domingo, 23 de julho de 2017

Jornalismo golpista ou jornalismo de qualidade?

A imprensa brasileira optou, mais uma vez, pelo golpismo

O jornal Valor, no seu caderno de fim de semana, "EU&fim de semana" publicou duas longas reportagens que tem tudo a ver com o Brasil. A primeira, que também foi matéria de capa, "Os novos caminhos da Notícia", a segunda foi uma longa reportagem e entrevista sobre os negros no Brasil. Abordando a FLIP, feira literária de Paraty, promovida pela Editora Companhia das Letras, que terá como um dos temas principais Lima Barreto.

Considerando que já estamos no final da noite de domingo, vou abordar somente a questão da imprensa, da mídia e da qualidade ou compromisso com os leitores.

1 - Por que será que os empresários de mídia dos Estados Unidos são mais transparentes do que os empresários de mídia brasileiros? Será que é porque aqui no Brasil imprensa é visto como uma "concessão do Estado/governos"? Ou será porque os americanos são mais empresários do que os brasileiros? Ou ainda será porque o público leitor americano é mais exigente do que o público leitor brasileiro? Temos várias opções e combinações...

2 -
É bom ver o dono do jornal "The New York Times" assumir publicamente as dificuldades em manter o que a empresa de sua família faz há CINCO GERAÇÕES - UM JORNALISMO DE QUALIDADE.

Os Estados Unidos haviam passado por um tsunami econômico em 2008, alcançando grandes instituições financeiras, a internet abalava todo o setor de mídia e o mercado publicitário, desorientado, acionara o freio.

Vejam que declaração distante da realidade brasileira:
O dono do Times diz que
"o que se espera de uma empresa de jornalismo é a HONESTIDADE."


Mais uma frase marcante:

"OFERECER EXCELÊNCIA JORNALÍSTICA É O NOSSO PRINCÍPIO HÁ 165 ANOS."

Nenhum jornal, rádio ou TV brasileiros NUNCA teve como prioridade a Excelência, a Qualidade e a Honestidade. Aqui no Brasil o modelo de sucesso no vale-tudo é de Chateaubriand, Roberto Marinho e os Frias. Os Mesquitas já não são donos de mídia, infelizmente.

3 -
A imprensa americana não foi capaz de ascultar o "grande" Estados Unidos, um país não vive na ilha de Manhattan, nem desfila nas alamedas arborizadas de Washington. A imprensa britânica não levou em conta o que se passava fora de Londres com o "Brexit". Na França a imprensa demorou a ver que Macron encarnava um aneio de mudança da sociedade.

Esses episódios parecem sinalizar que o futuro do jornalismo depende não só de suporte financeiro, mas do fortalecimento dos seus valores mais caros - rigor na apuração, independência, credibilidade. Além de as empresas terem que contar, cada vez mais com o bolso dos leitores...

Palavras do caderno especial do jornal Valor. Boas palavras...

No Brasil, assustados pela mesma crise de 2008
, a imprensa brasileira, em vez de manter a prioridade na qualidade, no rigor da apuração, na independência e na credibilidade, a imprensa brasileira optou por organizar e dirigir mais um golpe de Estado e dar início a uma nova ditadura.

Só que esta nova ditadura é civil, e não está disfarçada em militar.

Para isto, a imprensa resolveu também dar um golpe nos empresários, aliando-se a parcela do judiciário, que aceitou fazer o papel de capitão do mato. Quantos aos políticos e seus partidos, todos estavam no bolso dos empresários e sob controle do ministério público e seus golpistas.

Assim, o Brasil voltou no tempo a antes de Getúlio Vargas, a antes de 1930.
Quem sabe se, ainda antes de 2030, o povo tome coragem e derrube os novos ditadores. E faça florescer uma nova primavera brasileira.

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