quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Chineses estão comprando o Brasil

Entreguistas vendem o Brasil e nossa soberania

A direita babona brasileira, liderada pelo centrão, pela bancada evangélica e pelo PSDB, defende a privatização de tudo, defende a precarização das políticas públicas e são contra os comunistas, os socialistas e todos que defendem a inclusão social e dignidade nacional.

Mas estão vendendo o Brasil à China.

São de direita e combatem a esquerda, mas na hora de ganhar dinheiro, não interessa se o comprador é americano neoliberal ou chinês comunista. É a lógica mercenária...

O Brasil já foi mais rico que a China, hoje, o Brasil é apenas uma reserva de minérios, de agricultura e de consumo para produtos fabricados na China. O comunismo restabeleceu à dignidade do povo chinês, enquanto o neoliberalismo entreguista, restabeleceu o servilismo brasileiro aos Estados Unidos e demais países da Europa. Lamentável!

Vejam as notícias dos jornais de ontem:

APETITE CHINÊS NO BRASIL


Estadão, página B10.

Brasil é segundo destino em todo o mundo entre 2014 e 2017.


21 aquisições realizadas entre 2015 e 2017:


Atlântico Transmissão
Linhas de Transmissão de Montes Claros
Banco BBM SA (80%)
PSafe Tecnology
XCMG Brazil Investment (90%)
PCHs da Triunfo
Tecnologia Automotiva Catarinense
Azul SA (23,7%)
Usinas de Jupiá e Ilha Solteira
Onyx Tecidos e Filmes Refletidos (51%)
Anglo American Fosfatos e Nióbio
Fiagril (57%)
Porto de São Luis
CPFL Energia (54,6%)
Rio Bravo Investimentos
Duke Energy Brasil
Concremat Engenharia e tecnologia (80%)
99 Taxis Desenvolvimento de Software
CPFL Energias Renováveis (48,4%)
CPFL Energia SA (45,4%)
Unicoba Baterias Participações (59,2%)

fonte: AT Kearney, Dealogic, Até 9 de março de 2017.

Agora vocês entendem por que nossa imprensa
deu tanta importância ao Congresso do Partido Comunista da China!

Grêmio, campeão que convence

Renato Gaucho mostra o caminho da vitória

O time joga muito bem, mas nem sempre é suficiente.
Um bom técnico faz a diferença.

Renato Gaucho estimulou o time a jogar rápido, bem posicionado, sem medo do adversário e com muita vontade de ganhar.

O futebol brasileiro, como todo o Brasil, tem andado de lado, ressabiado, depois que os brasileiros se dividiram entre ser a favor de Dilma e do governo petista ou ser contra Dilma e exigir sua destituição com um golpe latino-americano. O Brasil piorou, o povo está em situação pior do que estava, mas não vai às ruas nem se manifesta. Aguarda 2018...

Renato Gaucho não esperou 2018.

Fez do Grêmio o melhor time do Brasil, melhor mesmo do que o Corinthians.

E, se botar este time para jogar com a nossa seleção brasileira, é capaz de o Grêmio ganhar...

Tite que fique esperto. Há um outro gaucho dando vida ao nosso futebol.

Parabéns aos meninos do Grêmio!

Parabéns a Renato Gaucho!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Submarino afundado e índios afetam imagem da Argentina

Presidente da Argentina, Macri, desencanta

Aos poucos, a imprensa vai tendo que mostrar o outro lado dos candidatos e políticos da direita na América Latina. Antes,a direita não ganhava eleições e assim apelava para golpes militares apoiados pelos Estados Unidos.

Com a crise dos governos de esquerda, o povo, decepcionado, passou a votar na direita, sendo que a imprensa vendia a imagem de que a direita sabia administrar, enquanto que a esquerda gastava mal.

Passado o período inicial e de euforia estimulada pela imprensa, a direita vai batendo cabeças e o povo vai aprendendo que é preciso exigir mais resultados positivos e menos demagogia, seja o governante de direita ou de esquerda. Afinal, só se aprende, praticando, principalmente quando se trata de democracia.

No caso da Argentina, além da crise com o desaparecimento do submarino, houve também a morte de índio mapuche. No sábado passado, uma reintegração de posse conduzida pela polícia argentina na comunidade indígena mapuche de Villa Mascardi, em BARILOCHE, um jovem ativista de apenas 22 anos, foi assassinado com um tiro pelas costas.

Os membros da comunidade mapuche protestavam contra a reintegração de posse e foram reprimidos por agentes da Polícia Nacional.

Não basta ser de direita ou de esquerda, é preciso respeitar o povo e governar com transparência e competência.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O melhor sobre as Eleições no Chile

Avanço da Esquerda no Chile

A Folha mais uma vez comeu bola e o Valor continua sendo o melhor jornal do Brasil.
Vejam o melhor artigo já publicado no pais. A autoria é de um profissional do Financial Times, de Londres, e publicado no Valor de hoje. Os melhores historiadores geralmente são os ingleses. Por isto que defendo abrir o mercado de rádio, jornal e televisão para o mercado internacional. Afinal, se nossa imprensa defende a lei da concorrência internacional no Brasil, que esta concorrência internacional também sirva para todos os setores da mídia. Não há meio capitalismo. Como não há meia democracia. Ou meia liberdade.

Leiam este belíssimo artigo sobre o Chile.

Avanço da Esquerda no Chile
altera tradicional equilíbrio de poder


Por Benedict Mander - Financial Times – Valor 25, 26 e 27/Nov/2017.

Envergando um boné de beisebol, tênis e uma camisa sem enfiar na cintura, Giorgio Jackson não joga pelas velhas regras do Congresso do Chile, cujos corredores são agitados por homens de ternos escuros e grisalhos - a maioria pelo menos com o dobro de sua idade.

Mas os eleitores não parecem se importar com isso.
Pelo contrário, o ex-estudante de 30 anos de idade conquistou mais votos do que quase qualquer outro candidato ao Congresso nas eleições chilenas de domingo passado, contribuindo para o desempenho sensacional do bloco de esquerda Frente Amplio que subverteu a tradicional correlação de forças políticas.

Agora Jackson e seus companheiros preveem conseguir ditar algumas das novas regras.
Sem o apoio deles, argumenta ele, Alejandro Guillier, que representa a parte remanescente da dividida coalizão de centro-esquerda da presidente Michelle Bachelet, terá dificuldades para vencer o candidato de centro-direita, o bilionário empresário Sebastián Piñera, no segundo turno da eleição presidencial, marcada para dezembro.

"Será muito difícil para Guillier conquistar o apoio de todos os eleitores do Frente Amplio", diz Jackson, para quem o sucesso do candidato depende da possibilidade de ele poder lhes fazer uma oferta que valha o seu apoio: "Embora haja um grupo [entre nós] que é muito anti-Piñera e que vai votar em Guillier de qualquer maneira, precisaremos de mais do que isso para ganhar as eleições".

Ainda que Beatriz Sánchez, a candidata do Frente Amplio a presidente, tenha deixado por pouco de entrar para o segundo turno, o bloco emergiu como a terceira maior força política do Chile após ganhar mais que o dobro do número de cadeiras no Congresso do que o previsto nas pesquisas.

Fundado por ativistas estudantis, entre os quais Jackson, a ascensão do bloco tem raízes nas manifestações de massa de 2011 contra os altos níveis de desigualdade no Chile, e no crescimento da classe média durante o surto de crescimento das commodities de 2000 a 2014, que criou novas demandas sociais.

Entre elas estão apelos por uma reformulação radical do sistema de aposentadoria, visto como pouco generoso, e por uma Assembleia Constituinte para reformular a Constituição implementada na ditadura de Augusto Pinochet, e vista por muitos como ilegítima.

Identificado de maneira mais próxima com o Partido Podemos espanhol, de extrema esquerda - bem como com o senador americano independente Bernie Sanders e com Jeremy Corbyn, o dirigente de esquerda do Partido Trabalhista britânico -, o desempenho do Frente Amplio repercutiu em todo o sisudo sistema político chileno, dominado por dois blocos desde a década de 1990.

"O espaço eleitoral está mudando e as pessoas estão se manifestando de maneira diferente",
diz Sergio Bitar, um assessor próximo de Guillier, que destaca que 55% dos chilenos votaram em candidatos de esquerda nas eleições.

"Resta conferir se essa maioria poderá ser canalizada para apenas um candidato", reconhece ele, destacando, porém, que as perspectivas eleitorais de Guillier melhoraram muito. "É um campo aberto, podemos ganhar. Uma semana atrás era mais difícil dizer isso".

Até a próxima quarta-feira a Frente Amplio, ou Frente Ampla, deverá decidir se apoiará ou não Guillier. Mas dirigentes do partido deixam claro que não conseguirão fazer isso sem gestos claros sobre as questões mais importantes para o bloco dominado por forças estudantis, entre os quais a aposentadoria e a reforma constitucional.

Javiera Parada, uma figura destacada do Frente Amplio, diz que a legenda foi fundada para enfrentar a "exaustão" da estrutura política chilena, que não conseguiu se renovar e permitir o ingresso de políticos jovens - até agora.

"Somos uma nova alternativa política que não reage à relação promíscua entre os negócios e a política.

‘Queremos romper a lógica neoliberal que imperou no Chile nos últimos 50 anos,
imposta pela ditadura [Pinochet], mas que foi amplamente mantida", diz ela.

No entanto, a frente é feita de uma associação de grupos muito diferentes - cerca de 13 partidos, no total. Isso levou a uma confusão em torno do que exatamente ela representa, com opiniões contrastantes sobre o quanto o governo do líder venezuelano Nicolás Maduro é democrático, por exemplo. "Não sabemos, na verdade, o que é o Frente Amplio - eles são muito diferentes entre si", diz Bitar.

Alfredo Moreno, o ministro das Relações Exteriores de Piñera em seu governo de 2010 a 2014, destaca que há muito há eleitores desiludidos no Chile que não optaram por nenhum dos principais partidos.

O candidato "outsider" Marco Enríquez-Ominami, por exemplo, ganhou 20% dos votos nas eleições de 2009 - quase o mesmo que Beatriz Sánchez no 1º turno.

"Esse voto sempre existiu.

Mas [em 2009] foi em uma pessoa, não em um movimento", diz ele. Ele observa, porém, que as reformas eleitorais de Bachelet, que introduziram a representação proporcional, permitiram que o Frente Amplio aproveitasse seu apoio e despontasse com um bloco significativo no Congresso:

"Hoje há a possibilidade de que eles estejam aqui para ficar".


No entanto, o desempenho do Frente Amplio no domingo passado pegou a todos de surpresa - principalmente Jackson.

"É como na roleta, quando você joga todo o seu dinheiro em um número", diz ele. "Você sabe que tem chance de ganhar, mas que não é tão provável, por isso é claro que vai gritar [de contente] quando ganha".

domingo, 26 de novembro de 2017

Feliz Aniversário com este governo neoliberal?

Eu tenho tantos amigos...

Já cantava Mercedes Sosa.

E um deles é mulher moça, que se chama Liberdade.


Quando olhamos os jornais de domingo, quando vários amigos e amigas fazem aniversário hoje, ficamos sem saber se podemos mandar mensagens de Feliz Aniversário.

Como ser feliz, como desejar Feliz Natal e Próspero Ano Novo com o Brasil vivendo um dos piores momentos da sua história? Quando vemos os amigos e amigas serem demitidos, ficarem desempregados, e a gente não ter para onde indicar para ver se consegue novos empregos ou mesmo novos trabalhos?

Destruíram nossa alegria, destruíram nossa base de sustentação financeira e tentam destruir nossa capacidade de resistência e nossa esperança.

Deram um golpe de Estado, destruíram o pleno emprego que existia antes, provocaram milhões de demissões como forma de baratear a mão de obra e de reduzir custos e ainda tentam esconder o papel que os políticos, a imprensa, o judiciário e as empresas estão tendo nesta destruição do Brasil.

Já que não conseguimos dizer Feliz Aniversário, podemos dizer:
Estamos juntos neste momento da vida.
Juntos, somos muitos, juntos somos forte. Lembram?

Não devemos esquecer... As ditaduras começam e acabam, as crises aparecem e depois voltam para seus ninhos de mentirosos, covardes e manipuladores. Se aceitarmos passivamente, perdemos nossos direitos e nossa dignidade com mais facilidade.

Temos que resistir, ser fortes e sermos solidários.
De pé oh vítimas do neoliberalismo e do entreguismo!

Somos parte de uma geração que enfrentou a ditadura militar, ajudou a criar um período de paz, prosperidade e liberdade como nunca tivemos antes.

No entanto, esquecemos de organizar a classe trabalhadora para impedir que a direita reacionária, escondida nos ministérios públicos, no judiciário, na imprensa, nas empresas e nos partidos políticos - religiosos ou não, desse mais um golpe de Estado.

Quando a direita deu mais este golpe de Estado,
imaginávamos que haveria uma reação espontânea.
Houve frustração, mas não houve levante popular espontâneo.
Isto não existe. ]

Direitos só se garante com sociedade organizada e preparada para defender suas conquistas. Estas não caem do céu. Deus disse: Vai por mim que te ajudarei. Não disse: Espere que eu te darei tudo.

Que cada um se faça merecedor de seus direitos e de sua liberdade.

Mas, apesar de tudo que estamos vivendo, recomendo aos aniversariantes que reúnam os parentes e amigos e comemorem seus aniversários fraternalmente, estimulando a solidariedade e a coragem de, juntos, lutarem por um mundo melhor.

Juntos somos forte! E temos tantos amigos...

Parabéns aos aniversariantes,
os mais chegados e os mais distantes.
Não vou citar nome de nenhum para não ser injusto.

A luta continua...

sábado, 25 de novembro de 2017

Todos reclamam do Brasil?

Destruição de imagem e da autoestima

O Brasil vinha de longo período de crescimento econômico, inclusão social, modernização e criação cultural. Este progresso vinha desde a primeira guerra mundial.

Como esta boa imagem passou a ser associada a Lula e sua capacidade de governar e ganhar eleições, os conservadores, também a direita e parte significa do PSDB, começaram a trabalhar para derrubar o governo petista, mesmo que, junto com a água, destruíssem também a bacia.

A direita brasileira, liderada pelo PSDB
e por seu presidente nacional, Aécio Neves, começou a estruturar o golpe de Estado. Afinal, quando não se ganha as eleições, impede-se que o vencedor governe. É o anti-fair play, isto é, o anti-jogo.

Usaram o Judiciário
, não foi suficiente;
Usaram a imprensa, não foi suficiente;
Usaram as polícias estaduais, não foi suficiente;
Usaram empresários corruptos, não foi suficiente;

Então, resolveram comprar os deputados e senadores
, e decidiram desconsiderar quem foi eleito apoiando situação ou oposição, compraram a maioria do congresso nacional, usaram a imprensa para incendiar as ruas, pregando desobediência civil, usaram o judiciário para ignorar a Constituição e os códigos legais, usaram apoio internacional, principalmente do Estados Unidos, e assim,foram aproveitando os erros do governo Dilma, aos poucos, as condições estavam prontas para derrubar o governo.

Como os movimentos sociais foram às ruas denunciando o golpe de Estado
, chamado de impeachment sem fato gerador, inventaram denúncias inconsistentes e aos poucos a receita foi ficando pronta.

Por vias das dúvidas, consultaram juízes e as Forças Armadas.


A resposta dos juízes foi:
Se Dilma não conseguir juntar 200 deputados em mais de 500 parlamentares, não merece ficar no governo.

Já os militares, responderam:
Usem as leis que nós usarem a força para defender a ordem legal, mesmo que seja ilegítima. Os militares também não gostavam de Dilma. Gostavam e gostam de Lula.

Pronto. Deram o golpe do impeachment
e o Brasil passou a ser governado por uma grande quadrilha de políticos corruptos e cínicos. Topam tudo por dinheiro, ficando barato vender o Brasil para os estrangeiros, acabando com nossa soberania nacional.

Sendo governado por corruptos
, gozando do apoio da imprensa e do judiciários, as quadrilhas do tráfico, de sequestradores, salteadores, ladrões e todo tipo de violência tomaram conta do Brasil. A população passou a ficar sem a proteção do Estado. Sem segurança.

Agora o povo discute se vai embora do Brasil,
vai morar no estrangeiro ou se fica no Brasil até aparecer uma forma de botar ordem no Brasil, dar segurança, emprego e dignidade. Restabelecer a soberania nacional e voltar a ser reconhecido internacionalmente.

Até a parcela da população, até os jornalistas, os juízes, os militares, os empresários, os intelectuais, todos os que deram o golpe, reconhecem que a situação do Brasil piorou com o governo ilegítimo de Temer.

E o PSDB, que patrocinou esta degradação toda
, liderado por Aécio Neves, que foi pego também fazendo ilegalidades, o PSDB agora que passar a imagem de que não teve nada a ver com isto e que pretende ganhar as eleições presidenciais do ano que vem.

Só se for roubando...


Como?
O voto é secreto, não existe cédula impressa, não tem como ser conferido e, portanto...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O mundo na Encruzilhada

Angústia e insegurança leva ao "salve-se quem puder"

Angela Mercel, na Alemanha, não consegue compor seu ministério e pode cair.

Presidente dos Estados Unidos vive crise de autoridade e pode sofrer impeachment.

Inglaterra diz que vai sair, mas não consegue sair da União Europeia.

França vive ameaça de reformas e de imigrantes.

Papa Francisco faz parceria com os trabalhadores na defesa do emprego e da vida.

Argentina mobiliza-se para achar o submarino que desapareceu. 44 podem morrer.

O Brasil continua com governo, congresso e judiciário destruindo o Brasil do Bem Estar Social.

Ao mesmo tempo, ex-governadores, parlamentares e empresários, compartilham presídios com traficantes e assassinos. Chamem o Dr. Drauzio Varella!

Chile vive clima eleitoral do "vale tudo".

Mais um golpe militar na África. Desta vez, autorizado pela China. Pela China?

Putin, presidente russo, telefona para Trump, comunicando que está negociando a paz para a Síria. Os Estados Unidos estão passivos?

China continua comprando empresas brasileiras e de outros países. O mundo será dos comunistas chineses?

Entidades internacionais promovem seminários em defesa da Democracia e da Liberdade. E a Economia, quando será debatida para se construir uma alternativa ao neoliberalismo?

Enquanto tudo isto acontece, o "mercado" impõe uma nova moda trazida dos Estados Unidos:

No mês da Consciência Negra, o Brasil promove o BLACK FRIDAY!


Começou a circular o Expresso 2222...

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Abílio Diniz mantém incerteza na BRF

Abílio conseguiu emplacar novo presidente na BRF

Ou mostra resultados positivos,
ou não fica na presidência.

Não é meritocracia?


Abílio fez uma grande "engenharia política e financeira" e conseguiu montar uma composição que fez com que, mesmo tendo pouca participação acionária na BRF, Abílio tem indicado seus últimos presidentes. Sinal de que Abílio continua sendo bom especulador.

Desde que Abílio passou a indicar os presidentes da BRF que a empresa passou a ter resultados negativos.
Azar ou incompetência?

Agora, ante a pressão dos Fundos de Pensão, que são os maiores acionistas individuais, e também de parte significativa do mercado, Abilio conseguiu indicar mais um presidente.

Enquanto a Petros tem 11,4% e a Previ tem 10,7% de participação, Abílio tem apenas 4% das ações da BRF. Só que Abilio conta com o apoio de outros fundos e de outros acionistas, conseguindo assim fazer maioria.

Só que, uma empresa para ser bem administrada, é recomendável que seus acionistas façam acordo de gestão, sem atritos e sem desconfianças.

E quando uma empresa tem prejuízos, é igual ao trabalhador desempregado, a paz interna desaparece.

Time que não ganha jogo demite o técnico.

Empresa que não tem lucro,
demite o presidente, ou muda a composição acionária.


Abílio Diniz voltou ao centro da polêmica.

O Rio de Janeiro continua sendo...

O retrato do Brasil

O Judiciário resolveu assumir o poder no estado do Rio de janeiro e está prendendo todo mundo... menos os políticos tipo Aécio, é claro.

Até que ponto o Rio de Janeiro é diferente dos demais estados brasileiros?


Por que tanta garra para prender os políticos do Rio? E os outros?

Agora, prenderam até o casal Garotinho!
Estão prendendo também políticos evangélicos?
Vão prender o prefeito do Rio?

Se revolveram fazer uma devassa nas contas do Rio de Janeiro, porque não fazem em todos os estados? Está faltando transparência nisto tudo.

Como cantava Gilberto Gil:


O Rio de Janeiro continua lindo,
O Rio de Janeiro continua sendo...

O Rio ainda continua sendo a cidade mais bonita do mundo,


apesar da violência explícita,
apesar da decadência econômica,
apesar da corrupção generalizada,
apesar da pobreza e das favelas,
apesar da degeneração no futebol,
apesar da insegurança nas praias e
nas ruas...

O Rio continua sendo o retrato do Brasil.

Folha manipula resultado eleitoral no Chile

Cantou vitória antes da hora

A Folha virou um jornal do "pensamento único" em relação à política e ao neoleiberalismo.
Uma pena, já que a Folha foi durante bom tempo o melhor jornal do Brasil.
Agora virou jornal de visão única, mesmo que tenha que manipular as informações.

O exemplo das eleições no Chile,
repete a forma de noticiar as eleições na Argentina e também nos demais países.
A Folha cantou vitória antecipada do candidato conservador - de direita - antes das eleições. Afirmava que não haveria segundo turno e que a vitória seria exemplar.

Afinal, vivemos um momento histórico em que o POVO está votando na DIREITA NEOLIBERAL,
fazendo aquilo que antes só acontecia com golpes militares. Isto é, o povo chileno iria votar nos candidatos conservadores que apoiam Pinochet e a ditadura militar chilena. Na Argentina, pela primeira vez o povo votou na direita em oposição aos peronistas. E assim vai a farra do boi na Folha.

Quando saiu o resultado eleitoral no Chile, a Folha ficou perplexa.


O que aconteceu de errado?
Confesso que eu também não sei.
O Brasil ficou refém do noticiário conservador.

Já o Estadão, que na parte internacional é bem melhor que a Folha
, informou com neutralidade.

No caderno Internacional da terça-feira, a manchete foi:

"Pinera diz que quer votos da EXTREMA DIREITA para vencer segundo turno no Chile".


Isto é, o jornal não esconde que Pinera é de direita e que quer o apoio da extrema direita...

O Estadão também publica uma pequena matéria com o título:

"Para analista, segundo turno vai FAVORECER a esquerda no Chile"


Até o artigo do The Economist publicado no Estadão, tambémé cuidadoso com o resultado eleitoral no Chile.

"Chilenos entram em terreno desconhecido"


Realmente o mundo anda imprevisível, inseguro, imponderável e tudo indica que caminhamos para mais turbulências. Principalmente quando a imprensa deixa de informar e passa a manipular informações.

Como já dizia um ilustre jornalista inglês:

"Na guerra, a primeira vítima é a verdade."

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O povo não quer votar nos políticos tradicionais e clama por algo novo

Vejam o recado do Chile...

O jornal El País, da Espanha, destaca o que vem sendo apresentado como mais relevante da política internacional:

O povo não quer mais votar nos políticos tradicionais. Os governos eleitos pela minoria da população, não têm legitimidade para privatizar, vender o país a preço de bananas, nem tem legitimidade para vender a soberania nacional.

O sistema republicano, de três poderes, está superado historicamente. Os governantes são corruptos, os parlamentares não ouvem o clamor do povo, e o judiciário está à serviço das grandes empresas.

O povo clama por algo novo!

Vejam os números do CHILE:


Um dos grandes protagonistas da jornada eleitoral foi a abstenção.


No pleito presidencial de 2013, 51% votaram, uma cifra que já deixava o Chile entre os países com maior redução na participação do eleitorado.

Desta vez, porém, caiu ainda mais.

Apenas 47% dos eleitores compareceram às urnas.


A participação vem caindo no Chile desde 1993, pouco depois da recuperação da democracia,

mas foi em 2012 que as cifras de abstenção dispararam, quando o voto passou de obrigatório a voluntário.

Nas eleições municipais de 2016, participaram apenas 36% dos eleitores habilitados.


Atenção:


Vejam a diferença entre a LEGALIDADE e a LEGITIMIDADE.

Uma coisa é mostrar o resultado tomando por base só quem votou e não sobre o total de eleitores em condições de votar. Os conservadores escondem os números...

Dos 100% de eleitores, compareceram e votaram apenas 47%.
Menos da metade.

Se meus cálculos estiverem certos, calculando o percentual apresentado como resultado oficial sobre o total de pessoas que efetivamente votaram, teremos:

Pinera - direita - teve apenas 17,20% de votos

Guillier - socialista - teve apenas 10,34% de votos

Beatriz - frente ampla - teve apenas 9,40% de votos

Os pinochetistas - tiveram apenas 3,76% de votos

e a Democracia Cristã - teve apenas 2,82% de votos.

Porém, se somarmos os votos dos socialistas com os votos da Frente Ampla e da Democracia Cristã podemos concluir que a direita, representada por Pinera, tem tudo para perder as eleições no segundo turno.

O interessante é que a imprensa internacional, e a brasileira muito mais, só fala da vitória da direita. Não foi por acaso que a imprensa perdeu nas eleições americanas. Esconderam informações para o povo e o povo deu o troco.

Por um sistema eleitoral e de representação mais participativo e mais legítimo.

Jorge Zahar e a cultura brasileira

Uma bela história

No vai-e-vém da Folha, ontem não li nenhum artigo, hoje aparece um belo artigo de crítica ao livro "A Marca do Z", contando a biografia de Jorge Zahar, que lançou a Editora Zahar que fez história no Brasil e na nossa vida. O livro é de autoria de Paulo Roberto Pires.

Para nossa geração dos anos 60 e 70, falar em livros de política, era falar da Editora Zahar. Por exemplo, fui na biblioteca pegar um dos livros da editora para ver a data da publicação. Entre outros livros, achei um com o titulo:

"Autogestão: Uma Mudança Radical", de autoria de Alain Guillerm e Yvon Bourdet. Publicado em 1976. Para quem não lembra ou não sabe, em 1976 o Brasil ainda estava sob uma ditadura militar...

Uma boa história contada no artigo da Folha de hoje, foi como Zahar decidiu publica o livro "A História da Arte", de Gombrich.

Durante anos o editor Jorge Zahar sonhou em oferecer para o leitor brasileiro o livro considerado clássico da história da arte, no Brasil só existia em inglês e espanhol. A decisão de correr o risco veio durante a Feira de Frankfurt de 1977, quando ele se deparou com a VERSÃO FINLANDESA do livro.

A Finlândia tinha 5 milhões de habitantes. O Brasil 120 milhões.


De 120, se tira metade, que não consome. Ficam 60 milhões, tira metade, que nunca pensou em ler. Ficam 30 milhões. Corta mais uma metade, que nunca viu um livro de arte. Sobram 15 milhões. Dividido ao meio, ainda dão 7,5 milhões de "finlandeses brasileiros". Mais do que a população da Finlândia. Então tinha que dar certo. E deu! Vendeu 130 mil exemplares.

Gostei ainda mais do exemplo acima, porque em 10/04/2011 comprei a edição do "The Story of Art", de Gombrich, editado pela Phaidon. Em papel bíblia e muito gostoso de ler. Em 30/07/2011, comprei a edição em português. Era a 16a. edição, da LTC... Não era da Zahar. Não sei porque?

Leiam o artigo da Folha. Tem como título:

"Biografia retrata formador de leitores"
e está no caderno Ilustrada.

Este negócio de povo que ler e pessoas que não leem é muito interessante.

Amador Aguiar, dono do banco Bradesco, tinha segundo ano primário e, além de fundar o maior banco privado do Brasil durante décadas, criou também a Fundação Bradesco que atende crianças de todo o Brasil.

Minha mãe também estudou apenas até o segundo ano primário, mas já leu mais de 500 livros...

Meu sogro, que veio do Japão com apenas 11 anos, já estava na quinta série quando veio para São Paulo. Para sua surpresa, não havia escolas nem para brasileiros, quanto mais para japoneses. Seu Yassuo teve onze filhos. Todos fizeram faculdade, sendo quatro médicos e professores de medicina.

O Brasil está cheio de belas histórias
, mas a imprensa só tem priorizado tragédias. Inclusive àquelas criadas pela própria imprensa, como este governo ilegítimo e este congresso nacional corrompido.

Todos os jornais, rádios e TVs, deviam sempre contar bons exemplos.

O Brasil tem mais libaneses que o Líbano. E os sírios-libaneses, além de criarem o melhor hospital do Brasil, também são ótimos professores, advogados, comerciantes e escritores...

Os brasileiros, mesmo viajando pelo mundo, quando querem um bom livro de história, nem sempre acham...

Precisamos de mais livrarias e mais editores.

domingo, 19 de novembro de 2017

João Guimarães Rosa morreu há 50 anos, neste dia 19 de Novembro de 1967.

Ainda estamos aguardando sua biografia definitiva

Não achei nada na Folha de hoje sobre os 50 anos da morte de Guimarães Rosa.
O quê anda acontecendo com a Folha? Como esquecer Guimarães Rosa?

Já o Estadão, mesmo reacionário na política, na cultura e na internacional continua melhor que a Folha
O Estadão deu capa ontem e dois artigos exemplares, um de Guilherme Sobota e outro de Silviano Santiago sobre 0s 50 anos da morte de Guimarães Rosa.

Depois de publicar ontem e hoje o brilhante discurso do médico, escritor, voluntário, homem de mídia e brilhante brasileiro DRAUZIO VARELLA, não poderia esquecer a bela homenagem do Estadão a Guimarães Rosa.

Leiam este belíssimo artigo de Silviano Santiago:

'Grande Sertão: Veredas' continua tão moderno como outro clássico nacional, 'Os Sertões'


Silviano Santiago, ESPECIAL PARA O ESTADO
18 Novembro 2017

O francês Roland Barthes e o italiano Giorgio Agamben
se encontram em definição de caráter histórico e filosófico que explica a magia atemporal do romance Grande Sertão: Veredas e ainda salienta seu significado inesgotável. Barthes e Agamben sustentam que “o contemporâneo é o inatual”.

No Brasil a vibrar com a construção de Brasília no planalto central e, posteriormente, com a abertura da Transamazônica em plena selva, nada mais inatual artística e socialmente e, no entanto, mais contemporâneo, que o monstruoso romance escrito por Guimarães Rosa em meados do século 20 e publicado em 1956.

Recordemos a década de 1950.

João Cabral de Melo Neto tinha anunciado o credo minimalista dos anos 1950. Poetar com 20 palavras, sempre as mesmas. Os irmãos Campos e Décio Pignatari reduzem o verso e até o poema a uma única palavra. A primeira Bienal de São Paulo (1954) abole a figura humana e favorece como atual o abstracionismo geométrico da escultura de Max Bill e da tela de Ivan Serpa. As rádios adotam o singelo, doce e nostálgico balanço da bossa-nova, tão cool quanto o jazz moderno que o vocábulo inglês qualifica tão bem.

Lembram “do barquinho a deslizar no macio azul do mar”
(Roberto Menescal)? Os exemplos se sucedem e todos desautorizam o atrevido e descomunal Grande Sertão: Veredas como modelo da temática e escrita comprometidas com a atualidade brasileira em plena modernização cosmopolita.

O romance é incompreendido.

Faltam-lhe leitores. O monstro não se entrega sem as transgressões e asperezas estilísticas da vida cotidiana num enclave perdido no Alto do São Francisco. Incomoda e não seduz. Numa série de entrevistas curtas publicadas na revista Leitura, romancistas e poetas destacados se reúnem para falar mal. A matéria ganha título explícito e demolidor:

“Escritores que não conseguem ler Grande Sertão: Veredas”.

Autor do originalíssimo A Luta Corporal, Ferreira Gullar declara: “Li 70 páginas do Grande Sertão: Veredas. Não pude ir adiante. A essa altura, o livro começou a parecer-me uma história de cangaço contada para os linguistas”.

Compete a uma jovem e já notável geração de críticos literários, com destaque para Antonio Candido, assumir a tarefa de demonstrar o valor e o significado do romance. Apesar da inatualidade do texto ficcional de Rosa, eles se entusiasmam com o ineditismo da sua prosa e se entregam ao trabalho de amansar o bicho selvagem para o leitor. Há que torná-lo palatável ao gosto dos mestres romancistas e do leitor comum.

Por que não inseri-lo numa tradição de épicos brasileiros que facilitaria a compreensão do texto e interesse pela trama, evidenciando, ainda que de modo ligeiramente falso, sua atualidade?

Gera-se um consenso.

Grande Sertão: Veredas é tão moderno e atual quanto Os Sertões, de Euclides da Cunha.

Os grandes críticos presentes no pioneiro número 8 da revista Diálogo saem de mãos dadas: ainda que inatual, o romance de Rosa é, no entanto, tão genial quanto a obra-prima de Euclides. Assassina-se a letra; salva-se o espírito?

Constitui-se uma tradição de leitura
do Grande Sertão: Veredas que hoje nos incomoda e perturba. Haja vista o recente espetáculo apresentado no Sesc de São Paulo, dirigido por Bia Lessa. A qualidade selvagem do romance - sua wilderness - tinha sido domesticada. É ela, no entanto, que agiganta a originalidade de Grande Sertão: Veredas na América Latina e na literatura ocidental.

Desdomesticá-la, eis a nova proposta.


A fatura do romance de Rosa não é histórica nem simbólica. Pouco ou nada tem a ver com os fatos que levam a história do Brasil a transitar do período monárquico ao republicano pela dramatização da revolta dos conselheiristas na Bahia. Não há data no romance. Riobaldo não menciona uma só vez o nome da capital federal.

A fatura do romance é alegórica e paradoxal.

Quando é que quisemos ser modernos e terminamos por gerar regiões mais atrasadas do que as mais atrasadas? Desde sempre. Ou melhor, na história da nação brasileira, é assim que os administradores agem de maneira intermitente. Os governos dialogam com a história social e econômica da nação, despreocupando-se com o destino dos menos favorecidos. Somos fantásticos na construção civil e desastrados no planejamento habitacional das cidades.

Gestamos enclaves selvagens.


No período pós-escravidão africana, quisemos ser modernos na construção da Avenida Central, no Rio de Janeiro, e erigimos as favelas nos morros da capital federal. Em tempos de Vidas Secas (refiro-me aos candangos), quisemos construir nova e moderníssima capital federal e deixamos ao lado, no Alto do São Francisco, um enclave onde a anarquia feroz dos jagunços se assemelha à encontrada hoje nas penitenciárias das metrópoles. Em tempos de Carandiru, quisemos armar sistema de controle de enclaves, afinado com o moderno saber das ciências sociais, e nos tornamos tão ou mais irascíveis que Zé Bebelo.

Modernizamos e segregamos.


Afirma Agamben que ser contemporâneo não é ser atual. O contemporâneo é aquele que se descola das luzes do presente em que vive para perceber o escuro da realidade em que vivemos todos. O artista contemporâneo neutraliza as luzes sedutoras que norteiam sua época para enxergar as trevas, de que são inseparáveis.

Só é contemporâneo quem recebe no rosto o facho de trevas - e não de luzes - que provém do seu tempo.

Recebe o facho de trevas no rosto e, no entanto, enxerga.

Escreve o romance Grande Sertão: Veredas.

Drauzio Varella continua falando muito, para o bem do Brasil

Leiam a segunda parte do lindo depoimento de Drauzio Varella

Como Fernanda Montenegro, Drauzio continua sendo um dos brasileiros mais escutados atualmente.

A Folha ontem acertou uma grande reportagem. Hoje, não achei nenhuma matéria para ler. Só chatice...

Melhor ler o jornal de ontem, com grande artigo de Drauzio Varella:

Enquanto frequentávamos a faculdade, havia 80 milhões de brasileiros.

Na Copa do Mundo de 1970, já éramos "90 milhões em ação". Hoje, somos 207 milhões. Apesar das desigualdades sociais revoltantes, dos desmandos predatórios de representantes políticos que elegemos e da parte de nossa elite financeira mancomunada com eles, levamos a medicina aos quatro cantos do Brasil, tarefa anteriormente impensável num país de dimensões continentais.

Muitos de meus colegas de turma e eu fomos criados sem pediatras, mesmo morando em São Paulo.

Se não havia cuidados pediátricos para as crianças da capital, o que aconteceria no campo, onde viviam 80% dos brasileiros? Hoje, apesar do crescimento populacional explosivo, praticamente não há crianças sem algum acesso à assistência médica.

As cenas de bebês morrendo de desidratação
, um atrás do outro, nos plantões do pronto socorro de pediatria, que tanto nos revoltavam, não acontecem mais. A mortalidade infantil caiu no país inteiro. Quando saímos da faculdade, a taxa de mortalidade infantil era de 73 para cada mil nascimentos. No ano passado, foi de 14.

Apesar de todas as deficiências, desorganização, uso político, corrupção e demais desmandos do SUS, no curto espaço de 30 anos implementamos o maior programa gratuito de vacinações, de transplantes de órgãos e de tratamento da infecção pelo HIV, do mundo inteiro. Nosso programa de saúde da família, que cobre a maior parte do país, é considerado pelos organismos internacionais um dos dez mais importantes da saúde pública mundial. As transfusões de sangue se tornaram seguras, o Resgate socorre pessoas no Brasil inteiro.

Essas conquistas convivem com o subfinanciamento crônico, as filas nos prontos-socorros e nos ambulatórios, a demora para marcar exames e conseguir internações hospitalares e as dificuldades de acesso a cuidados médicos de qualidade.
Ao lado dessas transformações, vimos nascer, junto com a instalação da indústria automobilística no ABC, os primeiros planos de saúde, que se popularizaram a partir dos anos 1990. Hoje, a saúde suplementar oferece
assistência médica a 50 milhões de brasileiros.

Os recursos disponíveis à saúde suplementar e ao SUS expõem a desigualdade brasileira:

mais de R$ 137 bilhões para cuidar de 50 milhões de beneficiários dos planos de saúde, contra cerca de R$ 240 bilhões destinados aos 150 milhões dos que dependem exclusivamente do SUS.

Nesse novo panorama
, pouquíssimos conseguiram exercer a profissão liberal para a qual fomos preparados. Passamos a ser funcionários públicos ou prestadores de serviços em empresas, convênios e planos de saúde ou funcionários de hospitais e grupos empresariais de assistência médica.

A lógica de mercado invadiu o sistema de saúde.


Administradores alheios à profissão trouxeram palavras de ordem às quais não estávamos habituados: produtividade, racionalização da mão de obra, economia de escala, lucratividade, fusões, corporações, capital de risco.

A nova ordem permitiu a construção de grandes hospitais, conglomerados de laboratórios de análises, equipamentos modernos e operadoras de saúde com milhões de associados. Assim, milhões de pessoas doentes puderam fazer exames complexos e receber tratamentos inacessíveis no passado. A oncologia moderna e outras áreas da medicina não existiriam no Brasil, não fosse a saúde suplementar.

O preço pago foi alto, no entanto.
Reduzido à condição de número, o paciente deixou de ser o centro da atenção
e a razão de existir do sistema.
Premidos pelas novas circunstâncias, muitos médicos se afastaram dos doentes. A queixa de que "o médico não me examinou, nem olhou na minha cara", se tornou frequente. A má fama e o desinteresse dos colegas frustrados com os salários e as condições de trabalho fizeram perder parte do prestígio que tínhamos na sociedade, quando disputávamos com os bombeiros a primazia da profissão mais respeitada.

É pena, porque muitos se esquecem do grande número de médicos dedicados que, a despeito da remuneração e da falta de recursos materiais para o trabalho, mantêm o atendimento à população de baixa renda espalhada pelo interior ou aglomerada na pobreza da periferia de nossas cidades. Muitos de meus colegas estão entre as pessoas mais generosas que conheci.

Quando penso nessas contradições e nos desafios sociais que nós enfrentamos nos últimos 50 anos vem a certeza de que fomos muito privilegiados. De um lado, cada um a sua maneira, ajudamos a levar a assistência médica ao país inteiro. O SUS é um projeto em construção a ser aprimorado pelos que hoje estudam no grande número de faculdades espalhadas sem critério reconhecível pelo país afora. Estudando em escolas medíocres, estarão à altura desse desafio?

De outro, em nossos anos de atuação profissional testemunhamos um salto de qualidade técnica da medicina, que não encontra paralelo na história da humanidade. Quando nos formamos dispúnhamos de análises laboratoriais, eletrocardiogramas e mais alguns exames. As imagens se achavam restritas aos raios-X, simples ou contrastados.
Nestes 50 anos, vimos surgir as imagens dos órgãos internos, reveladas com nitidez pelos ultrassons, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, cintilografias, PET-scans, endoscopias.

Quando nos formamos,
a cirurgia era a especialidade mais prestigiada. Ao terminar o segundo ano de residência no Hospital das Clínicas os colegas disputavam para saber quem havia feito mais gastrectomias, colecistectomias, operado mais hérnias e abdomens perfurados por facas e armas de fogo.

Nos anos seguintes,
o papel da cirurgia clássica ficou mais acanhado. Medicamentos novos, capazes de curar úlceras duodenais, fizeram cair o número de gastrectomias. Os avanços da radiologia praticamente acabaram com as chamadas laparotomias exploradoras. Cirurgias minimamente invasivas realizadas por via endoscópica se tornaram rotineiras. A robótica entrou na prática, criando a possibilidade de operar pacientes a distância.

Em 1967, os grandes problemas nacionais eram as doenças infectoparasitárias
que, embora ainda persistam, são menos prevalentes do que as enfermidades degenerativocrônicas. A faixa etária da população que mais cresce é a que está acima dos 60 anos. Hoje, somos 19 milhões, em 2050 seremos 40 milhões.

O envelhecimento populacional dos últimos 30 anos
levou 60 anos para acontecer na Europa desenvolvida. Os brasileiros envelhecem, e envelhecem mal: temos pelo menos 14 milhões de pessoas com diabetes. Metade das mulheres e homens chega aos 60 anos com hipertensão arterial. Doenças cardiovasculares e câncer disputam o título de principal causa de morte. A obesidade virou epidemia: 52% dos brasileiros estão acima do peso. Os quadros demenciais estão presentes em grande número de famílias.

Em 1967, contávamos com meia dúzia de medicamentos para controlar a pressão arterial e as taxas de glicose no sangue. Hoje, existem tantos que há necessidade de especialistas para lidar com eles. Quem sofria um infarto naquela época dependia da ajuda divina para continuar vivo. Cateterismos, stents, pontes de safena e UTIs aliviaram o trabalho do Criador na recuperação desses pacientes.

Pouco havia a ser feito nos casos com câncer que não se curavam com cirurgia ou radioterapia. Nossa geração assistiu ao aparecimento da quimioterapia e, agora, vê nascer as terapias-alvo e a imunoterapia moderna, primeiros passos de uma mudança de paradigma na oncologia do século 21.

Vimos emergir a epidemia de Aids, em 1981.


Três anos mais tarde, a ciência já tinha isolado o vírus e desenvolvido um teste para identificar os infectados. Em 1985 surgia o AZT. Em 1995, os inibidores da protease, que criaram a possibilidade de controlar a doença. Nunca a humanidade lidou com uma epidemia com tamanha rapidez e eficiência.

Nos últimos 30 anos, os avanços da pesquisa pura e da biologia molecular produziram uma avalanche de informações sobre a natureza íntima do DNA, do RNA e das proteínas envolvidas em processos infecciosos, inflamatórios, degenerativos e neoplásicos. As consequências desses conhecimentos darão origem à medicina personalizada que levará em conta a biodiversidade humana, aos transplantes de células-tronco e de genes que corrigirão defeitos genéticos ou adquiridos.

O domínio das informações
que brotam incessantemente das bancadas dos laboratórios e dos estudos clínicos internacionais com milhares de participantes está além da capacidade humana para digeri-las. Sem a ajuda da informática e de supercomputadores que aprendem com a experiência -como os que conceberam o Watson, da IBM-, não haverá como reconhecer-lhes a prioridade e incorporá-las à prática. O médico que toma decisões não amparadas em evidências científicas sólidas será uma figura tão ultrapassada quanto a dos que aplicavam ventosas e propunham sangrias.
Os próximos desafios serão os de levar os benefícios dessa medicina altamente tecnológica ao restante da população. Tarefa para gerações, porque exigirá a reinvenção de um SUS que ainda nem conseguimos implantar com a abrangência necessária.

Os custos dessa nova medicina serão tão altos
que talvez venhamos a nos convencer, finalmente, de que o investimento preferencial deve ser na prevenção. Impedir que as pessoas fiquem doentes evita sofrimento e sai bem mais em conta.
Pela primeira vez na história de nossa espécie pudemos oferecer alimentos de qualidade a grandes massas populacionais e tornamos possível ganhar a subsistência no conforto das cadeiras. Obesidade e sedentarismo são os grandes males das sociedades modernas.

Preocupados com as lagoas de coceira da esquistossomose, as casinhas de pau a pique da doença de Chagas e com a falta de saneamento básico causadora de tantas enfermidades, qual de nós imaginou que um dia a principal mensagem de saúde pública seria: "Não dá para passar o dia inteiro sentado, comendo tudo o que te oferecem."

Os médicos que nos precederam transmitiam mensagens de saúde ao encontrar as pessoas nas ruas, nas praças, nas festas da comunidade. As praças de hoje são as estações de rádio, os canais de televisão, o Facebook, o Google, o YouTube e os sites da internet.

A tela do celular é o meio mais rápido de transmissão de informações médicas.


Graças a esses meios de comunicação, o paciente de hoje é muito mais informado do que há 50 anos. Muitos dos que nos introduziram na profissão eram médicos autoritários, que impunham suas condutas sem levar em conta as idiossincrasias individuais. A função do médico moderno é a de apresentar as possibilidades técnicas, para ajudar a pessoa doente a decidir qual delas se adapta melhor às suas necessidades e desejos particulares.

Quantos desafios cada um de nós experimentou.

Quantas dificuldades, exigências e sacrifícios pessoais e familiares o exercício profissional nos impôs nessas cinco décadas. Amigos e contemporâneos nossos que escolheram outras profissões podem ter levado vida mais tranquila, menos sacrificada, e ganhado mais dinheiro com menos esforço. Mas, duvido terem conhecido o prazer de ver alguém à beira da morte sobreviver graças aos nossos conhecimentos, dedicação e envolvimento pessoal desinteressado.

O arquiteto deve sentir prazer diante da casa construída, o advogado por defender o interesse do cliente, o publicitário pela campanha idealizada, o mecânico ao ver o motor consertado, o agricultor ao admirar o verde da plantação. Serão esses prazeres comparáveis ao que sentimos ao aliviar o sofrimento humano, a razão maior da existência de nossa profissão?

Queridos amigos,
nessa apresentação procurei deixar claro que jamais me arrependi da escolha que fiz ao prestar o exame vestibular para a nossa faculdade. Continuo encantado pela medicina, profissão caprichosa como a mulher amada, capaz de despertar crises inesperadas de paixão pela vida inteira.

sábado, 18 de novembro de 2017

Temos muitos DRAUZIO VARELLA no Brasil

Ah, se ouvissem mais o Drauzio Varella...

De vez em quando a Folha tem uma recaída, das boas, e faz uma boa reportagem. Daquelas que lembra à Folha de antigamente, quando também lutava pela redemocratização do Brasil.

Hoje resolveu dar duas páginas inteiras, não à propagandas de bancos e empresas que apoiaram e se beneficiam do golpe do impeachment. Resolveu dar duas páginas às sábias palavras do cidadão e médico brasileiro DRAUZIO VARELLA.

Vou reproduzir a primeira metade da reportagem. Bonita, informativa, emocionante.


Para nós que temos 40 anos de formados e de serviços prestados ao Brasil,para nós que lutamos contra a ditadura militar e contra golpes de Estado, para nós que acompanhamos os artigos e o trabalho social de Drauzio Varella, para nós que temos médicos na família, dá uma alegria danada ler cada palavra escrita por Drauzio Varella.

Além de revolucionar o Brasil quando escreveu sobre Carandiru
, o presídio de barbárie em pleno centro de São Paulo e depois escrever sobre AS PRISIONEIRAS, as mulheres no cárcere, esta nova obra de arte de Drauzio e, porque não, também da Folha, merece ser mostrada a todos os brasileiros.

Se, em vez de só mostrar a bandidagem, priorizarmos a mostrar os brasileiros e brasileiras, como Dona Zilda Arns e tantos outros, veremos que, mesmo lentamente, estamos construindo uma NAÇÃO.

Leiam esta primeira parte da reportagem especial da Folha, com Drauzio Varella:

Drauzio Varella faz retrospectiva
de 50 anos da medicina no Brasil


DRAUZIO VARELLA
COLUNISTA DA FOLHA - 18/11/2017

Ao comemorar o jubileu de ouro de sua formatura na Faculdade de Medicina da USP, no mês passado, o médico e colunista da Folha Drauzio Varella, 74, tomou de novo o palanque que assumira 50 anos antes como orador da turma.

Diante dos colegas da 50ª leva de formados da instituição, fez, no último dia 27, no teatro da faculdade, na zona oeste de São Paulo, um "resumo do resumo, coisa despretensiosa" sobre as transformações pelas quais a atividade passou desde aquela fala na cerimônia "ilegal" no Theatro Municipal, em 1967.

Naquele ano, a escolha do paraninfo, Luiz Hildebrando Pereira da Silva (1928-2014), demitido e expulso do país pela ditadura, levou a direção da faculdade a renegar o evento.

A criação do SUS (Sistema Único de Saúde) é a maior das revoluções deste meio século, disse à Folha, com ênfase: "O SUS é uma conquista definitiva. E um processo em andamento."

No discurso, reproduzido aqui na íntegra, não minimiza os desafios que se antepõem: levar as novas tecnologias a toda a população "exigirá a reinvenção de um SUS que ainda nem conseguimos implantar com a abrangência necessária".
*
AS PALAVRAS DO CIDADÃO E MÉDICO DRAUZIO VARELLA

Cinquenta anos atrás, no Theatro Municipal, fui o orador de nossa turma. Naquela ocasião, a escolha do professor Luiz Hildebrando como paraninfo foi considerada uma afronta pela direção da faculdade, que houve por bem não participar nem considerar oficial a cerimônia de formatura.

Eram tempos de ditadura. Ao escolher um professor que fazia parte de um grupo de docentes demitidos da universidade por razões puramente ideológicas, fazíamos um protesto veemente contra o autoritarismo militar e sua influência na academia.

No final do discurso, eu dizia com ardor juvenil:


"A ninguém assiste o direito de exigir que nos transformemos em seres amorfos dentro da sociedade, reduzidos unicamente às funções de estudar e calar. Nosso silêncio poderá ser cômodo às classes dominantes, para a pátria, porém, representaria gravíssima traição".

Meu pai depois diria ter tido certeza de que eu seria preso no final da cerimônia. Não era preocupação descabida, perdemos colegas de faculdade e amigos, desaparecidos nos porões da repressão. Ao contrário da maioria dos universitários de hoje, tínhamos sonhos grandiosos naquele tempo. Queríamos combater a miséria, acabar com a esquistossomose, Chagas, varíola, poliomielite, tuberculose e a desnutrição das crianças. Ao mesmo tempo, sonhávamos com a criação de universidades, metrópoles como Brasília, cidades novas pelo interior e em alfabetizar todos os brasileiros.

Não vamos esquecer, no entanto, que a memória é editora falaciosa, especialista em deletar experiências desagradáveis. Em matéria de costumes éramos bem mais atrasados do que os jovens de agora. Não tínhamos consciência do nosso machismo: em nossa turma de 100 alunos, havia apenas 15 mulheres, espécie de cidadãs de segunda classe na faculdade, no intervalo das aulas, recolhidas nas salas do departamento feminino.

Quando ouço falar da revolução sexual provocada pela pílula nos anos 1960, lamento ela ter acontecido onde eu não estava. O racismo da sociedade brasileira se refletia em nós. Não achávamos estranho haver em nossa turma os dois únicos estudantes de ascendência negra entre os 500 alunos da faculdade.

Colegas homossexuais eram alvo de chacotas grosseiras. Pertencíamos a uma elite estudantil que, ao receber o diploma da USP, julgava garantida a ascensão social. Apesar da gravidade dos problemas de saúde pública com os quais convivíamos no Hospital das Clínicas, a faculdade nos formava para ganharmos a vida como profissionais liberais. Pouquíssimos de nós imaginavam que um dia dependeríamos de empregos formais para sustentar a família.

Vamos lembrar que naqueles dias os pacientes sem condições financeiras para arcar com os custos médicos ficavam limitados ao antigo INPS. Os demais eram rotulados como indigentes, portanto dependentes da caridade pública.

Apesar da formação inadequada para as necessidades do país, nossa geração de médicos esteve à frente da maior revolução da história da medicina brasileira: a criação do Sistema Único de Saúde. Na Constituição de 1988, escrevemos "Saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado".

A despeito da demagogia do slogan que não garante os meios para cumprir tal dever e infantiliza o cidadão, ao retirar dele a responsabilidade de cuidar da própria saúde, foi de fato uma revolução.

Nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes
ousou oferecer saúde gratuita a todos, sem exceção.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Somos todos Corinthianos

O brasileiro gosta de sofrer, logo, é Corintiano.

Os ricos sofrem porque reclamam da vida, diz sempre que na Europa e nos Estados Unidos a vida é melhor do que aqui, mas, quando estão aqui, adoram corromper o guarda, parar em cima da faixa de pedestre, mexer em produtos perecíveis nas feiras e supermercados, etc. São ricos e metidos. Afinal as leis lhes protegem. E ainda torcem para o São Paulo ou o Palmeiras. Como este ano estes dois times viraram fregueses do Corinthians, os ricos também viraram corintianos.

Enquanto os ricos não derem bons exemplos no Brasil, nosso país vai continuar sendo esta palhaçada. E o São Paulo e o Palmeiras vão continuar perdendo para o Corinthians, com seu belíssimo estádio. O do Palmeiras também está bonito.

A classe média é mais do que corintiana. Sofre porque quer levar vida de rico e não tem dinheiro suficiente para isto, sofre porque não gosta de conviver com os pobres e sofre porque, cada vez mais com o governo Temer, além de ficar desempregada, não consegue acompanhar o custo de vida. Êta turma que sofre. Só pode ser mesmo corintiano...

Já os pobres, principalmente os nordestinos, estes já nascem corintianos. Vivem na Zona Leste e na Zona Sul de são Paulo. Graças a outro corintiano, um tal de Lula, conseguiram um bom estádio de futebol, também chamada de ARENA CORINTHIANS e agora vivem metidos a besta. Viajam de avião,têm carros, vão para o exterior, elegem presidentes e ganham campeonatos de futebol.

Como dizia Euclides da Cunha, autor de Os Sertões:


O Brasileiro é, antes de tudo, um corintiano.


E Viva a Torcida Corintiana!

Parabéns para estes meninos loucos, que vieram das periferias para jogar no Corinthians e fazer milhões de torcedores felizes.

Agora só falta o Bahia e o Vitória continuarem na série A no ano que vem.
Aí os baianos que moram em São Paulo vão morrer de alegria.

Bahia, Bahia, Bahia!
Somos a voz do Campeão!


Salve o Corinthians!

Sem medo de ser feliz!


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

500 anos da Reforma Protestante e de Capitalismo

Religião, Política e Economia na nossa vida

Há dias que ando querendo falar sobre a importante comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante.
Os jornais escreveram reportagens enaltecendo o crescimento dos evangélicos e a diminuição da Igreja Católica, principalmente a ala progressista.

Tudo isto porque os evangélicos brasileiros atuais apoiaram o golpe de Estado
e estão sendo aliados conservadores e servis ao governo Temer e aos objetivos dos empresários que pagaram pelo golpe do impeachment.

A melhor reportagem sobre os 500 anos da Reforma Protestante
quem escreveu foi, mais uma vez, o jornal Valor, no seu caderno de fim de semana, datado de 27/Nov/2017. O autor é João Luiz Rosa, que, apesar de ter escrito uma ótima reportagem, o jornal não o identifica. Não sei que é, mesmo tendo gostado muito de João Luiz Rosa. Parabéns!

Vou transcrever partes interessantíssimas do artigo que tem como título: A FÉ EM MOVIMENTO.

No início do artigo, depois de alguns exemplos de atividades religiosas, surge a questão:

- É impossível ser evangélico e traficante ao mesmo tempo?


Em sua origem, a REFORMA não era um movimento separatista, que dividiria a Igreja Católica.
A história começou em 31 de Outubro de 1517, quando Martinho Lutero, um monge agostiniano, afixou 95 teses na porta da Igreja Católica do castelo de Wittenberg, na Alemanha. O documento trazia críticas severas à Igreja por vender indulgências como forma de arrecadar dinheiro lpara a construção da BASÍLICA de são Pedro.

O mundo convivia com um tal de Sacro Império Romano-Germânico
. O poder principal da época.
Os principes alemães, da mesma forma que a monarquia inglesa e também os holandeses estavam contra a concentração de tanto poder na mão da Igreja Católica e de seus governos pelo mundo. Afinal, as Américas já tinham sido descobertas e iriam mudar os costumes do mundo...

O Brasil sempre foi controlado por católicos.

Mas, também convivia com um sincretismo religioso, moral, cultural e político. Aí está a forma de ser de Macunaíma, livro de Mário de Andrade.

Na América Latina, as igrejas pentecostais e neopentecais surgiram a partir dos anos 60
, bancada financeiramente e politicamente pelos Estados Unidos, como forma de combater as lutas populares lideradas pela Teologia da Libertação, de origem na Igreja Católica. Já na sua origem, os pentecostais têm como missão ser conservador e de direita.

Além de conservadoras, as igrejas pentecostais defendem a "teologia da prosperidade".

A ideia de que a vontade de Deus é que os cristãos sejam abençoados com bens materiais, como um contrato entre Deus e os fiéis. Se a pessoa for fiel nas contribuições, Deus cumprirá a promessa de ENRIQUECIMENTO.

Para observadores, o fato de temas como Sociedade, Política e Cultura
- em vez de RELIGIÃO e da ESPIRITUALIDADE - ocuparem muito espaço nessas igrejas é um dos motivos de seu declínio nos Estados Unidos.

Já no Brasil, há especialistas que consideram que esta mania de priorizar o juntar dinheiro para comprar prédios, rádios e TVs, fazem com que os pentecostais usem as palavras de Deus só para ganhar mais dinheiro do que praticar os ensinamentos de Jesus.

A Igreja católica está reagindo ao crescimento dos pentecostais nos países latinos e africanos.

Isso tem muito a ver com o papa Francisco.
Nenhum outro papa pareceu tão disposto ao diálogo com outras religiões como ele, dizem especialistas.

O papa Francisco é fruto do Concílio Vaticano II, que foi um grande encontro da igreja, que durou de 1962 a 1965, e mudou várias regras vigentes. As posições do papa Francisco remetem a João XXIII, que ditou o tom progressista que modernizaria a Igreja Católica.

Depois de João XXIII, com a Guerra Fria
, veio um hiato conservador na Igreja Católica, com Paulo VI, depois João Paulo II, mas o maior retrocesso dos católicos se deu com Bento XVI. Depois de quase 30 anos perseguindo os progressistas católicos, foi eleito o franciscano e argentino, Francisco.

O papa da Esperança.


O papa Francisco reconheceu a contribuição de Lutero para dar um papel central à BÍBLIA na igreja e disse que era preciso superar as polêmicas que impediram o entendimento entre os dois lados. (católicos e protestantes).

Voltando a Reforma Protestante
, com a tradução da Bíblia para os idiomas locais, veio um grande esforço para alfabetizar a população, como houve maior preocupação em ganhar dinheiro. Os protestantes passaram a ficar mais ricos que os católicos.

O pensamento econômico protestante
foi muito importante no crescimento industrial e na formação do capitalismo. Max Weber, no seu clássico livro "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", reconhece a interrelação entre protestantismo e capitalismo.

No Brasil, os pentecostais vêem principalmente dos segmentos mais pobres da sociedade
, mas, como conservadores e fortemente disciplinados, estão servindo como principal base social de sustentação ao governo ilegítimo de Temer e suas reformas neoliberais trazidas pelo PSDB. Os pentecostais estão sendo fundamentais no combate conservador ao PT, a Lula e aos governos democráticos-populares.

Enquanto a Reforma Protestante foi
para modernizar o mundo e melhorar a qualidade de vida dos povos, isto há 500 anos atrás, o crescimento dos pentecostais e neopentecostais no Brasil e nos países pobres, está servindo para impedira a real melhoria de qualidade de vida do povo e a inclusão social de milhões de pessoas.

É a tal da dialética...


O golpe de Estado da Proclamação da República

Já nascemos sob golpes de Estado!!!

Interessante descobrir que a Proclamação da República do Brasil foi um golpe militar e teve nomes que eram só aparentes.

Derrubou-se a Monarquia Constitucional Parlamentarista do Império do Brasil e o país passou a ter um Regime Republicano Presidencialista!!!

Parece os dias de hoje, só que na crise atual os militares estão na moita, tendo seus direitos e benefícios preservados como forma de mantê-los fora da política. Naquele tempo de 1889, o Brasil tinha saído da guerra do Paraguai onde tanto os militares quanto os negros viram o quanto estavam atrasados em relação aos outros países.

O povo continua ausente das lutas por Democracia e liberdade. E, sem o povo, ficamos nas mãos de corruptos, corporativos e entreguistas.

Viva a República.

Não, Viva o Povo Brasileiro!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Base de Alcântara (Maranhão) e perda da soberania

Vejam mais um exemplo de como o governo Temer está vendendo o Brasil

Leiam este bom artigo do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães:

1. Os Estados Unidos, além de suas frotas de porta aviões, navios e submarinos nucleares que singram todos os mares, possuem mais de 700 bases militares terrestres fora de seu território nacional nos mais diversos países, em muitas das quais instalaram armas nuclearese sistemas de escuta da National Security Agency (NSA).

2. Os Estados Unidos têm bases de lançamento de foguetes em seu território nacional, entre elas a base de Cabo Canaveral, perfeitamente aparelhadas, com os equipamentos mais sofisticados, para o lançamento de satélites e de foguetes.

3. Os Estados Unidos não necessitam, portanto, de instalações a serem construídas em Alcântara para o lançamento de seus foguetes.

4. O objetivo americano não é impedir que o Brasil tenha uma base competitiva de lançamento de foguetes; isto o Governo brasileiro já impede que ocorra pela contenção de despesas com o programa espacial brasileiro.

5. O objetivo principal norte americano é ter uma base militar em território brasileiro na qual exerçam sua soberania, fora do alcance das leis e da vigilância das autoridades brasileiras, inclusive militares, onde possam desenvolver todo tipo de atividade cuja essência é militar.

6. A localização de Alcântara, no Nordeste brasileiro, em frente à África Ocidental, é ideal para os Estados Unidos do ângulo de suas operações político-militares na América do Sul e na África e de sua estratégia mundial, em confronto com a Rússia e a China.

7. O Governo de Michel Temer tem como objetivo central de sua política (que nada mais é do que o cumprimento das recomendações do Consenso de Washington)atender a todas as reivindicações históricas dos Estados Unidos feitas ao Brasil não só em termos de política econômica interna (abertura comercial, liberdade para investimentos e capitais, desregulamentação, fim das empresas estatais, em especial da Petrobras etc.) como em termos de política externa.

8. À politica externa de Temer cabe cooperar com a execução deste programa de Governo, cujo objetivo principal é atrair investimentos estrangeiros, além de ações de combate à Venezuela, de afastamento em relação aos vizinhos da América do Sul, de destruição do Mercosul, a partir de acordo com a União Europeia, cavalo de Troia para abrir as portas para um futuro acordo de livre comércio com os Estados Unidos, de adesão à OCDE, como forma de consolidar esta política econômica, e de afastamento e negligência em relação aos países do Sul.

9. Nesta política geral do Governo Temer, o acordo com os Estados Unidos para a utilização da Base de Alcântara configura o caso mais flagrante de cessão de soberania da história do Brasil.

10. Os Estados Unidos, se vierem a se instalar em Alcântara, de lá não sairão, pois de lá poderão “controlar” o Brasil, “alinhando” de fato e definitivamente a política externa brasileira e tornando cada vez mais difícil o exercício de uma política externa independente.

08 de novembro de 2017

Samuel Pinheiro Guimarães
Secretário Geral do Itamaraty (2003-2009)
Ministro de Assuntos Estratégicos (2009-2010)

Desindexação de tudo, já!

Contratos indexados e juros altos prejudicam a economia e os mais pobres

Se a desindexação não for feita agora,
será impossível fazê-la um pouco mais à frente

Os mais jovens não se lembram, mas devem ter lido que,
no fim dos anos 1980, quando a inflação alcançou quase 7.000% em 12 meses,
os preços subiam diariamente.

Quem podia comprava hoje, porque amanhã o produto poderia estar custando o dobro. As famílias faziam estoques de itens de supermercados.
Para atenuar um pouco essa maluca corrida de preços, havia a correção monetária. Os salários eram corrigidos todos os meses, com base na inflação do mês anterior. Vários outros preços, como aluguéis, escolas, tarifas públicas etc., também subiam mensalmente.

Não era fácil viver nesse ambiente. Havia, porém, um certo discurso que aplaudia a correção monetária como sendo uma dessas "geniais" soluções brasileiras, que hoje chamamos de "jabuticabas".

Dizia-se que a correção monetária funcionava como um amortecedor da inflação. Como preços e salários eram corrigidos rapidamente com base no índice da inflação passada, os efeitos da alta dos preços não eram tão sentidos, argumentavam alguns teóricos.

Parecia um ovo de Colombo, uma fórmula perfeita para neutralizar os efeitos da inflação. Alguns economistas vinham do exterior para conhecer o sistema, mas, na verdade, a correção monetária levou o país à hiperinflação.

Tornou-se um poderoso estimulador da alta de preços, criando uma inércia que foi elevando cada vez mais a inflação, até atingir 82%, em março de 1990.

Tudo isso acabou em 1994, com o Plano Real.
Mas, mesmo com a inflação muito mais baixa de hoje, alguns mecanismos de indexação da economia permanecem sendo usados.

Com uma taxa anual abaixo de 3% ao ano, não dá para entender por que não se aproveita a oportunidade para extirpar de vez a indexação da economia brasileira.

Aluguéis são reajustados anualmente com base no IGP-M da FGV.

O salário mínimo é aumentado de acordo com o INPC mais a taxa de crescimento do PIB.

Tarifas de ônibus, metrô e outros serviços públicos sobem indexados à inflação passada.

Contratos de governos com a iniciativa privada são firmados com reajustes atrelados a índices de preços.

Salários das diversas categorias, embora negociados diretamente entre empregados e empregadores, levam em conta a inflação passada.

Escolas aumentam mensalidades sempre em janeiro com base na inflação do ano anterior.

Muitos outros resquícios da velha correção monetária dos anos da hiperinflação precisam ser eliminados. No mês passado, acredite se quiser, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos colocou em sua pauta a indexação dos preços na cobrança da água usada pelos produtores rurais. O tema foi retirado da pauta pela intervenção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, mas tem previsão de voltar à discussão em dezembro.

O próprio Orçamento teve seus gastos atrelados à inflação na famosa PEC do Teto.

Embora nesse caso o objetivo tenha sido o de conter a expansão dos gastos, trata-se de uma indexação.

Com uma inflação tão baixa, o governo já deveria ter pensado em avançar na desindexação ampla da economia. É muito mais fácil fazer isso com inflação de 2,5% ao ano do que quando ela atinge dois dígitos.

Estima-se que 60% dos preços da economia ainda sejam reajustados com base na inflação passada ou na variação do dólar. Se a desindexação não for feita agora, será impossível fazê-la um pouco mais à frente, quando a economia voltar a crescer, gerando demanda e puxando preços.

O combate à inflação não pode ser feito só com elevação absurda e atroz dos juros, um filme que já vimos demais e sabemos ter final infeliz.

O texto acima foi publicado na Folha de hoje e é de autoria de Benjamin Steibruch, empresário e diretor da Fiesp.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

1968 mudou o mundo

1968 acabou, o mundo mudou

Cohn-Bendit, o principal líder do 68 em Paris disse a frase acima numa entrevista ao jornal Valor. Curiosamente, neste mesmo fim-de-semana fomos assistir ao filme de João Moreira Salles e também aparecia longa reportagem sobre o 68 francês.

Os conservadores, da mesma forma que afirmaram que a História tinha acabado, agora também insistem em dizer que "o sonho acabou", como também acabou 68. Cohn-Bendit, que não era comunista e estava mais para o anarquismo, hoje podemos dizer que é um bom social democrata. Faz parte da vida, ainda mais quando se chega aos 72 anos.

O passado não acaba,
ele está presente em nossa vida. Com mais ou com menos intensidade.

1968 visto do lado de cá, do ocidente, tem um significado:
Os jovens reivindicando mais liberdade sexual, de consumo, de locomoção e de vida.

1968 visto do lado de lá, da cortina de ferro, do bloco soviético,tem outro significado:
Era a busca das mesmas bandeiras, porém, enfrentando muito mais repressão dos regimes comunistas ditatoriais.

Para os países pobres e os subdesenvolvidos, praticamente não existiu 1968.
A repressão era tão pesada quanto era nos países comunistas.

A grande transformação que passou o mundo, foi a queda da União Soviética em 1991.


Se por um lado, para os países que faziam parte do bloco soviético, a liberdade ocidental, o modelo de economia de mercado, a liberdade de locomoção, de consumo e sexual passou a ser igual ao mundo ocidental. O mundo melhorou muito para os povos do Leste.

Já para o mundo de cá, do lado ocidental, com o fim da União Soviética e a implantação do modelo de "pensamento único", com a hegemonia do neoliberalismo, as empresas e os conservadores sentiram-se livres para reduzir os direitos dos trabalhadores, baratear a mão de obra, reduzir custos aumentando o desemprego e aumentando a importação de produtos de multinacionais mas produzidos na Ásia, como Vietnã e Bangladesh.

Os países ocidentais da Europa, governados por partidos socialistas ou sociais-democratas não conseguiram manter o sistema econômico competitivo e perderam eleições para a direita. As democracias nos países atrasados estão definhando e caindo nas mãos de conservadores e golpistas. A reação demora e com isto os trabalhadores vão perdendo empregos e direitos.

A direita anda sem medo do socialismo ou do comunismo.


A direita acha que pode tudo. Pode até tomar os bens do povo e concentrar a riqueza, onde 1% controla 99%.

A esquerda, perplexa, assiste ao crescimento da direita e não consegue apresentar um novo modelo econômico que o povo se identifique e eleja como prioridade social. Da mesma forma que precisamos de um novo modelo econômico, também precisamos de novo modelo de representação do povo e de seus segmentos sociais.

Precisamos construir um mundo novo.



domingo, 12 de novembro de 2017

O Brasil está pronto para a Democracia?

Quando o povo brasileiro tomará seu destino para si?

A classe dominante no Brasil divulgava que nosso país foi uma dádiva divina, que aqui se plantando tudo dava... Passaram-se séculos e este país continental continuava adormecido, como uma grande reserva natural da humanidade.

Deus mantinha a unidade enquanto território português
, aliado da Inglaterra, a grande mandante da época. Os holandeses, os franceses e mesmo os espanhóis não conseguiram dividir nosso território, nem impor uma nova língua. A escravidão supria a mão de obra e produzia produtos para exportação. Os brancos só mandavam... por determinação divina e da Igreja Católica, grande protetora da Espanha e de Portugal.

Com a Revolução Francesa e o surgimento de Napoleão Bonaparte
, mais uma vez o Brasil foi protegido por Deus, que mandou a família real portuguesa para o Rio de Janeiro, protegendo nosso território e nossas riquezas... Nossa independência de Portugal não foi coisa de brasileiros, foi coisa de portugueses, isto é, da classe dominante estrangeira sobre nossa população local.

Nossa monarquia durou pouco, era tupiniquim e extemporânea. Veio uma República aristocrática. Também sem povo e sem voto. Agora o modelo já não era mais Portugal. O novo modelo era os Estados Unidos. A colônia que deu certo... Nosso país continental continuava dormindo.

Com novas guerras na Europa, os países das Américas, da Ásia e da África passaram a ter mais importância no abastecimento da Europa. Com a primeira guerra mundial, abriu-se a oportunidade para nossa industrialização. Um novo Brasil começou a surgir. São Paulo começava a ser o centro do Brasil. Afinal, onde está o capital e a economia, está o centro.

O Brasil cresceu de forma acelerada, vieram os imigrantes europeus e veio também o crescimento dos demais estados brasileiros. Este novo país demandou uma transformação estrutural que os senhores aristocratas não queriam fazer. Vieram vários levantes militares e civis, culminando na Revolução de 1930, que exigia que o Brasil fosse de todos os brasileiros e não apenas dos donos das terras e das indústrias. O povo exigia acesso à modernidade.

Mais uma vez a Europa entrou em guerra e mais uma vez as oportunidades para o Brasil bateram à porta. Mas o Brasil estava flertando com o fascismo e o nazismo. Foi preciso que os Estados Unidos entrassem na guerra europeia para que o Brasil também tivesse que participar diretamente da guerra ao lado dos aliados dos Estados Unidos e da Inglaterra. Com o fim da segunda guerra mundial, nem o Brasil nem o mundo já não era a mesma coisa. O povo exigia participação.

O Brasil passou a abrir estradas para consolidar sua federação continental. Aos poucos foi urbanizando-se e se modernizando. O povo exigia mais agilidade e mais participação. Mas o mundo saiu da segunda guerra dividido entre os capitalistas e os comunistas. Ambos apelavam para governos ditatoriais, impedindo a liberdade de informação e de organização. Era a guerra fria, que na verdade, era muito quente. E a década de 60 varreu a pouca democracia que existia no Brasil. Veio a ditadura militar, dirigida por São Paulo, como forma de conter as Reformas Estruturais do governo Jango. As primaveras viraram inverno.

O mundo entrou num impasse. A guerra do Vietnã contaminou todos os países. Na década de 80, com o fim da guerra, a democracia voltou a brotar e os países voltaram a ter mais liberdade. Inclusive no Brasil.

A dúvida passou a ser:
O Brasil passaria a ter uma democracia de massa, para todos os brasileiros, ou a ter uma democracia de fachada, como sempre tivemos no Brasil?

Tudo parecia que se aceitaria a democracia universal,
de massa, participativa e que integrasse efetivamente todos os 27 Estados brasileiros. Tudo levava a crer que finalmente seríamos uma Nação reconhecida internacionalmente. Foram legalizados partidos de direita e de esquerda. Até os partidos comunistas foram legalizados. Porém, nem os partidos de esquerda acreditavam que um dia chegariam ao poder, ganhando prefeituras, governos estaduais e também a presidência da República. Os comunistas não conseguiram sozinhos, mas se aliaram ao maior lider popular que o Brasil já teve. Um brasileiro que era "a cara do povo brasileiro". O Brasil acabou elegendo Lula presidente. E aí tudo mudou!

Acontece que a esquerda ganhou quatro eleições presidenciais seguidas!!!

Como impedir tanta participação popular? Como a direita poderia retomar o poder, se não ganhava eleições presidenciais? A resposta foi a mesma de sempre. Derruba-se o governo com um Golpe de Estado. Usaram técnicas modernas, mas conseguiram dar um golpe sem a participação direta das Forças Armadas. Agora quem derruba os governos são os civis, liderados pelos parlamentares conservadores, o Judiciário, os empresários e, se precisar, os militares, aí incluindo as Polícias estaduais. Derrubaram a primeira mulher eleita presidente do Brasil.

Pela primeira vez na nossa história, a direita saiu do armário e se assumiu publicamente. Os jornais já não fingem que são neutros, agora se assumem como golpistas e de direita. O Judiciário virou partido conservador e o Parlamento assumiu-se como mercado de mercenários. Fizeram o Brasil voltar a antes de 1930. Voltamos a 1917.

E quando voltaremos a 1930?


Quando acabaremos com esta quadrilha que tomou conta do Brasil e está vendendo nossa Soberania Nacional?

Como a História não se repete,
não podemos ficar esperando por militares ou messiânicos, precisamos estimular o povo a se auto-organizar, precisamos criar novas estruturas de participação e de representação. Precisamos abrir caminho para um novo sistema democrático, uma Nova Constituinte para reformar a estrutura do Estado brasileiro.

O povo precisa dizer que não concorda com estes abusos e com este governo corrupto e entreguista.
O povo precisa voltar às ruas, o povo precisa tomar seu destino para si.
A palavra final deve ser do povo, e não de alguns juízes e promotores.

sábado, 11 de novembro de 2017

A enganação da reforma trabalhista

Hoje o Brasil volta à 100 anos de atraso

A direita brasileira, liderada pelo PSDB e pelo empresariado paulista,
deu o maior golpe da história do Brasil.


Com a nova legislação trabalhista, o Brasil faz o que o governo e os empresários fizeram com a "libertação dos escravos". Mandam a imprensa comemorar a "modernidade", quando na verdade o Brasil está andando para trás e dificultando a distribuição de renda, a qualificação da parcela mais pobre do país e mantendo o Brasil na subordinação aos países ricos.

O PSDB sempre disse que prefere ser "economia complementar aos Estados Unidos" a ser uma economia com liberdade de disputar o mercado internacional. É o complexo de vira-lata.

Esta reforma trabalhista é a maior enganação que o Brasil já viu!


Agora, os patrões podem tudo e os empregados NÃO podem nada!
Dizer que terão "livre negociação" é pura má fé, porque as relações são desiguais. Ninguém pode dizer que um desempregado procurando emprego tem a mesma força para barganhar ou negociar que tem um banco ou uma multinacional.

No mundo, principalmente após a segunda guerra mundial, os governos criaram mecanismos para diminuir o poder de manipulação das empresas sobre os empregados. O Brasil agora faz o contrário, usa um golpe de Estado e um Congresso Nacional corrompido para acabar com a legislação do trabalho e, aos poucos, acabar com a Justiça do Trabalho.

E a imprensa patronal é tão manipuladora que escreve que a "contribuição sindical", também conhecida como "imposto sindical", por ser na verdade um imposto, é a mesma coisa que a "contribuição negociada" que as centrais estão negociando com os parlamentares e com o governo.

Todo mundo sabe que imposto, como o nome diz, que algo obrigatório e independe da vontade do contribuinte.

A negociação salarial que está sendo negociada é algo aprovado pelos trabalhadores em assembleias, para cobrir as despesas das campanhas salariais e a garantia da aplicação correta das convenções coletivas salariais. Portanto, é uma contrapartida aprovada para remunerar um serviço prestado. Qualquer advogado cobra para defender seus clientes e a OAB fiscaliza e defende os interesses dos advogados.

Se, quando os advogados defendem causas dos trabalhadores, porque os sindicatos que defendem os trabalhadores individual e coletivamente, não podem ser remunerados pelos serviços prestados?

Na verdade, o que a imprensa esconde, é que, além de se fazer uma lei trabalhista que só protege os patrões e facilita a exploração salarial, barateando a mão de obra, o governo, o Congresso Nacional, e os empresários também deram mais um golpe nos trabalhadores e na democracia, ao acabar com o imposto sindical sem garantir alternativas de sustentação da estrutura sindical nacional.

Deixamos de ter empregoS, daqui prá frente teremos BICOS!

Voltamos à barbárie da República Velha.

Precisamos de uma Nova Revolução de 30.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Enquanto a economia trava, lucro dos bancos cresce

Juros abusivos dos bancos aumenta a crise

Manchete do jornal Valor de hoje "Lucro dos grandes bancos cresce 14,6%"

O resultado combinado do Banco do Brasil, ITAU Unibanco, BRADESCO e SANTANDER foi de 16,4 bilhões de reais, em relação ao mesmo período do ano passado. Este valor corresponde ao resultado de um trimestre!

Enquanto o Brasil afunda numa crise econômica, política e social, os bancos ganham dinheiro e ganham mercado, tornando-se um grande oligopólio - controle de mercado por apenas algumas empresas - e a população vai ficando refém de taxas de juros e cobranças de tarifas bancárias abusivas.

Vejam os resultados dos quatro bancos de capital aberto e que controlam mais de 2/3 do mercado financeiro brasileiro:

Lucro recorrente no terceiro trimestre em 2016 e 2017:

Santander: de 1,9, cresceu para 2,6 bilhões de reais;

Bradesco: de 4,5, cresceu para 4,8 bilhões de reais;

ITAU: de 5,6, cresceu para 6,3 bilhões de reais;

Bco. Brasil: de 2,3, cresceu para 2,7 bilhões de reais.


RENTABILIDADE:

Santander: de 13,1% para 17,1%;

Bradesco: de 17,6% para 18,1%;

ITAÚ: de 19,9% para 21,6%;

Bco. Brasil: de 12% para 12,8%.



Quais são as taxas de juros mensais cobrados pelos bancos,
a reportagem do jornal não mostra, mas,
com certeza, qualquer taxa de qualquer banco no Brasil
é maior do que qualquer taxa cobrada pelos bancos europeus.

Assim fica fácil as multinacionais pegarem dinheiro barato na Europa e comprarem as indústrias, as redes de lojas, supermercados e magazines brasileiros, além de comprarem nossa infraestrutura e o pré-sal a preço de bananas, como compraram o Banespa e tantas outras empresas.

Que tristeza!

E os empresários brasileiros que não são banqueiros ainda ficam calados...

Quais empresárias brasileiras não bancárias têm a rentabilidade e os lucros que os bancos têm?????????

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Aécio destitui Tasso Jereissati

Por que um grande empresário aceita esta humilhação?

Cresci ouvindo que os empresários não devem se candidatar a cargos eletivos no Brasil. Que política é coisa de profissionais liberais, funcionários de confiança e de movimentos sociais. Aprendi também que os empresários não devem ter partido, mas devem receber a todos e deixar claro que apoiam aqueles que trabalham pelo bem social e a melhora do país.

No entanto, com o fim da ditadura militar, os políticos históricos como Montoro, Miguel Arraes, Covas, Freitas Nobre e tantos outros foram perdendo espaço para empresários de agronegócios, empresários ligados às Federações das Indústrias e a tantas outras áreas econômicas.

Lembram de Antonio Ermírio de Moraes?

Quase morre de constrangimento com o baixo nível da campanha eleitoral para governador de São Paulo.

Hoje, ao ver a manchete d'O Globo:


"Aécio Neves destitui Tasso Jereissati da presidência do PSDB", imediatamente fiquei imaginando o quê leva um empresário tão rico e experiente como Tasso Jereissati aceitar ser tungado por um senador corrupto, chefe de jagunços, pego em fragrante pedindo dinheiro para empresários, político decadente com fama desabonadora em outras áreas sociais?

Tasso não merece isto.


O PSDB jamais deveria deixar acontecer isto com o senador Tasso Jereissati.


Quando o PSDB deixa acontecer este tipo de mediocridade, o partido iguala-se às demais quadrilhas partidárias existentes neste Congresso Nacional desmoralizado e desacreditado.

Se temos o pior presidente que o Brasil já teve, temos também o pior parlamento da nossa história. Corruptos, corrompidos e traidores de seu eleitorado, este é o Congresso Nacional. Uma quadrilha de hienas depredando o país e vendendo tudo aos estrangeiros, ante os olhos assustados do povo brasileiro e a omissão das Forças Armadas, do Judiciário e da imprensa nacional.

Não tive coragem de ler o artigo d'O Globo, só o titulo me bastou. Convivi com Montoro, com Covas e tantos outros políticos honestos, tive e tenho orgulho da convivência com eles, hoje, tenha vergonha dos políticos, como tenha vergonha do Judiciário e da imprensa. Sou um dos presentes à criação da Fundação Mario Covas, mesmo sendo fundador do PT e da CUT.

O Brasil está tão desacreditado que grandes empresários são presos e humilhados por burocratas e políticos decadentes e golpistas, me lembra os filmes americanos que mostram as quadrilhas saqueando as terras dos colonos no Velho Oeste americano.

Ao mesmo tempo que destroem as grandes empresas, destroem também o sindicalismo, os direitos dos trabalhadores e a possibilidade de fortalecerem suas organizações comunitárias.

Triste fim levaram o Brasil.

Grande, desacreditado, vendido e humilhado. Um povo sem autoestima e sem coragem de reagir.

Ainda bem que temos o Papa Francisco...

Vou pedir para ele conversar com Lula e com os empresários brasileiros...

É preciso botar o Brasil em primeiro lugar!

Antes que a violência se generalize...


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Ainda temos o futebol - Viva o Bahia

Bahia ganha fora e Vitória faz 2 gols em poucos minutos

O Palmeiras tomou dois gols do Vitória em menos de 15 minutos. Apavorado, começou a reagir e já fez um gol para diminuir a diferença. Pelo jeito virou mania o Palmeiras sair correndo atrás do placar...

Já o Bahia, foi até Santa Catarina e ganhou de 2 a 1 do Avaí. Este Carpegiani, técnico do Bahia é realmente muito bom e os jogadores encontraram o caminho da vitória. Parabéns a toda equipe do Bahia!

Já o Corinthians, o goleiro teve que pegar um pênalti e agora está resistindo bravamente. O empate só será bom se o Santos também empatar ou perder. O que não é provável.

Logo, o Corinthians precisa vencer. Só a vitória importa para quem quer ser campeão.

Só sei que, com este resultado, por enquanto o Bahia está na oitava colocação.

Vamos que vamos, Vitória. Se ganhar sem da zona de rebaixamento.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Compor com pessoas ou com programas?

No Brasil, programa eleitoral é pró-forma.

É preciso mudar esta prática.


Tanto os candidatos da direita como os candidatos da esquerda, apresentam programas eleitorais apenas por obrigação, não se sentem obrigados a segui-los e não são cobrados por isto. Isto reforça a imagem de um país de Macunaimas... Um país meio "sem caráter", onde vale tudo para vencer. Não foi por acaso que os deputados amplamente eleitos pela chapa Dilma e Temer, depois se uniram com a direita liderada pelo PSDB para dar um golpe do impeachment.

Como o país não honra palavra, quem apoiou o golpe agora está envergonhado, desempregado, em crise de identidade e de autoestima. E os que sofreram o golpe, sem fazer autocrítica, apenas gritam acusando os golpistas e dizendo que não querem relações ou coligações com os golpistas.

Este rancor parte à parte serve apenas aos extremos. O Brasil não tem tradição de extremismo. Há um clamor nacional pelo restabelecimento da ordem, da credibilidade e do respeito às instituições. Vivemos numa draga danada. Sem fé na democracia e sem fé nos políticos. Talvez fosse melhor fechar todos os legislativos e governar por decretos. Mas aí a corrupção seria maior, os governantes fariam a farra do boi...

Até agora, quem tem mais condições de pacificar o Brasil é o tal de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, quando Lula diz que "perdoa os golpistas", a imprensa de direita de que Lula está abandonando Dilma e os derrotados. Do outro lado, a imprensa de esquerda diz que Lula está abandonando seu eleitorado para voltar aos braços da direita. Lula governou para todos e todas. Mas a direita tem medo de revanchismo e a esquerda tem medo de novas traições. ^

Como sair deste impasse?


Da mesma forma que Moisés saiu do impasse com a "Tábua dos Dez Mandamentos", Lula deve ouvir o clamor do povo brasileiro, todos os segmentos sociais, incluindo os mais a direita e os mais a esquerda, e elaborar UM PROGRAMA DE GOVERNO, que sirva de carta compromisso de todos que quiserem apoiá-lo. Fazer um projeto de Brasil para todos. E ganhando as eleições, quem se elegeu apoiando este programa e não cumpri-lo, deve perder o mandato.

O programa deve ser mais importante do que o candidato.
Assim, combateremos o oportunismo de direita e de esquerda.

Jesus Cristo não nasceu para ser o filho de Deus apenas dos judeus,
ele nasceu judeu mas transformou-se em representante de todos os povos.

E Jesus convivia com os pobres e com os ricos, pregando suas palavras e suas ações. A palavra sem a prática é morta, não muda a realidade. Na democracia há espaço para todos. E o povo é a maioria e deve ser estimulado a votar com discernimento e com a responsabilidade de acompanhar o desempenho de seu candidato. Se houver traição do voto, o traidor deve ser punido com a perda do mandato.

Democracia se aprende praticando.


O Brasil só será uma grande Nação se o povo for senhor do seu destino e de sua vida política, econômica e social.

Lula sempre soube ouvir o povo.
Pode ter acertado errando quando manteve a reeleição de Dilma, assim o todos aprendemos que governar é saber ouvir a todos e todas. Governar é saber dizer sim e saber dizer não.

E, no Brasil, ninguém atualmente é melhor do que Lula para ouvir o povo, elaborar UM PROGRAMA DE GOVERNO e governar com o povo, para o povo e fazer deste país uma Democracia do Povo construindo UMA GRANDE NAÇÃO.

Rússia, China, Vietnã e Cuba: Experiências em busca do socialismo

Quatro experiências revolucionárias que marcaram o século XX

Hoje, no calendário ocidental, comemora-se 100 anos da Revolução Russa.

A primeira experiência revolucionária para se implantar o comunismo no mundo.
Valeu o esforço, mas o mundo está mais para o socialismo do que para o comunismo.

De certa forma, o século XX serviu para acabar com as monarquias absolutistas e para desenvolver sistemas representativos eleitos pelo povo, consolidando uma visão chamada de republicana por basear-se em três poderes: Executivo, legislativo e judiciário.

As democracias chamadas de liberais, nada mais são do que sistemas capitalistas onde o povo tem a última palavra eleitoral, desde que não ponha em risco a hegemonia capitalista e da elite local. Toda vez que esta hegemonia capitalista vinculada aos americanos correu risco, as forças armadas nacionais ou internacionais foram convocadas para "restabelecer a ordem". Portanto, a democracia continua sendo relativa. Ela é boa quando somos maioria e é ruim quando somos minoria.

A direita internacional, no Brasil representada pela Folha de São Paulo, comemora alegremente o fracasso da União Soviética. No entanto, durante um século, o mundo tremia só em pensar que o comunismo poderia ganhar a disputa. Estranhamente, o sistema soviético implodiu sem um tiro sequer. Fato raríssimo na História.

Vamos relembrar alguns fatos que abalaram o mundo no século XX:


1 - A Revolução Russa


Cheia de contradições desde o início, teve em Lênin seu principal líder e ideólogo. Um país atrasado em relação à Europa, derrotado nas guerras contra o Japão e na primeira guerra mundial, mantendo um sistema de servidão e contando com a implosão da monarquia.

Teria se transformado em uma democracia liberal se a revolução comunista não tivesse acontecido no meio da guerra mundial, onde a prioridade era derrotar os alemães. E os comunistas se aliaram aos alemães para derrotar a monarquia russa e também derrotar os liberais internos.

A direita internacional uniu-se para tentar impedir a consolidação do governo comunista, mas, depois de mais de dez milhões de mortes, a direita perdeu a guerra, abrindo espaço para que o "governo de guerra" continuasse como forma de consolidação do comunismo russo. A Rússia de Lênin, o ideólogo da experiência russa, foi substituída pela Rússia de Stalin, onde a força das armas falava mais do que a força daS ideias e do socialismo democrático.

DerrotadA dentro da Rússia, a direita internacional passou a flertar com o fascismo e o nazismo como forma de impedir o avanço comunista. A Igreja Católica bancou Mussolini na Itália, a Inglaterra e os Estados Unidos bancaram Franco na Espanha, e, aos poucos as democracias foram acabando e sendo substituídas por ditaduras simpáticas ao fascismo. Aí inclui o Brasil de Vargas e a Argentina de Peron.

Quando o mundo acordou, a Alemanha já tinha tomado a Polônia, a Tchescolováquia e partia para, mais uma vez, derrotar e ocupar a França... O mundo viu que o nazismo era mais ameaçador do que o comunismo. Depois de tomar praticamente toda Europa, Hitler ameaçava os Estados Unidos. Já estava indo longe demais.

O mundo precisava da ajuda da Rússia, mesmo sendo comunista. E Hitler facilitou tudo ao invadir a Rússia. Pior do que Napoleão, além de enfrentar o inverno, teve que enfrentar o Exército Vermelho comandado por Stalin, que não tinha medo de morrer... E os russos tiveram a primeira grande vitória contra as forças armadas nazistas. A partir daí, os russos conquistaram metade da Europa, incluindo Berlim. Com a derrota dos nazistas, o mundo mudou radicalmente.


2 - A China acordou com Mao Tsé Tung


Com a segunda guerra mundial, os japoneses se uniram aos nazistas e partiram para conquistar toda a Ásia. A China sentiu o poder bélico japonês e, mesmo com o apoio inglês, passou o maior vexame militar, sendo ocupada pelo Japão.

Os ingleses tentaram ajudar os chineses na resistência contra o Japão, mas tinham muitas frentes de batalhas, incluindo a África e mesmo a America do Sul. Os chineses tiveram que criar sua própria resistência aos japoneses. E apareceu Mao Tsé Tung com seu Exército Popular de Libertação. Aos poucos o mundo foi conhecendo esta nova experiência.

Depois de muitas batalhas contra os japoneses e depois contra os aliados internos dos ingleses, os comunistas chineses conquistaram o poder em 1949. O país mais populoso do mundo agora era comunista! E amigos do russos! Mas a China era vizinha dos russos e estes, que eram mais fortes, poderiam querer pegar parte do território chinês. E aí os chineses se aliaram aos americanos de Nixon e Kissinger para poder enfrentar a ameaça militar russa. Esta aliança mudou a história do século XX e levou a China a ser a principal economia do mundo atual.

A China já não tinha Mao. A China agora é capitalista social, com economia de mercado, monitorada pelo Estado e pelo Partido Comunista Chinês, sem ter sistema eleitoral igual ao ocidente. A direita internacional, como a Folha, finge que a China é democrática e vende suas empresas, suas terras para os chineses, além de comprar tudo que os chineses produzem, por ser mais barato. O modo de produção asiático está destruindo o capitalismo ocidental. Qual será a reação?


3 - O Vietnã tem orgulho de dizer que foi o ÚNICO país do mundo a DERROTAR OS AMERICANOS


Da mesma forma que os Estados Unidos tomaram as Filinas da Espanha, os americanos acharam que podiam ficar com o Vietnã depois da derrota francesa. Não esperavam que este povo miúdo e milenar fosse capaz de, ajudados pela China e Rússia, derrotar o maior exército do mundo. Os Estados Unidos nunca tinham perdido uma guerra. Desta vez perderam...

O Vietnã tinha Ho Chin Min, o poeta, e tinha o general Giap, que derrotou os franceses e também derrotou os americanos. Um grande fenômeno mundial.


4 - Cuba, a poucos quilômetros dos Estados Unidos, ousou querer ser comunista


A guerrilha comandada pelo advogado Fidel Castro derrotou a ditadura sanguinária de Batista, que tinha o apoio da máfia americana. O mundo pensava que a Revolução Cubana seria apenas para derrotar a ditadura de Batisa e implantar uma democracia liberal, mas Fidel resolveu que Cuba seria comunista e aí os Estados Unidos partiram para o tudo ou nada. Tentaram derrubar Fidel durante anos e não conseguiram. Até mataram seu presidente Kennedy por este ter prejudicado a invasão de Cuba.

O comunismo acabou e Cuba ficou num impasse. Não conta mais com o amplo apoiou da União Soviética, não consegue implantar um modelo chinês, como fez o Vietnã, e não consegue modernizar-se economicamente.

O maior modelo de luta armada da América Latina, que alimentou milhões de sonhos e de esperanças espera por algo novo que possa libertar-se do passado, mantendo suas virtudes na saúde, na educação, nos esportes e na dignidade.


O século XXI será do Socialismo Democrático.

Cem anos depois da Revolução Russa, o mundo não caminha para o comunismo. O mundo caminha caminha muito mais para a democracia com economia de mercado, controle social, fim do sistema exclusivo dos três poderes, fim do monopólio dos partidos políticos na representação e participação popular e o fim definitivo das anomalias chamadas monarquias. O lucro continuará existindo, mas as pessoas estarão em primeiro lugar. As empresas não podem ser mais importantes do que as Nações nem do que o Planeta.

O povo, aos poucos, vai achar o seu caminho, onde a Terra seja nossa Pátria e todas as pessoas tenham liberdade, dignidade e condições de vida. Temos um século pela frente. Teremos muitos choros e ranger de dentes, mas venceremos.

Que cada um faça sua parte, na construção do socialismo democrático.