terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Martinho despede-se da CUT. Àquele abraço!

Martinho Conceição:

Um bom militante, um bom companheiro e um bom amigo, despede-se da CUT

05 DE DEZEMBRO DE 2017. E LÁ VOU EU....

32 anos se passaram. Muito estudo, trabalho e lutas. Dei muitos cursos, seminários, debates que avalio importantes no "fazer-se" de muitos homens e mulheres que se tornaram lideranças nas lutas da classe trabalhadora brasileira. Fiz o que esteve ao meu alcance. Se houve erros, também tenho culpa.

Sou um comunista-cristão, que apreendeu de Marx e muitos outros de seus seguidores as ferramentas para fazer a crítica à sociedade capitalista na qual vivemos e de São Francisco de Assis compreendi que humildade é um valor fundamental na construção da alteridade. Talvez, por esta razão, não falei tudo que poderia falar e nem ousei em tudo que poderia ousar. Me propus mais a ouvir.

E ouvindo argumentos e práticas, mais que falando, vivi minhas últimas três décadas e meia uma vida com sentido: escrevendo, ensinando e apreendendo. Assim, compreendi que na vida não existe sorte. Existem oportunidades que demandam escolhas das quais resultam o que somos ou seremos.

Apreendi que o hoje, foi futuro ontem e será passado amanhã. Se chegamos aqui como chegamos, é porque talvez em nem tudo acertamos. Exatamente por isso, perceber e se importar com as intrínsecas relações existentes entre memória, história e representação, pode nos conduzir a um caminho menos doloroso rumo ao horizonte que almejamos.

Tenho orgulho de ter dedicado grande parte da minha vida, contribuindo para a construção da maior e mais importante Central Sindical existente no Brasil - a Central Única dos Trabalhadores. Por ela sonhei, com ela apanhei, em "tempos nublados" o sono perdi, em outros momentos quase chorando, por ela e com ela voltei a sorrir.

Atesto que não há no Brasil uma universidade da vida, para nos fazer mais humanos, que a experiência vivida coletivamente em tempos de glórias e mesmo sombrios, que o espaço construído no sindicalismo classista, quando os princípios da solidariedade, da cooperatividade, da coletividade e da impessoalidade se impõem. São forças motoras que nos fazem enfrentar tempestades.

E quantas tempestades enfrentamos nestas três últimas décadas. Por isso, o sentimento que nutro e manifesto aos meus e minhas inúmeros e inúmeras camaradas do movimento sindical e do meio acadêmico, é da minha mais profunda gratidão. Minha aposentadoria chegou. Muito ainda há por se fazer.

Vivemos em um cenário de golpe institucional. Um momento complexo, duro ao extremo para quem imaginou, depois de derrotada a ditadura militar nos anos 80, jamais voltar a experimentar a vida em um Estado de Exceção. Momento que nos faz aflorar uma gama de inquietações e contradições.

Porém, marxista-cristão que sou, concebo as contradições não como sinal de uma crise fatal ao que nos propusemos construir, e sim como uma das fontes para as necessárias e profícuas reflexões sobre onde queremos chegar. Para mim, de tudo que importa e fica, são as incontáveis histórias, sorrisos e lágrimas que foram derramadas por amor ao "fazer-se" sujeito na luta de classes e na busca em querer acertar, para a vida do povo trabalhador melhorar.

Assim, vou eu ! Fica o recado:


QUANDO EU MORRER, NÃO QUERO CHORO NEM VELA, QUERO UMA BANDEIRA VERMELHA, ESTAMPADA COM O NOME DELA - CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES E DAS TRABALHADORAS. Fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii..

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