sábado, 13 de maio de 2017

Violência contra o BNDES

Estado Policial atinge os funcionários e o Banco

É com imensa tristeza que olho o noticiário sobre a intervenção da Polícia Federal, a mando do TCU e de algum juiz de plantão nas operações e na autonomia do BNDES e de seus funcionários.

Estão acusando o banco de favorecimento a JBS.
O curioso é que a empresa nega que tenha havido favorecimento.
Não sei o que é pior, este circo que estão montando para perseguir Lula, o PT, e quem teve ou tem alguma relação com o PT e com Lula, ou constatar que estão destruindo grandes empresas públicas e privadas. Vivemos um clima de caça às bruxas, como na época da Guerra Fria e da luta contra o comunismo e seus pretextos. Também parecemos a Espanha da guerra civil, quando preferiram destruir o país e acabar com a liberdade durante 60 anos, a aceitar a democracia e o regime republicano.

Fui membro do Conselho de Administração do BNDES, no governo de FHC,
por seis anos, indicado pela CUT e reconhecidos meus requisitos pelo então Ministro do Planejamento, José Serra, este solicitou ao presidente da República a minha nomeação. Como Fernando Henrique estava viajando, o vice-presidente Maciel, em exercício assinou minha nomeação e mandou publicar no Diário Oficial.

Como membro do Conselho de Administração do BNDES
, dei voto favorável a renegociação das dívidas da Rede Globo com o BNDES. Recomendei que, se necessário, se ampliasse os prazos e as condições de pagamento para que a Globo pudesse superar a crise de câmbio que levou a grande desvalorização do real ante ao dólar, aumentando drasticamente o endividamento das empresas que tinham dívidas em moedas estrangeiras. Era o tal do HEDGE.

Como membro do Conselho de Administração do BNDES
, dei voto favorável que, tanto o banco como a BNDES-PAR investissem e ajudassem na gestão da Perdigão para que ela não quebrasse. O então presidente do banco, Luiz Carlos Mendonça de Barros, mostrou-se um grande visionário, e com o tempo, a Perdigão virou uma grande empresa nacional, incorporou a SADIA, criando a BRF que hoje está presente em todas regiões da Terra. Mais um caso de grande sucesso.]

Estes são dois casos de sucesso que acompanhei e posicionei-me.
Posso também citar casos de fracassos e mesmo de operações duvidosas, mas que aceitei ser voto vencido em respeito ao direito de um governo eleito pelo povo, que gozava de grande apoio nacional e internacional, poder executar o seu programa eleitoral. Fernando Henrique e sua equipe estava privatizando o Brasil... O povo o tinha elegido.

O caso de fracasso foi o financiamento para a implantação de vários Parques de Diversões em várias regiões do Brasil. O único caso que deu certo foi o do Ceará. O Hopi Hari em São Paulo está em fase falimentar... Registrava minhas preocupações, achando que era operação de risco e que se devesse implementar um parque de cada vez para se adquirir experiência. A tal da espertise, em inglês. Não vou entrar em detalhe no caso escandaloso da Bahia, na época de ACM...

Os casos mais graves que presenciei no BNDES foram as PRIVATIZAÇÕES.


Por ordem do governo federal e lei aprovada no Congresso Nacional, o BNDES, além de ser o agente executor das privatizações, financiavas as compradoras, geralmente multinacionais e fundos de investimentos estrangeiros, que ganhavam nas duas pontas: Na compra do ativo SUBAVALIADO, e no financiamento a taxas e prazos super benéficos para o adquirente.

Quase todas as privatizações de FHC foram temerárias.

Querem exemplos?

1 - A Vale do Rio Doce
, atual Vale, os compradores, em poucos anos já tinham recuperado todo o investimento e controlavam uma das maiores empresas do mundo.

2 - O caso mais escandaloso
foi a privatização da Light de São Paulo, comprada pelo Enron americana, empresa comprometida e com má fama nos Estados Unidos. A AES-Eletropaulo criou tanto problema para pagar suas dívidas com o BNDES, que durou vários mandatos e vários processos. Sem contar com a má qualidade dos serviços prestados...

3 - Outro caso escandaloso
pelo volume financeiro envolvido e pela importância da empresa, foi a privatização do BANESPA. O Santander comprou à preço de banana, como pechincha, como foi reconhecido internacionalmente. Em poucos anos o Santander já tinha recuperado tudo que pagou e passou a ser o maior lucro do Santander no mundo. Assim, o Brasil passou a abastecer o Santander para novas aquisições como fizeram com o Banco Real e com o ABN-Amro.

Os brasileiros não nasceram para ser capitalistas internacionais? Nasceram para ser vassalos?
Ou a corrupção, no varejo e ataque, justifica que os intermediários se enriqueçam, em troca do empobrecimentos dos Estados, Municípios e do próprio Brasil.

Nos seis anos que passei convivendo com diretores e funcionários do BNDES, nunca soube nem vi nenhum caso de corrupção de funcionários do BNDES, fossem concursados ou não. Lamentável saber pela imprensa que a Polícia Federal foi até a casa de vários funcionários para recolher computadores e documentos. Isto sem que a PF tenha ido ao próprio banco!

Nos seis anos que passei no banco, sempre procurei favorecer o crescimento do Brasil, priorizando o fortalecimento da economia nacional, das empresas de brasileiros e que estivessem voltadas para o bem do Brasil. Nunca me omiti nem tive medo de ser processado. Mantenho meus respeitos aos diretores e presidentes como Luis Carlos Mendonça de Barros, Eleazar de Carvalho Filho e vários outros. Mantenho minha gratidão à CUT que recomendou minha indicação ao ministro da Fazenda, José Serra, e à nomeação por concordância do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Os golpistas, em nome de se combater Lula e o PT, estão destruindo nossas instituições e destruindo a imagem do Brasil internacionalmente.

Até quando
, os empresários, os juristas, os trabalhadores,
os acadêmicos, os economistas e
os brasileiros aceitarão esta destruição e estes abusos?

Será que teremos que pedir ajuda às Forças Armadas?


Todo apoio aos funcionários do BNDES!
Todo apoio ao BNDES, como uma instituição exemplar.

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