terça-feira, 30 de maio de 2017

Um diálogo amplo em defesa do Brasil

Todos ESTÃO, ou TODOS ESTAMOS no mesmo lado?

1 - Taí uma curiosidade:
o título do artigo de Benjamin publicado na Folha de hoje é "O lado do Brasil". Já o título do mesmo artigo, publicado no site da Folha é "No fundo, todos estão no mesmo lado, o lado do Brasil". Talvez inconscientemente o editor da Folha tenha preferido um título que tenha a ver mais com o jornal do que com a intenção de Benjamin. a Folha tem defendido o neoliberalismo e a política monetária radical. Ao contrário de Benjamin que é mais desenvolvimentista do que neoliberal.

2 - Benjamin deveria submeter este seu artigo às instâncias da Fiesp
e transformá-lo em posição da Fiesp. Superando a fragilidade da posição de Paulo Skaf, presidente atual e também denunciado na operação Lava Jato, além do uso de benefícios da entidade quando foi candidato pelo PMDB e quando fez campanha contra Dilma. Skaf hoje é um presidente sem autoridade e sem liderança no empresariado industrial paulista.

3 - Benjamin Steinbruch é o primeiro empresário brasileiro de peso
que tem a coragem de reconhecer a crise e propor um DIÁLOGO AMPLO EM DEFESA DO BRASIL, publicamente. Nenhum político hoje tem autoridade moral para dizer que está isento das denúncias surgidas até agora. A Estrutura Partidária atual leva à corrupção institucionalizada. Os valores econômicos que os empresários pagaram e pagam aos políticos e gestores públicos são maiores do que o pretenso deficit da Previdência.

Portanto,para que efetivamente haja UM DIÁLOGO AMPLO EM DEFESA DO BRASIL
, é preciso que haja uma trégua.

E só haverá trégua se:


(1) reconhecermos que o presidente ilegítimo e denunciado, Michel Temer, não tem mais legitimidade para continuar no cargo;
(2) parar a tramitação das reformas da Previdência e Trabalhista, para que prevaleça as posições de todos os segmentos da sociedade brasileira, em vez de continuar os empresários comprando emendas e pagando por pontos das reformas, enquanto o povo será o grande prejudicado;
(3) enquanto perdurar o DIÁLOGO EM DEFESA DO BRASIL, as prisões preventivas e abusivas devem ser suspensas, sendo que os denunciados devem ser julgados com imparcialidade política, religiosa e moral. Nem os empresários, nem os trabalhadores podem continuar reféns de um justiça que não está sendo justa nem tem equidade.

Para se colocar o Brasil em primeiro lugar,
precisamos passar este país à limpo, precisamos fazer uma NOVA CONSTITUINTE, e fazer ELEIÇÕES GERAIS. Entre a necessidade de se moralizar o Brasil e a demagogia de que esta Constituição violentada pelas PEC's, compradas pelos empresários, e vendidas pelos parlamentares; deve prevalecer as necessidades do Brasil.

Da mesma forma que, com a Revolução de 1930
, se começou um novo calendário político;
da mesma forma que com o golpe militar de 1964, se começou um novo calendário político,

está na hora de se negociar um novo calendário político para o Brasil.
Um calendário da modernidade, para todos, de todos e com todos os brasileiros e brasileiras.

Para mostrar que não tenho restrição ao artigo de Benjamin Steinbruch, o reproduzo abaixo.
Afinal, se for para ajudar o Brasil, todos ESTAMOS no mesmo lado. O lado do Brasil.


"No fundo, todos estão no mesmo lado, o lado do Brasil"


Folha - Benjamin Steinbruch - 30/05/2017

Qualquer observador desarmado que olhe para o convulsionado Brasil de hoje dirá que o país precisa de conciliação.

Não há como sair da enrascada político-econômica em que se meteu sem um mínimo de entendimento entre as partes em conflito. Tolerância e serenidade são virtudes a serem cultivadas mais do que nunca neste momento.

Não quero dizer que se deva fechar os olhos para malfeitos
, que têm de ser rigorosamente apurados e punidos.
Falo da necessidade de excluir o ódio e o radicalismo do cenário atual de disputa tanto pelo poder político quanto pela preponderância na forma de conduzir a economia.

O país precisa de reformas modernizantes, algumas já em andamento, e quase ninguém discorda disso. Os reformistas, porém, têm que entender que as mudanças são de grande magnitude.

A ideia criada é a de que façamos as reformas imediatamente. O Brasil está frágil, e não é hora de provas. Haverá graves danos, sem dúvida, se as reformas empacarem. Mas é possível estender um pouco mais o esforço reformista no tempo, para que as mudanças possam ser mais bem explicadas às pessoas e entendidas por aqueles que serão atingidos diretamente.

De outra parte, espera-se das forças que reagem radicalmente contra todas as propostas de reformas o bom senso para entender que o país, no médio e longo prazo, perderá a viabilidade se não puser em marcha desde já, de forma gradual, as mudanças modernizantes nas áreas trabalhista, previdenciária, tributária e política. Posições extremistas, na economia e na política, levam sempre a decepções e fracassos.

Políticas monetárias radicais

como se adotou no país incham o setor financeiro,
asfixiam o setor produtivo e
impulsionam a recessão e o desemprego.

Seguidos e impiedosos cortes de gastos fazem encolher mais ainda a produção e, em consequência, reduzem as receitas do governo, o que acaba por exigir mais cortes, engrossando uma bola de neve nefasta para a economia.

Gastanças descontroladas, por outro lado, principalmente em despesas correntes, tendem a estimular a inflação, que corrói renda e salários principalmente das camadas mais pobres da população.

O objetivo maior do país
, que se resume em
desenvolvimento, criação de empregos e
melhoria da condição de vida das pessoas,
só será atingido se os vários lados da atual disputa abandonarem radicalismos e buscarem soluções negociadas que se enquadram nos limites legais e constitucionais.

Em 1977, a Espanha estava à beira do caos, com inflação elevada, desemprego e ameaças do retorno a um regime autoritário. Articulou-se então um acordo, do qual participaram governo, partidos, sindicatos, associações de empresários.
Todos fizeram concessões e assinou-se o conhecido Pacto de Moncloa, uma referência mundial em matéria de entendimento político e econômico bem-sucedido.
Não acho que o Brasil precise de algo tão grandioso quanto o pacto espanhol. Nem há clima para isso, e as circunstâncias são diferentes.

Neste momento, porém, quando parece se armar uma nova temporada de manifestações populares, é preciso que a ideia da conciliação esteja presente nas mentes das pessoas de bem.

Porque, na verdade, todos estão no mesmo lado, o lado do Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário