quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Lázaro Brandão, o Bradesco e o Brasil

História viva da formação capitalista brasileira

O sr. Lázaro Brandão está deixando a administração direta do Bradesco. Conclui-se assim uma importante etapa da formação capitalista nacional.

Com mais de 70 anos dedicados ao Bradesco, entre eles sendo presidente do Sindicato dos Bancos nos Estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Sr. Lázaro Brandão conviveu com tudo que tem a ver com a vida econômica, política e social neste período todo que esteve no banco.

Conheci o Sr. Lázaro Brandão em 1979, quando fizemos uma das greves mais pitorescas da história do Brasil. Na greve de 1979, em apenas dois dias, a Polícia Militar gastou mais da metade do estoque de bombas de gás lacrimogêneo contra os grevistas e a população que apoiava a greve dos bancários.

Numa das negociações, no edifício Conde de Prates, na Líbero Badaró com o Viaduto do Chá, enquanto o pau cantava nas ruas, um representante dos bancos, ao ver da janela do prédio, uns jovens brincarem de descer a rua sentados nas cadeiras dos bancos e fazerem de conta que estavam telefonando, o banqueiro repetia: "Bárbaros! Bárbaros!"

Seu Lázaro,com a frieza de sempre, falava: "Precisamos negociar e achar uma solução".

1979 ainda era na época da ditadura militar, e os ditadores intervieram no sindicato, afastaram quatro diretores, entre eles Luiz Gushiken.

A greve terminou com acordo salarial e com o início de um longo relacionamento dos bancários do Brasil com o sr. Lázaro Brandão.

O Bradesco foi o primeiro banco de varejo do Brasil, atendia os comerciantes, os pequenos empresários e a população em geral. Foi durante décadas o maior e mais importante banco do Brasil. Só perdeu a liderança quando o Itaú comprou o Unibanco. Esta é outra longa e importante história.

O Sr. Lázaro Brandão merece ter sua história escrita e documentada para que no futuro os jovens possam aprender o que foi a formação do sistema financeiro brasileiro e o papel que o Bradesco e seus profissionais tiveram neste processo histórico.

Mesmo não tendo mais a responsabilidade que tinha como presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ainda mantive contato com o Sr. Lázaro Brandão e seus diretores. Tenho 45 anos de bancário, bem menos que os mais de 70 anos de bancário do Sr. Lázaro Brandão. Mas tenho certeza que nossa convivência foi muito positiva para a redemocratização do Brasil e na construção de uma sociedade mais justa e respeitosa.

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