domingo, 27 de agosto de 2017

A crise da Esquerda é profunda e da Direita é que ela desistiu da Democracia

Sem Democracia, qual será o futuro da humanidade?

Peguei o Estadão e a Folha para ler. Curiosamente, os melhores artigos estavam nos cadernos culturais. a Folha tinha três páginas sobre as músicas de Chico Buarque, enquanto que o Estadão tinha toda a capa do caderno Aliás sobre Borges. Optei por ler os artigos sobre dois livros sobre Borges, mas antes folheei o caderno para ver as outras matérias.

Na página 3 achei dois artigos sobre temas que me mobilizam muito. O primeiro sobre a Guerra Civil americana, fato mais importante ocorrido no final do século 18 junto com a Revolução Francesa. Estas duas revoluções mudaram a história da humanidade. O segundo artigo é:

"O Futuro da Democracia em Debate".

O maior tema da atualidade.

Em artigo assinado por Vitor Marques, ele entrevista o professor José Arthur Giannotti. Como todos sabem, Giannotti é amigo de Fernando Henrique e teórico do PSDB. Mas sempre foi um bom professor e bom debatedor. Gosto de ler suas entrevistas...

O curioso desta entrevista é que, em nenhum momento, o professor não aborda o fato de o PSDB ser um dos líderes do golpe e das reformas que estão destruindo o Estado do Bem Estar Social e implantando o neoliberalismo radical no Brasil. Ele fala do governo Temer como se fosse um governo legítimo e eleito pelo povo para fazer o que está fazendo. Não fala de Aécio Neves e suas falcatruas que sujaram a imagem do PSDB, etc.

Giannotti diz que há uma crise de representação e depois ela se transforma em uma CRISE DE ESTADO. Também concordo que haja uma profunda crise em relação ao papel dos partidos políticos e seu monopólio do Poder Legislativo. Considero este sistema superado no Brasil e no mundo.

Giannotti repete que "a grande vantagem do governo Temer é que a oposição está em crise. a crise da esquerda é profunda."

Diz também que "a candidatura Lula atrapalha a esquerda (????). Porque impede a esquerda de tomar consciência de suas tarefas atuais de enfrentar o capitalismo tal como ele é não tal como ele foi pensado no século 19. Não adianta nada ter um racha no PT e ter o PSOL, porque aí você tem esquerdistas falantes e mais nada."

"O que importa é como vão funcionar os partidos e como os partidos vão encontrar suas identidades."

Insiste:
"Enquanto não tivermos uma esquerda renovada, não teremos uma direita renovada."


Será que, para ele, esquerda renovada só existe se Lula for impedido de candidatar-se?

Inocentemente Giannotti afirma que: "A Lava Jato nasceu de um pequeno processo de denúncia e de repente a denúncia se mostrou contra os maiores próceres do Estado brasileiro."

Há um silêncio mortal sobre o golpe e sua busca de legitimar-se como nova hegemonia neoliberal e sem abrir espaço para repetir experiência como os governos de Lula e do PT. Experiência que abriram espaços para ampla participação popular, melhorar a qualidade de vida de mais de 40 milhões de brasileiros e que dificultava que o PSDB ganhasse eleições presidenciais.

Realmente há uma crise na Esquerda.
Desde uma crise ética como também uma crise de concepção e prática política.
Mas, nem Lula nem o PT NUNCA pensaram em acabar com a Democracia no Brasil.
Fato que o PSDB e seus aliados abriram mão da democracia e
praticaram um golpe de Estado e estão buscando criar
a ditadura da meritocracia neoliberal e o povo que se vire...

A direita,composto pelo Mercado, pela Imprensa, pelo Judiciário, pelos Evangélicos e pelos partidos conservadores, desistiu da Democracia em nome de preservar sua hegemonia neoliberal e mercenária. Isto aconteceu no Egito, no Brasil, poderá acontecer no México, sem contar os países europeus oriundos do bloco soviéticos.

Estas crises de representação, afinal, são tão velhas quanto a história da humanidade. Na história de Ben Hur, os ricos já aparecem fazendo jogo sujo na hora da corrida e os pobres aparecem praticando a democracia direta na escolha entre Jesus e Barrabás... Mas,a História mostra a evolução da democracia e a participação dos pobres no processo de escolha de seus representantes.

A insistência dos neliberais em constituírem governos antidemocráticos, como fizeram no Egito e no Brasil, tenderá a levar os países a confrontos de massa e também armados, como aconteceu na Ucrânia, está acontecendo na Venezuela e agita-se na Argentina. No Egito os militares tomaram o poder com o apoio dos países ocidentais. Na Ucrânia a oposição armada tomou o poder também com amplo apoio ocidental.

No Brasil, os militares ainda estão nos quarteis. Giannotti comemora que ainda não tenha havido uma intervenção militar. Mas esta ainda não foi necessária porque o lado que o professor apoia está vencendo o jogo e fazendo as reformas neoliberais, sem o povo. Nem sempre os militares ficarão a favor dos empresários e contra o povo.

Sem Democracia, voltaremos à Guerra Fria. Ou à Guerra Convencional.
Sem Povo não tem Democracia.
E, é preferível os ricos aceitarem conviver com os pobres, democraticamente, do que correr o risco de quando os pobres ganharem a guerra, acabarem com os ricos violentamente.

Ainda não descobriram nenhum modelo de governo melhor do que a Democracia com garantia constitucionais e Estado de Direitos definidos diretamente pelo Povo.

O jornal Estadão também apoiou o golpe e vem apoiando esta nova ditadura civil e mercenária. Mas não consegue acabar com a liberdade de informação e de organização do povo brasileiro. Afinal, a imprensa, as universidades, o judiciário e as organizações sociais, todas elas precisam das garantias constitucionais para praticarem a Democracia e a Liberdade.

Para isto tivemos a Guerra da Independência Americana e a Revolução Francesa. Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Com governos com o Povo, para o Povo e do Povo. Isto é Democracia!

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