terça-feira, 31 de outubro de 2017

Lula, Guimarães Rosa e Claudia Motta, uma bela história

O Brasil que o “mercado” não gosta, mas o povo gosta

O Brasil de Lula, Guimarães Rosa e Claudia Motta é o Brasil que o povo gosta. Acontece que os golpistas conservadores que derrubaram o governo Dilma não gostam de povo. Não gostam de aeroporto cheio, de restaurante cheio nem de pobre ter acesso às políticas públicas.
Lula levou alegria à Minas Gerais e ganhou muita energia positiva para suportar tanta provocação e mentiras dos golpistas da Lava Jato e da imprensa.

Leiam esta belíssima matéria de Claudia Motta, jornalista da Rede Brasil Atual e do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Cordisburgo (MG) – “Esse homem tem algum encantamento, por fascinar tanta gente durante tanto tempo.”

A frase é de João Henrique Ribeiro, o Zito, um dos boiadeiros, “o guieiro”, que acompanhou João Guimarães Rosa na viagem de 240 quilômetros que resultou no livro Grande Sertão Veredas. E ajuda a definir a relação de Luiz Inácio Lula da Silva com o povo.

O ex-presidente deixou Cordisburgo, a terra de Guimarães Rosa, na manhã da segunda-feira (30) rumo a Belo Horizonte. A etapa mineira da caravana Lula Pelo Brasil termina na capital, depois de percorrer em oito dias 1.500 quilômetros, passando por 20 municípios do norte do estado. O ato de encerramento será na Praça da Estação, no final da tarde.

Em agosto, a comitiva percorreu durante 22 dias nove estados do Nordeste, passando por 58 cidades. E aqui se repetiram os atos com milhares de pessoas em praças, ou paradas à beira da estrada. Jovens, velhos, trabalhadores do campo e da cidade, pequenos agricultores, indígenas, empresários estudantes, professores. Gente fascinada por muito tempo, apesar de Lula “apanhar desde que nasceu”, conforme ele mesmo disse em entrevista aos jornalistas durante o percurso a Belo Horizonte.

Também como no Nordeste, a caravana mineira ouviu a população e viu de perto as mudanças promovidas pelos 14 anos de governo petista, assim como os retrocessos pós golpe. O ex-presidente e sua comitiva – composta por lideranças do movimento sindical, secretários de estado, deputados, senadores, ex-ministros – esteve em grandes cidades, como Montes Claros, e outras menores, como Periquito.
E Lula mais ouviu do que falou. Mesmo quando estava no palco, “entrevistou” as pessoas que iam homenageá-lo, divertindo o público e ao mesmo tempo ilustrando com histórias do mundo real a transformação de milhões de vidas por intermédio dos programas de distribuição de riqueza, como agora prefere dizer.

Apesar do tempo mais curto, a caravana por Minas foi grande em diversidade. Na Coteminas, uma das maiores indústrias têxteis do país, o ex-presidente conversou com empresários da família Alencar, filhos de seu ex-vice, morto em 2011. A indústria já fechou filiais na Paraíba (RN) e nos Estados Unidos diante da crise no setor têxtil. Visitou um viveiro de mudas do Movimento Sem Terra, o Vale do Rio Doce, atingido pela tragédia da Samarco, e terras projetos de agricultura familiar responsável pelo abastecimento de grande parte de Montes Claros e região.

Em Diamantina, com reitores de 19 universidades e instituições federais mineiras, ouviu demandas e propostas para o setor que sofre com o congelamento os investimentos em educação e saúde – e recebeu um apelo a se comprometer em anular a emenda que engessa os recursos de educação, saúde e outras áreas sociais por 20 anos. O formato desse encontro repetia outros feitos anualmente durante a gestão do petista. E foi tratado com igual importância. Os reitores reuniram-se um dia antes para elaborar o balanço que foi apresentado a Lula, aos ex-ministros, deputados e senadores. “Só isso que aconteceu aqui já teria valido a caravana”, comentou o ex-presidente ao final da reunião.

Brasil que pode dar certo

Minas Gerais é o estado com maior número de universidades federais. “Chegar em Teófilo Otoni e ver aquela universidade (o campus local da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), uma suntuosidade para aquela região, dá muito orgulho, negócio de emocionar. É uma marca profunda na sociedade, um menino, uma menina que tiram um diploma”, disse Lula, no ônibus com jornalistas.
“Também fiquei muito feliz na visita àquela cooperativa de pequenos agricultores (Aspropen). Você percebe que o Brasil pode dar certo com pouca coisa. É isso que me anima, acreditar que o pobre não é o problema, mas a solução para o Brasil.”

E explicou essa lógica que martela em todos os seus discursos. “Quando coloca o pobre dentro da economia, o país dá um salto de qualidade. É isso que acredito. Quando eu era presidente, eu dizia para os meus economistas que faziam apologia da macroeconomia: a macroeconomia de vocês só dá certo porque tem uma microeconomia funcionando ali pra baixo. Um conjunto de políticas públicas. As pessoas não têm noção do significado do aumento do salário mínimo, do que vale uma aposentadoria numa cidade do interior. Meu otimismo em relação ao Brasil é que ele pode dar certo quando tiver gente que conheça o Brasil, que goste do Brasil, que queira fazer o país crescer.”

Por onde passou, Lula recebeu carinho e presentes. Nesta caravana ainda mais, já que completou 72 anos na sexta-feira (27). Teve Parabéns a Você cantado por milhares de pessoas em diferentes cidades, bolos, frutas, doces, serestas, cachaças.

Os organizadores tiveram dificuldade de tirá-lo fazenda Santa Rita. Uma procissão de lavradores seguiu Lula até a beira da estrada, enquanto ele escolhia as músicas para os violeiros tocarem. As caravanas fomentam um debate fundamental numa sociedade que padece, perplexa, diante de um governo que implementa um projeto que jamais seria eleito nas urnas, como enfatizou sempre Dilma Rousseff – favorita, segundo pesquisas, numa eventual disputa pelo Senado em por Minas.

“A decepção que eu tenho é ver que muita coisa está paralisando, diminuindo”, disse Lula. “Voltam a consagrar o empobrecimento. As pessoas tinham subido um degrauzinho e eles estão achando que tem que descer o degrau. E toda vez que o Estado faz corte, corte, corte, isso recai sobre o povo pobre, que é quem mais precisa do Estado. Isso foi o que mais me deixou preocupado.”

Um comentário:

  1. A memória popular dos governos petistas é a força motriz pra vitória de Lula em outubro de 2018.

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