terça-feira, 19 de setembro de 2017

A solução do Brasil está no Judiciário?

Contra o golpe, só a Democracia Popular

Nas crises sociais e econômicas, é comum que as soluções passem por novas ditaduras. Sejam elas iniciadas através de golpes civis ou militares, mas a regra são rupturas através de golpes.

No Brasil atual, a opção foi por um golpe civil, sem a participação repressiva dos militares. Estes participaram como "avalistas silenciosos".

Passado o golpe, vem o impasse:

Como retornar ou começar o Sistema Democrático
com a participação direta do Povo? Como o Brasil vai voltar a ser uma Democracia reconhecida internacionalmente?

Da mesma forma que em 1964, o que aparentemente deveria durar alguns meses, passou por 1968 e durou mais de vinte anos, o novo golpe no Brasil ainda está muito recente, as forças políticas e econômicas ainda não se recompuseram. Todo mundo está com medo de todo mundo. Ninguém confia em ninguém. E o Povo observa ressabiado, desconfiando mais ainda...

A ditadura criada com o golpe de 1964 foi encerrada em 1985, quando definiu-se que haveria eleições diretas para presidente e também haveria nova Constituição. Com a inflação crescente e os empresários em novos patamares, criou-se um pacto social, preservando-se os bônus e os ônus da ditadura militar. Não houve ruptura para a democracia. Houve uma acomodação.

Os novos golpistas estão numa sinuca de bico:


Estimularam o empoderemento do judiciário e da imprensa, abrindo mão do poder legislativo e do executivo, deixando o país à deriva de vaidades e de "forças ocultas". Afinal, não há poder honesto no Brasil. Os poderes são compostos por pessoas. E as pessoas, para exercerem poderes, na grande maioria aceita fechar os olhos às irregularidades. As instituições e seus representantes sempre se locupletaram com a corrupção, a ilegalidade e o jeitinho brasileiro.

Os militares, em 1964, não combateram a corrupção. Combateram as reformas populares, sob o pretexto de se combater o comunismo. E para isto, o jeitinho brasileiro e americano passava por cima da legalidade... Isto faz parte da História e da composição do Brasil.

Agora surgiu um novo general Mourão conclamando o combate à corrupção.


Realmente é preciso dar um basta à corrupção no Brasil.
Em todas as instituições, publicas e privadas.
É preciso punir os corruptos e os corruptores.

O general Mourão delega ao Judiciário o poder moralizador. Este é um erro gravíssimo!
O Judiciário não tem autoridade histórica para exercer o poder moralizador do Brasil. Nenhuma instituição sozinha tem hoje esta autoridade.

Qualquer solução que não passar pela legitimação do voto popular levará o Brasil a novos impasses e a novas rupturas.

O maior problema atual é que os golpistas sabem que precisam do voto do povo para se sentir legitimados, mas estão com medo do povo. Não estão seguros de que, mesmo impondo Pacotes Eleitorais, conseguirão induzir o povo a votar em seus candidatos. Há uma imponderabilidade que afeta as definições necessárias para restabelecer a democracia no Brasil. Ainda vivemos numa profunda crise de hegemonia política, econômica e social.

Enquanto não se acertar a forma de se restabelecer a Democracia,
estaremos caminhando mais para 1968 do que para 1985.

Com generais ou sem generais.
Com o Judiciário ou apesar do judiciário.
Com a imprensa ou contra a imprensa.

É necessário restabelecer a Democracia no Brasil.


E não se iludam com as Igrejas Evangélicas partidarizadas.
A Igreja Católica já teve sua época de partidarização...

Precisamos de transparência absoluta nas instituições,
precisamos de uma estrutura de Estado simplificada,
precisamos criar mecanismos de participação efetiva do povo.

O povo sim deve ter a palavra final sobre seu governo e suas instituições.


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