domingo, 21 de janeiro de 2018

Dilemas da Cidadania no Brasil

Como fazer o direito valer para todos?

Na política inventaram a "direita" e a "esquerda", depois inventaram partidos políticos com nomes que não tem nada a ver com a prática. O Brasil tem atualmente 35 partidos políticos registrados. Parece mentira, mas são 35 partidos. Sendo que, atualmente, a população não reconhece legitimidade em quase nenhum.

Na economia inventaram a "luta de classe" e a "conciliação de classe", ou ainda a "ignorância de classe".

Augusto Campos, nosso grande estrategista sindical, nos ensinava que "o conflito entre o capital e o trabalho, faz parte da relação empregatícia e, para compensar "a correlação de força, onde um banqueiro decide por dezenas de milhares de bancários", tornando-se assim imprescindível que os trabalhadores se organizassem em sindicatos para reivindicarem seus direitos coletivamente. Daí que, nas campanhas salariais os sindicatos sejam imprescindíveis, desde que tenham legitimidade, isto é, tenham a efetiva participação dos trabalhadores.

Para Augusto Campos,os trabalhadores devem se organizar a partir do seu local de trabalho, depois por empresa, depois por categoria profissional e finalmente pela classe trabalhadora.

Praticamos isto no Sindicato dos Bancários de São Paulo, depois, com a criação da CUT, passamos a praticar em milhares de sindicatos e categorias de trabalhadores, atingindo todo o território nacional.

Neste dia a dia, percebemos que, além das relações de trabalho, há a vida social, isto é, na cidade, nos estados e no país. Aí os sindicatos já não dão conta, precisando a sociedade se organizar em partidos políticos. Como os patrões já tinham seus partidos, criamos o PT. Um partido diferente da esquerda tradicional, que unificava desde professores universitários até trabalhadores rurais e extrativistas do Acre.

Quando o partido começou a governar municípios, estados e a união, descobriu que é necessário também se garantir a igualdade de direitos no tal do poder judiciário. Atuar somente no legislativo e no executivo não foi e não é suficiente. O partido teve oportunidade de nomear ministros comprometidos com a democracia e a cidadania. No entanto, ao reforçar a estrutura conservador da poder judiciário, o PT acabou nomeando advogados e juízes que viriam a abandoná-lo e até mesmo participassem do golpe de Estado e da condenação da sua maior liderança.

Nesta mesma jornada de aprendizagem, parte da esquerda achou que agradando a grande imprensa, seria tolerado por ela e teria espaço para ser promovida, ajudando a eleger seus candidatos. Mais tarde percebeu que, o fato de não ter criado uma imprensa própria que representasse os interesses da classe trabalhadora, facilitou que a imprensa conservadora saísse do armário e se assumisse, mais uma vez, como golpista e desonesta editorialmente.

Neste processo histórico, os trabalhadores perderam um grande aliado. Perderam a Igreja Católica com a Teologia da Libertação, com as Comunidades Eclesiais de Base. A Igreja internacional fez acordo com a direita internacional para acabar com a Teologia da Libertação. Abrindo espaço para as Igrejas Pentecostais conservadoras.

Vivemos momentos terríveis! Vivemos sem democracia, sem direitos, sem imprensa neutra e com o judiciário degenerado, assumindo a função de gestor maior da sociedade, como se fosse o Conselho de Religiosos do Irã que se colocam acima dos poderes executivos e legislativos do Irã. O terror voltou!

Numa situação desta, como fazer os direitos valer para todos?

Como mostrar que democracia sem cidadania não é democracia?

Como convencer o povo brasileiro que este Estado corrompido e cheio de corruptos não pode continuar?

Pelo jeito, vivemos um processo histórico mais difícil do que foi derrubar a ditadura militar. E assim abre-se espaço para os teóricos de esquerda que fazem qualquer coisa para serem aceitos pela classe dominante.

Como dizia a ex-ministra do Trabalho, Dorothea Werneck, democracia pressupõe direitos iguais e não uma concessão, um favor dos ricos para o povo.

Pelo jeito, vamos ter que começar tudo outra vez...

Se o mundo vive um impasse, já não aceitando nem o fascismo nem o comunismo, ambos ditatoriais, está mais do que na hora de a sociedade se organizar e desenvolver um novo sistema de governabilidade. Onde a democracia, a liberdade e a cidadania sejam inegociáveis.

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