segunda-feira, 13 de novembro de 2017

1968 mudou o mundo

1968 acabou, o mundo mudou

Cohn-Bendit, o principal líder do 68 em Paris disse a frase acima numa entrevista ao jornal Valor. Curiosamente, neste mesmo fim-de-semana fomos assistir ao filme de João Moreira Salles e também aparecia longa reportagem sobre o 68 francês.

Os conservadores, da mesma forma que afirmaram que a História tinha acabado, agora também insistem em dizer que "o sonho acabou", como também acabou 68. Cohn-Bendit, que não era comunista e estava mais para o anarquismo, hoje podemos dizer que é um bom social democrata. Faz parte da vida, ainda mais quando se chega aos 72 anos.

O passado não acaba,
ele está presente em nossa vida. Com mais ou com menos intensidade.

1968 visto do lado de cá, do ocidente, tem um significado:
Os jovens reivindicando mais liberdade sexual, de consumo, de locomoção e de vida.

1968 visto do lado de lá, da cortina de ferro, do bloco soviético,tem outro significado:
Era a busca das mesmas bandeiras, porém, enfrentando muito mais repressão dos regimes comunistas ditatoriais.

Para os países pobres e os subdesenvolvidos, praticamente não existiu 1968.
A repressão era tão pesada quanto era nos países comunistas.

A grande transformação que passou o mundo, foi a queda da União Soviética em 1991.


Se por um lado, para os países que faziam parte do bloco soviético, a liberdade ocidental, o modelo de economia de mercado, a liberdade de locomoção, de consumo e sexual passou a ser igual ao mundo ocidental. O mundo melhorou muito para os povos do Leste.

Já para o mundo de cá, do lado ocidental, com o fim da União Soviética e a implantação do modelo de "pensamento único", com a hegemonia do neoliberalismo, as empresas e os conservadores sentiram-se livres para reduzir os direitos dos trabalhadores, baratear a mão de obra, reduzir custos aumentando o desemprego e aumentando a importação de produtos de multinacionais mas produzidos na Ásia, como Vietnã e Bangladesh.

Os países ocidentais da Europa, governados por partidos socialistas ou sociais-democratas não conseguiram manter o sistema econômico competitivo e perderam eleições para a direita. As democracias nos países atrasados estão definhando e caindo nas mãos de conservadores e golpistas. A reação demora e com isto os trabalhadores vão perdendo empregos e direitos.

A direita anda sem medo do socialismo ou do comunismo.


A direita acha que pode tudo. Pode até tomar os bens do povo e concentrar a riqueza, onde 1% controla 99%.

A esquerda, perplexa, assiste ao crescimento da direita e não consegue apresentar um novo modelo econômico que o povo se identifique e eleja como prioridade social. Da mesma forma que precisamos de um novo modelo econômico, também precisamos de novo modelo de representação do povo e de seus segmentos sociais.

Precisamos construir um mundo novo.



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