segunda-feira, 15 de maio de 2017

Itaú comprou o Citi, comprou a XP, vai comprar...

Quando o discípulo supera o mestre

Uma reflexão sobre a formação da riqueza

Não é a regra, mas, alguns filhos conseguem superar os pais, quando herdam suas empresas. Nos últimos vinte anos, o Brasil e o mundo financeiro internacional acostumaram-se a ouvir falar de Roberto Setúbal. Herdou a presidência do pai, Olavo Setúbal, que ampliou o Banco Itaú com várias fusões e aquisições, mas que era sempre o segundo maior banco privado do Brasil. Tendo sempre o Bradesco em primeiro lugar. Afinal, disputar o primeiro lugar com Amador Aguiar e depois com Lázaro Brandão não era fácil.

Mas, como dizia a propaganda do Bamerindus... "O tempo passa, o tempo voa" e Roberto Setúbal substituiu o pai, trazendo consigo o espírito americano de competidor. Agressividade, muitos estudos e muita ousadia. Fez uma revolução interna, muitas vezes traumática, tanto para os funcionários mais antigos, como para os novos. Renovou a diretoria, trazendo gente de fora e com muito estudo. Se o Itaú já era um banco de classe média, com Roberto, ficou mais elitizado ainda. Simbolizando o banco dos que têm dinheiro...

A maior cartada de Roberto Setúbal foi a compra do Unibanco, quando deixou o Bradesco perplexo, já que este tinha um documento do Unibanco prometendo-lhe a preferência quando se pretendesse vender o Unibanco. Mas Roberto ousou e abriu mão da presidência do Conselho de Administração para Pedro Moreira Salles, ex-presidente do Unibanco e agora sócio do Itaú e parceiro de Roberto, formando uma dupla da pesada.

Depois do Unibanco, o Itaú saiu comprando bancos na Argentina, Colômbia e onde tivesse banco à venda na América Latina. Seu objetivo era ser um grande banco internacional. Coisa que o governo atual não gosta. Por que o Itaú pode e as outras empresas brasileiras não podem ser multinacionais? Quem acompanha política nos últimos anos sabe muito bem porquê.

O lucro dos bancos no Brasil, de FHC para cá cresceu assustadoramente, deixando os demais setores da economia a ver navios. E o Itaú não parava de crescer. O Itaú vem lucrando mais de 2 bilhões de reais POR MÊS! O que pode levar a lucrar mais de 24 bilhões por ano! Assim, comprar o Citi no Brasil foi fácil. Deixando o Santander para trás na competição.

Agora comprou a XP, maior corretora do país.

Vejam as manchetes dos jornais de 12 de maio de 2017:

Valor: Itaú assume 49,9% da XP por 6,3bi.

Folha: Itaú compra 49,9% da XP, maior corretora do país, por R$5,7 bilhões.

Estadão: Itaú Unibanco fecha compra de 49,9% da corretora XP por R$6,3 bilhões.

Por força da regra interna do Itaú, Roberto precisou sair da presidência do banco com apenas 62 anos, trazendo para a presidência o filho de Bracher, banqueiro do BBA, que também foi comprado pelo Itaú. Somou qualidades financeiras e pessoais com o novo presidente.

Roberto assumiu uma função que não existe no Brasil. A de CO-presidente do Conselho de Administração do Itaú.

Com esta nova compra, a imprensa começa a publicar artigos dizendo que o Itaú não mandará na XP. Alguém acredita? Talvez isto seja apenas uma exigência do Banco Central. Mas o Itaú não costuma ser minoria...

Enquanto Roberto Setúbal sai da presidência do banco, ao mesmo tempo passa a fazer parte do Conselho de Administração da Shell mundial e surge a notícia de que o governo Temer pode vender o controle acionário da BR Distribuidora, que hoje pertence a Petrobras.

Podemos ter nossas críticas a Roberto Setúbal, mas que nos últimos 20 anos nenhum empresário ganhou tanto dinheiro como ele, é uma grande verdade. Este é um típico caso em que o discípulo supera o mestre.

Mas o Brasil precisa ter mais bancos e mais agências para atender os mais de 200 milhões de brasileiros neste país continental. Vamos aguardar os acontecimentos...

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