quarta-feira, 15 de novembro de 2017

500 anos da Reforma Protestante e de Capitalismo

Religião, Política e Economia na nossa vida

Há dias que ando querendo falar sobre a importante comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante.
Os jornais escreveram reportagens enaltecendo o crescimento dos evangélicos e a diminuição da Igreja Católica, principalmente a ala progressista.

Tudo isto porque os evangélicos brasileiros atuais apoiaram o golpe de Estado
e estão sendo aliados conservadores e servis ao governo Temer e aos objetivos dos empresários que pagaram pelo golpe do impeachment.

A melhor reportagem sobre os 500 anos da Reforma Protestante
quem escreveu foi, mais uma vez, o jornal Valor, no seu caderno de fim de semana, datado de 27/Nov/2017. O autor é João Luiz Rosa, que, apesar de ter escrito uma ótima reportagem, o jornal não o identifica. Não sei que é, mesmo tendo gostado muito de João Luiz Rosa. Parabéns!

Vou transcrever partes interessantíssimas do artigo que tem como título: A FÉ EM MOVIMENTO.

No início do artigo, depois de alguns exemplos de atividades religiosas, surge a questão:

- É impossível ser evangélico e traficante ao mesmo tempo?


Em sua origem, a REFORMA não era um movimento separatista, que dividiria a Igreja Católica.
A história começou em 31 de Outubro de 1517, quando Martinho Lutero, um monge agostiniano, afixou 95 teses na porta da Igreja Católica do castelo de Wittenberg, na Alemanha. O documento trazia críticas severas à Igreja por vender indulgências como forma de arrecadar dinheiro lpara a construção da BASÍLICA de são Pedro.

O mundo convivia com um tal de Sacro Império Romano-Germânico
. O poder principal da época.
Os principes alemães, da mesma forma que a monarquia inglesa e também os holandeses estavam contra a concentração de tanto poder na mão da Igreja Católica e de seus governos pelo mundo. Afinal, as Américas já tinham sido descobertas e iriam mudar os costumes do mundo...

O Brasil sempre foi controlado por católicos.

Mas, também convivia com um sincretismo religioso, moral, cultural e político. Aí está a forma de ser de Macunaíma, livro de Mário de Andrade.

Na América Latina, as igrejas pentecostais e neopentecais surgiram a partir dos anos 60
, bancada financeiramente e politicamente pelos Estados Unidos, como forma de combater as lutas populares lideradas pela Teologia da Libertação, de origem na Igreja Católica. Já na sua origem, os pentecostais têm como missão ser conservador e de direita.

Além de conservadoras, as igrejas pentecostais defendem a "teologia da prosperidade".

A ideia de que a vontade de Deus é que os cristãos sejam abençoados com bens materiais, como um contrato entre Deus e os fiéis. Se a pessoa for fiel nas contribuições, Deus cumprirá a promessa de ENRIQUECIMENTO.

Para observadores, o fato de temas como Sociedade, Política e Cultura
- em vez de RELIGIÃO e da ESPIRITUALIDADE - ocuparem muito espaço nessas igrejas é um dos motivos de seu declínio nos Estados Unidos.

Já no Brasil, há especialistas que consideram que esta mania de priorizar o juntar dinheiro para comprar prédios, rádios e TVs, fazem com que os pentecostais usem as palavras de Deus só para ganhar mais dinheiro do que praticar os ensinamentos de Jesus.

A Igreja católica está reagindo ao crescimento dos pentecostais nos países latinos e africanos.

Isso tem muito a ver com o papa Francisco.
Nenhum outro papa pareceu tão disposto ao diálogo com outras religiões como ele, dizem especialistas.

O papa Francisco é fruto do Concílio Vaticano II, que foi um grande encontro da igreja, que durou de 1962 a 1965, e mudou várias regras vigentes. As posições do papa Francisco remetem a João XXIII, que ditou o tom progressista que modernizaria a Igreja Católica.

Depois de João XXIII, com a Guerra Fria
, veio um hiato conservador na Igreja Católica, com Paulo VI, depois João Paulo II, mas o maior retrocesso dos católicos se deu com Bento XVI. Depois de quase 30 anos perseguindo os progressistas católicos, foi eleito o franciscano e argentino, Francisco.

O papa da Esperança.


O papa Francisco reconheceu a contribuição de Lutero para dar um papel central à BÍBLIA na igreja e disse que era preciso superar as polêmicas que impediram o entendimento entre os dois lados. (católicos e protestantes).

Voltando a Reforma Protestante
, com a tradução da Bíblia para os idiomas locais, veio um grande esforço para alfabetizar a população, como houve maior preocupação em ganhar dinheiro. Os protestantes passaram a ficar mais ricos que os católicos.

O pensamento econômico protestante
foi muito importante no crescimento industrial e na formação do capitalismo. Max Weber, no seu clássico livro "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", reconhece a interrelação entre protestantismo e capitalismo.

No Brasil, os pentecostais vêem principalmente dos segmentos mais pobres da sociedade
, mas, como conservadores e fortemente disciplinados, estão servindo como principal base social de sustentação ao governo ilegítimo de Temer e suas reformas neoliberais trazidas pelo PSDB. Os pentecostais estão sendo fundamentais no combate conservador ao PT, a Lula e aos governos democráticos-populares.

Enquanto a Reforma Protestante foi
para modernizar o mundo e melhorar a qualidade de vida dos povos, isto há 500 anos atrás, o crescimento dos pentecostais e neopentecostais no Brasil e nos países pobres, está servindo para impedira a real melhoria de qualidade de vida do povo e a inclusão social de milhões de pessoas.

É a tal da dialética...


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