segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Empresas ganham com as eleições...

Vejam esta boa matéria do jornal Valor

Ambev, Itaú e Itaúsa têm maior retorno em anos eleitorais desde 1998

Por Juliana Machado – VALOR – 15/10/2018

Ambev, Itaú Unibanco e Itaúsa. As empresas que estão entre as de maior giro financeiro da bolsa, participação no Ibovespa e valor de mercado são também as que mais garantiram retorno aos investidores em todos os anos de eleição presidencial desde 1998. A instabilidade com a corrida eleitoral ainda deve atingir sobretudo papéis de maior liquidez, mas as operações consolidadas dessas empresas e a perspectiva de rentabilidade sustentam as apostas nos ativos.

Levantamento produzido pela Genial Investimentos constata que as ações dessas três companhias sempre se valorizaram no período mais crítico da eleição - o último trimestre - desde 1998. No caso da Ambev, o retorno médio em últimos trimestres de lá para cá é de 16,35%, enquanto Itaúsa teve ganho médio de 15,09% no mesmo período. No caso do Itaú Unibanco, a valorização média foi de 14,39%.

Neste ano, os três ativos têm comportamentos díspares. Ambev ON ainda acumula queda de 18,98% no ano, em linha com a caminhada lenta da economia brasileira, além de ter perdido o posto de empresa mais valiosa da bolsa para Petrobras e Vale. Mesmo assim, desde a criação do Plano Real, em 1994, o papel da fabricante de bebidas só teve desempenho negativo anual em 2008, 2014 e 2016 - anos marcados, respectivamente, pela crise financeira mundial, pela reeleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência e pelo processo de impeachment.

No caso de Itaú Unibanco PN, a ação sobe 18,86% em 2018, enquanto a holding Itaúsa PN, controladora do banco e das empresas Alpargatas e Duratex, tem valorização de 19% no ano. A Ambev tem atualmente peso de 5,378% no Ibovespa, enquanto Itaú Unibanco PN tem fatia de 10,904%; Itaúsa PN tem participação de 3,465%.

Além das instituições financeiras e da fabricante de bebidas, outras empresas apresentaram uma rentabilidade média alta no estudo da Genial, caso de Coelce (27,41%), Copel (15,49%) e Klabin (19,79%). Em casos como Coelce e Copel, porém, a reduzida liquidez dos ativos coloca a turbulência dos negócios em evidência muito maior.

"Existe uma chance de retomada muito mais favorável hoje para as ações do que há quatro anos, quando o ambiente foi muito mais caracterizado pela pressão sobre os ativos com reeleição de Dilma Rousseff", afirma Filipe Villegas, analista da Genial Investimentos e autor do estudo. "O mercado continua antecipando e confiando que o viés pró-reformas do próximo governo vai continuar."

Os papéis com melhor retorno ao acionista em bolsa computados pela Genial têm diferentes desempenhos no acumulado do ano, mas a maioria deles guarda entre si uma semelhança: a qualidade das operações. No caso da Ambev, relatório recente do UBS destaca que o papel já ficou com um preço esticado, mais caro até mesmo do que a controladora, a AB InBev. "Às vezes, ações de companhias muito boas têm performance abaixo do mercado, ainda que diversos indicadores estejam com boa performance", ponderou o banco, em relatório.

Segundo Villegas, no caso dos bancos, são ativos que sempre ficarão na linha de frente da reação às movimentações do mercado, o que coloca sobre eles um nível de volatilidade maior. No entanto, boa parte desse grupo acabou passando a operar com um maior nível de desconto, descolado dos fundamentos positivos que justificam manter tais ações em carteira.

"Diante de um momento de imprevisibilidade e instabilidade, o mercado ajusta apostas e busca empresas mais conservadoras, como papel e celulose, bancos, elétricas. Isso não mudou", explica. "São empresas que integram portfólios marcados por boa gestão, com potencial de alta e manutenção de indicadores operacionais positivos", afirma o analista.

Na Guide Investimentos, a projeção para o Ibovespa no ano é de uma alta adicional de 15,8% em relação aos níveis atuais, até a máxima em 96 mil pontos. E, para isso acontecer, será fundamental que papéis de empresas grandes, como a Ambev e os bancos, tenham alguma valorização até o fim do ano.

"Para o índice avançar, esses papéis precisam avançar, mas alguns solavancos são esperados. No caso de companhias muito conectadas ao dólar, a vitória de um candidato reformista joga nova pressão sobre esses papéis, já que a moeda americana ainda pode recuar mais", afirma Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide. "Itaú e Itaúsa, além de outros bancos, são alternativas mais seguras. Sobre Ambev e Klabin vejo como papéis mais defensivos, e não é exatamente hora de ser defensivo."

Para Fernando Barroso, diretor da CM Capital Markets, a estratégia deve ser um pouco diferente. O interlocutor vê nos ativos que já colheram forte alta recente menos oportunidade de ganho do que em papéis ligados ao cenário doméstico, que devem ser os próximos a obter importante valorização. Tudo vai depender de como caminhar a eleição - ou seja, o quanto os ajustes fiscais ficarão vivos no próximo governo.

"Mas qualquer reação agora será relevante, então acredito que seja o momento de elevar exposição em ativos mais específicos, com bons fundamentos, mas que ficaram mais para trás. É o caso de varejistas, e menos de bancos", afirma

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