sábado, 1 de julho de 2017

Referência obrigatória para um NOVO BRASIL

Nosso passado nos ensina...

Oswaldo Aranha, a Revolução de 1930 e o pós-guerra,
quando o Brasil industrializou-se, urbanizou-se e
deixou de ser uma “grande fazienda”
para ser uma grande esperança.

O futuro sorria para nós...
Aí veio 1964, depois 1985, depois 1988, depois 1991, depois 1994, depois 2002, depois 2010, depois 2014. Cada data uma transformação, para o bem e para o mal...

Como recuperar as esperanças?
Este artigo de Matias Spektor, publicado no meio do caderno Ilustrada da Folha de hoje, nos dá uma série de dicas importantes.

Leia o artigo e vamos virar a mesa para reconstruir o nosso Brasil!

Fotobiografia de Oswaldo Aranha
se torna referência obrigatória


MATIAS SPEKTOR – Folha - 01/07/2017 02h00
OSWALDO ARANHA - UMA FOTOBIOGRAFIA (ótimo)
AUTOR Pedro Corrêa do Lago
EDITORA Capivara
QUANTO R$ 70 (412 págs.)

Então governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas hesitava em deslanchar o golpe para derrubar o presidente Washington Luís. Quem o pressionou e ameaçou foi Oswaldo Aranha, seu articulador político mais fiel.

Com 36 anos, Aranha era um fenômeno. Começara a fazer política na faculdade e aprendera as manobras do ofício durante os dez meses de guerra civil que rachara o Rio Grande do Sul, em 1923.

Sua trajetória foi meteórica. Durante a revolução de 1930, coube a Aranha organizar a base de apoio a Getúlio, além de obter material bélico e munições na Argentina e na Tchecoslováquia.

Instalado no poder, Aranha virou ministro da Justiça e da Fazenda. Lá, institucionalizou os poderes discricionários de Vargas, dissolveu o Congresso e criou o quadro de exceção que deveria durar até a eleição da constituinte.

Coube a ele a gestão da crise econômica de 1929 e, quando São Paulo se levantou contra Vargas, foi ele quem cuidou da contenção do movimento constitucionalista.

Sua relação com Vargas era sempre tensa. Não à toa, em 1934, o presidente despachou seu articulador para longe, como embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Durante os quatro anos que lá permaneceu, Aranha cavou um espaço próprio junto ao governo Roosevelt.

Sem ele, o Estado Novo quiçá não tivesse contado com a anuência americana, e o Rio de Janeiro jamais recebesse tratamento preferencial na América Latina.

Aranha voltou ao Brasil, a pedido de Vargas, em 1939. Começava a Segunda Guerra e o embaixador ocuparia a pasta das Relações Exteriores. Como chanceler, selou a aliança com os americanos, afastando o país da Alemanha de Hitler.

O Brasil terminou declarando guerra ao Eixo, mas Aranha se desgastou com Vargas e perdeu a quebra de braço na cúpula do poder.

Afastado da vida pública antes mesmo de a guerra terminar, voltaria mais tarde para representar o país junto às Nações Unidas e para ser ministro da Fazenda de Vargas, em 1953. Um ano depois, foi dele o principal discurso no enterro do chefe.

A nova fotobiografia apresenta ao leitor um acervo iconográfico primoroso. A edição cuidadosa oferece uma síntese dos principais episódios da vida de Aranha, além de numerosas citações de amigos, desafetos e estudiosos. A bibliografia completa e o índice onomástico a transformam em referência obrigatória.

Acima de tudo, o livro oferece o melhor retrato de uma época na qual a política brasileira ainda produzia gigantes.

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