terça-feira, 31 de outubro de 2017

Lula, Guimarães Rosa e Claudia Motta, uma bela história

O Brasil que o “mercado” não gosta, mas o povo gosta

O Brasil de Lula, Guimarães Rosa e Claudia Motta é o Brasil que o povo gosta. Acontece que os golpistas conservadores que derrubaram o governo Dilma não gostam de povo. Não gostam de aeroporto cheio, de restaurante cheio nem de pobre ter acesso às políticas públicas.
Lula levou alegria à Minas Gerais e ganhou muita energia positiva para suportar tanta provocação e mentiras dos golpistas da Lava Jato e da imprensa.

Leiam esta belíssima matéria de Claudia Motta, jornalista da Rede Brasil Atual e do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Cordisburgo (MG) – “Esse homem tem algum encantamento, por fascinar tanta gente durante tanto tempo.”

A frase é de João Henrique Ribeiro, o Zito, um dos boiadeiros, “o guieiro”, que acompanhou João Guimarães Rosa na viagem de 240 quilômetros que resultou no livro Grande Sertão Veredas. E ajuda a definir a relação de Luiz Inácio Lula da Silva com o povo.

O ex-presidente deixou Cordisburgo, a terra de Guimarães Rosa, na manhã da segunda-feira (30) rumo a Belo Horizonte. A etapa mineira da caravana Lula Pelo Brasil termina na capital, depois de percorrer em oito dias 1.500 quilômetros, passando por 20 municípios do norte do estado. O ato de encerramento será na Praça da Estação, no final da tarde.

Em agosto, a comitiva percorreu durante 22 dias nove estados do Nordeste, passando por 58 cidades. E aqui se repetiram os atos com milhares de pessoas em praças, ou paradas à beira da estrada. Jovens, velhos, trabalhadores do campo e da cidade, pequenos agricultores, indígenas, empresários estudantes, professores. Gente fascinada por muito tempo, apesar de Lula “apanhar desde que nasceu”, conforme ele mesmo disse em entrevista aos jornalistas durante o percurso a Belo Horizonte.

Também como no Nordeste, a caravana mineira ouviu a população e viu de perto as mudanças promovidas pelos 14 anos de governo petista, assim como os retrocessos pós golpe. O ex-presidente e sua comitiva – composta por lideranças do movimento sindical, secretários de estado, deputados, senadores, ex-ministros – esteve em grandes cidades, como Montes Claros, e outras menores, como Periquito.
E Lula mais ouviu do que falou. Mesmo quando estava no palco, “entrevistou” as pessoas que iam homenageá-lo, divertindo o público e ao mesmo tempo ilustrando com histórias do mundo real a transformação de milhões de vidas por intermédio dos programas de distribuição de riqueza, como agora prefere dizer.

Apesar do tempo mais curto, a caravana por Minas foi grande em diversidade. Na Coteminas, uma das maiores indústrias têxteis do país, o ex-presidente conversou com empresários da família Alencar, filhos de seu ex-vice, morto em 2011. A indústria já fechou filiais na Paraíba (RN) e nos Estados Unidos diante da crise no setor têxtil. Visitou um viveiro de mudas do Movimento Sem Terra, o Vale do Rio Doce, atingido pela tragédia da Samarco, e terras projetos de agricultura familiar responsável pelo abastecimento de grande parte de Montes Claros e região.

Em Diamantina, com reitores de 19 universidades e instituições federais mineiras, ouviu demandas e propostas para o setor que sofre com o congelamento os investimentos em educação e saúde – e recebeu um apelo a se comprometer em anular a emenda que engessa os recursos de educação, saúde e outras áreas sociais por 20 anos. O formato desse encontro repetia outros feitos anualmente durante a gestão do petista. E foi tratado com igual importância. Os reitores reuniram-se um dia antes para elaborar o balanço que foi apresentado a Lula, aos ex-ministros, deputados e senadores. “Só isso que aconteceu aqui já teria valido a caravana”, comentou o ex-presidente ao final da reunião.

Brasil que pode dar certo

Minas Gerais é o estado com maior número de universidades federais. “Chegar em Teófilo Otoni e ver aquela universidade (o campus local da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), uma suntuosidade para aquela região, dá muito orgulho, negócio de emocionar. É uma marca profunda na sociedade, um menino, uma menina que tiram um diploma”, disse Lula, no ônibus com jornalistas.
“Também fiquei muito feliz na visita àquela cooperativa de pequenos agricultores (Aspropen). Você percebe que o Brasil pode dar certo com pouca coisa. É isso que me anima, acreditar que o pobre não é o problema, mas a solução para o Brasil.”

E explicou essa lógica que martela em todos os seus discursos. “Quando coloca o pobre dentro da economia, o país dá um salto de qualidade. É isso que acredito. Quando eu era presidente, eu dizia para os meus economistas que faziam apologia da macroeconomia: a macroeconomia de vocês só dá certo porque tem uma microeconomia funcionando ali pra baixo. Um conjunto de políticas públicas. As pessoas não têm noção do significado do aumento do salário mínimo, do que vale uma aposentadoria numa cidade do interior. Meu otimismo em relação ao Brasil é que ele pode dar certo quando tiver gente que conheça o Brasil, que goste do Brasil, que queira fazer o país crescer.”

Por onde passou, Lula recebeu carinho e presentes. Nesta caravana ainda mais, já que completou 72 anos na sexta-feira (27). Teve Parabéns a Você cantado por milhares de pessoas em diferentes cidades, bolos, frutas, doces, serestas, cachaças.

Os organizadores tiveram dificuldade de tirá-lo fazenda Santa Rita. Uma procissão de lavradores seguiu Lula até a beira da estrada, enquanto ele escolhia as músicas para os violeiros tocarem. As caravanas fomentam um debate fundamental numa sociedade que padece, perplexa, diante de um governo que implementa um projeto que jamais seria eleito nas urnas, como enfatizou sempre Dilma Rousseff – favorita, segundo pesquisas, numa eventual disputa pelo Senado em por Minas.

“A decepção que eu tenho é ver que muita coisa está paralisando, diminuindo”, disse Lula. “Voltam a consagrar o empobrecimento. As pessoas tinham subido um degrauzinho e eles estão achando que tem que descer o degrau. E toda vez que o Estado faz corte, corte, corte, isso recai sobre o povo pobre, que é quem mais precisa do Estado. Isso foi o que mais me deixou preocupado.”

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O mundo está ficando neoliberal?

Visita da CGT da França

Ontem fomos assistir a um filme sobre Godard e o maio de 68 na França. Muito engraçado e saudosista... The dream is over.

Hoje recebemos a visita de uma delegação de dirigentes da CGT francesa, liderada pelo seu secretário-geral, equivalente ao nosso presidente.

Apesar de ser na França, lá a doença do neoliberalismo chegou forte com o novo presidente, Mácron. Estão flexibilizando e destruindo os direitos históricos dos trabalhadores. Tudo isso em nome da concorrência com a China e a Ásia. É o efeito do modo de produção asiático que já falava Marx.

Esta doença começou com Tatcher e Reagan, foi ampliada por Clinton e agora virou epidemia mundial.

Como combatê-la?

Só as democracias não estão dando conta, é preciso recuperar os modelos keynesianos de bem estar social. O problema é que os governos sociais democratas já não tem respostas para as demandas modernas.

Na forma como estão estruturados os três poderes e o sistema eleitoral já não respondem às necessidades do povo.

É preciso desenvolver um novo sistema.

Qual pode ser a contribuição do Brasil neste novo modelo?

Precisar pensar neste assunto...

domingo, 29 de outubro de 2017

Ainda Gilmar Mendes e o STF

Constrangimento é pouco...

Quem constrange mais?

Temer, o Congresso Nacional ou o Judiciário?

Vejam mais este bom artigo de Bernardo Mello Franco, na Folha de hoje.

Supremo Constrangimento


Bernardo Mello Franco, Folha, 29/10/2017

O barraco que parou o Supremo Tribunal Federal
na quinta-feira não foi um incidente isolado.

O ministro Luís Roberto Barroso apenas expôs em público o que outros juízes da corte já diziam em privado.

O incômodo com as práticas de Gilmar Mendes chegou ao limite.


O copo transbordou quando Gilmar abandonou o tema em julgamento para ironizar uma decisão de Barroso em outro processo. Deu-se o seguinte bate-boca: "Não sei para que hoje o Rio de Janeiro é modelo". "Vossa Excelência deve achar que é Mato Grosso, onde está todo mundo preso". "E no Rio, não estão?". "Nós prendemos. Tem gente que solta".

Irritado com a lembrança, Gilmar acusou o colega de ter soltado o ex-ministro José Dirceu, que ele próprio libertou há seis meses. Barroso perdeu a paciência e reagiu. Sem quebrar o protocolo, chamou Gilmar de mentiroso ("Vossa excelência normalmente não trabalha com a verdade"), parcial ("Vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu") e defensor de corruptos ("Não transfira a parceria que vossa excelência tem com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco").

Barroso também disse que o colega "destila ódio o tempo inteiro" e sugeriu que ele ouvisse "As caravanas", de Chico Buarque. A letra é um tratado sobre as relações políticas e pessoais no Brasil de 2017.

Na semana que precedeu o bate-boca, Gilmar voltou a causar constrangimentos para a imagem do Supremo. Ao defender a portaria escravagista do governo Temer, o ministro declarou que seu trabalho é"exaustivo, mas não escravo". Ele despacha em gabinete refrigerado, circula em carro oficial com motorista e recebe R$ 33,7 mil por mês.

No dia seguinte, a PF informou que Gilmar trocou 46 ligações criptografadas com o senador Aécio Neves, denunciado por corrupção passiva e obstrução da Justiça. Barroso deve ter pensado nisso ao criticar o "Estado de compadrio" e dizer que "juiz não pode ter correligionário".

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Bate-boca no STF desmoraliza o Estado brasileiro

Morte do Coronel no Rio desmoraliza a segurança

Os políticos
desmoralizam a política.

Os executivos
são acusados de corruptos e ineptos.

Os juízes do STF
betem boca publicamente e se acusam de indecências.

Duzentos milhões de brasileiros desprotegidos e expostos ao ridículo.


Estamos caminhando para a barbárie.
Vamos virar um México?

Sem judiciário, sem segurança, sem governantes, sem políticos,
sem poder contar com os poderes constituídos, o quê nos resta?

Organizar milícias? Compor-se com as quadrilhas do narcotráfico?
Mudar do Brasil?

Ou, lutar pelo Brasil?


O juiz Luís Roberto Barroso
tem sido uma das poucas esperanças de seriedade para o Brasil.

Ontem, mais uma vez, o juiz Barroso deu uma demonstração de grandeza ao ter coragem de enfrentar o maior falastrão do judiciário nacional e também um dos principais chefes do PSDB. enfrentar o juiz Gilmar Mendes não é para qualquer um. a própria presidente do STF sempre recua ante as ameaças de Gilmar Mendes.

O bate-boca durou cerca de 30 minutos
até ser interrompido pela presidente do STF, Cármen Lúcia, que encerrou a sessão.

Não foi a primeira vez que Gilmar Mendes protagonizou cena de discussão ríspida com colegas em plenário. Para o ministro Barroso, Gilmar Mendes "não trabalha com a verdade". Disse também que Gilmar Mendes fica destilando ódio o tempo inteiro. Não julga, não fala coisas racionais, articuladas, sempre fala coisa contra alguém, sempre está com ódio de alguém. Use um argumento, disse Barroso em relação a Gilmar Mendes.

Enfim, alguém com coragem de por limite às provocações e às manipulações.


Nunca é tarde para começar uma nova vida...

Todo apoio ao ministro do STF, Luís Roberto Barroso!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Clovis Rossi confirma: O mundo vai para a Direita

O Brasil já está na Direita

A diferença é que, na Europa, a Direita disputa eleições democraticamente, enquanto que, no Brasil, a Direita dá golpe de Estado, por não ganhar eleições. Na Argentina, pela primeira vez, a Direita ganhou uma eleição nacional. Outra diferença é que na Europa a imprensa não apoia golpes de Estado, enquanto que, no Brasil, até a Folha é golpista e apóia ditaduras. Uma pena!

Vejam este bom artigo de Clovis Rossi na Folha de hoje:

Política mundial fica mais emparedada
entre direita e extrema direita


26/10/2017 – Folha – Clovis Rossi

O mais inquietante sinal de que o mundo político adernou à direita é o início de conversações na Áustria entre Sebastian Kurz, líder do ÖVP (o conservador Partido Popular), vencedor das recentes eleições, e o FPÖ (Partido da Liberdade), de extrema direita, xenófobo e islamofóbico (era também antissemita, mas abrandou pelo menos essa faceta horrível). A Áustria ensaia, portanto, uma coligação apenas entre direita e extrema direita.

Há 17 anos, o FPÖ já havia entrado em uma coligação governista, e a Europa reagiu impondo uma quarentena à Áustria. Agora, silêncio. Silêncio compreensível, embora não justificável, pelo menos do meu ponto de vista: em muitos lugares, o palco eleitoral tem sido açambarcado pela direita e pela extrema direita.

Exemplo igualmente recente:

na eleição de sexta-feira (20) na República Tcheca, ganhou o bilionário Andrej Babis , apelidado de "Trump tcheco", o que mostra quão à direita está. A outra sensação do pleito foi o Partido Liberdade e Democracia Direta, de extrema direita, que ficou com 22 das 200 cadeiras do Parlamento e teve seu melhor resultado desde sempre.

Fora da Europa, nos EUA, o candidato do presidente Donald Trump às primárias do Partido Republicano para a eleição senatorial do Alabama perdeu. Mas perdeu para um candidato ainda mais radicalmente à direita, Roy Moore, que acha a homossexualidade ilegal e propõe banir muçulmanos do Congresso, entre outras barbaridades.

Ou seja, a disputa ficou limitada ao extremismo, consequência inevitável da forte guinada para a direita do Partido Republicano desde o surgimento do Tea Party.

Tudo somado, tem-se que, em todas as cinco eleições do ano nos países europeus mais relevantes, a extrema direita avançou. O lado positivo é que, mesmo avançando, não consegue chegar ao poder. Sua votação ficou em pouco mais de 10% na República Tcheca (10,6%), na Alemanha (12,6%) e na Holanda (13%). Vai a 26% na Áustria e chega aos 33% na França (segundo turno das presidenciais, depois de ter feito 21% no primeiro).

Mas, se não chega ao poder, acaba condicionando a agenda da direita civilizada, que se sente compelida a incorporar temas caros aos radicais para atrair eleitores.

O espelho da ascensão da direita é o encolhimento da esquerda.


O Partido Socialista francês quase sumiu nas urnas; a social-democracia alemã teve seu pior resultado ; a social-democracia austríaca, que governava em coalizão com os conservadores do ÖVP, perdeu para o seu sócio de governo.

Um microexemplo do encolhimento da esquerda:

Avi Gabbay, novo líder do Partido Trabalhista israelense, pretende mudar o nome do partido. O "Labor" conduziu a consolidação do Estado de Israel nas suas primeiras duas décadas, com nomes do calibre de Levi Eshkol, Golda Meir, Yitzhak Rabin e Shimon Peres. Agora, não consegue derrotar a direita e a extrema direita, coligadas no governo.

Pode-se gostar ou não da direita ou da esquerda,
mas é inegável que o emagrecimento de uma ou da outra
empobrece demais o debate público –
e, por extensão, as políticas adotadas.

Vide o caso do Brasil.

Vergonha e decepção com Temer e seus aliados

Os conservadores aceitaram a mentira e a violência contra Dilma

Descobriram que Temer e seus aliados são piores


Maria Cristina Fernandes é uma das melhores jornalistas do jornal Valor.
Hoje ela apresenta bom artigo sobre os ruralistas e o governo Temer.

O artigo tem como título “República Velha”.
O mais interessante do artigo está no final...

“A disputa política em torno da mudança de governo em 2016 levou esperanças a setores expressivos da sociedade.

Hoje parece não haver dúvidas de que o Brasil caiu no colo do atraso.


Depois de desmontar a fiscalização do trabalho escravo, o país parte para desidratar o que resiste de normatização para o uso de agrotóxicos. Pouca saúde, muita saúva, os males do Brasil são, dizia um paulista que teve seus anos de formação na República Velha revisitada nos desequilíbrios provocados pela aliança governista.

Como os defensivos são insumo da agricultura, a renúncia fiscal se enquadra no discurso de que a taxação do setor oneraria tanto a cesta básica quanto as exportações. Novaes indaga quem paga tanto a infraestrutura que viabiliza o escoamento dessa produção quanto os problemas de saúde derivados da expansão do seu mercado no país.

A resposta ao defensor é o que aproxima o Brasil de hoje àquele do regime iniciado com o fim da monarquia. A diferença é que, para tomar de empréstimo a expressão consagrada por Aristides Lobo, deputado alagoano do Império, os brasileiros, desta vez, não assistiram ao espetáculo bestializados.

Suas manifestações, a partir de 2013, acabaram por se transformar no ato inaugural de um governo que já nasceu velho. “

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

PSDB e STF acobertam Temer

Sem o PSDB e o Judiciário este governo acabaria

Ter um governo golpista e corrupto até seria compreensível se eles fossem apenas do Centrão e do PMDB. No entanto, quando vemos que este governo corrupto só existe porque tem o apoio do PSDB e do Judiciário mata os brasileiros de vergonha.

Vergonha, Vergonha e Vergonha.

O Brasil está envergonhado deste governo e deste Congresso Nacional.

E depois a imprensa fica promovendo seminários falando em moralidade, honestidade e ética. Quem apoia este governo não tem autoridade para falar em moralidade, honestidade e ética.

Quem apoia corrupto, também é corrupto.


Quem apoia ladrão, também é ladrão.

Quando chegarem as eleições, o povo vai dizer não a estes bandidos.

O povo já foi enganado e deu o troco.

O povo não perdoa quem lhe trai.

Falaram tanto em honestidade e agora só vemos corrupção por toda parte.


É preciso mudar esta história,
É preciso libertar o Brasil da corrupção.

O PSDB está tão desmoralizado, quanto o PMDB.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Argentina: A Direita comemora

Após triunfo, Macri propõe pacote de ajuste econômico neoliberal

Taos Turner, do Dow Jones Newswires, publicado no jornal Valor de 24/10/2017, realça que o presidente argentino, Macri, animado pela vitória obtida pela sua coligação nas eleições no domingo, prometeu levar adiante cortes de impostos e medidas de AUSTERIDADE destinadas a reformular a economia argentina.,

A coalizão governista conquistou 21 assentos na Câmara dos Deputados e 9 cadeiras no Senado, VENCENDO nas CINCO PROVÍNCIAS mais populosas da Argentina - a primeira vez que isto acontece desde 1985.

O principal candidato de Macri ao Senado na Província de Buenos Aires, Esteban Bullrich, venceu Cristina por quase 41% a 37%, enfraquecendo potencialmente as esperanças da ex-presidente de retomar o comando do movimento peronista.

Embora a derrota de Cristina represente um impulso para Macri,
ela também eleva a ameaça de uma volta do peronismo,
de esquerda e populista, abraçado por ela.

Autoridades do governo estão cientes do CARATER IMPOPULAR de algumas de suas políticas.


A coligação governista, Mudemos, seguirá tendo de fazer alianças para aprovar leis.

É a primeira vez em 30 anos que Cristina perde uma eleição. Na província que foi historicamente praça forte do peronismo, perde para a direita, o conglomerado Mudemos do presidente Macri.

A direita na Argentina jamais teve chances eleitorais,

tanto que precisou de tanques para chegar ao poder,
pois as urnas nunca lhe sorriram.

A Argentina entrou na onda global em que a direita avança eleitoralmente em todos os países.

Seria um tremenda revolução
, virar para o LIBERALISMO (neoliberalismo),

que Macri encarna melhor que Temer (no Brasil), seria uma mudança de ciclo histórica.

Comemora, sem esconder a alegria, o jornalista Clovis Rossi,
colunista da Folha, este sim, um jornal cada vez mais neoliberal...

Na década de 1930,
os governos da Europa e de muitos países do mundo também namoraram o nazismo e os fascismo, levando o mundo para a maior guerra da sua história.

Mais uma vez, ante a fragilidade da esquerda e das organizações dos trabalhadores, a direita cresce e comemora o fato de o povo, com medo do desemprego e da recessão, votar em candidatos conservadores, neoliberais que fazem leis contra o próprio povo.

O povo alemão votou em Hitler,
como também o povo italiano votou em Mussolini.
Ambos saíram do poder mortos e derrotados em batalhas sangrentas.

Devemos aprender com a História...

Argentina: A Esquerda lamenta

O mundo neoliberal chegou à Argentina. Lembra Menen

387.114 votos. Diferencia exigua en la provincia de Bs As, con que logra ganar la Alianza oligárquica,mediática, mafiosa y cipaya que se referencia en Macri, Carrio, Vidal.

De las PASO a estas elecciones, Unidad Ciudadana aumento un 3 % su caudal de votos, llegando a 37;25 % .

Era el objetivo que teníamos para lograr ganar la provincia y que Taiana sea Senador Nacional.

Que ocurrió entonces para que ganara la derecha extremista y xenófoba las elecciones?.

El traslado de un 4 o 5 % de votos de Massa, el peronismo liberal que co-gobierna en Jujuy , en el Congreso y Bs As, le permitio alcanzar el 41,38 % final.

Nos asombra que una parte de la sociedad acompañe a sus propios verdugos?.

Es evidente que el soporte social al gobierno de empresarios de Macri es tangible, es real.
Ello implica un fracaso , una derrota del proyecto nacional, popular , democratico y latinoamericanista que se referencia en Cristina?.

Cristina Kirchner, como la expresión mas clara del proyecto emancipador sera un parte aguas de la política nacional.

De un lado estarán aquellos que cuestionan su liderazgo y traen bajo el poncho el modelo neoliberal y por el otro los convencidos de que es preciso fortalecer una fuerza social organizada , UNIDAD CIUDADANA, como herramienta política y electoral fundamental de unidad popular , con voluntad y vocacion de poder, que exprese los intereses históricos del movimiento de trabajadores, de los mov. sociales y campo popular, es decir del movimiento nacional.

No esta derrotado el proyecto de liberación . Sufrimos una derrota electoral que es superable con unidad política y disputa de poder. Se necesita construir una nueva correlación de fuerzas , capaz de derrotar al proyecto de la anti Patria.

Habra quienes intenten diluir el proyecto nacional y popular montándose sobre el resultado de estas elecciones. Sera necesario tener firmes convicciones y trabajar para fortalecer el bloque político popular que enfrente decididamente las políticas neoliberales.

Este bloque político debera enfrentar los intentos de flexibilizar el empleo, los tarifazos y las restricciones a la democracia que encarna la Alianza Cambiemos. Mi sobrina , sin militancia alguna, escribió en su facebook: " La vaca votando su matarife". Con bronca reacciona.

Los militantes políticos debemos pensar y actuar con responsabilidad y lograr que la bronca de los pibes ,y no tan pibes ,se transforme en activismo y militancia.

"La organización, vence al tiempo!.",

Pascual Manganiello

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Corinthians passa a viver sufoco

Como o Corinthians gosta

Estava muito fácil.
Aí resolveram fazer corpo mole com times pequenos.
Agora vai ter que jogar bola para ganhar.

Enfim, este é o eterno Corinthians.
Gosta de sofrer.
Que venha o Palmeiras.

Quem ganhar, será campeão.

domingo, 22 de outubro de 2017

Acorda, Corinthians

Jogo decisivo nesta segunda feira

Corinthians precisa ganhar do Botafogo no Rio de Janeiro.

O Palmeiras ganhou bem do Grêmio lá em Porto Alegre.

Se o Corinthians perder, o bicho vai pegar.


Até o São Paulo jogou bolo debaixo de chuva. Ganhou bem e vai fugindo do rebaixamento.

Já o Vitória da Bahia, perdeu para o Bahia e se complicou todo. Não estou gostando. Ânimo Vitória!

Outro time importante que precisa melhorar é o Sport de Recife.

Vamos, que vamos, que a lei não protege os que dorme. Já dizia o grande advogado Dr. Douglas,.

sábado, 21 de outubro de 2017

Brasil sob uma Nova Ditadura

50 anos depois da Nova MPB

Hoje a NOVA MPB - Música Popular Brasileira completa 50 anos. Nada de novo na música apareceu depois disto. Os nossos ídolos ainda são os mesmos: Chico, Caetano, Edu e Gil...

Já na política, o que apareceu de NOVO foi que a elite conservadora brasileira não resistiu à democracia com a esquerda governando o Brasil, e, novamente com amplo apoio da imprensa, deram mais um golpe no país.

Antes, em função da guerra fria, foi um golpe militar, como tinha sido antes quando exigiram a renúncia de Getúlio Vargas. A partir da industrialização nacional hegemonizada por São Paulo, o poder migrou do Rio de Janeiro para este novo poder financeiro e industrial. E a elite paulista não gosta de dividir o poder...

Curiosamente, na Folha Ilustrada de hoje há três boas matérias. Duas sobre os 50 anos do 3o. Festival de Música Popular Brasileira, sendo uma assinada pelo querido Zuza Homem de Mello, nosso arquivo vivo sobre música brasileira e Jazz.

A terceira matéria do Caderno Ilustrada é uma boa entrevista com Milton Hatoum, lançando um trilogia pela Editora Companhia das Letras.

Nesta entrevista de Milton Hatoun há três afirmações polêmicas:


1 - Nosso Congresso é o mais desmoralizado de toda História da República.

2 - A violência permanece na sociedade brasileira.

3 - Não acho que vivemos sob uma ditadura.

Se voltarmos à página sobre o Festival de MPB de 1967, no bom artigo de Luiz Fernando Vianna, podemos ler:

"Em 67, o regime militar contava três anos de existência, mas ainda havia frestas de liberdade. Os caminhos foram se fechando em 68, e, em dezembro, com o AI-5, a ditadura se instalou sem disfarces."

A ditadura militar começou em 1964, fechando tudo que era espaço de liberdade e de resistência ao golpe. Ao perceber que não conseguiria consolidar-se pacificamente, partir para a repressão total com o AI-5.

O novo golpe no Brasil, realizado a partir de 2014 e efetivado em 2015, mais do que uma ditadura militar, que serviram de prepostos, a nova ditadura brasileira é CIVIL, sendo preposta apenas dos Estados Unidos, e não tem encontrado a resistência que se esperava. Por um lado a operação Lava Jato diminuiu o apoio ao PT, mas, por outro lado, o governo golpista é tão corrupto que contaminou até o PSDB, chefe ideológico do golpe materializado pelo PMDB.

Já vivemos sob uma ditadura. Talvez por ter o apoio maciço da imprensa e do judiciário, os novos ditadores ainda não tenham partido para a violência explícita como fechar sindicatos, partidos de esquerda e imprensa oposicionista.

Os novos ditadores estão construindo o "Pacote de Abril", chamado de reforma eleitoral aliada com o judiciário, para impedir que Lula seja candidato. A direita paulista não esquece que Vargas voltou ao governo em 1951 com amplo apoio popular. Precisou matá-lo para os paulistas voltar a governar sozinhos com os Estados Unidos.

Como a democracia trouxe João Goulart com suas reformas de base, os paulistas deram outro golpe em 1964. A democracia voltou novamente depois de 21 anos de ditadura, e os paulistas mais uma vez deram um golpe de Estado. Desta vez contra uma mulher, a primeira mulher eleita presidente do Brasil.

Enquanto São Paulo não se convencer de que a Democracia é o melhor caminho para a paz e a transformação do Brasil numa grande Nação, o Brasil ficará refém desta mania golpista e imperialista dos paulistas.


Chega de ditaduras, eleições diretas, já!
Chega de corruptos, eleições gerais, já!
Chega de Justiça manipuladora, Nova Constituinte, Já!
Chega de imprensa golpista, Nova regulamentação da mídia, já!

Chega de desemprego e de aperto econômico, democracia participativa, já!
Chega de destruição da Amazônia, vamos defender a Natureza, Já!
Chega de violência e impunidade, a justiça deve ser igual para todos, já!

Chega de exploração dos pobres, igualdade de direitos para todos e todas.

Liberdade não se ganha, conquista-se!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Orgulho da Família Arns

Vejam a alegria de Lycia e Rogério Arns

Compartilho a alegria por ser padrinho de casamento e acompanha-los desde quando se viram pela primeira vez. Sem contar minha amizade com a mãe, Dona Zilda Arns e com o tio, Dom Paulo Evaristo Arns.


So proud of my daughter! She got the highest grade with the first poem she wrote for her English class. And it is indeed a beautiful poem!!

Explodindo de orgulho da filhota! Tirou a nota máxima com o seu primeiro poema para a aula de inglês na escola. Mais do que isso, foi a única a tirar a nota máxima numa turma em que é a única aluna internacional.
Muito feliz de vê-la enfrentando tão bem os desafios e descobrindo seus talentos.


Bahia e Vitória perderam. Por quê?

Lutaram com dignidade, mas perderam

Todo mundo acha que o futebol brasileiro precisa melhorar e que este campeonato está muito fraco. Isto para o Brasil todos.

Imaginem para os times do Nordeste?

Há um desnível entre os times do Sudeste e Sul em relação aos times do Nordeste e Norte do Brasil. Reflexo sócio-econômico? Pode ser, mas não explica tudo. Na música e na literatura o equilíbrio é melhor...

Como tenho assinatura dos canais de futebol, o tal do pay-per-vew, acabei acompanhando os jogos de ontem simultaneamente.

O Sport conseguiu um empate importante contra o Santos. Os corinthianos agradecemos.

O Bahia,jogando no Rio de Janeiro e contra o bom Flamengo, resistiu bem até parte do segundo tempo. Depois, foi engulido pelo jogo rápido e eficiente do Flamengo. Talvez o Bahia tenha se superestimado e corrido muito sem conseguir manter o ritmo os 90 minutos. Afinal, o jogo só acaba depois dos 90 minutos. E isto requer muito esforço físico e mental.

O Vitória, jogando em Salvador, portanto, em casa, tomou um gol no início, reagiu, virou o jogo e depois foi cansando e o adversário foi envolvendo, envolvendo até virar o jogo. Uma pena!

O futebol brasileiro precisa desenvolver uma escola de técnicos mais estrategista e que tenha capacidade de fazer a bola correr mais do que os jogadores. Os times brasileiros abandonaram os pontas, deixam o meio de campo confuso e, na defesa, em vez de marcar os adversários, os jogadores ficam todos olhando para a bola em vez de olhar a presença do adversário na área.

Imaginem Neymar jogando pela ponta esquerda e Daniel Alves correndo pela lateral direita, transformando-se em ponta direita. Com passes longos, eles deixam os adversários malucos. Isto quando estão jogando na Europa. Parece que Tite resolveu aplicar o futebol europeu na seleção. Por isso que melhorou.

Da mesma forma que o Brasil precisa desenvolver formas de superar a seca no Nordeste e as enchentes no Norte, precisamos desenvolver uma nova escola de futebol para estas regiões.

O Brasil precisa ser de todos, com todos e para todos.

Inclusive no futebol.
Não podemos deixar os times do Nordeste serem rebaixados.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Socialismo, Economia de Mercado e Diversidade

Ditaduras capitalistas, comunistas ou religiosas

Os jornais brasileiros destacam nas capas, fotos do Congresso do Partido Comunista da China - o PCC. Tudo na China está subordinado ao PCC.

Ontem, quando li uma das notícias fiquei assustado. O PCC controla tudo? Como li de relance, pensei que a matéria fosse sobre o PCC brasileiro. Que cada vez mais controla presídios, o tráfico e está crescendo nos negócios e na política... Ainda bem que o tema era a China.

Então vamos falar do comunismo chinês, a maior potência econômica atual, que deixou os países capitalistas com diversidade partidária para trás. Todos os países do mundo estão à reboque da China na economia. A China compra tudo que estiver à venda no Brasil e no mundo...

A China continua comunista? Não, a China hoje é um país capitalista, de economia de mercado, com partido único, política de inclusão econômica e social, porém sem liberdade partidária e sem eleições como no ocidente. Comunismo ou socialismo, só no nome.

Cuba continua comunista? Não, Cuba está sobrevivendo, com a economia precária e esperando oportunidade para estabelecer a economia de mercado e a integração internacional.

Então o comunismo deu errado?
De certa forma deu. Tanto é que o modelo monopolista de economia não sobreviveu.

O próprio socialismo, está mais presente nos países capitalistas de economia avançada, do que nos países que se diziam comunistas. No entanto, embora o bem estar social nestes países mais igualitários seja próximo do ideal, os partidos não se chamam de socialistas. Talvez em função da guerra fria e da disputa com a União Soviética.

Da mesma forma que o século XX serviu para acabar com o absolutismo monárquico, o século XXI tende a servir para acabar com as ditaduras, sejam elas capitalistas, comunistas ou religiosas. Será um processo tendo, com guerras, avanços e recuos, mas a democracia,com economia de mercado e diversidade em todos os sentidos, tende a prevalecer nesta nova era.

O novo sistema ainda está em gestação.


A Europa, que sempre foi a vanguarda, está em crise de sobrevivência, como aconteceu com as monarquias no final do século XIX e início do século XX. Daí a revolução russa, a primeira guerra mundial e o caminho para a segunda guerra mundial. Tudo parte das mudanças estruturais.

Os Estados Unidos, que era o farol da modernidade, hoje representa mais o atraso. Os novos laboratórios estão vindo da Ásia. Podemos ter surpresas na África e na América Latina, mas serão surpresas instáveis e talvez de pouca duração.

As esquerdas fracassaram no projeto econômico, tanto as esquerdas comunistas como as socialistas ou sociais-democratas. O mundo passa por uma fase hegemonicamente neoliberal e de retirada de direitos da classe trabalhadora. Tudo isto para recuperar a competitividade com a China. Ironia da história. O comunismo chinês rebaixa o padrão de vida dos trabalhadores do mundo. Pode ser que, mais tarde, a média do padrão de vida do mundo esteja mais próximo do modelo asiático do que do modelo europeu. Inclusive para os europeus...

Podem fazer milhares de conferências sobre a democracia, se não houver um projeto consistente de economia de mercado, nada se consolidará. Temos que transformar as estruturas econômicas e tributárias, assim o socialismo efetivamente democrático se consolidará como modelo melhor do que o neoliberalismo e com legitimidade social.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Aécio desmoraliza o Brasil

Um país com as instituições desacreditadas

Aécio pode ser chamado de "O exterminador das instituições".

Desmoralizou o PSDB, por ser o seu presidente nacional e estar fazendo o quê fez.

Desmoralizou as eleições presidenciais, por ter tantos milhões de votos, ter o apoio de tantos artistas, juízes, delegados, empresários e alguns líderes comunitários e agora o Brasil ficar sabendo de suas falcatruas acobertadas pelo Senado.

Desmoralizou o Judiciário, por deixar o juiz Sérgio Moro tirar fotografias ao seu lado, ambos rindo muito, e depois o Brasil tomar conhecimento da corrupção de Aécio, além das outras barbaridades.

Desmoralizou o STF, inclusive sua conterrânea mineira e presidente do STF, obrigando-os a enviar a decisão jurídica para ser homologada ou não pelo Senado, quando todos sabiam que a maioria dos senadores votaria para livrar Aécio das acusações públicas.

Desmoralizou a imprensa, que fez campanha para Aécio ser presidente, depois fez campanha pelo impeachment para agradar Aécio e também que o protegeu quando surgiram as denúncias de corrupção e ameaça de morte.

Na medida que Aécio desmoralizou as principais instituições brasileiros, Aécio desmoraliza o próprio Brasil.

Ante tanta desmoralização, o melhor seria que parasse tudo e que sejam convocadas eleições gerais para presidente da República e o Congresso Nacional, devendo este novo congresso fazer Nova Constituição, que seja aprovada pelo povo brasileiro depois de pronta.

Como disse Jesus: "Quem pode atirar a primeira pedra?"

Ante a desmoralização da política,
cabe ao povo recuperar a dignidade do Brasil e de suas instituições.

Nova Constituinte e novas Eleições Gerais.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Comentários sobre o fim do Imposto Sindical

Contribuição Negocial e Imposto Sindical no Brasil de 2017.


Acabar com o Imposto Sindical/Contribuição Sindical foi um marco histórico na história das relações de trabalho no Brasil. No entanto, o seu fim não pode acontecer sem decidir sobre como substituir o todo ou parte do valor representado pelo imposto sindical, considerando o volume de dinheiro que representa, tanto para os empregados, como para os trabalhadores e para o próprio governo.


1 - Para que servem os Sindicatos?


Para ajudar os trabalhadores a negociar salários, condições de trabalho e qualidade de vida. O quê inclui participar das atividades de formação, das assembleias e das atividades sociais. Os sindicatos são parte fundamental das sociedades democráticas que respeitam à pluralidade e a diversidade.


2 - Qual é o papel das Campanhas Salariais?


No Brasil as campanhas salariais são feitas anualmente. Como ainda não existe o Contrato Coletivo de Trabalho, os patrões e empregados negociam a atualização dos direitos, incluindo com destaque a negociação da reposição da inflação, a produtividade, a PLR - Participação no Lucro e Resultado e as demais verbas econômicas, finalmente é firmada a Convenção Coletiva de Trabalho. As negociações são precedidas de Assembleias para aprovação da minuta de reivindicações, do calendário e dos negociadores.


3 - Como devem ser as relações dos sindicatos com os patrões,
o Ministério do Trabalho e a Justiça do Trabalho?


Os sindicatos e a estrutura sindical devem ter liberdade e autonomia em relação ao Estado, aos partidos políticos e religiões. Da mesma forma que os patrões devem ter liberdade de organização, os trabalhadores também devem ter seus direitos de organização garantidos. Para que isto aconteça, nem o Ministério do Trabalho nem a Justiça do Trabalho devem interferir, dificultar ou impedir a liberdade sindical.


4 – Por que cobrar para fazer Campanha Salarial e como evitar abusos nas cobranças financeiras e/ou irregularidades nas assembléias?

Além das mensalidades, os sindicatos utilizam outras verbas para sustentar-se financeiramente: Contribuição Assistencial, Contribuição Confederativa e da Contribuição Sindical, mais conhecida como Imposto Sindical, que foi extinta quando da aprovação da reforma trabalhista neste ano de 2017.

Os dois momentos que os sindicatos mais gastam são nas campanhas salariais e nas eleições para renovação do mandato das diretorias. As eleições acontecem de 3 em 3 anos ou de 4 em 4 anos; enquanto que as Campanhas Salariais acontecem anualmente e, para que haja a participação plena da categoria representada pelo sindicato, as despesas são imensas.

Enquanto que nas eleições sindicais participam somente os sócios da entidade, nas campanhas salariais TODOS os trabalhadores, sócios e NÃO SÓCIOS, são beneficiados pelas conquistas salariais e demais benefícios da Campanha Salarial.

Os sócios pagam mensalidades ao sindicato, já os NÃO SÓCIOS, até então pagavam o Imposto Sindical (Contribuição Sindical) no valor de um dia de trabalho por ano e descontado no mês de março, sendo repassado pelas empresas ao Ministério do Trabalho que posteriormente devolve as partes devidas à estrutura sindical (sindicatos, federações, confederações e centrais), ficando o MTe com uma parte (10%).

Como o imposto sindical deixou de existir, a grande questão surgida é: Como os não sócios contribuirão financeiramente para cobrir as despesas com as campanhas salariais? O pretexto de que eles já contribuíam com o imposto sindical já não existe mais. Não há mais impostos nas relações sindicais entre patrões e empregados.

Como vivemos numa sociedade capitalista e não existe almoço de graça, é evidente que os beneficiados com as campanhas salariais devam arcar com as despesas decorrentes das campanhas.

Para que se garanta a transparência e a participação de todos nas assembleias salariais, que inclui definir o valor que será cobrado de Contribuição Negocial, para os sócios e não sócios, é preciso que hajam regras reconhecidas e aceitas, tanto pelos sócios, como os não sócios, os patrões e o governo, buscando-se garantir o princípio da razoabilidade e evitando abusos nos valores cobrados.


Duas questões precisam ser definidas:

1 – Estabelecer regras de convocação de assembleia salarial e formas de deliberação sobre a campanha. Como evitar assembleias fantasmas? Ou com menos gente do que a própria diretoria da entidade? Da mesma forma, nem o legislativo, nem o governo, nem o judiciário, muito menos os patrões, podem impor um quorum tão alto que inviabilize a realização das assembleias. As partes devem definir uma regra de viabilidade com legitimidade e legalidade.

2 – Estabelecer regras de valores a serem cobrados. Por exemplo, o valor da contribuição negocial nunca pode ser igual ou maior que a soma anual das mensalidades mais a contribuição negocial paga pelos associados. Os não sócios não podem pagar mais do que os sócios. Não pode haver “filiação compulsória” ou punição aos que optam por não ser sócio. A adesão a um sindicato deve ser de livre e espontânea vontade.


5 - Devemos repassar dinheiro para o ministério do trabalho?

Por definição, com o fim da contribuição sindical/imposto sindical, os sindicatos ficam desobrigados a repassar recursos ou pagar pelo o quê o Ministério do Trabalho faz.

Porém, da mesma forma que a extinção do imposto sindical pressupõe a criação de um outro recurso para os sindicatos dos empregados e dos patrões, é preciso também que as partes envolvidas definam uma forma de transição para compensar a perda de 10% que o Ministério do Trabalho recebia do imposto sindical.

O fim do imposto sindical foi um grande avanço.

A liberdade de organização dos empregados e dos patrões fortalece a democracia.
Mas, cabe aos sindicatos convencerem os trabalhadores a ficarem sócios e participarem das campanhas salariais. E cabe ao governo prover os recursos orçamentários para o Ministério do Trabalho e Emprego.

Democracia se aprende praticando e respeitando as partes.

Os abusos tributários no Brasil

O sistema tributário brasileiro protege os ricos

Na entrevista dada a Maria Cristina Fernandes, ótima jornalista do Valor, o famoso economista francês, Thomas Piketty, fala do Brasil.

Autor da famoso livro "O Capital no Século XXI", que vendeu mais de 2 milhões de cópias, incluindo 150 mil cópias vendidas no Brasil. Piquetty, atualmente trabalha levantando informações sobre a distribuição de renda no Brasil, contando com ajuda dos economistas Marcelo Medeiros e Pedro Ferreira de Souza. Agora investe em estudos sobre os obstáculos políticos à redução da desigualdade e em ampliar seus contatos com pesquisadores do tema mundo afora.

"No caso do Brasil, há de fato um nível de concentração (de renda) muito excessivo para o país se desenvolver."

No seu livro "Às urnas, Cidadãos", Piquetty diz sobre o Brasil:

"O sistema tributário é pesadamente regressivo
e, frequentemente, financia despesas públicas com as mesmas características. As classes populares pagam impostos muito pesados que chegam a 30% sobre a eletricidade, ao passo que sobre a herança é de apenas 4%. As universidades públicas só beneficiam uma elite de privilegiados".

As pesquisas de Marc Morgan demonstram que o Brasil é, de fato, um dos países mais desiguais do mundo. Há impostos indiretos extremamente pesados, comprometendo a renda de maneira muito mais significativa do que o imposto de renda.

A noção de progressividade é inexistente no Brasil.


A política mais importante para se reduzir as desigualdades é a educação.

É preciso que o investimento em educação seja usufruído por todos. Esse investimento não pode resultar em mais concentração de renda.

Sem democratizar a renda, a democracia vira uma falácia.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Radicalizar a Economia

Para se ter mais Democracia

Talvez por viver na França, o economista, professor e grande especialista em desigualdade econômica e social, Thomas Piketty, sinta mais necessidade de se radicalizar a democracia do que a economia.

Mas democracia não enche barriga, o que enche barriga é a economia.


Vejam estas frases tiradas da entrevista de Piquetty ao jornal Valor, no caderno Fim de Semana:

1 - A União Europeia não encontrará seu rumo
enquanto suas decisões derivarem do embate de seus ministros de FINANÇAS e não dos eleitos pelos parlamentos nacionais.Leiam o livro "Por uma Europa Democrática".

2 - Os países mais ricos do mundo adotam, á mais de um século, uma política de progressividade fiscal cujo desconhecimento no BRASIL bloqueia seu desenvolvimento.

3 - OS PAÍSES MAIS RICOS SE DESENVOLVERAM PORQUE DISTRIBUÍRAM.
Leiam o livro "Tributação e Desigualdade".

4 - é preciso mudar a organização política da Europa e do mundo.

5 - A unanimidade serve para travar decisões modernizadoras. O ponto é dotar uma assembleia europeia do poder de tomar decisões. QUEM TIVER A MAIORIA COMANDA.

6 - Lamento que Macron, na França, tenha optado por uma reforma que dribla a necessidade de melhorar a representação dos sindicatos e dos assalariados na gestão das empresas.

7 - Nos modelos alemão e sueco,
há forte presença dos sindicatos e dos assalariados desde os anos 1950 (pós guerra), nos conselhos de administração das empresas. São representantes que não se limitam a uma presença consultiva. ELES TÊM PODER DELIBERATIVO.

8 - Na Suécia, um terço dos assentos dos conselhos de administração das empresas é composto por representantes dos empregados.

9 - Na Alemanha
, os trabalhadores ocupam metade dos assentos e participam das decisões estratégicas das empresas.

10 - A França, como também o Reino Unido e os Estados Unidos, sempre se recusaram a isso com o argumento de que todo o poder é dos acionistas.

11 - MACRON CEDEU AO PATRONATO FRANCÊS.


12 - Só os choques violentos é que transformaram o status quo das elites que rejeitavam a redução das desigualdades.

13 - No caso do BRASIL,
há de fato um nível de concentração muito excessivo para o país se desenvolver. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Só concorre com a África do Sul, que saiu do apartheid recentemente.

Nas próximas edições, teremos mais depoimentos relevantes do grande economista Thomas Piquetty.
Nem tudo está perdido...

domingo, 15 de outubro de 2017

Finalmente acabaram com o Imposto Sindical

Vitória no conteúdo e derrota na forma

Já diziam os espíritas: "Quem não aprende no amor, aprende na dor."

Getúlio Vargas criou o imposto sindical, tanto para os patrões como para os empregados. Assim, preparou o Brasil para a industrialização nacional e também contribuiu fortemente para para consolidar um modelo de sindicalismo "chapa branca", isto é, que dependia mais do imposto do que da contribuição voluntária dos sócios dos sindicatos.

O imposto sindical também teve outro desvio, fortaleceu a ideia de que "as conquistas salariais, de condições de trabalho e de qualidade de vida" realizadas nas campanhas salariais eram "coisas dos patrões" já que a maioria dos trabalhadores recebiam sem ter participado diretamente das lutas para conquistá-las.

Vou listar alguns direitos que foram conquistados com muitas greves e negociações:

1 - jornada de trabalho
2 - previdência social - Fundos de Pensão
3 - pisos salariais
4 - ajuda alimentação
5 - ajuda refeição
6 - licença maternidade
7 - licença paternidade
8 - férias
9 - faltas abonadas
10 - datas base para negociar a atualização dos direitos, etc.

Poderia ficar aqui o dia todo escrevendo "CONQUISTAS COM LUTAS", para mostrar a importância dos sindicatos. Com o tempo, as empresas vão mostrando aos seus funcionários que "os direitos listados acima são benefícios dados pela empresa".

E agora, com a derrubada do governo Dilma e a compra dos parlamentares, acabaram com a maioria dos direitos conquistados em UM SÉCULO DE LUTAS. Como os sindicatos, na democracia, se fortaleceram,os empresários juntaram-se e deram o golpe do impeachment.Afinal, Dilma sancionou os direitos das empregadas domésticas! Que afronta!

O Brasil voltou a antes de 1930. Antes de Getúlio Vargas.

Com o fim do imposto sindical, mas a manutenção do Sistema S, se Sesi, Sesc, Sebrae e tantas outras siglas para proteger os patrões e prejudicar a organização da classe trabalhadora, o movimento sindical, além de enfrentar um governo corrupto e entreguista, também enfrenta um TST - Tribunal Superior do Trabalho que legisla contra os direitos coletivos dos trabalhadores e contra o movimento sindical.

Além de acabarem com o imposto sindical, sem negociar com os sindicalistas, o governo e o TST acabaram com a "contribuição assistencial", que custeava as campanhas salariais, alegando que o dinheiro do imposto sindical era para isto. Mas, se acabaram com o imposto sindical e com a contribuição assistencial, como custear as campanhas salariais? Ou eles não querem que tenha campanha salarial? Nem a ditadura militar fez isto!

Enfim, muita água vai rolar até definir como vai ficar. Hoje a Folha trás manchete comemorando o fim do imposto sindical, além de página inteira contando as dificuldades dos sindicatos dos trabalhadores.

Os golpistas comemoram.

Mas o Brasil vai sair perdendo, por que, como diz o prêmio Nobel de economia, Angus Deaton:

"Com a perda de influência do movimento sindical, os patrões ficam mais fortes e os trabalhadores mais fracos para combater as tendências rentistas da economia atual".



sábado, 14 de outubro de 2017

Economia, Saúde, Educação e Violência

Uma interfere na outra

O mundo moderno, independente do sistema político de cada país,
está dependente destas quatro prioridades:
Economia, Segurança, Saúde e Educação.

Por incrível que pareça, entre as quatro prioridades, a economia e a segurança tem prioridade sobre a saúde e a educação.

Quando a economia está desorganizada, os problemas de saúde aumentam, a educação fica em segundo plano e a violência cresce em todas as áreas. Com o crescimento da violência, cresce o apoio popular à repressão e a perda da liberdade. Até porque, quando a violência cresce, como os assaltos e assassinatos, as pessoas ficam com medo e abrem mão da liberdade, em troca da segurança.

O mundo está em crise, só quem está surfando sobre a economia mundial é a China. O Japão patina há anos, a Alemanha está contaminada com a Europa e os Estados Unidos, que ajudaram a criar o modelo chinês atual, agora sofre com a concorrência chinesa. América Latina, África e Oriente Médio estão fora da competição. Como no futebol, fazem parte da segunda divisão...

Ante a derrota do modelo econômico social democrata e o crescimento do neoliberalismo destruidor dos Estados Nacionais de Proteção Social,o mundo discute como recuperar o crescimento econômico com inclusão social, resolvendo também os problemas com a imigração em massa e com as guerras estimuladas pelos países ricos.

Uns dizem: Temos que "Radicalizar a Democracia".
Que bicho é este? Por que a Europa não radicaliza a democracia?
Se a Europa não consegue, como fazer isto nos países mais pobres?
Até os Estados Unidos entraram em parafuso e elegeram um maluco.

Da mesma forma que, na Europa da Idade Média, para combater a fragilidades das monarquias frágeis, surgiu o rei poderoso, que conseguia proteger os países frágeis e unificar suas forças internas, o mundo, antes de discutir a radicalização da democracia, precisa discutir como fazer com que a "economia seja para todos e não para as minorias". Para que isto aconteça, é preciso enfrentar as grandes estruturas empresarias, mas também é necessário enfrentar as estruturas conservadoras dos Estados, aí incluindo o judiciário.

Enquanto a Europa mantém grandes investimentos na saúde e na educação, os países latino-americanos estão sendo invadidos pela proposta neoliberal de privatização da saúde e da educação, acabando com o pouco existente de saúde e educação públicas, desenvolvendo assim uma estrutura privada, cara e para 30% da população, deixando os 70% restante a mercê do serviço público de má qualidade.

Além de aumentar a concentração de renda,esta política aristocrática, também chamada de "meritocracia", estimula o ódio social e o aumento das quadrilhas e milícias.

O que se vem discutindo no Brasil é se este governo corrupto e entreguista, quer transformar o Brasil num México ou numa Venezuela.

As leis aprovadas por este Congresso Nacional venal sinalizam mais para o modelo mexicano...

Além de as leis aprovadas serem entreguistas e contra os trabalhadores, o judiciário esmera-se em contradições e decisões contra os trabalhadores e que protegem os corruptos, sejam eles parlamentares ou empresários. Os que foram presos até agora, foram muito mais para delatarem Lula e o PT do que pelo "espírito moralizador" do judiciário.

No Brasil e na América Latina
, para a esquerda voltar ao poder, precisa ter propostas objetivas para a segurança, a economia, a saúde e a educação. E recuperar a credibilidade perante o povo. Lula teve grande oportunidade de ajudar o povo, Dilma não teve a habilidade de Lula. E agora temos que superar um governo medíocre, corrupto, entreguista e que está fazendo mudanças nas leis para que o Brasil passe a ter governos que protegerão os empresários internacionais e que deixarão o povo mais pobre, mais doente e mais ignorante.

O resultado tende a ser mais violência,
seja violência oriunda do Estado, de quadrilhas ou de rebeliões populares.

Se o modelo mexicano tiver sucesso, ficaremo na mão do crime organizado...

Ou já estamos?

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Brandão, Bradesco e Brasil. Tudo a vê!

Texto imperdível sobre a História do Brasil e um dos maiores protagonistas

O texto é longo, mas vale a pena. Não conheço o autor, mas é primoroso.

Um monge na Cidade de Deus: Lázaro Brandão

Jornal Valor – 13/10/2017 – William Salazar

"Cheguei me enfronhando no serviço. Tinha que ter alguém cuidando do curso dos procedimentos, dos controles. Criei a inspetoria para crivar os procedimentos, o desempenho, a qualificação do pessoal. E tinha o comando de inspetores, para ir na agência e sempre inspecionar e ver se estava tudo em ordem, tudo bem com os controles."

Cuidar dos procedimentos, dos controles, dos custos tem sido o princípio e o norte da carreira de Lázaro de Mello Brandão desde que, aos 16 anos, em 1942, entrou como escriturário na Casa Bancária Almeida & Companhia, em Marília, instituição que, no ano seguinte, se transformou no Banco Brasileiro de Descontos, atual Bradesco.

A ideia original era ficar pouco tempo lá, até prestar concurso para o Banco do Brasil. Só que Brandão nunca mais saiu da instituição. De Marília, foi para Lins, e logo mudou para São Paulo, a nova sede do banco. Daí para a Cidade de Deus, o centro administrativo criado pelo mítico Amador Aguiar em 1953, no município de Osasco.

As mais de sete décadas que dedicou ao Bradesco tiveram seu capítulo final nesta semana quando Brandão, aos 91 anos, decidiu renunciar à presidência do conselho de administração do banco. Mas isso não significa o fim de sua história com a instituição. Ele permanece no conselho de administração das sociedades controladoras do banco. Filho do administrador de fazendas José Porfírio Bueno Brandão e dona Anna Helena Mello, Lázaro Brandão nasceu na cidade de Itápolis, interior de São Paulo, em 1926.

"Com 12, 14 anos", já pensava em trabalhar em banco, a fim de ter "uma vida muita mais controlada, confortável", com "estabilidade, respeito da comunidade", contou ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV - "Lázaro de Mello Brandão - Senda de um Executivo Financeiro", título escolhido por ele mesmo).

Brandão "se enfronhou" tanto no serviço que apenas dois anos depois de iniciar a carreira foi promovido de escriturário a subchefe e logo a chefe da seção que ele próprio criara: a lendária Inspetoria Geral do Bradesco. Nela, pontificou pelos 20 anos seguintes, até galgar a diretoria-executiva, em 1963, e colocar-se como "sombra" de Amador Aguiar - o homem que fez da modesta casa bancária o maior banco privado brasileiro.

Sua atuação como inspetor geral antecipou em três décadas a preocupação mundial com a regulação bancária prudencial, a supervisão e as melhores práticas do mercado financeiro. Esse foi o escopo do Comitê de Supervisão Bancária da Basileia instituído em 1975, como reação à turbulência provocada nas finanças internacionais pela quebra do banco Herstatt, e que resultou na criação de organismos de controles internos e compliance, hoje obrigatórios nos bancos de todo o mundo. Com Luiz Carlos Trabuco Cappi, ao passar o bastão de "chairman" do banco Brandão tem muito poucos amigos.

Mal sai de casa, não vai a cinema, não tem vida social. Seu fim de semana resume-se a uma visita ao sítio em Itatiba, 80 km a noroeste de São Paulo, voltando a tempo de almoçar em casa. Eventos, festejos, solenidades, só se têm sentido profissional, referentes ao banco ou ao sistema bancário, como as reuniões do Sindicato dos Bancos ou da Associação de Bancos do Estado de São Paulo (Assobesp), de onde nasceria a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Foi nessas entidades que Roberto Konder Bornhausen conheceu Brandão, na década de 1960, quando era o principal representante do Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina, conhecido como Banco Inco. Foi com Brandão que Bornhausen tratou os termos da aquisição do Inco pelo Bradesco, em 1968. "Redigimos o contrato nós dois, sozinhos, sem advogados", sublinhou Bornhausen.

"No Bradesco, com seu conhecimento profundo da atividade, por sua origem como bancário de banco comercial, Brandão foi ganhando espaços aos poucos, até assumir plenamente as funções de Amador Aguiar. É o Brandão quem bate o martelo no Bradesco!" E bate três vezes!

"Na minha época, o pessoal dizia assim: Olha, quem precisa aprovar isso aqui são três pessoas, o Lázaro, o Mello e o Brandão! Tudo, tudo passava por ele. Ele examinava tudo", relembra Alcides Lopes Tápias, que deixou a vicepresidência do Bradesco em 1996, depois de trabalhar 49 anos no banco, 15 deles compartilhando com Brandão o famoso mesão da diretoria-executiva na Cidade de Deus.

"Ele sempre foi uma pessoa muito observadora, muito atenta às coisas e sempre teve a confiança absoluta do sr. Amador Aguiar, tanto é que quando o 'seu' Amador ficou adoentado, ele passou a presidência para o 'seu' Brandão." Aliás, a mudança do nome Banco Brasileiro de Descontos para Bradesco só foi possível com a colaboração de "seu" Brandão.

"Discutíamos na diretoria-executiva que os clientes não chamavam o banco pelo nome completo, mas preferiam a denominação do endereço telegráfico Bra-Des-Co. Mas quem tinha coragem de dizer isso a 'seu' Amador, que dizia que nome de banco não se muda?" Os diretores levaram a proposta a Brandão. Ele orientou que discutissem à exaustão, até não sobrar dúvida de que a mudança era para melhor. No dia que foram tratar com Aguiar, "seu" Brandão disse que os diretores estavam trazendo uma proposta para ele analisar e deu a palavra a Tápias.

"Alguém tinha que por o guizo no gato. Eu me prontifiquei. 'Seu' Amador ouviu, ouviu e, finalmente, acatou: 'Olha, acho que é uma boa ideia que vocês tiveram!'" Juntamente com a atenção aos interlocutores e à discrição, é unânime a impressão da enorme capacidade de trabalho e da dedicação monástica ao Bradesco.

"Brandão sempre foi muito espartano, chegando todo dia no banco às 7h, mesmo quando já estava na presidência, fosse da diretoria, fosse do conselho. Quando queria falar com ele, chegava antes das 8h, porque era um horário mais tranquilo", descreve Gabriel Jorge Ferreira, o vice-presidente jurídico do Unibanco que forjou a fusão com o Itaú.

"Brandão é um ser humano especial, a quem você poderia chamar de tudo menos de banqueiro. É simples, humano, até humilde. Fez uma carreira sem grandes impulsos, sem grandes arroubos. É uma pessoa extremamente discreta, extremamente reservada. Nos congressos dos bancos, nos anos 60 e 70, suas intervenções eram feitas de forma extremamente singela, conciliatória, ouvia tudo muito atentamente antes de emitir uma opinião."

Brandão sucedeu Aguiar, primeiro, em 1981, como presidente-executivo e depois como presidente do conselho de administração, em 1990, acumulando os dois cargos ao longo da década. Em 1999, entregou a presidência executiva a Marcio Cypriano, diretor da rede de agências do Bradesco que então presidia o Banco de Crédito Nacional (BCN), adquirido em 1997.

Agora, passou a presidência do conselho de administração para Luiz Carlos Trabuco Cappi, que acumulará temporariamente a função com a presidência executiva do banco. "Ele não é só testemunha - é ator da evolução que os bancos experimentaram nos anos 1960"
No ano de sua indicação como presidente, ao lado do fundador Amador Aguiar A aquisição do BCN pelo Bradesco ficou marcada na memória do deputado Ricardo Berzoini (PT), que confrontou "seu" Brandão do outro lado da mesa de negociações como presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

"O sindicato queria que o Bradesco se comprometesse a manter o quadro, evitar demissões. Ele deu sua palavra de que não haveria demissões e, de fato, cumpriu praticamente 100%; não houve demissões em massa, só o movimento de simplesmente cortar redundâncias", diz.

Mas custos "seu" Brandão sempre cortou sem dó. Essa obsessão levou a decisões comprometedoras para os negócios do banco, como fechar os postos de atendimento bancário (PABs), a fim de reduzir o quadro de pessoal. Só que os PABs eram um substituto para as agências de vantagens ponderáveis: geravam receitas das contas correntes, cartão de crédito, pagamento de contas, empréstimos dos funcionários das empresas em que se instalavam, sem imobilizar capital em agências, nem pagar aluguel, água, luz ou telefone.

Outra decisão nessa linha foi proibir a liberação de cheques no mesmo dia - isso na década de 1980, no tempo da hiperinflação de taxas de 80% ao mês. As empresas, principalmente as maiores, reclamaram. Brandão fez os diretores visitá-las, em todo o Brasil, para explicar a posição do banco.

As empresas retrucaram que, se o Bradesco não liberava cheque, a concorrência liberava.

Sob pressão da concorrência, que mantinha seus PABs e liberava cheques, o Bradesco teve que se adaptar - assim como fizera com o Documento de Ordem de Crédito (DOC), que Amador Aguiar detestava por sua fragilidade a fraudes, mas teve que ceder ante o uso disseminado por outras instituições financeiras.

De olho na concorrência, Brandão imprimiu um novo rumo ao banco na virada do milênio. Primeiro banco de massas do Brasil, dizia-se que o Bradesco atendia a Sadia, a padaria e a dona Maria, sem distinção. Tanto que foi um dos últimos, senão o último grande banco, a ter uma área dedicada a atender grandes grupos empresariais, o chamado segmento "corporate".

Brandão encarregou Cypriano, que trouxera a cultura e vários executivos chave do BCN para o Bradesco, de estruturar a segmentação dos negócios e da clientela, prática já corriqueira entre os bancos brasileiros.

Lázaro de Mello Brandão é o último remanescente da geração de banqueiros que viveu a transformação de um sistema bancário elitista, atomizado, fracamente capitalizado, de raio no máximo regional, para um sistema massificado, altamente concentrado, de expressão nacional e com musculatura para ensaiar sua internacionalização.

"Ele não é só uma testemunha da evolução - é um ator da evolução que os bancos brasileiros experimentaram nos anos 1960", sentencia Bornhausen.

Nessa época, as instituições bancárias totalizavam 350.

Em 1980, haviam caído para 111, resultado da deglutição das instituições menores e de caráter nitidamente regional pelas grandes instituições, concentradas em São Paulo, com o Bradesco e o Itaú à frente.

As incorporações, aquisições e fusões que transformaram esses dois bancos em conglomerados começaram já na década de 1940, logo após sua fundação.

Entretanto, o grande banquete dos tiranossauros Bradesco, Itaú e, em menor medida, Unibanco ocorreu efetivamente na segunda metade dos anos 1990, quando o Plano Real debelou a hiperinflação e desmamou um rosário de instituições que dependiam da desvalorização da moeda para sobreviver, incluindo os bancos estaduais.

Daí até quase o fim da década seguinte, o Bradesco digeriu nada menos do que 25 negócios, entre bancos, corretoras e carteiras de outras instituições, mantendo invicta sua liderança de quase 60 anos entre os bancos privados. Em 2008, porém, perdeu o título.
O Itaú, que até então havia se contentado com nove aquisições, fundiu-se com o Unibanco, que havia comprado apenas quatro (incluindo o Banco Nacional, que, em 1995, era o quinto no ranking dos privados).

Pareceu uma vingança do destino.

Amador Aguiar havia proposto a fusão ao embaixador Walter Moreira Salles, fundador do Unibanco, lá atrás, em 1972, quando eram o primeiro e o quarto maiores bancos privados do país. Se concretizada, a nova instituição ficaria atrás apenas do Banco do Brasil. Aguiar e Salles chegaram a assinar um compromisso. Mas o "choque das duas culturas", a "caipira" do banco de Osasco e a "cosmopolita" do banco do embaixador, se estranharam. A fusão morreu de inanição.

Décadas depois, os dois bancos voltaram a se aproximar, mas nunca chegaram a se entender, porque o Bradesco, com Brandão à frente, fazia questão de ter o comando da instituição resultante.

"O Itaú gosta de fusão", enquanto o Bradesco sempre comprou e ficou com o controle, justificou Brandão, que viu o Bradesco se tornar o principal banco brasileiro e perder a primazia, quando o arquirrival Itaú fez o que Aguiar e Moreira Salles haviam combinado: deixar o Unibanco com a presidência do conselho de administração e a diretoria-executiva com o Itaú.

Entregou os dedos para ganhar também os anéis.

Diz-se que o ambiente pesou no Bradesco quando a fusão Itaú-Unibanco, tratada como segredo de estado, foi noticiada. Ao CPDOC, Brandão minimizou o episódio. Argumentou que o Bradesco continuou à frente como conglomerado que atua na área de seguros (com 25% do mercado desde então) e bem à frente no número de agências (5.339 do Bradesco, incluído o HSBC, e 3.681 do Itaú, incluindo as do Citibank).

Fraco consolo numa época em que, como o próprio Brandão reconheceu, "o mundo dos bancos é cada vez mais digital".

Agora, em uma nova etapa, Brandão afirma que superou a preocupação de "entrar num vazio" com a aposentadoria. "Se recriou na minha cabeça a ideia de que se desligar e ter rotatividade para o conselho é importante", disse em entrevista a jornalistas na quarta-feira, após o anúncio de que renunciaria à presidência do conselho do banco. Brandão diz que, agora, fica com mais tempo disponível para a família e ao mesmo tempo continua próximo ao ambiente do Bradesco.

"Minha sala será mantida; o ambiente será parecido, mas sem a mesma carga de responsabilidade.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Brasil desmoralizado

Por quanto tempo?

O STF - Supremo Tribunal Federal viveu ontem mais um triste capítulo da sua história. Por 6 a 5, subordinou-se mais uma vez ao PSDB. Caiu mais uma vez em contradição, mostrando que julga conforme a conveniência e está com medo de Gilmar Mendes.

Aécio Neves, com gravação e tudo, será protegido pelo Senado como forma de proteger os demais senadores.

Enquanto isso, o Brasil vai ficando cada vez mais desacreditado internacionalmente.

Por que cair tanto em tão pouco tempo?

E as empresas brasileiras continuam sendo vendidas aos estrangeiros.

A Petrobras e demais estatais continuam sendo desmontadas para serem vendidas à preço de sucata.

E os políticos continuam fazendo barbaridades.

Onde vamos parar?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Lázaro Brandão, o Bradesco e o Brasil

História viva da formação capitalista brasileira

O sr. Lázaro Brandão está deixando a administração direta do Bradesco. Conclui-se assim uma importante etapa da formação capitalista nacional.

Com mais de 70 anos dedicados ao Bradesco, entre eles sendo presidente do Sindicato dos Bancos nos Estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Sr. Lázaro Brandão conviveu com tudo que tem a ver com a vida econômica, política e social neste período todo que esteve no banco.

Conheci o Sr. Lázaro Brandão em 1979, quando fizemos uma das greves mais pitorescas da história do Brasil. Na greve de 1979, em apenas dois dias, a Polícia Militar gastou mais da metade do estoque de bombas de gás lacrimogêneo contra os grevistas e a população que apoiava a greve dos bancários.

Numa das negociações, no edifício Conde de Prates, na Líbero Badaró com o Viaduto do Chá, enquanto o pau cantava nas ruas, um representante dos bancos, ao ver da janela do prédio, uns jovens brincarem de descer a rua sentados nas cadeiras dos bancos e fazerem de conta que estavam telefonando, o banqueiro repetia: "Bárbaros! Bárbaros!"

Seu Lázaro,com a frieza de sempre, falava: "Precisamos negociar e achar uma solução".

1979 ainda era na época da ditadura militar, e os ditadores intervieram no sindicato, afastaram quatro diretores, entre eles Luiz Gushiken.

A greve terminou com acordo salarial e com o início de um longo relacionamento dos bancários do Brasil com o sr. Lázaro Brandão.

O Bradesco foi o primeiro banco de varejo do Brasil, atendia os comerciantes, os pequenos empresários e a população em geral. Foi durante décadas o maior e mais importante banco do Brasil. Só perdeu a liderança quando o Itaú comprou o Unibanco. Esta é outra longa e importante história.

O Sr. Lázaro Brandão merece ter sua história escrita e documentada para que no futuro os jovens possam aprender o que foi a formação do sistema financeiro brasileiro e o papel que o Bradesco e seus profissionais tiveram neste processo histórico.

Mesmo não tendo mais a responsabilidade que tinha como presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ainda mantive contato com o Sr. Lázaro Brandão e seus diretores. Tenho 45 anos de bancário, bem menos que os mais de 70 anos de bancário do Sr. Lázaro Brandão. Mas tenho certeza que nossa convivência foi muito positiva para a redemocratização do Brasil e na construção de uma sociedade mais justa e respeitosa.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Brasil em compasso de espera

Até as eleições de 2018

Como se entrasse em letargia, os brasileiros assistem a destruição do Estado de Bem Estar Social no Brasil e a privatização de tudo que for possível antes das eleições de 2018.

É a política de "Terra Arrasada".


Fazer o Estado Mínimo como forma de impedir que os próximos governos voltados à maioria da população possam governar priorizando as políticas públicas e a segurança social.

Passaremos a ser uma "Rocinha Nacional".


Isto é, o Brasil voltará a ser um país onde 10% da população controlam 70% da economia nacional e as políticas são voltadas para apenas um terço da população. Aumentando assim o risco social e a violência urbana.

Com mais de 200 milhões de habitantes, em vez de produzir para todos e todas, o mercado produzirá apenas para 60 ou 70 milhões de consumidores. É um mercado maior do que a população da maioria dos países europeus.

Como diz um empresário brasileiro, a matriz será na Europa e nos Estados Unidos, mas o mercado consumidor e onde se ganha dinheiro fácil - principalmente com a taxa de juros alta - o Brasil será apenas um mercado complementar.

Estamos imitando a Argentina


Que era um dos cinco países mais ricos do mundo e foi caindo... caindo... caindo. E poderá até ficar fora da Copa do Mundo na Rússia. Que tristeza!

Por que esperar até as eleições de 2018?


Por que não interrompemos este governo corrupto e sem legitimidade e começamos tudo de novo?

O que impede isto é que no momento, se houver eleições Lula ganha. E os golpistas deram o golpe para derrubar Dilma, mas também foi para tirar o PT do governo. Tanto Lula como o PT, erraram em defender a reeleição de Dilma. O candidato tinha que ser o Lula. Agora é tarde e Inês é morta, como dizia o escritor...

Os golpistas, com o apoio do Judiciário, vão tentar manipular as leis para que Lula seja impedido da candidatar-se. Tanto podem conseguir, como podem errar na mão e não acontecer nada do que eles querem.

Lula foi o melhor presidente para o capitalismo brasileiro e internacional. Nunca tantos brasileiros melhoraram de vida como aconteceu no governo Lula. Todos ganharam dinheiro e melhoraram de vida no governo Lula.

O povo prefere Lula
,
os golpistas preferem qualquer um que defenda o neoliberalismo e o entreguismo nacional. Lula defende a dignidade nacional, os golpistas defendem à servidão aos estrangeiros.

Ou ficar a Pátria livre,
ou morrer pelo Brasil.


Os golpistas preferem ser vassalos,
a fazer parte de uma grande Nação.

Que venha 2018...

domingo, 8 de outubro de 2017

A morte do reitor é um desencanto

A força dos covardes e a fraqueza dos fortes

Desde a Revolução Francesa, com o iluminismo, a Universidade é solo sagrado e seus professores são chamados de Mestres.
Na gana de mostrar serviço para angariar apoio dos incautos, os poderes judiciário, policiais e da própria imprensa, expuseram o reitor Cancellier à humilhação, destruindo-o e expondo um poder dos ditadores que mais representa a força dos covardes contra a fraqueza dos fortes.

Com o suicídio do reitor, o Brasil e o mundo tiveram mais um capítulo da tragédia que passa o Brasil.

Leiam a boa denúncia de Elio Gaspari.

Morte de Cancellier é um desencanto


Elio Gaspari, Folha, 08/10/17

Depois de ter afastado o professor Luiz Carlos Cancellier da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina, proibindo-o de entrar na instituição e de ter determinado sua prisão provisória (revogada por outra juíza), a doutora Janaína Cassol Machado, titular da 1ª Vara Federal de Florianópolis atendeu a um requerimento da defesa e decidiu:

"Diante do parecer do Ministério Público, deve ser deferido o pedido, ressaltando-se que a última entrevista começa às 17h30, de modo que a autorização deve se estender para às 18h. No entanto, ressalta-se que o ingresso de Luiz Carlos Cancellier de Olivo nas dependências da UFSC deve ser deferido única e exclusivamente para participar da sessão pública, na data e horário acima especificado."

Tradução: o professor podia entrar na universidade no dia 5 de outubro, mas só das 15h às 18h. Terminado o serviço, devia ir embora.

Cancellier não usufruiu o benefício concedido pela juíza. Entrou na Federal de Santa Catarina três dias antes, no final da tarde de 2 de outubro, morto, para ser velado. Ele se suicidara, jogando-se no pátio interno de um shopping center de Florianópolis.

A morte do professor jogou nas costas dos cidadãos que o acusaram, investigaram e mandaram para a cadeia a obrigação de mostrar que fazia sentido submetê-lo ao constrangimento. Se a chamada "Operação Ouvidos Moucos" acabar em pizza, vai-se estimular a impunidade das redes de malfeitorias encravadas em dezenas de programas de bolsas de estudo do país.

Chegou-se a dizer que a operação policial na qual o professor foi preso investigava o desvio de R$ 80 milhões de um programa de educação a distância. Mentira. R$ 80 milhões foi o valor total do programa. As maracutaias não aconteceram durante a gestão de Cancellier. Havia trapaças no pedaço, envolvendo servidores e empresários, mas o reitor nunca foi acusado de ter desviado um só tostão.

Cancellier foi denunciado pelo corregedor da UFSC, doutor Rodolfo Hickel do Prado por tentar obstruir seu trabalho. Num artigo publicado depois de sua prisão, o reitor revelou que nunca foi ouvido pela auditoria interna. A Polícia Federal investigou o caso e a delegada Erika Marena, madrinha da marca Lava Jato (Flávia Alessandra no filme "A Lei é Para Todos"), pediu a prisão do reitor. Ela também não o ouviu. Depois de solto, Cancellier ficou proibido de pôr os pés na universidade.

Nos dias de hoje, proibir um reitor afastado de pisar na universidade serve apenas para humilhá-lo. Vale lembrar que a ditadura nunca proibiu os professores que cassou de entrar nas escolas. Um bilhete encontrado na jaqueta que Cancellier vestia quando se matou diz que "minha morte foi decretada quando fui banido da universidade" (Quando três ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal obrigam Aécio Neves a dormir em casa, produzem apenas barulho, a menos que estejam defendendo a temperança nas noites de Brasília e do Rio).

As patrulhas da polícia e do Ministério Público devem pensar pelo menos uma vez antes de pedir a prisão um cidadão. Isso porque abundam os sinais de que se pensa mais no espetáculo da publicidade do que nos direitos dos brasileiros. Era realmente necessário prender Cancellier? Soltando-o, era necessário proibi-lo de entrar na universidade?

Guimarães Rosa ensinou:
"As pessoas não morrem, ficam encantadas".

O reitor Cancellier tornou-se um desencanto para o Brasil da Lava Jato.

sábado, 7 de outubro de 2017

Doria e Bolsonaro ameaçam o PSDB e o mercado

O Brasil está liberando seus instintos selvagens

É sempre a mesma história, dão o golpe alegando problemas com o governo vigente, e depois o golpe vira ditadura que impede que os golpistas façam o que prometeram. Não conseguem restabelecer a democracia, e aí vão pedir ajuda para os golpeados.

Em 1964 o golpe militar e civil foi contra as Reformas de Base de Jânio e a tal "ameaça comunista". Logo depois começaram as cassações e muitos golpista foram cassados. Em 1968 o golpe virou ditadura militar, deixando de ser um golpe de militares comandados por civis. Passou a ser uma ditadura militar governada por militares e os civis não mandavam...

Aí os golpistas foram atrás das lideranças estudantis e dos trabalhadores para fazer manifestações contra a inflação, contra a carestia e contra a ditadura. Os golpistas também estavam precisando de liberdade de expressão, de anistia e de participação na vida parlamentar.

O Brasil vive novamente um pós golpe, onde os golpistas estão tentando consolidar uma ditadura neoliberal controlada pelo "mercado", isto é, um governo fantoche dos banqueiros, do agronegócio e das multinacionais. Podemos chamar também de ARISTOCRACIA... O governo dos ricos, para os ricos e com os ricos. O povão fica fora. Para eles, povo é mão de obra
barata.

Da mesma forma que pós o golpe de 1964, Carlos Lacerda, fascista carioca, tentou ser eleito presidente do Brasil, sendo cassado pelos militares, agora apareceram Doria e Bolsonaro, dois neoliberais e fascistas, querendo disputar a presidência do Brasil. Ambos oriundos das milícias golpistas e crescendo no eleitorado com um discurso de direita, conservador, contra o povo e contra as organizações populares. Se depender deles, o Brasil vai para o fascismo.

Ante esta possibilidade, os golpistas em geral e o PSDB em particular já começam a falar em organizar um "pacto social", restabelecendo a democracia e a obediência à Constituição e ao Estado de Direito. Mas foram os golpistas que desrespeitaram à Constituição e o Estado de Direito. Agora querem nossa ajuda para conter seus monstros...

Para que se restabeleça a paz, a ordem e o crescimento econômico com inclusão social e distribuição de renda, o melhor nome continua sendo Lula. Para que, tanto os golpistas como o mercado, aceitem Lula disputar, ganhar e governar, é preciso fazer uma nova carta ao povo brasileiro, mostrando como pretende governar, como vai combater a corrupção e a violência, mostrando como vai melhorar as políticas públicas e como não vai fazer concessões aos corruptos e aos corruptores. Além de se comprometer que será candidato apenas para um mandato.

Lula é a melhor pessoa para liderar a pacificação nacional. Liderar com os trabalhadores, os empresários, as Igrejas, o Judiciário, os partidos políticos, os movimentos sociais e, principalmente, colocando o Brasil acima das picuínhas. Sem ódio e sem rancor.

Para pacificar o Brasil, Lula presidente e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para definir novas regras de governabilidade e modernizar o Brasil. Lula foi o melhor presidente da história do Brasil. Nunca os empresários ganharam tanto dinheiro como nos governos de Lula. Nunca o Brasil teve a imagem internacional que teve nos governos de Lula.

Os brasileiros e o mundo esperam pela recuperação do Brasil. E a melhor pessoa para liderar o Brasil é Lula.



sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Obama no Brasil

O que Obama veio fazer aqui?

O jornal Valor e o Banco Santander, articulados com as forças ocultas e o tal do mercado decidiram trazer Obama para o Brasil para fazer palestra. Provavelmente deve ter recebido algumas centenas de milhares de dólares para fazer a palestra. Faz parte das regras do mercado.

O curioso é que Obama representa o oposto do que é o atual presidente dos Estados Unidos. Enquanto Trump representa o atraso e o interior americano, Obama representou na Casa Branca o moderno e a Nova York americana.

E o que tem a ver Obama com o momento atual brasileiro?

Nada!

Vivemos sob um golpe civil, respaldado pelos Estados Unidos, com um congresso nacional que é o pior da nossa história, por ser ilegítimo e corrupto ostensivamente. Vivemos com um presidente da república desmoralizado, acusado de corrupção explicita e de chefe de quadrilha. Tudo isto não tem nada a ver com a modernidade de Obama e sua digníssima esposa.

Os empresários brasileiros que foram ver Obama, na sua ampla maioria, apoiou o golpe e está comprando os parlamentares golpistas para destruírem o Estado de Bem Estar Social brasileiro, estão corrompendo o governo para que privatizem tudo e entreguem a nossa soberania nacional.

Estão transformando o Brasil num México!


E Obama com isto?


Será que veio só ganhar dinheiro ou
porque quer defender um projeto democrático
e participativo como foi seu governo?

Um aspecto interessante desta visita comercial de Obama é que os empresários brasileiros devem ter pago uma bolada para assistir à palestra do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.

Quando teremos um presidente negro no Brasil?

Será que os brancos deixarão isto acontecer?

A primeira mulher a ser eleita presidente do Brasil não acabou o mandato.
Foi derrubada pelos homens golpistas e reacionários.

Obama, seja bem-vindo e venha mais vezes.

Precisamos estimular os brasileiros a fazer uma grande política de inclusão dos negros na vida brasileira. Afinal, os negros são a maioria da população brasileira.

Já quanto à nossa Democracia, não sei se Obama pode ajudar muito...

Obama é mais para o "yesman" do que para o denunciador das injustiças.

Obama precisa aprender com o Papa Francisco.

O mundo precisa de mais gente como o papa.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

"Vou te matar!" e "Mato quem delatar"

A morte anunciada do "brasileiro cordial"

Primeiro apareceu a fala de Aécio
dizendo que quem delatasse merecia morrer. Esta gravação era de um senador, presidente nacional do PSDB e candidato a presidente da República, que quase ganhou as eleições. E, se o ameaçado aparecer morto?

Depois houve o acidente onde estava um ministro do STF
que não rezava a mesma cartilha dos golpistas. Para os que controlam a situação "foi uma fatalidade", o ministro foi substituído por um profissional da política paulista.Coisas do destino...

Agora aparece com destaque no Estadão de hoje os seguintes diálogos:


"Saud, VOU TE MATAR", avisa aos gritos Funaro.

"Saud, TAMBÉM VOU TE MATAR", faz coro do aviso, o ex-ministro Geddel.

"Cala boca, seu gordo", responde Saud a Geddel.

Este bate boca não acontece no parlamento, nem no palácio do Planalto, nem no páteo do colégio, nem no bar da esquina, tudo isto está acontecendo no presídio da PAPUDA, em BRASILIA!

O estranho é que estes diálogos aconteçam e a imprensa tenha acesso e divulgue como se fosse "folclore". E se a morte se concretizar, quem serão os responsáveis? Lembram do filme "Quem matou Lúcio Flávio". Quantas pessoas já morreram dentro dos presídios brasileiros, somente este ano?

Agora vejam a notícia do Estadão:


"Na prisão, Geddel, Saud e Funaro trocam ofensas

A prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, do operador, Lúcio Funaro e de RICARDO SAUD, da JBS, tem provocado uma sessão de GRITARIA NO PRESÍDIO DA PAPUDA, em Brasília, onde estão recolhidos (PRESOS).

Segundo relatos, (De quem???), Funaro aguarda o fim do banho de sol e antes de voltar para a cela manda aos gritos recado para Saud, preso do outro lado.

"Saud, vou te matar", ATERRORIZA o delator que o entregou.

Do seu lado do muro, Geddel faz coro: "Saud, também vou te matar".

Saud devolve as provocações, mas só para Geddel. "Cala boca, seu gordo!"

Observação do blog:


E pensar que o brasileiro era cordial até o governo Lula.

Bastou eleger uma mulher presidente da República,

e os machos perderam a postura, viraram a mesa,

dando mais um golpe contra a Democracia no Brasil.

Agora, a morte é anunciada dentro dos presídios


e divulgadas na imprensa que patrocinou o golpe.

Triste, Brasil! Já escrevia Gregório de Matos.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Briga entre os Poderes?

O Judiciário está se colocando acima do Legislativo e do Executivo.

Vivemos com um presidente ilegítimo, desacreditado e não reconhecido pela ampla maioria da população. Se vivêssemos num sistema parlamentarista o governo já teria caído e seriam convocadas novas eleições. E a vida continuaria normalmente...

Como vivemos num sistema presidencialista, o defunto está no Palácio e ninguém tem coragem de enterrá-lo. Ficará lá até as eleições do ano que vem. Tudo isto para passar uma imagem de constitucionalidade. Tudo isto para manter uma farsa...

Por que o Judiciário está se sobrepondo ao Legislativo e ao Executivo?


Porque o Judiciário está servindo para executar, sem ter esta função constitucional, as mudanças que os empresários golpistas exigiram para dar o golpe contra Dilma e seus eleitores. A direita neoliberal, derrotada várias vezes nas urnas, decidiu dar mais um golpe no Brasil e para isto comprou os parlamentares mercenários e conservadores, da mesma forma impôs um parlamentarismo presidencialista, sob o mando dos empresários e orientados pela imprensa. O próprio judiciário está subordinado à imprensa e suas forças ocultas.

Por que o Senado subordinou-se ao Judiciário
no caso de Delcídio e não quer subordinar-se no caso de Aécio?

O crime de Delcídio foi deixar-se gravar enquanto negociava suposto apoio para o preso evadir-se e fugir para o exterior; enquanto o crime de Aécio foi "vender-se" por dois milhões de reais e ameaçar matar quem o delatasse. Tudo isto gravado por Wesley da JBS.

No caso de Delcidio o Senado foi rápido e servil. Por que? Porque Delcidio era do PT...

No caso de Aécio, além de ser do PSDB - partido chefe dos golpistas - foi candidato a presidente da República e é parente de Tancredo Neves. Se preso, sujaria o nome da família...

Além da família de Aécio ser Neves, os juizes também apoiaram o golpe contra Dilma, além de serem os operadores da destruição da imagem de Lula e do PT. Como os políticos golpistas não têm autoridade para acusar ninguém, a direita golpista combinou o jogo entre o judiciário, a imprensa e o mundo financeiro...

Apesar de todo poder do Judiciário e da Imprensa,
o povo já percebeu que tudo isto é uma farsa que transforma meias verdades e tragédias infinitas e escondem os mesmos problemas quando envolvem os golpistas, os tucanos e até mesmo membros do judiciário.

Para o povo, o melhor seria fechar tudo,

constituir um Comitê de Transição para convocar Eleições Gerais e a elaboração de uma Nova Constituição com regras duras contra corruptos e corruptores. São 35 partidos políticos mancomunados num sistema eleitoral e partidário de autoproteção e a custos imensos, enquanto o povo ganha pouco e não tem acesso aos privilégios dos políticos, do judiciário e dos megaempresários.

Antigamente chamavam este quadro acima de "briga de brancos"
, onde o povo, e principalmente os escravos, não deveria se meter. Era disputa entre os aristocratas corruptos, mas detentores do poder nacional.

Ainda temos tempo de retomar a Primavera Brasileira...

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Unilever compra Mãe Terra

O Brasil continua à venda

Os produtos da Mãe Terra estão entre os melhores no mercado de produtos naturais. Além dos produtos, a empresa prima pela qualidade das embalagens e pelo marketing. Somos consumidores antigos destes produtos.

Hoje formos surpreendidos com a notícia de que a empresa foi vendida à Unilever por 100 milhões de reais. Ou 25 milhões de Euro, ou ainda quase de 30 milhões de dólares.

É sempre uma tristeza ver as empresas brasileiras serem vendidas aos estrangeiros. Ficamos com a impressão de que os empresários brasileiros são imediatistas. Criam empresas, crescem e depois vendem ainda na primeira geração. Poucas empresas chegam a um século de vida.

O quê faz com que os empresários brasileiros sejam tão imediatistas?

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Tragédias e política

Onde vamos parar?

1 - Americano mata em plena festa

Uma pessoa mata ao menos 59 pessoas a tiros nos Estados Unidos. Uma cena que acontece quase todos os anos. Será que já não é hora de os americanos discutirem o fim da liberação de compras e uso generalizado das armas de fogo nos Estados Unidos?

Sempre defendi que armas devem ser de uso exclusivo das Forças Armadas e que os assaltos a mão armadas, o bandido deve ser severamente punido.

O Brasil continua com a liberdade do uso de armas inclusive o contrabando generalizado tanto para uso dos bandidos como de pessoas aparentemente normais.

Os Estados Unidos já tiveram seu tempo de glória das famílias armadas para enfrentar as dificuldades da vida.


2 - Quem matou o reitor?

Já no Brasil, um reitor de universidade suicida-se em pleno shopping como forma de protestar contra a prisão abusiva. O Brasil continua sendo uma terra de ninguém, onde todos atacam todos e todos ficam com medo. Estamos num processo de barbárie acelerada...


3 - A Folha imita a VEJA

Enquanto os abusos continuam, tivemos um dos dias mais vergonhosos da imprensa brasileira. Quem viu a manchete do jornal Folha de São Paulo teve vergonha de ser assinante ou leitor. Que a Folha foi a favor do golpe de 1964 já é notícia velha. Que a Folha foi a favor do golpe de 2015 também todos já sabem, mas que a Folha faça o mesmo que a revista VEJA, esta é a grande novidade. Em surto de fascista, a Folha conclama com destaque à prisão de Lula.

Sinais dos tempos...

Notícia boa mesmo, foi ver o Vitória ganhar do Botafogo e o Bahia empatar na Fonte Nova. Ambos saindo da zona de rebaixamento. Até o São Paulo também saiu do rebaixamento.

O campeonato está começando a ficar interessante!

domingo, 1 de outubro de 2017

Barcelona: Nada será como antes

Violência espanhola contra o plebiscito

Como se previa, o governo da Espanha, apoiado pelo judiciário espanhol, mandou tropas para tentar impedir o plebiscito da Catalunha.

Mesmo com a violência, o povo catalão foi votar e optar por sua autonomia total em relação à Espanha.

Os governos dos países europeus acompanham os fatos com apreensão. Os Estados Unidos, que historicamente e por influência inglesa sempre foi contra a Espanha, também se cala.

Quando eram os povos do entorno da Rússia, os países da OTAN e os Estados Unidos apoiavam abertamente a independência destes povos e regiões de países. Foi assim com Kosovo, Bósnia, Armênia e tantos outros. Com os curdos e com os catalães estes países se calam. São democratas de conveniência...

Até no futebol o plebiscito interferiu. O jogo do Barcelona está se realizando com os portões fechados. Mas os jogadores do Barcelona se posicionaram a favor da autonomia.

Nada será como antes...