domingo, 14 de maio de 2017

Egito, Brasil e a Guerra Invisível

Planejada, financiada e implementada

Finalmente aparece na imprensa brasileira
um retrato do que é a DITADURA no EGITO.
Um bom relato de Yan Boechat.

Aquilo que era parte da famosa Primavera Árabe
, começada na Tunísia, transformou-se na primeira democracia muçulmana com eleições diretas e a eleição da oposição. Como no Brasil, eles não suportaram a Democracia e deram um golpe. Aqui foi civil, lá foi militar das Forças Armadas. Ambos contaram com apoio dos Estados Unidos e da Europa.

O Ocidente disse que preferia uma ditadura à uma democracia muçulmana
.
Já no Brasil, eles preferiram uma ditadura civil a um governo popular e democrático que incluiu mais de 40 milhões de brasileiros à vida econômica e social.

Estas experiências de governos autoritários
para implementar a política neoliberal bancada pelos Estados Unidos e apoiada pela Alemanha e França se somam a governos eleitos mas subordinados ao neoliberalismo.

Eles chamam isto de GUERRA INVISÍVEL.

Contra quem? Já não existe mais o comunismo, nem sequer guerrilhas. Existem apenas muçulmanos enfrentando forças armadas e ataques militares ocidentais contra seus países e seus sistemas diferentes do Ocidente. Será uma nova Cruzada?

Como eu sempre falo da ditadura do Egito,
vejam este primeiro relato
que aparece na imprensa brasileira.
Nem tudo está perdido...

Repressão marca Egito sob governo Sisi


Yan Boechat, Folha – 14/05/2017 – Mundo A19

Praça Tahir, Centro do Cairo

Símbolo máximo da onda de revoluções que derrubou ditadores no norte da África, hoje a praça pouco lembra os conturbados dias de janeiro e fevereiro de 2011. Não há um cartaz, uma foto, nada. Até mesmo os ambulantes que vendiam camisas e quinquilharias em alusão aos protestos desapareceram.

Sob o risco de engordar as estatísticas que já contam com mais de 40 mil presos políticos, os egípcios foram obrigados a esquecer o que se passou na Tahir. Ou, pelo menos, mostrar que se lembram.

Foi ali que centenas de milhares de pessoas, em especial os jovens egípcios, conseguiram dar fim à ditadura de Hosni Mubarak e, acreditavam eles, iniciar, enfim, um período de democracia e liberdade no Egito.

"O 25 de janeiro -data do início da revolução e símbolo do movimento- foi apagado de nossa história", diz Ahmed Mahtab, jovem estudante de teologia que abandonou a vida religiosa em 2011 para se juntar aos protestos.

"Se você caminhar com uma camisa lembrando a revolução, como fazíamos antes, em menos de cinco minutos você será preso, eu lhe garanto", afirma, revelando ter sido detido ao menos cinco vezes desde o ano passado.

Desde que chegou ao poder em um golpe de Estado sangrento em 2013
, o presidente do Egito e ex-chefe da segurança do Exército, Abdel Fattah al-Sisi, tem controlado o país de forma repressiva.

Além de colocar na cadeia praticamente todas as lideranças da Irmandade Muçulmana, o movimento político religioso que elegeu Mohammed Mursi como presidente após a queda de Mubarak, Sisi também atacou de forma brutal toda e qualquer oposição ao seu governo. Incluindo os jovens que lideraram o movimento revolucionário de 2011.

Boa parte dos líderes daqueles dias que eram vistos pelo Ocidente como representantes de uma geração que despertava para a democracia estão presos ou são monitorados de forma absolutamente rígida.

"As coisas estão muito, muito piores do que nos últimos anos do governo de Mubarak
.
Em 2011 haviam apenas entre 5.000 e 10 mil presos políticos, hoje já se fala em mais de 50 mil", diz Moustafa Fouad, diretor-executivo da ONG Centro Helipolies de Desenvolvimento Político e dos Direitos Humanos.

"Sisi se transformou em um ditador 'de facto', não há liberdade de expressão e todos que se opõem ao seu poder enfrentam ou a prisão ou a morte", diz ele. "O resultado da revolução foi desastroso para o Egito, tanto política como economicamente."

O Egito enfrenta ainda uma grave crise econômica
, que obrigou o governo à ceder às pressões do FMI (Fundo Monetário Internacional) para receber apoio financeiro e implementar uma série de medidas econômicas duras.
Desde o final do ano passado Sisi cortou os subsídios de eletricidade e combustível, implementou novos tributos e desvalorizou a libra egípcia.

Em pouco menos de seis meses a moeda perdeu mais de 50% de seu valor
e a inflação disparou para quase 30% no acumulado dos 12 meses. Com um deficit de 12% do PIB e uma dívida pública de 101% do Produto Interno Bruto, Sisi afirmou serem inevitáveis as medidas.

Os números macroeconômicos de fato começam a apresentar melhora, com o aumento da arrecadação e o sucesso na venda de títulos no mercado externo. Mas, para o egípcio comum, a situação está cada vez mais difícil.

"Meu salário caiu pela metade
em menos de seis meses com a inflação e os novos impostos, com o que ganho mal consigo comer", conta a psicóloga Salma Boutros, uma típica representante da classe média egípcia que participou dos protestos de 2011.

"É muito triste parar e pensar que eu acho que foi tudo um grande erro. Nós erramos, não tínhamos nada a oferecer a não ser a força para gritar. Hoje eu sinceramente gostaria que a revolução não tivesse acontecido e que Mubarak ainda estivesse no poder", conta ela, sentada em um café a poucos metros da nova e colorida praça Tahir.

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