segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Em 2017, Washington Olivetto foi embora do Brasil

Mais uma derrota do lado bom do Brasil

O Estadão, mais uma vez, presta uma homenagem a um dos grandes símbolos do Brasil. Washington Olivetto.

Infelizmente não vi nada na Folha nem no Valor. Por que será?

Em texto impecável, Fernando Scheller escreve tão bem que resolvi não acrescentar nada.
Apenas reproduzi o belo artigo em homenagem a Washington Olivetto, a pessoa que decodificou o Brasil nas últimas décadas.

Alô, alô, W do Brasil

Aquele abraço!

Aos 66, Olivetto finaliza sua biografia


‘Direto de Washington’ deve sair em abril e trará algumas histórias de fracasso do publicitário premiado

Fernando Scheller, O Estado de São Paulo
01 Janeiro 2018 | 05h00

Pouco antes do Natal, em um dia de semana,
o Shopping Iguatemi de São Paulo não estava tão cheio. Um publicitário caminhava do restaurante onde havia almoçado até a fila do táxi, na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Andava e parava, abordado por profissionais do ramo, filhos de velhos amigos ou gente comum querendo trocar umas palavras. Não é comum que um publicitário se torne tão famoso a ponto de ser visto como uma celebridade – neste caso, Washington Olivetto é a exceção à regra.

No mercado, todo mundo concorda que gente muito criativa veio depois dele, mas ainda não surgiu um nome cujo rosto ficou gravado no imaginário das pessoas – e na cultura pop – quanto o de Olivetto. Não é à toa. Além de ser criador de comerciais clássicos, ele também contou com uma pequena ajuda dos amigos para transcender a fama dentro do “trade” publicitário. Entre esses está Jorge Benjor, que citou o publicitário em duas de suas canções de sucesso, Engenho de Dentro e W/Brasil.

Criador de campanhas icônicas
e líder de grandes agências brasileiras há pelo menos 30 anos, Olivetto finalmente desacelerou ao deixar o comando do dia a dia da W/McCann no fim de outubro. Aos 66 anos, ele se mudou de vez para Londres, com a mulher, Patrícia, e os dois filhos adolescentes, onde alugou uma casa de cinco andares. Ainda dá expediente no escritório da McCann, na capital britânica, mas sem a obrigação de trazer clientes e coordenar uma equipe de centenas de pessoas.

Nos últimos meses, sua ocupação principal foi terminar o texto principal de sua autobiografia – Direto de Washington – W. Olivetto por Ele Mesmo, que deve sair em abril, pela Estação Brasil, selo que faz parte do grupo Sextante. Embora resista em dar detalhes sobre o livro, ele adianta que não será uma história “com começo, meio e fim” nem focada apenas em publicidade. “Serão histórias, que poderão ser lidas dentro ou fora de ordem, mas que formarão um conjunto”, diz o publicitário, que já teve parte de sua vida contada no livro Na Toca dos Leões – A História da W/Brasil, uma das Agências de Propaganda Mais Premiadas do Mundo, de Fernando Morais.

Entre o Natal e o ano novo, Olivetto reviu amigos em São Paulo e no Rio.


Ele recebeu, por exemplo, o fotógrafo Sebastião Salgado, autor da fotografia que estampará a capa do novo livro, e Marcos Pereira, sócio da Sextante, para combinar os detalhes da edição final da autobiografia. Até Olivetto, afinal, precisa de editor: “Chega uma hora em que a gente não vê mais repetições, vai ser um processo bom”. E adianta que não quer lançamento discreto nem atingir só os amigos. “Sou filho de vendedor, nasci para vender. É para vender muito.”

Embora Direto de Washington não vá seguir uma estrutura “quadrada” – como diz o publicitário – alguns dos êxitos da carreira serão enfocados. Olivetto começou na publicidade aos 17 anos e, aos 19, já tinha um Leão de bronze em Cannes. Trabalhou na DPZ, criou a W/Brasil e foi responsável por comerciais que até hoje são lembrados, como o filme para a marca de roupa íntima Valisére que mostra a compra do primeiro sutiã por uma adolescente.

Outros êxitos se seguiram, culminando com o prêmio pelo conjunto da carreira – Lifeachievement Award – do prestigioso Clio. Com tanto para contar, uma das preocupações do publicitário é justamente evitar o autoelogio. A receita foi investir em alguns fracassos e ideias que não foram adiante ou não deram certo. Quais? “Leia o livro”, responde o publicitário.

No almoço com o Estado, ele deixou escapar uma ponta de saudade dos velhos tempos.


Apesar de a saída do dia a dia da W/McCann ter sido recente, Olivetto já tomou distância suficiente do negócio para perceber que a atividade está se transformando. Se por um lado a propaganda está se tornando mais fácil de ser medida e eficiente, por outro ele diz que o glamour e a diversão do negócio estão começando a se perder. “Ser publicitário já deu muito dinheiro e foi muito legal. Hoje, já não é mais assim”, decreta.

“Ainda bem que eu peguei o melhor da festa.”

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