quarta-feira, 21 de março de 2018

A Folha, os Estados Unidos e o Iraque

Faltou um parágrafo...

A Folha ontem fez um bom artigo sobre os 15 anos de invasão ao Iraque e a desorganização do Oriente Médio pela ação belicosa dos Estados Unidos.

Registrei no blog a importância da matéria e observei que tinha faltado uma palavra sobre o fato de a Folha ter apoiado e feito a campanha dos Estados Unidos, mesmo a ONU não apoiando a invasão e não havendo provas contra o Iraque.

Hoje a Folha fez um EDITORIAL.

Também muito bem feito e com observações relevantes.

O curioso é que a Folha insiste em não citar uma palavra sequer sobre o fato de o jornal ter apoiado e ter participado da campanha americana.

Não tenho nada contra o jornal ter posição permanente de apoio incondicional aos Estados Unidos, como xerife do mundo.

Mas a Folha não precisa camuflar sua posição. Ela pode assumir seu lado. O NYTimes assume e tantos outros jornais também assumem.

Mesmo que fosse no último parágrafo do Editorial a Folha poderia escrever:

"O tempo possibilita ver com mais nitidez o que era certo e o que não era recomendável. Apesar da violência do atentado de 11 de Setembro, o governo americano poderia ter agido em parceria com a ONU, preservando-se de ser acusado de imperialista e desorganizador do Oriente Médio.

A Folha, mesmo apoiando incondicionalmente os Estados Unidos, deveria ter garantido a existência de diversas posições sobre a invasão ou não. Em não tendo feito isto, a Folha ficou passível dos mesmos erros do governo dos Estados Unidos."


Simples, transparente e sem necessidade de deixar de apoiar os Estados Unidos.

Não deixei de assinar o jornal, mas fico decepcionado com posturas dúbias. Como o fato de ter apoiado e ser uma das articuladoras do golpe de Estado contra Dilma e o PT e ao mesmo tempo querer falar da democracia nos outros países.

Quem acaba com a democracia no seu país, não tem autoridade para falar dos governos dos outros países...

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