terça-feira, 7 de novembro de 2017

Rússia, China, Vietnã e Cuba: Experiências em busca do socialismo

Quatro experiências revolucionárias que marcaram o século XX

Hoje, no calendário ocidental, comemora-se 100 anos da Revolução Russa.

A primeira experiência revolucionária para se implantar o comunismo no mundo.
Valeu o esforço, mas o mundo está mais para o socialismo do que para o comunismo.

De certa forma, o século XX serviu para acabar com as monarquias absolutistas e para desenvolver sistemas representativos eleitos pelo povo, consolidando uma visão chamada de republicana por basear-se em três poderes: Executivo, legislativo e judiciário.

As democracias chamadas de liberais, nada mais são do que sistemas capitalistas onde o povo tem a última palavra eleitoral, desde que não ponha em risco a hegemonia capitalista e da elite local. Toda vez que esta hegemonia capitalista vinculada aos americanos correu risco, as forças armadas nacionais ou internacionais foram convocadas para "restabelecer a ordem". Portanto, a democracia continua sendo relativa. Ela é boa quando somos maioria e é ruim quando somos minoria.

A direita internacional, no Brasil representada pela Folha de São Paulo, comemora alegremente o fracasso da União Soviética. No entanto, durante um século, o mundo tremia só em pensar que o comunismo poderia ganhar a disputa. Estranhamente, o sistema soviético implodiu sem um tiro sequer. Fato raríssimo na História.

Vamos relembrar alguns fatos que abalaram o mundo no século XX:


1 - A Revolução Russa


Cheia de contradições desde o início, teve em Lênin seu principal líder e ideólogo. Um país atrasado em relação à Europa, derrotado nas guerras contra o Japão e na primeira guerra mundial, mantendo um sistema de servidão e contando com a implosão da monarquia.

Teria se transformado em uma democracia liberal se a revolução comunista não tivesse acontecido no meio da guerra mundial, onde a prioridade era derrotar os alemães. E os comunistas se aliaram aos alemães para derrotar a monarquia russa e também derrotar os liberais internos.

A direita internacional uniu-se para tentar impedir a consolidação do governo comunista, mas, depois de mais de dez milhões de mortes, a direita perdeu a guerra, abrindo espaço para que o "governo de guerra" continuasse como forma de consolidação do comunismo russo. A Rússia de Lênin, o ideólogo da experiência russa, foi substituída pela Rússia de Stalin, onde a força das armas falava mais do que a força daS ideias e do socialismo democrático.

DerrotadA dentro da Rússia, a direita internacional passou a flertar com o fascismo e o nazismo como forma de impedir o avanço comunista. A Igreja Católica bancou Mussolini na Itália, a Inglaterra e os Estados Unidos bancaram Franco na Espanha, e, aos poucos as democracias foram acabando e sendo substituídas por ditaduras simpáticas ao fascismo. Aí inclui o Brasil de Vargas e a Argentina de Peron.

Quando o mundo acordou, a Alemanha já tinha tomado a Polônia, a Tchescolováquia e partia para, mais uma vez, derrotar e ocupar a França... O mundo viu que o nazismo era mais ameaçador do que o comunismo. Depois de tomar praticamente toda Europa, Hitler ameaçava os Estados Unidos. Já estava indo longe demais.

O mundo precisava da ajuda da Rússia, mesmo sendo comunista. E Hitler facilitou tudo ao invadir a Rússia. Pior do que Napoleão, além de enfrentar o inverno, teve que enfrentar o Exército Vermelho comandado por Stalin, que não tinha medo de morrer... E os russos tiveram a primeira grande vitória contra as forças armadas nazistas. A partir daí, os russos conquistaram metade da Europa, incluindo Berlim. Com a derrota dos nazistas, o mundo mudou radicalmente.


2 - A China acordou com Mao Tsé Tung


Com a segunda guerra mundial, os japoneses se uniram aos nazistas e partiram para conquistar toda a Ásia. A China sentiu o poder bélico japonês e, mesmo com o apoio inglês, passou o maior vexame militar, sendo ocupada pelo Japão.

Os ingleses tentaram ajudar os chineses na resistência contra o Japão, mas tinham muitas frentes de batalhas, incluindo a África e mesmo a America do Sul. Os chineses tiveram que criar sua própria resistência aos japoneses. E apareceu Mao Tsé Tung com seu Exército Popular de Libertação. Aos poucos o mundo foi conhecendo esta nova experiência.

Depois de muitas batalhas contra os japoneses e depois contra os aliados internos dos ingleses, os comunistas chineses conquistaram o poder em 1949. O país mais populoso do mundo agora era comunista! E amigos do russos! Mas a China era vizinha dos russos e estes, que eram mais fortes, poderiam querer pegar parte do território chinês. E aí os chineses se aliaram aos americanos de Nixon e Kissinger para poder enfrentar a ameaça militar russa. Esta aliança mudou a história do século XX e levou a China a ser a principal economia do mundo atual.

A China já não tinha Mao. A China agora é capitalista social, com economia de mercado, monitorada pelo Estado e pelo Partido Comunista Chinês, sem ter sistema eleitoral igual ao ocidente. A direita internacional, como a Folha, finge que a China é democrática e vende suas empresas, suas terras para os chineses, além de comprar tudo que os chineses produzem, por ser mais barato. O modo de produção asiático está destruindo o capitalismo ocidental. Qual será a reação?


3 - O Vietnã tem orgulho de dizer que foi o ÚNICO país do mundo a DERROTAR OS AMERICANOS


Da mesma forma que os Estados Unidos tomaram as Filinas da Espanha, os americanos acharam que podiam ficar com o Vietnã depois da derrota francesa. Não esperavam que este povo miúdo e milenar fosse capaz de, ajudados pela China e Rússia, derrotar o maior exército do mundo. Os Estados Unidos nunca tinham perdido uma guerra. Desta vez perderam...

O Vietnã tinha Ho Chin Min, o poeta, e tinha o general Giap, que derrotou os franceses e também derrotou os americanos. Um grande fenômeno mundial.


4 - Cuba, a poucos quilômetros dos Estados Unidos, ousou querer ser comunista


A guerrilha comandada pelo advogado Fidel Castro derrotou a ditadura sanguinária de Batista, que tinha o apoio da máfia americana. O mundo pensava que a Revolução Cubana seria apenas para derrotar a ditadura de Batisa e implantar uma democracia liberal, mas Fidel resolveu que Cuba seria comunista e aí os Estados Unidos partiram para o tudo ou nada. Tentaram derrubar Fidel durante anos e não conseguiram. Até mataram seu presidente Kennedy por este ter prejudicado a invasão de Cuba.

O comunismo acabou e Cuba ficou num impasse. Não conta mais com o amplo apoiou da União Soviética, não consegue implantar um modelo chinês, como fez o Vietnã, e não consegue modernizar-se economicamente.

O maior modelo de luta armada da América Latina, que alimentou milhões de sonhos e de esperanças espera por algo novo que possa libertar-se do passado, mantendo suas virtudes na saúde, na educação, nos esportes e na dignidade.


O século XXI será do Socialismo Democrático.

Cem anos depois da Revolução Russa, o mundo não caminha para o comunismo. O mundo caminha caminha muito mais para a democracia com economia de mercado, controle social, fim do sistema exclusivo dos três poderes, fim do monopólio dos partidos políticos na representação e participação popular e o fim definitivo das anomalias chamadas monarquias. O lucro continuará existindo, mas as pessoas estarão em primeiro lugar. As empresas não podem ser mais importantes do que as Nações nem do que o Planeta.

O povo, aos poucos, vai achar o seu caminho, onde a Terra seja nossa Pátria e todas as pessoas tenham liberdade, dignidade e condições de vida. Temos um século pela frente. Teremos muitos choros e ranger de dentes, mas venceremos.

Que cada um faça sua parte, na construção do socialismo democrático.


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