terça-feira, 17 de abril de 2018

Paul Singer, Ivone Lara e a redemocratização

A Solidariedade nos sonhos

Hoje acordamos com o noticiário das mortes de duas pessoas ilustres na vida brasileira.

Primeiro eu soube da morte do professor Paulo Singer, o pai da "Economia Solidária" no Brasil e depois eu soube da morte de dona Ivone Lara, símbolo do samba e da simpatia, além de herança simbólica dos tempos da escravidão no Brasil.

Meu primeiro contato foi com a música de dona Ivone Lara.


Em 1979, os bancários de São Paulo lançaram uma chapa de oposição aos pelegos que estavam no Sindicato. A ditadura militar ainda era muito forte, embora as manifestações e as greves já estivessem crescendo. era uma chapa ampla, com gente independente, do partidão, da Libelu, da Convergência, entre outros.

Esta eleição já fazia parte das lutas democráticas e libertadoras. Alberto Godman, deputado federal pelo MDB e membro do Partido Comunista Brasileiro, dentro do espírito de frente ampla, emprestou-nos seu comitê em Santana, que era sobre uma pastelaria.

Ao lado da pastelaria tinha uma loja de disco
que tocava dia e noite a mesma música,
cantada por Gal Costa e Maria Bethânia,

"Sonho meu".


Esta música composta e cantada por dona Ivone Lara
ficou em nossos corações e nossas mentes.

Eram épocas de sonhos,

de voluntariado por uma causa
que crescia em todo o Brasil:

As liberdades democráticas!


Com o tempo, veio a redemocratização, o neoliberalismo e o desemprego, principalmente no setor industrial. Os metalúrgicos da CUT convidaram o professor Paulo Singer para ensinar uma forma de unir os trabalhadores de fábricas quebradas ou falidas, para recuperá-las pela unidade solidária dos trabalhadores, fundando as cooperativas de economia solidária. Atualmente elas são milhares, em várias áreas da economia.

O sonho do professor Singer ganhou asas no governo Lula,
espalhando-se por todo o Brasil e fazendo intercâmbio com o exterior.

Juntos fundamos a ADS - Agência de Desenvolvimento Solidário, para ajudar a organizar as cooperativas. Juntos fomos conhecer experiências na Holanda, como o Rabobank, o maior banco cooperativo do mundo. Juntos atuamos no ministério do trabalho e juntos trocamos experiências com os canadenses de Quebec. Tive a oportunidade de frequentar seu apartamento em São Paulo e trabalhar juntos.

Eu o chamava de "um dos últimos românticos",
porque fazer economia solidária requer muito desprendimento, muita paciência, muita perseverança e muito amor.

Era por isso que o Professor Singer dizia que "uma outra economia é possível".

Agora, ambos no Céu, o professor Singer, nascido na Áustria, e dona Ivone Lara, nascida no Rio, neta de escravos e artista dos melhores, estarão saboreando "o outro munto possível", e, de lá, vão nos ensinar a aprender a conviver com as experiências solidárias.

Sonho meu, sonho meu,

vai buscar quem mora longe,
sonho meu...

Os sonhos podem ser adiados,

mas nunca deixarão de existir.

Lula Livre!

Para ajudar o Brasil a recuperar seus sonhos.

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