quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Clovis Rossi confirma: O mundo vai para a Direita

O Brasil já está na Direita

A diferença é que, na Europa, a Direita disputa eleições democraticamente, enquanto que, no Brasil, a Direita dá golpe de Estado, por não ganhar eleições. Na Argentina, pela primeira vez, a Direita ganhou uma eleição nacional. Outra diferença é que na Europa a imprensa não apoia golpes de Estado, enquanto que, no Brasil, até a Folha é golpista e apóia ditaduras. Uma pena!

Vejam este bom artigo de Clovis Rossi na Folha de hoje:

Política mundial fica mais emparedada
entre direita e extrema direita


26/10/2017 – Folha – Clovis Rossi

O mais inquietante sinal de que o mundo político adernou à direita é o início de conversações na Áustria entre Sebastian Kurz, líder do ÖVP (o conservador Partido Popular), vencedor das recentes eleições, e o FPÖ (Partido da Liberdade), de extrema direita, xenófobo e islamofóbico (era também antissemita, mas abrandou pelo menos essa faceta horrível). A Áustria ensaia, portanto, uma coligação apenas entre direita e extrema direita.

Há 17 anos, o FPÖ já havia entrado em uma coligação governista, e a Europa reagiu impondo uma quarentena à Áustria. Agora, silêncio. Silêncio compreensível, embora não justificável, pelo menos do meu ponto de vista: em muitos lugares, o palco eleitoral tem sido açambarcado pela direita e pela extrema direita.

Exemplo igualmente recente:

na eleição de sexta-feira (20) na República Tcheca, ganhou o bilionário Andrej Babis , apelidado de "Trump tcheco", o que mostra quão à direita está. A outra sensação do pleito foi o Partido Liberdade e Democracia Direta, de extrema direita, que ficou com 22 das 200 cadeiras do Parlamento e teve seu melhor resultado desde sempre.

Fora da Europa, nos EUA, o candidato do presidente Donald Trump às primárias do Partido Republicano para a eleição senatorial do Alabama perdeu. Mas perdeu para um candidato ainda mais radicalmente à direita, Roy Moore, que acha a homossexualidade ilegal e propõe banir muçulmanos do Congresso, entre outras barbaridades.

Ou seja, a disputa ficou limitada ao extremismo, consequência inevitável da forte guinada para a direita do Partido Republicano desde o surgimento do Tea Party.

Tudo somado, tem-se que, em todas as cinco eleições do ano nos países europeus mais relevantes, a extrema direita avançou. O lado positivo é que, mesmo avançando, não consegue chegar ao poder. Sua votação ficou em pouco mais de 10% na República Tcheca (10,6%), na Alemanha (12,6%) e na Holanda (13%). Vai a 26% na Áustria e chega aos 33% na França (segundo turno das presidenciais, depois de ter feito 21% no primeiro).

Mas, se não chega ao poder, acaba condicionando a agenda da direita civilizada, que se sente compelida a incorporar temas caros aos radicais para atrair eleitores.

O espelho da ascensão da direita é o encolhimento da esquerda.


O Partido Socialista francês quase sumiu nas urnas; a social-democracia alemã teve seu pior resultado ; a social-democracia austríaca, que governava em coalizão com os conservadores do ÖVP, perdeu para o seu sócio de governo.

Um microexemplo do encolhimento da esquerda:

Avi Gabbay, novo líder do Partido Trabalhista israelense, pretende mudar o nome do partido. O "Labor" conduziu a consolidação do Estado de Israel nas suas primeiras duas décadas, com nomes do calibre de Levi Eshkol, Golda Meir, Yitzhak Rabin e Shimon Peres. Agora, não consegue derrotar a direita e a extrema direita, coligadas no governo.

Pode-se gostar ou não da direita ou da esquerda,
mas é inegável que o emagrecimento de uma ou da outra
empobrece demais o debate público –
e, por extensão, as políticas adotadas.

Vide o caso do Brasil.

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