sábado, 3 de junho de 2017

A Dor do Desemprego

De 10 para 14 milhões de DESEMPREGADOS

Quando Dilma estava definhando no governo, os golpistas diziam que tinham que tirar Dilma do governo porque o desemprego estava em mais de DEZ MILHÕES de desempregados; eles prometiam baixar o desemprego.

Muitos dos desempregados, e seus familiares, acreditaram nas promessas dos golpistas, patronais e neoliberais, e apoiaram o golpe, indo às manifestações contra Dilma.

Passado um ano do golpe, o DESEMPREGO chega a mais de 14 MILHÕES.


E nós, que fomos contra o golpe, somos obrigados a ver chegar levas de demitidos para fazer homologação nos sindicatos. Nós também somos obrigados a atender estes demitidos, ouvindo-os, acolhendo-os e mostrando que a piora da crise, a piora da corrupção e o aumento do desemprego tem a ver com o golpe do impeachment e as traições de Temer e dos congressistas. Os demitidos lamentam ter sido enganados e nós os chamamos para se unir às manifestações contra Temer e o Congresso Nacional.

A direita e os neoliberais sempre gostaram de altas taxas de desemprego, assim formam o Exército de Reserva de mão de obra, barateando os salários.

Agora a direita e os neoliberais querem a terceirização plena, precarizando o trabalho e acabando com as férias, 13o. e até acabando com as aposentadorias. É o fim do mundo...

A dor coletiva é diferente da dor individual.


As demissões em massa e o crescimento do desemprego viram estatísticas e matérias de analistas nos jornais, rádio e TV. Mas a dor do desemprego é muito pior do que uma mera estatística.

A mãe que vê o marido desempregado e tem que tirar os filhos da escola privada, que não dá desconto ou bolsa para filhos de desempregados, é uma dor imensa...

A esposa que vê o marido desempregado e deprimido, sentindo-se um nada por não conseguir novo emprego, chora em silêncio sem saber como vai pagar as contas...

Os maridos que tinham um bom emprego, como analista de crédito, gerente de banco, jornalista experiente ou professor com doutorado no exterior e falando várias línguas, estes maridos pedem ajuda aos amigos e não vê a ajuda chegar, ficam deprimidos e incapazes. Sem contar que, muitas vezes as esposas perdem a paciência...

E quando a demissão se dar para aproveitar a crise e se vingar de pequenas diferenças? A pessoa trabalha mais de vinte anos num banco ou num escritório, e de repente é demitida porque o novo chefe quer se vingar de um problema que tiveram anos atrás?

E quando as empresas demitem em massa exclusivamente para contratar novas pessoas pela metade do salário? Quanto oportunismo? Quanta covardia?

Outros problemas comuns aos demitidos são:


1 - tirou os filhos das escolas públicas e matriculou nas escolas privadas; agora vai ter que voltar, andando para trás...

2 - ia para a escola de carro da família; agora vai a pé ou de ônibus...

3 - usava o convênio médico de qualidade, oferecido pela empresa, agora vai voltar para o SUS; e enfrentar longas filas...

4 - tinha PLR - Participação nos lucros e resultados - de 2 salários por ano, dando direito a viajar nas férias; agora não tem mais PLR e passa as férias na casa dos avós...

5 - tinha ticket alimentação e refeição, fazendo supermercado e sem levar marmita para o trabalho; agora não tem como pagar supermercado e nem precisa fazer marmita; não tem emprego...

6 - adorava jantar fora nos fins de semana, ir aos cinemas no shopping e comer pipoca; agora filme só na TV, sem pipoca e comida só na hora certa...

7 - todos ganhavam presentes nos dias de aniversários; agora só ganham beijinhos e abraços...

8 - e cortar os celulares dos filhos? Já pensou os jovens e adolescentes sem tudo isto e sem celular?

Estes exemplos
normalmente levam os desempregados a baixar a auto-estima, dificultando conseguir emprego novo e até dificultando pedir ajuda para os amigos...

E, enquanto isto,
a imprensa, que apoiou o golpe e tem responsabilidade por tantas demissões, esta imprensa é capaz de fazer reportagem sobre os dependentes de droga e seus sucessos e suas recaídas, mas não fazem reportagens sobre o sofrimento dos desempregados e seus familiares.

Talvez se o Brasil tivesse mais Políticas Públicas
e a população usasse as escolas públicas, a saúde pública e o transporte público, talvez o sofrimento seria menor. Mas a imprensa ensina o "salve-se quem puder" e o individualismo.

A imprensa insiste em dizer que tem que privatizar tudo
, mesmo que fique mais caro para todo mundo, principalmente para os desempregados.

Sendo que antigamente a vida era mais simples e a comunidade menos sofisticada. Não precisamos voltar ao passado, mas nosso presente não pode ignorar as experiências bem sucedidas... O futuro passa por boa educação, boa saúde e, principalmente, por uma vida comunitária mais saudável e participativa. Um por todos e todos por um...

Desempregados não são números,
desempregados são pessoas,
com famílias e filhos...


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