terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Os bancos e a democracia no Brasil

De 300 bancos, temos apenas 5

Hoje todos os jornais dão notícias relevantes sobre os dois principais bancos no Brasil. O Itaú e o Bradesco. A história destes dois bancos reflete a história do sistema financeiro nacional, mas, também reflete a evolução política do Brasil. E, de certa forma, do mundo.

No início da década de 60, o Brasil tinha mais ou menos 300 bancos. Grande mesmo era só o Banco do Brasil. O Bradesco vinha crescendo e as fusões e aquisições já serviam para surgirem bancos grandes.

Com o golpe militar em 1964, veio a Reforma Bancária, que levou a um enxugamento do sistema financeiro, diminuindo significativamente a quantidade de bancos, chegando aos anos oitenta com 140 bancos no Brasil.

O descontrole inflacionário nos anos 80 e 90 deixou o sistema financeiro maluco e de alto risco. Bancos importantes como Comind, Nacional e Bamerindus tiveram intervenção do Banco Central. E os bancos foram diminuindo...

Nos anos 90, veio o Plano Real e o Proer, que tiveram profundo impacto na vida dos bancos. Com o fim da inflação alta, os pagos ganharam direito de cobrar "Taxa de Serviços", que cobrem mais do que a Folha de Pagamento, e tiveram também o direito de comprarem, a preço de banana, os bancos estaduais estatais, além de serem estimulados a comprar os bancos médios.

Com o início do neoliberalismo no Brasil, o sistema financeiro acelerou a concentração dos bancos.

Hoje, o Brasil tem apenas CINCO BANCOS de varejo.


Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Federal. Estes bancos controlam 80% das operações bancárias do país. Este oligopólio passou a ter grande poder de influenciar o Banco Central e o próprio governo. Tanto é verdade que, mesmo no governo Lula, a concentração dos bancos continuou, tendo como destaque a incorporação do Unibanco pelo Itaú.

Os bancos, nacionais e estrangeiros, tiveram grande influência no impeachment de Dilma e na sustentação do governo ilegítimo de Temer. Os bancos estão ficando tão explícitos que exigem as reformas que o governo apresentou para o congresso nacional e os deputados e senadores aprovaram. É como se os bancos estivessem mandando no Brasil.

Será que esta concentração excessiva de bancos é boa para a democracia e para o Brasil?


Será que esta concentração excessiva de bancos não inverte a governabilidade?


Quanto mais força o bancos têm, mais fraca fia a indústria nacional e o agronegócio fica dependente do Banco do Brasil e do governo. Sem contar o povo em geral que depende de apenas cinco bancos com suas poucas agências e com a cobrança de tarifas bancárias e a tal da reciprocidade.

Algum governo terá forças para repensar o papel social dos bancos?

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