domingo, 12 de novembro de 2017

O Brasil está pronto para a Democracia?

Quando o povo brasileiro tomará seu destino para si?

A classe dominante no Brasil divulgava que nosso país foi uma dádiva divina, que aqui se plantando tudo dava... Passaram-se séculos e este país continental continuava adormecido, como uma grande reserva natural da humanidade.

Deus mantinha a unidade enquanto território português
, aliado da Inglaterra, a grande mandante da época. Os holandeses, os franceses e mesmo os espanhóis não conseguiram dividir nosso território, nem impor uma nova língua. A escravidão supria a mão de obra e produzia produtos para exportação. Os brancos só mandavam... por determinação divina e da Igreja Católica, grande protetora da Espanha e de Portugal.

Com a Revolução Francesa e o surgimento de Napoleão Bonaparte
, mais uma vez o Brasil foi protegido por Deus, que mandou a família real portuguesa para o Rio de Janeiro, protegendo nosso território e nossas riquezas... Nossa independência de Portugal não foi coisa de brasileiros, foi coisa de portugueses, isto é, da classe dominante estrangeira sobre nossa população local.

Nossa monarquia durou pouco, era tupiniquim e extemporânea. Veio uma República aristocrática. Também sem povo e sem voto. Agora o modelo já não era mais Portugal. O novo modelo era os Estados Unidos. A colônia que deu certo... Nosso país continental continuava dormindo.

Com novas guerras na Europa, os países das Américas, da Ásia e da África passaram a ter mais importância no abastecimento da Europa. Com a primeira guerra mundial, abriu-se a oportunidade para nossa industrialização. Um novo Brasil começou a surgir. São Paulo começava a ser o centro do Brasil. Afinal, onde está o capital e a economia, está o centro.

O Brasil cresceu de forma acelerada, vieram os imigrantes europeus e veio também o crescimento dos demais estados brasileiros. Este novo país demandou uma transformação estrutural que os senhores aristocratas não queriam fazer. Vieram vários levantes militares e civis, culminando na Revolução de 1930, que exigia que o Brasil fosse de todos os brasileiros e não apenas dos donos das terras e das indústrias. O povo exigia acesso à modernidade.

Mais uma vez a Europa entrou em guerra e mais uma vez as oportunidades para o Brasil bateram à porta. Mas o Brasil estava flertando com o fascismo e o nazismo. Foi preciso que os Estados Unidos entrassem na guerra europeia para que o Brasil também tivesse que participar diretamente da guerra ao lado dos aliados dos Estados Unidos e da Inglaterra. Com o fim da segunda guerra mundial, nem o Brasil nem o mundo já não era a mesma coisa. O povo exigia participação.

O Brasil passou a abrir estradas para consolidar sua federação continental. Aos poucos foi urbanizando-se e se modernizando. O povo exigia mais agilidade e mais participação. Mas o mundo saiu da segunda guerra dividido entre os capitalistas e os comunistas. Ambos apelavam para governos ditatoriais, impedindo a liberdade de informação e de organização. Era a guerra fria, que na verdade, era muito quente. E a década de 60 varreu a pouca democracia que existia no Brasil. Veio a ditadura militar, dirigida por São Paulo, como forma de conter as Reformas Estruturais do governo Jango. As primaveras viraram inverno.

O mundo entrou num impasse. A guerra do Vietnã contaminou todos os países. Na década de 80, com o fim da guerra, a democracia voltou a brotar e os países voltaram a ter mais liberdade. Inclusive no Brasil.

A dúvida passou a ser:
O Brasil passaria a ter uma democracia de massa, para todos os brasileiros, ou a ter uma democracia de fachada, como sempre tivemos no Brasil?

Tudo parecia que se aceitaria a democracia universal,
de massa, participativa e que integrasse efetivamente todos os 27 Estados brasileiros. Tudo levava a crer que finalmente seríamos uma Nação reconhecida internacionalmente. Foram legalizados partidos de direita e de esquerda. Até os partidos comunistas foram legalizados. Porém, nem os partidos de esquerda acreditavam que um dia chegariam ao poder, ganhando prefeituras, governos estaduais e também a presidência da República. Os comunistas não conseguiram sozinhos, mas se aliaram ao maior lider popular que o Brasil já teve. Um brasileiro que era "a cara do povo brasileiro". O Brasil acabou elegendo Lula presidente. E aí tudo mudou!

Acontece que a esquerda ganhou quatro eleições presidenciais seguidas!!!

Como impedir tanta participação popular? Como a direita poderia retomar o poder, se não ganhava eleições presidenciais? A resposta foi a mesma de sempre. Derruba-se o governo com um Golpe de Estado. Usaram técnicas modernas, mas conseguiram dar um golpe sem a participação direta das Forças Armadas. Agora quem derruba os governos são os civis, liderados pelos parlamentares conservadores, o Judiciário, os empresários e, se precisar, os militares, aí incluindo as Polícias estaduais. Derrubaram a primeira mulher eleita presidente do Brasil.

Pela primeira vez na nossa história, a direita saiu do armário e se assumiu publicamente. Os jornais já não fingem que são neutros, agora se assumem como golpistas e de direita. O Judiciário virou partido conservador e o Parlamento assumiu-se como mercado de mercenários. Fizeram o Brasil voltar a antes de 1930. Voltamos a 1917.

E quando voltaremos a 1930?


Quando acabaremos com esta quadrilha que tomou conta do Brasil e está vendendo nossa Soberania Nacional?

Como a História não se repete,
não podemos ficar esperando por militares ou messiânicos, precisamos estimular o povo a se auto-organizar, precisamos criar novas estruturas de participação e de representação. Precisamos abrir caminho para um novo sistema democrático, uma Nova Constituinte para reformar a estrutura do Estado brasileiro.

O povo precisa dizer que não concorda com estes abusos e com este governo corrupto e entreguista.
O povo precisa voltar às ruas, o povo precisa tomar seu destino para si.
A palavra final deve ser do povo, e não de alguns juízes e promotores.

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