beach estiveram no centro de uma controvérsia envolvendo contagem de votos nas eleições presidenciais de 2000, quando a vitória de George W. Bush contra o democrata Al Gore demorou semanas para ser oficializada.

domingo, 18 de novembro de 2018

Estados Unidos NÃO USAM urnas eletrônicas

Urna eletrônica também está sob suspeita nos EUA

O sistema eleitoral no Brasil NãO TEM GARANTIAS DE SEGURANÇA.
É o quê evidencia ao ler os artigos publicados no Brasil do porquê os americanos não copiam o sistema brasileiro. E a cada ano isto fica mais evidente.

A Folha publicou artigo com o título: "Alvo de suspeita, voto 100% eletrônico só ocorre em 5 estados". Mais recentemente voltou a ter nova matéria onde aparecia reclamação de um senador eleito ou com suspeita de fraude.

Se nos Estados Unidos não serve a urna eletrônica, porque serviria para o Brasil?

Leiam as informações abaixo sobre o caso da Georgia...
e os preparativos para as eleições de 2020.


Justiça da Georgia, no Sudeste dos Estados Unidos, avalia a possibilidade de abandonar sistema touchscreen e substituí-lo por cédulas de papel a partir das eleições de 2020"

"Ellen Nakashima Washington Post [19/09/2018] [20h38]"

"Decisão definitiva pode vir rapidamente


Apesar de Totenberg ter negado a moção de uma liminar para novembro, ainda não se pronunciou sobre as reivindicações subjacentes, que visam eliminar as máquinas touchscreen sem papel. E ela prometeu tomar uma decisão rapidamente. "

""As eleições de 2020 estão chegando", disse ela.

"Se um novo sistema de votação for lançado na Geórgia de maneira efetiva, deveria abordar a necessidade crítica da democracia de processos eleitorais transparentes, justos, precisos e verificáveis, que garantam o direito fundamental de cada cidadão de votar responsavelmente."

Os demandantes disseram que esperam eventualmente ter sucesso. "Não estamos detivemos em nossa luta pelo direito de voto, pois este é o cerne da questão", disse Donna Price, diretora do grupo Georgians for Verified Voting, um dos que entraram com a ação.
"Esperamos que prevaleça no final", disse Robert A. McGuire, advogado do grupo Coalition for Good Governance, que também entrou com a ação.

A juíza observou que a Geórgia, o primeiro estado do país a adotar a máquina eletrônica touchscreen para votar 2002, é um dos cinco estados em que a votação eletrônica é totalmente sem papel, sem cédulas independentes ou registro de auditoria.

Os queixosos, na semana passada, convocaram especialistas que falaram sobre os problemas com tais máquinas. Um especialista, o cientista da computação Alex Halderman, da Universidade de Michigan, demonstrou à corte como um cartão de memória com malware inserido em uma máquina Diebold DRE, a mesma que a Geórgia usa, pode alterar os resultados eleitorais.

Logan Lamb desmonta urna eletrônica usada nas eleições na Geórgia


Ellen Nakashima/Washington Post

Os autores da ação também se basearam em depoimentos escritos de outro especialista em informática, Logan Lamb, que alertara o Centro de Sistemas Eleitorais do estado sobre uma vulnerabilidade em um servidor que faz parte do sistema eleitoral. O especialista descobriu esse problema e a exposição online dos dados pessoais de mais de 6 milhões de eleitores em agosto de 2016, três meses antes da eleição presidencial. A falha do software ainda estava lá, afirmou Lamb.

Eles também “destacaram as graves falhas de segurança e vulnerabilidades do sistema eleitoral do estado, incluindo resultados não verificáveis, software desatualizado suscetível a malware e vírus e um servidor central que já foi hackeado várias vezes", escreveu Totenberg.

A juíza repreendeu as autoridades eleitorais da Geórgia por "enterrarem suas cabeças na areia" em relação às vulnerabilidades do sistema.

"No final do dia, a juíza olhou para isto e pensou que se estas autoridades não entendem as questões mais básicas para garantir a segurança uma eleição, como vão implementar as cédulas de papel em tão pouco tempo?", disse David Cross, um advogado da Georgians for Verified Voting.

Apesar de o caso ter sido apresentado à Justiça há mais de um ano, ele foi afetado por atrasos processuais, o que causou frustração à juíza. “A corte tentou agilizar este caso, desde o início, sem sucesso", disse ela. Mas a apresentação em agosto da moção para uma decisão provisória favoreceu o avanço do caso.

sábado, 17 de novembro de 2018

A crise econômica e social pesou mais que o "petismo"

A Folha finalmente voltou ao cerne da questão

"A crise econômica, política e social pesou mais do que o petismo"

Da mesma forma que a pesquisadora chilena sabia disto, os coordenadores das campanhas também sabiam, a imprensa também sabia, o judiciário sabia, os empresários, tanto sabiam que pagaram para o real motivo não aparecer, preponderando nas campanhas o ódio, as repetições grosseiras, onde, o que menos importava era a verdade. Mais parecia uma arena romana do que uma campanha eleitoral. Até o PT preferiu entrar na guerra-suja a fazer diagnósticos mais construtivos.

Se na campanha, faltou bom senso e honestidade, durante o governo, tende a continuar sem bom senso, sem honestidade, sem transparência e sem compromisso com a verdade. O que vai continuar é que "o importante é vencer!"

Vejam o bom artigo sobre a pesquisadora chilena e a crise brasileira.



A crise econômica, social e política
pesou mais que antipetismo

Insatisfação do brasileiro com condição de vida explica eleição de Bolsonaro, diz analista chilena

Diretora do Latinobarómetro diz que crise
teve efeito maior que antipetismo

Folha - Sylvia Colombo - BUENOS AIRES – 17/11/2018
A insatisfação dos brasileiros com suas condições de vida explica a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência mais que os escândalos de corrupção ou o desgaste do PT, na opinião da chilena Marta Lagos, diretora do Latinobarómetro, que realiza anualmente pesquisa sobre o desempenho da democracia em 18 países da América Latina.

“A queda da satisfação dos brasileiros com suas condições de vida caiu quase 20 pontos desde 2010, isso é algo muito acentuado.

Creio que isso explica a eleição de Bolsonaro muito mais do que o desgaste do PT ou os escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava-Jato”, afirma ela em entrevista à Folha.

Lagos acrescenta que os que se encontram mais insatisfeitos são aqueles que ficaram “estancados no meio do túnel”, ou seja, os que começaram a ter uma melhora de vida no começo dos anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), mas que não chegaram a sair do túnel, “ficaram presos na escuridão e são os mais prejudicados”.

Neste sentido, ela considera que a eleição de Bolsonaro é “causa e consequência de um processo que colocou parte da sociedade em posição de reação, de medo, de sentir que precisa, ela mesma, cuidar de sua proteção.”

Para Lagos, o problema do Brasil vai além do político. “Quando vemos o nível da confiança interpessoal, ele é de 4%. É basicamente uma sociedade em que um não confia no outro, em que a confiança está se voltando apenas a pequenos grupos, como os familiares. É muito perigoso esse processo, porque destrói a possibilidade de se construir cidadania”, afirma Lagos.


E ela acrescenta: “fica-se com a sensação generalizada de que todos devem defender-se contra todos. E se a confiança no outro vai mal, muito pior vai a confiança em instituições e no Estado”.

Para Lagos, esse é um caldo cultural em que atos de agressão e violência podem surgir, “isolada ou coletivamente”. E alerta que a pesquisa já vinha mostrando que esse cenário era possível.

Os dados da última pesquisa do Latinobarómetro, divulgada neste mês, mostram que, em 2018, houve na América Latina um dos mais acentuados retrocessos da confiança na democracia desde que o levantamento começou a ser feito, em 1995.

Somente 5% dos entrevistados na região dizem acreditar que seu país vive uma democracia plena, enquanto 45% afirmam que as democracias em que vivem possuem grandes deficiências.

Mais, só 20% dos latino-americanos acham que seu país está progredindo. E aumentou o número de cidadãos que afirmam não acharem que vivem em sociedades democráticas.

“Isto se deve, entre outros motivos, à radicalização de regimes como o venezuelano e o nicaraguense”, de acordo com Lagos.

O Brasil aparece com apenas 10% de satisfação com a democracia. Na Argentina, o apoio à democracia é de 59%; no Uruguai, sempre um dos campeões nesses levantamentos, 61%.

“Os dados sobre o Brasil já vinham mostrando uma queda na confiança com a democracia por parte dos brasileiros. A novidade é que neste ano ela foi inédita, porque mostra não apenas uma descrença na política, mas também que se derrubou a base sobre a qual a sociedade funcionava.”

O autoritarismo se mostrou em alta em outros países da região, sendo visto como algo positivo por 27% dos paraguaios e por 23% dos chilenos.

Medicina não é coisa do satanás...

O Brasil ficou sem o programa "Mais Médicos"

E os pobres sem assistência médica.

Governar um país de mais de 200 milhões de habitantes não pode ser aventura de provocador ou de quem acha que "basta mandar o pastor botar a mão na cabeça que cura"... Requer conhecimento técnico, prático e teórico, além de equipamentos apropriados e saneamento básico.

Com o retorno dos médicos cubanos em função da falta de respeito por parte do candidato e presidente eleito, é a segunda grande situação vexatória que o Brasil passa internacionalmente.

Tanto os prefeitos, como os governadores e os presidentes têm deixado a saúde pública para segundo plano e priorizado parcerias com as organizações privadas. Com isto, quanto mais gente tiver demanda de saúde, mais precário passará a ser o atendimento.

O Brasil precisa combinar a qualificação de seus profissionais com bons salários e também com compromisso de atendimento de qualidade e acompanhamento médico nos bairros e nas moradias.

Os Brasileiros precisam botar o Brasil em primeiro lugar, atendendo a todos seus habitantes em todas as áreas.

Rezar é importante, mas estudar, praticar, integrar-se e atuar solidariamente é imprescindível.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A crise de todos nós

Está faltando dinheiro para a maioria da população

Está faltando "políticas públicas" para atender a maioria da população.

Podemos fazer uma lista dos setores que influenciam a qualidade de vida da maioria do povo:


1 - A falta de emprego para a maioria;

2 - Os salários baixos ante o custo de vida;

3 - A incompetência dos governos municipal, estadual e federal em aumentar os empregos e melhorar os salários;

4 - As incertezas do nosso judiciário;

5 - As instabilidades dos empresários ante as instabilidades da política econômica;

6 - As inconsistências da imprensa que ora diz uma coisa, ora diz outra;

7 - O excesso de influência de advogados, mais de um milhão de interferências;

8 - O Brasil continua mal posicionado no mercado internacional;

9 - A formação educacional precária do ensino nacional;

10 - Podemos acrescentar também a postura das pessoas perante a vida: a tendência é querer ser cada um por si e Deus por todos.

11 - Ainda tem os juros altos;

12 - O problema do câmbio;

13 - Os deficits públicos que travam os investimentos;

14 - A necessidade de uma Reforma Tributária profunda;

15 - Buscar fazer uma redistribuição de renda, fortalecendo a parte de menor renda, vinculada a baixa escolaridade e vulnerabilidade à assaltos e assassinatos.

E não adianta procurar bodes expiatórios de forma maniqueísta.


É preciso recuperar a credibilidade, a confiança nas partes, e investir esforços pessoais, muito trabalho e investimentos. Assim poderemos ganhar tempo na reconstrução do Brasil.

Precisamos tomar coragem para conversar mais, ouvir mais e trabalhar mais conjuntamente.

Navegar é preciso. Viver?

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O Brasil está "fora da política"

O Brasil está fora da política?

A manchete do Estadão de hoje é:

“General diz que militares estão fora da política”

Realmente, no Brasil, tem tanta gente ”fora da política”,
que, aproveitando o descrédito das instituições, os aventureiros,
neoliberais, entreguistas e mentirosos tomaram conta do governo.

Vejam que está fora da política no Brasil:

1 - Os Militares estão fora da política

2 - Os Juízes estão fora da política

3 - Os Procuradores e auditores estão fora da política

4 - Os Empresários estão fora da política

5 - A imprensa está fora da política

6 - Os pastores e bispos estão fora da política

7 - A PM está fora da política

8 - Os traficantes também estão fora da política

9 - Os artistas estão fora da política

10 - Os jogadores estão fora da política

11 - Os jornalistas estão fora da política

12 – A PF – Polícia Federal - está fora da política

13 – Os professores estão fora da política

14 – Os pobres estão fora da política

15 – Os pequenos agricultores estão fora da política

16 – Os trabalhadores estão fora da política

17 – Os desempregados estão fora da política.

18 – Os jovens estão fora da política.

Onde vamos parar???

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Uma lição de compromisso do jornal Valor

Fim de semana sem o caderno EU&Fim de Semana

Sou leitor constante do caderno Fim de Semana do jornal Valor.

Nas sextas-feiras eu sempre pego o jornal cedo e separo o caderno para ler "no fim de semana"... Na última sexta-feira procurei por toda parte e não achei o caderno. Como tinha muita gente na sala, eu pensei que algum colega tivesse tido a mesma ideia que eu e fiquei triste por não ter chegado antes.

Para minha surpresa, na edição de ontem, o jornal veio com uma notícia de CAPA:

"Devido a problemas de transporte, causado pelas chuvas e engarramentos ocorridos entre a quinta e sexta-feira passadas, alguns assinantes do Valor residentes no Estado de São Paulo estão recebendo somente nesta segunda-feira o caderno "fim de semana", que normalmente circula às sextas-feiras.

Pedimos desculpas pelo atraso."

Em meio século que leio jornais, é a primeira vez que vejo uma notícia desta. Agora vocês entendem por que eu digo que o jornal Valor é o melhor do Brasil? E dizem que o jornal é de negócios... logo, cultura não seria importante...

Nem tudo está perdido nesta "era dos extremos".

Quer voltar a ter esperança?


Além de ler o caderno de "fim de semana" do Valor,
vá assistir ao filme "Os Invisíveis".

Em São Paulo está passando no Itaú Augusta e
no Reserva Cultural. Infelizmente passa apenas
uma seção por dia.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A primeira guerra mundial está presente...

O mundo tem medo da guerra, mas a chama

O muito curioso é este comportamento humano em estimular a guerra, como se fosse simples e fácil de resolver.

Fazer comícios e manifestações enaltecendo a capacidade de violência das pessoas conservadoras e também rancorosas é relativamente fácil.

O problema é quando a guerra começa para valer...

Aproveitando as comemorações dos 100 anos da primeira guerra mundial, uma guerra que a maioria das pessoas achavam que o conflito seria rápido e fácil, nos lembramos dos dias atuais.

E se nova guerra mundial estiver começando?


As demandas sociais não são atendidas pelos governos...

O desemprego cresce mais do que a inflação...

O custo de vida adquire padrão internacional.

Os pobres voltam a ficar pobres, e os ricos ficam mais ricos.

Os pobres votam nos patrões que geram desemprego e pobreza.

A Europa já vinha enlouquecendo há bom tempo,

Agora os Estados Unidos são governados por um louco,


bem diferente do estadista Roosevelt...

E a novidade é que o Brasil, depois de crescer durante décadas,

volta a viver sob uma ditadura.
Não uma ditadura militar,

mas uma ditadura civil, manipulada pelo judiciário,

pelas grandes empresas e pela imprensa.

Enquanto os empresários falam em investir desde que o governo barateie o custo social, econômico e político. Mesmo que tenha que prender, censurar, matar e intimidar a população e os pobres... Este filme é velho. Ou se elabora um novo projeto econômico e social; ou a violência tomará conta das ruas, das escolas e das rodovias. Corremos o risco de viver em Estado de Sítio...

E aí pode ser tarde demais para voltar a ter democracia liberal e com respeito aos poderes...

Quem deve fazer autocrítica primeiro?
Vivemos num país onde todos pecam.
A começar pelos que deveriam proteger à democracia.

domingo, 11 de novembro de 2018

Crise Econômica, Política e Social gera Violência?

Como voltar a acreditar nas instituições?

A FALTA DE...


- Emprego, pode gerar violência ou depressão profunda;

- Escolas públicas boas, faz o pobre ter menos competitividade;

- Alimentação saudável, deixa as crianças e adolescentes menos saudáveis;

- Transporte coletivo de qualidade, faz com que se perca muito tempo no trânsito;

- Moradias dignas, prejudica principalmente as crianças e idosos;

- acesso à saúde de qualidade, provoca mortes e doenças contagiosas;


Estas deficiências podem ser abordadas pela imprensa como culpa governos ou como problemas estruturantes, levando à população a ouvir promessas dos políticos que, depois de eleitos, fazem exatamente o contrário do que prometeu nas campanhas eleitorais.

Aumentando os reflexos das frustrações com as eleições
e com a melhora efetiva de qualidade de vida.


E para que servem 35 partidos políticos?

Para que serve o Judiciário, se os pobres são sempre mais condenados do que os ricos?

Os governos, além de cobrarem impostos, para que servem?

Os empresários da médias e grandes empresas, porque dependem tanto dos governos?

Os trabalhadores, porque não se organizam melhor para preservar seus direitos e qualidade de vida?

E a Imprensa? Quanto mais tomam partido e apoiam candidatos de forma camuflada, mais frágeis ficam?

Agora vemos as Igrejas substituírem os professores, os juízes, os governos, os empresários, os sindicatos, os partidos políticos e Deus vai ficando para segundo turno, medindo a importância da Igreja pela riqueza do que pela caridade franciscana e de Cristo.

O quê vem pela frente?

O custo de vida e a sensação de ser roubado

O Banco Central diz que a inflação é baixa, mas...

O CUSTO DE VIDA É UM ROUBO!


Vejam este exemplo da SABESP:


Em Setembro o consumo foi de 25 m3 e a conta veio de R$.147,74

Em Outubro o consumo foi de 21 m3 e a conta veio de R$.112,56

Em Novembro o consumo foi de 18 m3 e a conta veio de R$.225,90.

Qual é a magia?


O consumo diminui e a conta aumenta?

Porque não aconteceu de setembro para outubro,
mas aconteceu de outubro para novembro?

Resposta: AS ELEIÇÕES JÁ PASSARAM.


ENTÃO METE À FACA????

Depois não sabem porque o povo votou em Cacareco...

sábado, 10 de novembro de 2018

Elza Soares continua presente na vida brasileira

Um disco lindíssimo: DEUS É MULHER

Foi obrigada a casar aos 13 anos, teve vários filhos e trabalhou em fábrica de sabão...

Em 1953, ao cantar no programa de Ary Barroso, este disse: NASCE UMA ESTRELA!

E esta estrela brilha até hoje... Vejam o bom artigo que saiu na Folha de hoje:

'Elza Soares tinha tudo para dar errado',

diz Zeca Camargo, que a biografou

'Pelo amor de Deus, não me coloque como uma santa', pediu cantora ao escritor

Folha - 10.nov.2018 às 2h00 - Thiago Ney

Aos cinco anos, Elza Soares mal havia acordado quando teve uma visão. Ao lado de um “caboclo fechado, que não estava a fim de papo”, surgiu São Jorge, montado em um cavalo. A menina então falou: “São Jorge, posso pedir pro senhor dizer para meu pai não me bater tanto assim?”. Mas o santo respondeu que ela ainda apanharia muito —e Elza, muitos anos depois, relembra: “Mal sabia eu que ele queria dizer que eu iria apanhar mais da vida do que do meu pai”.

Esta é apenas uma das incontáveis histórias que estão em “Elza”, biografia escrita por Zeca Camargo, colunista da Folha, e que chega às livrarias nesta segunda-feira (12). Um livro que na verdade nem deveria existir —porque Elza Soares tinha tudo para dar errado.

“Isso é muito claro para mim: não era para a Elza Soares ter dado certo. Teve uma origem miserável, casou-se aos 13 anos, foi mãe de cinco filhos ainda adolescente e, aos 19, já tinha perdido dois deles; começa a cantar escondida da família, sofre racismo sem nem saber o que era racismo”, afirma Camargo.

“E depois ainda se casa com o Garrincha e vira a inimiga pública número um do país. Ela já tinha haters nos anos 1960.”
E isso é apenas o resumo do resumo do resumo. Dificilmente encontraremos na música brasileira alguém com uma trajetória tão constantemente castigada quanto a de Elza Gomes da Conceição, que até hoje não sabe direito a idade que tem. “Ela tem entre 85 e 88 anos”, diz Camargo. “É confuso, não tinha certidão. Ela foi emancipada para casar. Se considerarmos a emancipação, a idade é 88 anos.”

Uma vida bastante sofrida, mas Elza avisa: “Eu pedi ao Zeca: ‘Pelo amor de Deus, não me coloque como uma santa!’. Sou um ser humano, com pecados, desejos, não sou uma santinha, sou uma pessoa que enxerga a vida de um jeito bom”, diz à Folha.

Elza nunca foi uma santinha, tanto que, quando menina, mentia para a mãe e para o pai quando aparecia em casa com dinheiro (ou porque inventava alguma lorota para um desconhecido ou porque achava um saco de grana em uma igreja do bairro).

Mas Elza sofreu.


Foi obrigada a casar logo cedo, por volta dos 13 anos, porque o pai a viu lutando contra um menino que a tentava assediar e ele pensou que estavam fazendo sexo. Seu Avelino, o pai, exigiu a união oficial.
Para ajudar a sustentar a casa e os filhos, Elza foi trabalhar em uma fábrica de sabão. Ainda adolescente, teve os filhos Carlos, Raimundo, Gerson, Dilma e Gilson. E ainda adolescente, perdeu Raimundo e outro filho logo depois do parto.

Em 1953, foi ao programa “Calouros em Desfile”, de Ary Barroso
, na rádio Tupi, para ver se conseguia algo como cantora. Interpretou “Lama”, de Paulo Marques e Ailce Chaves. Foi tão bem que um impressionado Barroso sentenciou: “Senhoras e senhores, nasce uma estrela”.

Elza saiu dali confiante, mas a sua vida não mudou muito. Durante a noite, passou a cantar com uma orquestra em bailes pelo Rio. Em alguns salões, era impedida de subir ao palco por ser negra. Elza não entendia bem aquilo. “Naquela época era bem diferente. A gente convivia com aquilo”, relembra a cantora.
“Mas hoje sei que nasci em um dos países mais racistas do mundo.”

Em 1958, depois de integrar o espetáculo “É Tudo Juju-frufru”, foi convidada a participar de uma turnê por Buenos Aires com diversos músicos. Acomodada em um hotel, Elza dormiu pela primeira vez em um colchão (em casa, deitava-se sobre esteiras feitas com sacos de farinha de trigo).

O que era para durar alguns dias demorou quase um ano: Elza levou um calote e, para não voltar ao Brasil sem nenhum dinheiro e derrotada, permaneceu na Argentina fazendo pequenos shows. Ali, ficou amiga de Astor Piazzolla. E foi ali também que recebeu a notícia de que o pai havia morrido.

Ao retornar ao Rio, Elza investiu na carreira de cantora. Ajudada por Moreira da Silva, gravou um compacto com duas faixas. Pouco depois, convidada por Sylvia Telles, foi à Odeon gravar um disco. Ela ainda não era famosa, mas ao chegar ao estúdio viu que muita gente estava no local para vê-la, gente como Lúcio Alves e um certo João Gilberto (mais tarde, Elza ganharia como fãs nomes como Louis Armstrong e Sammy Davis Jr., entre muitos outros).
Depois da morte do marido (que nunca amou), Elza envolveu-se com o baterista Milton Banana e, no início dos anos 1960, com Garrincha. Elza já era uma cantora conhecida.

Garrincha foi o maior amor da vida de Elza,
mas a união dos dois foi malvista no país. Porque Garrincha ainda estava casado com a primeira mulher, com quem teve oito filhas. Elza foi pintada como uma destruidora de lar.
Depois de vários incidentes perturbadores (tentativa de sequestro; casa invadida a tiros), Elza, Garrincha e crianças foram morar na Itália. Ela tentava emplacar a carreira no exterior; ele, já um ex-jogador, bebia cada vez mais.
Meses depois, voltaram ao Brasil. Garrincha, sem dinheiro, morreria vítima de uma cirrose hepática. Elza passaria por momentos de baixa na carreira.

“Eu não queria cantar apenas samba, queria sair daquilo. Dizia: ‘Deixa eu cantar o que quiser’. Quando eu pude sair disso, foi muito bom”, afirma. “Ela se sentia longe da turma, não reconhecida (por outros artistas da MPB)”, diz Camargo. “Não sabe se era racismo, se era preconceito ou se olhavam para ela simplesmente como uma cantora de samba. Nos anos 1980, gravou rock, com Cazuza, fez show com os Titãs.”

Mas a libertação artística de Elza veio apenas em 2002, quando gravou “Do Cóccix até o Pescoço”, com direção de José Miguel Wisnik. Recentemente, lançou dois dos discos mais elogiados da carreira, “A Mulher do Fim do Mundo” (2015) e “Deus É Mulher” (2018).

“Não teria feito nada diferente. Nem teria como, foi muito difícil. O caminho que vem, a gente abraça. A gente quer o melhor, mas a gente abraça aquele que dá.”

Talvez Elza Soares e Mané Garrincha sejam um retrato do Brasil. Ele, um talento extraordinário encerrado precocemente por ingenuidade e vício em bebida. Ela, um talento extraordinário que, mesmo recebendo pedradas a vida inteira, teima em resistir.

Elza
Zeca Camargo. Ed. LeYa (R$ 54,90, 400 págs.). Lançamento dia 12, no Rio de Janeiro, às 19h30, no Estação Net Gávea; e dia 21, às 19h, em São Paulo, na Liv. Cultura do Conjunto Nacional

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Um livro de 1856 como referência para o Brasil

O Antigo Regime e a REVOLUÇÃO

Alexis de Tocqueville, um nome pouco conhecido no Brasil, mas que pode servir muito de referência nacional com seus dois livros: "A Democracia na América" e "O antigo regime e a Revolução".

Vejam, por exemplo, que sabedoria ele escreve na página 177 do livro "o ANTIGO REGIME...":

a única garantia que imaginam contra o abuso do poder é a EDUCAÇÃO PÚBLICA:


pois, como diz ainda Quesnay, "o despotismo é impossível se a nação for esclarecida".


Já naquela época a EDUCAÇÃO PÚBLICA era fundamental.

No Brasil a educação Pública está desaparecendo, estimulando a subaprendizagem e o menor aproveitamento do potencial humano. é como se o Brasil atual estivesse abrindo mão do potencial produtivo e competitivo do Brasil.

Por medo de se transformar em um pais competitivo, entre tantas loucuras, o Brasil vai desqualificação a Educação e priorizando a Educação Privada, paga e de má qualidade... Conhecida no passado por: Papai pagou, filhinho passou.

Se a Revolução francesa foi em 1789 e o mundo não se acabou, nem mesmo a França se acabou, um dia o Brasil encontrará seu destino, seu futuro no presente, e o Brasil será uma grande nação.

Zuza Homem de Mello aos 85 anos bem vividos

Zuza, Fernanda Montenegro e Antônio Cândido simbolizam o Bom Brasil

Em tudo que fez, alterou a história e contribuiu para um Brasil melhor.

Zuza agora virou filme-documentário. Tenho quase todos seus livros contando histórias e estórias da música, a boa música...

Nesta fase da "terceira idade", Zuza declara: "Vivo o ano mais feliz da minha vida, um período maravilhoso de satisfação pessoal e de muitas realizações".

Leiam a íntegra do depoimento de Zuza ao Estadão de 5 de novembro, de autoria de Julio Maria:

Aos 85 anos, Zuza Homem de Mello
é tema de documentário

'Zuza Homem de Jazz', dirigido por Janaína Dalri, inverte o eixo dos 'docs exaltação' e faz o que o pesquisador fez por mais de 60 anos: ensina seu público a 'aprender a ouvir música'

Julio Maria, O Estado de S.Paulo
05 Novembro 2018 | 06h00

Zuza Homem de Mello chegou antes dos 25 anos à Juilliard School, no centro do mundo de Nova York naquela segunda metade dos anos 50, com a alma transbordando. Enfim, os pais entendiam que o curso de engenharia não passava de um acidente e que a música que o absorvia em madrugadas cada vez maiores, a razão de sua existência.

“Ok, percebemos que você tem trabalhado com música”, disseram depois que ele chegou em casa às 2h15 da manhã pela décima quinta vez. “Se é assim, prepare-se. Você vai estudar.” A excelência da Juilliard, em Manhattan, a mesma que formaria Itzhak Perlman, Nina Simone, Yo-Yo Ma e tantos outros, não deixava de ser assustadora. Zuza respirou fundo, sentou-se para a primeira aula e ouviu a frase que valeria pela vida.

“Bom dia. Aqui na Juilliard nós não vamos ensinar vocês a tocar, mas a ouvir. Bem vindos.”

Os mais de 60 anos seguintes na vida de Zuza está ligado a essa frase. Ensinar as pessoas a aprender a ouvir. Aprender das cantoras a ouvir a voz de fora e a de dentro; dos pianistas, os solos feitos e os imaginados; dos baixistas, o suingue e a humildade; dos bateristas, o som e o silêncio. E ouvindo o que se ouve e o que se sente, perceber que por trás da música existe ou não o único elemento que a torna legítima do samba ao jazz, dos terreiros aos salões, das vilas aos palácios: a verdade de quem a faz.

Depois de respirar do mesmo oxigênio de Duke Ellington, Thelonious Monk, John Coltrane e Billie Holliday, pessoas que viu atuar em clubes de Nova York, Zuza voltou ao Brasil inspirado a inspirar. Se tornou responsável pela captação do som e da alma dos programas musicais em um momento único da TV Record e um obstinado caçador de memórias próprias e de terceiros. Escreveu livros referencias como A Era dos Festivais

– Uma Parábola, de 2003; Eis Aqui os Bossa Nova, de 2008; Copacabana, de 2017; e, em dois volumes, A Canção no Tempo, com Jairo Severiano.
Seria então, quando comemora 85 anos, o momento de se deixar homenagear em um documentário exaltação? Colocar pessoas a desfilar comentários a seu respeito (o que essa matéria faz logo abaixo)? Narrar do bom berço em 1933 às homenagens por se tornar em 2018 membro da Academia Paulista de Letras? Alguns usariam partículas da mesma biografia para isso, mas com Zuza, consciente de onde o pesquisador, crítico musical e jornalista deve sempre estar, não funciona assim. Zuza Homem de Jazz, o que poderia ser um documentário biográfico legítimo, é mais um serviço que Zuza propõe deixar para, 60 anos depois da Juilliard, ensinar as pessoas a aprender a ouvir.

Concebido por sua mulher, Ercília Lobo, com direção de Janaína Dalri, coordenação de conteúdo do próprio Zuza e realização do Canal Curta!, o filme de 90 minutos inverte o eixo dos documentários exaltação e traz Zuza no instigante papel de ‘coadjuvante principal’ de uma vida de servidão. Sua melhor homenagem é mostrá-lo em ação. Ele entrevista Letieres Leite não para falar de suas virtudes, mas para discutir o receio dos brasileiros em dizer que fazem jazz e ouvir que “quando estiver triste, ouça Moacir Santos.”

Fala com o pianista André Mehmari para apontar as semelhanças entre Pixinguinha e o jazz americano e analisar os dois tipos de improviso: aqueles realmente criativos e outros tantos pseudo originais mas, na verdade, pré-fabricados. E ouve de Egberto Gismonti sobre a importância da formação cultural mais abrangente de um músico. Se ele não se abrir à literatura, às artes plásticas, ao cinema, ao teatro e aos amigos, fará sempre uma música menor do que poderia fazer. E isso mesmo quando for um artista consagrado.

Zuza vai aos Estados Unidos buscar seu passado. Encontra velhos amigos do jazz, como Bob Dorough, Gary Giddins, Steve Ross, Eric Comstock, Wynton Marsalis e Maria Schneider. Um final desses que a vida decide derrubando os planos do diretor torna tudo mais comovente. Depois de ter sua primeira exibição no Festival de Cinema do Rio, ontem (04), haverá uma sessão de lançamento em São Paulo no próximo dia 30, às 20h, no Instituto Itaú Cultural (Av. Paulista, 149).

Os 85 anos de Zuza não agem em suas células como costumam agir na compleição dos saudosistas. “Eu fui feliz e sabia”, ele diz, logo no início do filme. Sabia e sabe. Ao lado de Ercília, em um desses encontros de almas que o universo custa cem anos a deliberar, é um incansável frequentador de plateias de shows, cinemas e exposições.

Senta-se na plateia com o mesmo entusiasmo para ver Ney Matogrosso e Lívia Nestrovski. Seu livro Copacabana, lançado no final de 2017 sobre a era do samba-canção, rende até aqui quase um ano de palestras e cursos.

Uma série sobre Noel Rosa, O Tempo e a Música, foi exibida pelo canal Art 1 em fevereiro. Veio o reconhecimento da Academia Paulista de Letras e, agora, uma nova empreitada.

A partir do dia 7, a virtual Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles, passa a mostrar uma série de 50 programas sobre a obra de Duke Ellington. Zuza gravou um a um movido pela inegociável ideia de que forte é o ser que sabe ouvir.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

É possível confiar nos políticos?

Quando os políticos perdem a confiabilidade

Duas situações que os políticos perdem muito a confiança dos seus eleitores e perdem a credibilidade perante à sociedade.

A primeira é quando o político se elege com uma plataforma e pratica outra. Por exemplo: diz que priorizará os pobres,o povo e a transparência para provar que continua honesto.

Depois de eleito, e antes mesmo de tomar posse, já está negociando interesses pessoais e financeiros, tudo isto escondido da sociedade.

A segunda é quando o político assina documento para os eleitores, jurando que não privatizará esta ou aquela empresa estatal. Assim que empossado, vota tudo a favor do governo e contra os trabalhadores. Demitindo a grande maiores dos funcionários das estatais, acabando com Fundo de Previdência, e vendendo a empresa à preço de bananas, como fizeram com o Banespa, por exemplo.

Acabamos de presenciar uma campanha eleitoral de baixíssimo nível e, antes meso de tomar posse, já se promete destruir tudo do governo e vender tudo para quem pagar mais.

O Brasil que era um dos mais promissores no mundo, de repente está caindo em descrédito internacional.

Não tem como defender governos, políticos, juízes que se comportam desta maneira.

Já abriram mão até da soberania nacional!

Qual será o limite?

URNA eletrônica sob suspeita nos ESTADOS UNIDOS

Quem é pior: A fraude eleitoral eletrônica ou a fraude impressa?

A urna eletrônica com cópia impressa, você pode provar seu voto. A urna apenas eletrônica, o voto é tão secreto que você não tem como provar em quem votou. Virou questão de fé. Vejam esta boa matéria do jornal Washington Post.

"Não é só no Brasil: urna eletrônica também está sob suspeita nos EUA

Justiça da Georgia, no Sudeste dos Estados Unidos, avalia a possibilidade de abandonar sistema touchscreen e substituí-lo por cédulas de papel a partir das eleições de 2020

Ellen Nakashima Washington Post [19/09/2018] [20h38]

Uma juíza federal de Atlanta (Sudeste dos EUA) negou uma moção, na noite de segunda-feira, para forçar o estado da Geórgia a trocar as urnas touchscreen eletrônicas por cédulas de papel nas eleições de 6 de novembro, que escolherá os novos parlamentares e governadores.

A juíza distrital Amy Totenberg também indicou que no futuro ela estaria preparada para determinar, e rapidamente, que os americanos têm o direito a votar de uma maneira que não pode ser hackeada.

A moção foi apresentada em agosto por defensores da integridade eleitoral que buscam obrigar o secretário de Estado, Brian Kemp, a abandonar o sistema estadual de votação eletrônica sem papel. Eles dizem que, ao não fazê-lo, privaria os 6,8 milhões de eleitores da Geórgia de seu direito constitucional de votar, e que as próprias máquinas eram vulneráveis à pirataria - especialmente por governos estrangeiros.

Segundo argumentaram funcionários estaduais e municipais na semana passada, alterar o sistema de votação tardiamente levaria as eleições ao caos e causaria confusão aos eleitores. O estado tem 2.600 distritos eleitorais em 159 condados.
Riscos de mudança imediata

A juíza concordou com os argumentos dos queixosos sobre a segurança, mas, ao final, considerou que os riscos de mudar o sistema faltando menos de oito semanas da eleição superavam a ameaça à segurança.

"Embora os queixosos tenham demonstrado a ameaça de prejuízos reais aos seus interesses constitucionais, o momento em que a solicitação foi apresentada e a mudança para a cédula de votação poderiam colocar em perigo as próximas eleições, o comparecimento às urnas e a administração do processo eleitoral", escreveu Totenberg, em um parecer de 46 páginas.

A decisão surge no momento em que os Estados Unidos estão preocupados com a possibilidade de Rússia ou outros governos estrangeiros interferirem nas eleições deste ano, como fez Moscou em 2016. Como resultado, alertas de especialistas - incluindo a National Academies of Scientists - sobre as vulnerabilidades das máquinas de votação computadorizadas tornaram-se mais insistentes.

"Com essa decisão em andamento, continuaremos nossos preparativos para uma eleição ordenada e segura em novembro e avançaremos com o trabalho [de uma comissão bipartidária] para atualizar de forma responsável o sistema de votação seguro, mas envelhecido da Geórgia", afirmou Kemp. "Como eu disse muitas vezes, nosso estado precisa de um documento comprovável da votação, mas não podemos fazer uma mudança tão dramática neste ciclo eleitoral."

Decisão definitiva pode vir rapidamente

Apesar de Totenberg ter negado a moção de uma liminar para novembro, ainda não se pronunciou sobre as reivindicações subjacentes, que visam eliminar as máquinas touchscreen sem papel. E ela prometeu tomar uma decisão rapidamente.
Desculpe, o reprodutor de vídeo não foi carregado.(Código de erro: 101105)

"As eleições de 2020 estão chegando", disse ela. "Se um novo sistema de votação for lançado na Geórgia de maneira efetiva, deveria abordar a necessidade crítica da democracia de processos eleitorais transparentes, justos, precisos e verificáveis, que garantam o direito fundamental de cada cidadão de votar responsavelmente."

Os demandantes disseram que esperam eventualmente ter sucesso. "Não estamos detivemos em nossa luta pelo direito de voto, pois este é o cerne da questão", disse Donna Price, diretora do grupo Georgians for Verified Voting, um dos que entraram com a ação.

"Esperamos que prevaleça no final", disse Robert A. McGuire, advogado do grupo Coalition for Good Governance, que também entrou com a ação.

A juíza observou que a Geórgia, o primeiro estado do país a adotar a máquina eletrônica touchscreen para votar 2002, é um dos cinco estados em que a votação eletrônica é totalmente sem papel, sem cédulas independentes ou registro de auditoria.

Os queixosos, na semana passada, convocaram especialistas que falaram sobre os problemas com tais máquinas. Um especialista, o cientista da computação Alex Halderman, da Universidade de Michigan, demonstrou à corte como um cartão de memória com malware inserido em uma máquina Diebold DRE, a mesma que a Geórgia usa, pode alterar os resultados eleitorais.

Logan Lamb desmonta urna eletrônica usada nas eleições na Geórgia
Ellen Nakashima/Washington Post

Os autores da ação também se basearam em depoimentos escritos de outro especialista em informática, Logan Lamb, que alertara o Centro de Sistemas Eleitorais do estado sobre uma vulnerabilidade em um servidor que faz parte do sistema eleitoral. O especialista descobriu esse problema e a exposição online dos dados pessoais de mais de 6 milhões de eleitores em agosto de 2016, três meses antes da eleição presidencial. A falha do software ainda estava lá, afirmou Lamb.

Eles também “destacaram as graves falhas de segurança e vulnerabilidades do sistema eleitoral do estado, incluindo resultados não verificáveis, software desatualizado suscetível a malware e vírus e um servidor central que já foi hackeado várias vezes", escreveu Totenberg.

A juíza repreendeu as autoridades eleitorais da Geórgia por "enterrarem suas cabeças na areia" em relação às vulnerabilidades do sistema.

"No final do dia, a juíza olhou para isto e pensou que se estas autoridades não entendem as questões mais básicas para garantir a segurança uma eleição, como vão implementar as cédulas de papel em tão pouco tempo?", disse David Cross, um advogado da Georgians for Verified Voting.

Apesar de o caso ter sido apresentado à Justiça há mais de um ano, ele foi afetado por atrasos processuais, o que causou frustração à juíza. “A corte tentou agilizar este caso, desde o início, sem sucesso", disse ela. Mas a apresentação em agosto da moção para uma decisão provisória favoreceu o avanço do caso."

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Egito de ontem e de hoje nos ensina muito

O Egito pode nos ensinar muito sobre fragilidade na democracia

The New York Times - Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017 - por Max Fisher e Amanda Taub
Como a nascente democracia do Egito morreu e qual lição ficou para o resto do mundo.

Esta semana é o quarto aniversário do massacre de Rabaa em 2013 no Cairo, em que as tropas do governo atiraram em mais de 800 pessoas que estavam protestando contra a remoção de Mohamed Morsi, o presidente democraticamente eleito.

Que triste marco nos põe a pensar sobre uma questão mais profunda que tenha relevância para muitos outros países hoje.

O que acontece quando o liberalismo e a democracia se tornam forças opostas no mesmo país?

Ou colocado mais amplamente, o que acontece quando as pessoas sentem necessidade de escolher entre a necessidade de escolher entre os seus valores fundamentais ou proteger a própria democracia?

Depois dos protestos que derrubaram o velho ditador Hosni Mubarak do Egipto em 2011, havia a esperança de que o país poderia se tornar uma democracia liberal. As primeiras fases foram promissoras. Após um breve período em que um conselho militar serviu como um governo interino, o país realizou eleições democráticas. Sr Morsi, o candidato da Irmandade Muçulmana islâmica, ganha com estreita vitória.

Mas enquanto a eleição de Morsi foi democrática, seus impulsos para governar tornaram-se, ao longo do tempo, iliberal – contrário ao neoliberalismo. Restou da antiga ordem em que é algumas vezes conhecido como o estado interventor, incluindo em matéria judicial e os serviços de segurança, minaram a ele a cada turno. Como ele lutou contra eles, Sr Morsi tomou medidas cada vez mais extremas que eventualmente orientava mais do que seus inimigos internos, real e perceptível. Ele empurrou através de uma nova constituição de orientação islâmica, hostilizava e ameaçava os críticos e os líderes da oposição, e tentou fazer seus próprios decretos presidenciais imunes de revisão.

Isto abriu um fosso profundo entre os apoiadores de Morsi Sr e pessoas que tinha esperado que a democracia trouxesse uma constituição liberal e leis que regulamentasse o novo sistema. Esta divisão foi profunda, devemos notar, por problemas econômicos durante esse período, o que aumentou o descontentamento com políticas da Morsi .

A situação criou uma questão política que poucos tinham pensado em perguntar antes da Revolução:

Vale a pena sacrificar a democracia se parece ser a única forma de proteger os valores liberais?

Para muitos egípcios, a resposta foi sim.

Cerca de um ano após o Sr Morsi ter tomado posse, dezenas de milhares de pessoas voltaram à Praça Tahrir, desta vez protestando contra um presidente eleito cujo governo viram como pouco melhor do que a ditadura do Sr Mubarak.

Os manifestantes chamaram o exército para remover Sr Morsi, como eles tinham removido Sr Mubarak apenas alguns anos antes.
O exército aceitou esse convite.

Em primeiro lugar, muitos esperavam que o golpe que destituiu o Sr Morsi seria uma espécie de botão de reiniciar a revolução de 2011 - outra oportunidade de eleger um governo que protegeria os valores importantes.

John Kerry, o então Secretário de Estado dos Estados Unidos, disse que os militares tinham vindo "restaurar a democracia" quando depuseram o Sr Morsi, acrescentando que "os militares não assumiram, para o melhor do nosso julgamento - até agora."

Esse julgamento revelou-se incorreto.

Tendo considerado que o apoio público para a democracia foi volúvel, Abdel-Fattah Geral el-Sisi o regime militar rapidamente decidiu permanecer no poder.

Suas forças detiveram Sr Morsi, prenderam ativistas da oposição em massa e reprimiu dissidentes. E quando milhares de apoiadores da Irmandade Muçulmana acampados na praça Rabaa se recusaram a se dispersar, as forças de segurança egípcias começaram uma sangrenta disputa, matando ao menos 800 pessoas e ferindo muitos mais.

A experiência do Egito foi radical.

Sua revolução era recente, o seu exército é poderoso e havia poucas instituições locais para apoiar a sua transição democrática.

Mas o Egito é parte de uma ampla questão. Como temos escrito antes, muitas vezes democracias morrem porque o público, ou uma grande parte dele, apóia outros princípios ou interesses como mais importantes do que o processo da própria democracia.

Na Venezuela foi baseado em uma identidade de classe; na Rússia, na segurança e na estabilidade; na Turquia parece, uma combinação de identidade e de preocupações de natureza econômica.

Pesquisa de Milan Svolik, da Universidade de Yale, mostra que não é que os cidadãos não valorizam a democracia, mas que estão dispostos a colocá-la em segundo plano a fim de proteger o que eles valorizam mais.

É fácil assumir, a partir do conforto de países democráticos estáveis, que gostaríamos de trabalhar sempre para preservar as regras e normas democráticas. Mas o senhor Morsi, com seu breve mandato, é um lembrete de como pode ser difícil fazer isto.

domingo, 4 de novembro de 2018

Neoliberalismo: Democracia para quem?

Era uma vez um sonho democrático
Egito como laboratório para o Brasil


É tão copiado, que seria ridículo negar que os objetivos são os mesmos: O neoliberalismo econômico não quer e não precisa de democracia verdadeira, basta um aparente Estado de Direitos.

Todos atuando com o mesmo objetivo:


Proteger as empresas multinacionais, acabar com a soberania nacional e promover concentração de riqueza e socialização da pobreza. Pobre é para trabalhar, deve ser mão de obra barata e em excesso. Democracia é para quem dinheiro... Isto é o neoliberalismo.

Leiam este brilhante artigo da revista alemã “Der Spiegel”. É só uma parte do artigo.

Ela já previa tudo que está acontecendo no Brasil, na Argentina e no mundo.

Once Upon a Revolution
The Broken Dream of Tahrir Square


De Thanassis Cambanism – Der Spiegel – 13/fevereiro /2014 02/04/2015 04:06 PM

Quatro anos após o levante da Primavera Árabe, o Egito tornou-se novamente uma ditadura. Como as coisas poderiam ter chegado a isso? Autor Thanassis Cambanis rastreados três líderes da revolução na Praça Tahrir, documentando a morte lenta de sua rebelião.

.....

Esta é a situação no Egito hoje, quatro anos após a revolução, que começou em 25 de janeiro de 2011 e finalmente forçou a renúncia de Hosni Mubarak, que havia sido o presidente do país por décadas.

Depois que os militares destituíram o irmão muçulmano Mohammed Morsi como o primeiro presidente civil eleito do país em julho de 2013, a breve fase da liberdade chegou a um fim abrupto.

No tempo que se passou desde então, a Irmandade Muçulmana foi banida.

Os procedimentos judiciais contra Mubarak não levaram a lugar nenhum; e seus filhos, que também enfrentaram acusações, acabaram de ser libertados da prisão. Enquanto isso, a maioria dos ativistas revolucionários influentes está na cadeia ou fugiu para o exílio no exterior.

No Cairo, os militares estão governando novamente com um homem forte no comando.
Hoje há ainda menos avenidas para dissidentes do que antes da revolução. Nenhuma reunião pública é permitida; a polícia secreta exerce um aperto maior do que nunca; o parlamento foi dissolvido; e a mídia aplaude o presidente Abdel Fattah el-Sisi.

Uma revolução fracassada

Há também processos judiciais contra Moaz Abdelkarim no Cairo, mas ele conseguiu fugir do país a tempo. O farmacêutico e ex-Irmão Muçulmano agora vive em Istambul e raspou a barba leve. "Não parece uma revolução", diz ele. "Parece um fracasso."

sábado, 3 de novembro de 2018

Baixou o "Santo" na Folha

Passadas as eleições, o Brasil real volta a ser notícia...

A capa da Folha deste sábado surpreendeu a todos.


1 - Trabalhadores informais já são 43% - foi para isto que houve o golpe, legitimado agora com as eleições;

2 - Moradores de Rua em São Paulo chegam a 20 mil - A cada ano que passa só aumenta o número de moradores de rua. Para que servem os governos municipal, estadual e federal?

3 - Mais livros e menos livrarias - O número de livros vendidos aumentou, mas o quantidade de livrarias está diminuindo, bibliotecas também e as empresas estão falindo. Livrarias, farmácias, bancos, supermercados... tudo virando oligopólios, isto é, quatro ou cinco controlam o mercado e cobram o quanto querem, e o povo paga a conta.

4 - Mas tem também um bom artigo sobre os 100 anos de Antonio Cândido.

5 - E eu não vi na Folha de hoje, mas vi no Cine Gazeta, um belíssimo filme sobre a sobrevivência dos judeus na Alemanha nazista. Pena que a sala seja pequena e todos os dias vendem antes os ingressos por internet.

Tomara que o "Santo" que baixou na Folha ontem, continue por lá durante muitos anos...

Que a Folha aprenda com o New York Times que chegou a 4 milhões de assinantes. Congratulation!

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

A eleição que abalou o mundo

Um artigo imprescindível sobre as eleições

O melhor jornal, com a melhor jornalista, Maria Cristina Fernandes, faz o melhor balanço que já li sobre o significado das eleições presidenciais em relação ao mundo do trabalho.

É tão bom que decidi reproduzi-lo na íntegra.

A era da carteira de trabalho canarinha


Por Maria Cristina Fernandes – Valor – Caderno fimdesemana 01/11/2018

Esqueça as notícias falsas.


A carteira de trabalho verde e amarela é o melhor truque da vitória de Jair Bolsonaro. Não é produto de robôs delirantes, não teve centralidade na campanha nem se tornou palavra de ordem dos bolsominions. Mas está à altura da desventura do que está por vir.

O documento foi apresentado na campanha como um divisor de águas no mundo do trabalho. De um lado estariam os detentores da carteira azul que queiram preservar os direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho, ainda que sob o risco de perderem seus empregos. Do outro, os brasileiros que aceitem mitigar direitos em contratos individuais com seus empregadores.

Se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o pai dos pobres redivivo, com suas políticas compensatórias e de formalização do trabalho, Bolsonaro dá um passo degrau abaixo. Busca capturar a massa de desvalidos jogando-os contra aqueles que detêm direitos trabalhistas. Um exemplo disso é a proposta de 13º salário para o Bolsa Família às custas do abono salarial. A luta de classes bolsonarista está concentrada na parte de baixo da pirâmide. A carteira verde-amarela é o manto destinado a proteger seu exército de precarizados.

Num programa de governo de oito mil palavras,
o capítulo do trabalho somou 112.


Lá estão a carteira canarinho, a prevalência de acordos individuais com empregadores sobre a CLT, ressalvadas as garantias constitucionais, a permissão para que um metalúrgico escolha o sindicato dos bancários para se filiar (fim da unicidade sindical) e a barreira contra a volta do imposto sindical.

Entre os direitos constitucionalizados estão o salário mínimo, o seguro-desemprego, o repouso semanal remunerado, o 13º, o FGTS e a aposentadoria. A reforma trabalhista não alterou a Carta mas deu flexibilidade à negociação de jornadas de trabalho e encargos e restringiu o acesso à Justiça do Trabalho.

Ao longo da campanha, Bolsonaro evitou explicitar que direitos poderiam vir a ser mitigados. Limitou-se a informar que o trabalhador vai ter que escolher "se quer mais direito e menos emprego ou menos direito e mais emprego". A retórica binária funcionou ou, pelo menos, não foi ameaçadora o suficiente para prejudicá- lo.

Bolsonaro não foi eleito porque prometeu tirar direitos.


Mas só conseguiu o mandato porque há um gigantesco contingente deles desprovido. Informais, trabalhadores por conta própria sem CNPJ e desempregados somam 51,9 milhões de brasileiros, quase a totalidade (57 milhões) da votação do presidente eleito. Foi a desesperança que venceu o medo. Os robôs das redes sociais só foram capazes de produzir espirais delirantes porque encontraram escancarada esta porteira real.

O delator da Cambridge Analytics, Christopher Wylie, um dia resumiu Steve Bannon, seu antigo patrão, exmarqueteiro da vitória de Donald Trump e guru do bolsonarismo, como alguém obcecado em mudar a cabeça das pessoas. No Brasil, quem fez a cabeça da maioria petista que se transportou para o bolsonarismo não foram as redes sociais mas os anos continuados de recessão e a frustração.

A ameaça ao décimo 13º salário permaneceu mais ou menos inócua à campanha porque 13 milhões permanecem desempregados depois da reforma trabalhista que prometia brotar empregos. Os 13 do PT até que rimavam com o enredo, mas não se mostraram uma solução.

A militância de Bolsonaro contra a incorporação dos empregados domésticos à CLT também se mostrou inócua porque a campanha transcorreu num momento em que grandes contingentes de mulheres que deixaram os quartinhos dos fundos para se aventurar no telemarketing ou no balcão de lojas perdeu o emprego. Não conseguem nem mesmo voltar aos quartinhos porque a legislação que tentou tirar o Brasil do século XIX impediu uma classe média estrangulada de recontratar seus serviços.

Do quinto andar de seu prédio no bairro carioca de Botafogo, Wanderley Guilherme dos Santos enxergou uma parte da floresta. Um mês antes do segundo turno publicou artigo (bit.ly/2CU33Fh) em que tenta explicar como o desarranjo trabalhista levou a 2018 e não vai acabar com a eleição. inRead invented by Teads

Diz que a vitória do PT,

no limite, poria em curso iniciativas compensatórias para os desvalidos de sempre e incapazes de evitar a obsolescência da sociedade frente à automação. Seria uma coalizão defensiva da ordem decadente despreparada para reagir ao que chama de quarta revolução industrial. Ainda estaria moldada na era industrial clássica e desconectada da tecnologia que permitiu o manejo de gigantescas bases de dados e provocou uma ruptura com os corolários da organização do trabalho.

O partido se viu desarmado pelo que o fundador do Fórum Econômico Mundial, Karl Schwab, um dia descreveu como um arco-íris de prosperidade, com o trabalhador, enfim, apto a desfrutar de plena autonomia e liberdade para se dedicar às tarefas num dia e pescar no outro desde que seu currículo esteja disponível numa nuvem a fim de ser recrutado para serviços definidos sem obrigações posteriores entre prestador e contratante.

Nem todos os engarrafadores de nuvem da nova era são tão utópicos.
Inexoráveis, as inovações tecnológicas também se destinam a levar as empresas a prescindir do trabalho. Não ameaçam apenas as ocupações de baixa qualificação como também os serviços mais sofisticados e inspiraram autores como Thomas Piketty a mostrar como o dinheiro, hoje, faz dinheiro mais rapidamente do que pessoas e empresas conseguem criar valor

Jair Bolsonaro venceu a eleição porque surfou nessa onda de desorientação.


A carteira de trabalho tupiniquim do bolsonarismo é a inclusão pela capitulação. Nenhum deles é tão relevante quanto a experiência alemã. Há um século, o comunismo foi barrado por lá com a ampliação de benefícios sociais, em grande parte, via sindicalização. A saída para incorporar migrantes sem quebrar o pacto entre sindicatos e empresas foi excluí-los. Seus contratos são regidos por regras mais estreitas e menos benevolentes.

Os percalços dessa trajetória já fizeram pipocar extremismos na Áustria e na Hungria e acaba de desencantar da política a chanceler alemã, Angela Merkel, governante que equilibrou, como poucos, as bandejas desse caótico cardápio da automação excludente na resistência aos extremismos do continente.

No Brasil, ressalvada a selvageria contra os venezuelanos num dos Estados (RR) que deu maior vantagem a Jair Bolsonaro, é majoritariamente contra sua própria gente que se insurge a nova ordem da quarta revolução industrial. Ao pintar de verde e amarelo a nova carteira de trabalho, o presidente eleito sinaliza que é sob o manto da proteção pátria que se dará o expurgo de direitos. Como o Brasil está acima, tudo vai ficar bem. Quem se insurge contra esta ordem deve ser expatriado porque resiste a dar o ouro, ou melhor, seus direitos, pelo Brasil. Ao contrário do que acontece na Europa, o país ingressa no século XXI sem sequer ter saído inteiramente do XIX.

A coalizão vencedora, no entanto, não se limitará a premiar ianomamis que entregararem suas terras com subempregos e iPhones de penúltima geração. Bolsonaro acena com o ensino à distância numa mão e leis antiterroristas na outra contra professores que oferecerem resistência. Terá, à sua disposição, um embate com efeito demonstração para conter novas insurgências contra a entrada a galope do Brasil na quarta revolução industrial. Vai engrossar esse caldo com a liberação das armas e a cruzada em defesa da família e da propriedade.

O presidente eleito já inclui os insurgentes entre aqueles que chamou de vítimas do coitadismo, variação, em torno do mesmo tema, da indolência tupiniquim, de que fala seu vice. Se a carteira verde-amarela não der conta dos 13 milhões de desempregados não faltará mercado de trabalho nas milícias que a liberação de armas fará proliferar no país.

O consultor João Guilherme Vargas Neto, que já sabia ler quando Getúlio Vargas começou a colocar essas massas em circulação na política, não ficou impressionado com a exibição do livro de Winston Churchill com a qual o presidente eleito buscar refutar a associação com o fascismo. Prefere se fiar na sucessora do velho primeiro-ministro inglês que assumiu o poder para promover o desmonte das conquistas sociais do pósguerra. Para Margareth Thatcher, não havia sociedade, apenas famílias e indivíduos.

Se bem-sucedido, o presidente eleito arrisca-se a conquistar a cidadela mais fiel do petismo, a população que ganha até um salário mínimo e aquela que não concluiu o ensino fundamental. Cumpriria, assim, trajetória paralela à de Lula, que foi eleito pelos nutridos e pensantes e terminou no colo dos desvalidos. No muro que pretende erguer entre os carteiras azuis, de um lado, e aqueles que serão portadores da verde-amarela, de outro, está novamente embutida a ideia do "nós contra eles"do petismo.

Esse muro só cai se a banda formalizada se puser a disputar com o presidente eleito as bandeiras dos precarizados. De todas, aquela que mais condição teria para fraturar na base o muro do bolsonarismo é também aquela à qual os trabalhadores formais mais resistem, a defesa do SUS como o sistema, de fato, universal, de todos os brasileiros.

São quase nulas as chances de categorias sindicalizadas abrirem mão de planos de saúde em seus acordos coletivos em nome do fortalecimento da saúde pública. Dois dos candidatos à Presidência (Bolsonaro e Ciro Gomes) que estiveram sob cuidados médicos durante a campanha se renderam às grifes da rede hospitalar privada. A atitude caberia ao coletivo, mas a era Bolsonaro chegou para tirar esta palavra de circulação. Maria Cristina Fernandes, jornalista do Valor, escreve neste espaço quinzenalmente E-mail: mcristina.fernandes@valor.com.br