quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Jeanne Moreau morreu. E o cinema francês?

Da década dos sonhos à década perdida

Ontem saiu uma boa matéria de capa do caderno Ilustrada da Folha sobre a morte da atriz Jeanne Moreau, na segunda-feira, em Paris, aos 89 anos de idade.

Quem não viu e reviu o lindo filme "Jules e Jim", do também tão querido Francois Truffaut, com Jeanne Moreau como protagonista e simbolo de uma época?

Jeanne Moreau simboliza a rebeldia, o novo, o irreverente e a busca da realização. O cinema francês era era a vanguarda cultural e o modelo do mundo.

Como está o cinema francês atualmente?


Imitando o cinema americano, repetitivo e comercial.
Cada vez que minha esposa convida-me para ir assistir a um filme francês eu fico com receio de sair, mais uma vez, frustrado do cinema. Os filmes alemães dizem mais sobre o mundo de hoje do que os franceses...

Como dizia a própria Jeanne:
"Tenho em mim uma espécie de energia que não controlo."


Atuar nos últimos tempos estava ficando cada vez mais difícil, sobretudo diante da "tentação, à qual não se deve ceder, de fazer qualquer coisa para agradar o público, ao invés de fazer aquilo com o que estamos profundamente de acordo."

Chico Buarque também deve estar triste. Perdeu uma das musas de suas canções. Quem não se lembra da música Joanna Francesa, cantada pela Jeanne, por Nara Leão e tanta gente mais?

Está na hora de o cinema francês voltar a ser o quê era.
Um cinema de vanguarda, em vez de cinema para vender pipoca ou popcorn...

Os anos sessenta ficaram para trás,

os sonhos libertários acabaram,
muitos de seus líderes viraram conservadores.

Vivemos época de barbárie e de vergonhas,
vivemos época sem sonhos e sem esperanças.
Como será o novo? Como será a nova vanguarda?

O mundo nunca foi tão globalizado como agora.

O mundo nunca esteve tão triste como agora.
O mundo está precisando voltar a ter esperança,
a acreditar na força da democracia e da liberdade.

Isto tudo pressupõe reconhecer as minorias,
os diferentes e a não necessidade de tantos partidos políticos,
nem de governantes autoritários e corruptos.

A França sempre foi uma fábrica de sonhos e esperanças.

A França não pode morrer.
Viva a cultura francesa!

Viva a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade!

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