segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Jorge Zahar e a cultura brasileira

Uma bela história

No vai-e-vém da Folha, ontem não li nenhum artigo, hoje aparece um belo artigo de crítica ao livro "A Marca do Z", contando a biografia de Jorge Zahar, que lançou a Editora Zahar que fez história no Brasil e na nossa vida. O livro é de autoria de Paulo Roberto Pires.

Para nossa geração dos anos 60 e 70, falar em livros de política, era falar da Editora Zahar. Por exemplo, fui na biblioteca pegar um dos livros da editora para ver a data da publicação. Entre outros livros, achei um com o titulo:

"Autogestão: Uma Mudança Radical", de autoria de Alain Guillerm e Yvon Bourdet. Publicado em 1976. Para quem não lembra ou não sabe, em 1976 o Brasil ainda estava sob uma ditadura militar...

Uma boa história contada no artigo da Folha de hoje, foi como Zahar decidiu publica o livro "A História da Arte", de Gombrich.

Durante anos o editor Jorge Zahar sonhou em oferecer para o leitor brasileiro o livro considerado clássico da história da arte, no Brasil só existia em inglês e espanhol. A decisão de correr o risco veio durante a Feira de Frankfurt de 1977, quando ele se deparou com a VERSÃO FINLANDESA do livro.

A Finlândia tinha 5 milhões de habitantes. O Brasil 120 milhões.


De 120, se tira metade, que não consome. Ficam 60 milhões, tira metade, que nunca pensou em ler. Ficam 30 milhões. Corta mais uma metade, que nunca viu um livro de arte. Sobram 15 milhões. Dividido ao meio, ainda dão 7,5 milhões de "finlandeses brasileiros". Mais do que a população da Finlândia. Então tinha que dar certo. E deu! Vendeu 130 mil exemplares.

Gostei ainda mais do exemplo acima, porque em 10/04/2011 comprei a edição do "The Story of Art", de Gombrich, editado pela Phaidon. Em papel bíblia e muito gostoso de ler. Em 30/07/2011, comprei a edição em português. Era a 16a. edição, da LTC... Não era da Zahar. Não sei porque?

Leiam o artigo da Folha. Tem como título:

"Biografia retrata formador de leitores"
e está no caderno Ilustrada.

Este negócio de povo que ler e pessoas que não leem é muito interessante.

Amador Aguiar, dono do banco Bradesco, tinha segundo ano primário e, além de fundar o maior banco privado do Brasil durante décadas, criou também a Fundação Bradesco que atende crianças de todo o Brasil.

Minha mãe também estudou apenas até o segundo ano primário, mas já leu mais de 500 livros...

Meu sogro, que veio do Japão com apenas 11 anos, já estava na quinta série quando veio para São Paulo. Para sua surpresa, não havia escolas nem para brasileiros, quanto mais para japoneses. Seu Yassuo teve onze filhos. Todos fizeram faculdade, sendo quatro médicos e professores de medicina.

O Brasil está cheio de belas histórias
, mas a imprensa só tem priorizado tragédias. Inclusive àquelas criadas pela própria imprensa, como este governo ilegítimo e este congresso nacional corrompido.

Todos os jornais, rádios e TVs, deviam sempre contar bons exemplos.

O Brasil tem mais libaneses que o Líbano. E os sírios-libaneses, além de criarem o melhor hospital do Brasil, também são ótimos professores, advogados, comerciantes e escritores...

Os brasileiros, mesmo viajando pelo mundo, quando querem um bom livro de história, nem sempre acham...

Precisamos de mais livrarias e mais editores.

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