sexta-feira, 5 de maio de 2017

Delatores, torturadores e dignidade nacional

O Brasil virou "o país dos delatores"

Triste imagem desse país...

Um exemplo
é que a imprensa brasileira não pode se valorizar por informar, formar e estimular que os brasileiros e brasileiras se tornem cidadãos, conscientes e sabedores da diferença entre verdade e mentira, fatos e versões, e história e estória. Nossa imprensa passa por uma fase deplorável. Faz parte dos torturadores, estimuladores de prisões arbitrárias para obrigar as pessoas a delatarem, virarem dedos-duros e a perderem a dignidade...

Outro exemplo foi a cobertura que fez da greve geral da semana passada, 28 de abril. A imprensa internacional cobriu a greve bem melhor do que a imprensa brasileira. Antes havia a censura dos militares ou do DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda na ditadura de Getúlio Vargas. Agora a imprensa faz parte dos golpistas e dos que estão destruindo o Brasil do Bem Estar Social.

A imprensa brasileira mente e manipula com notícias nacionais e internacionais.
No entanto ainda há bons exemplos de informações.

O jornal Valor mesmo pertencendo à Rede Globo e, mesmo em crise editorial, consegue manter um caderno semanal de primeira qualidade. É EU&Fim de Semana. Hoje tem uma ótima resenha de livro, escrita por Jorge Félix, especialmente para o caderno do Valor. "Documentos detalham prisão de Olga".

Vejam algumas informações importantes,
principalmente quando fala de DELATORES E DELAÇÕES.

No dia 23 de abril de 2017, completaram-se 75 anos do ASSASSINATO de Olga Benário Prestes (1908-1942), NUMA CÂMARA DE GÁS, no campo de extermínio nazista de Bernburg, na Alemanha nazista.

Durante 70 anos, os chamados "documentos troféus' despertavam a curiosidade de historiadores. Foi assim que ficaram conhecidos os arquivos da Gestapo, a polícia secreta nazista, apreendidos pelos russos ao término da Segunda Guerra.
VITORIOSA, a União Soviética levou para casa mais de 2,5 milhões de documentos organizados em 28 mil dossiês separados em 50 catálogos.

Aos 81 anos de idade, Anita Leocádia Prestes, esperou até abril de 2015, quando a Rússia decidiu liberar esse segredo da guerra, para conhecer a mãe em sua plenitude. Daí saiu o livro "Olga Benário Prestes - Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo". Editado pela Boitempo Editorial.

Sabendo que estas informações estão em documentos de guerra, vejam alguns destaques desta mulher alemã, casada com um brasileiro, residente no Brasil e sendo deportada para a Alemanha Nazista, por Filinto Muller, chefe da polícia de Getúlio Vargas, na época simpatizantes do nazismo.

Após a prisão em 1936 (com Prestes e a amiga Elise Ewert, também extraditada para a Alemanha), e sua expulsão do Brasil, JÁ GRÁVIDA DE QUATRO MESES, Olga permaneceu presa em Berlim e é submetida a todo tipo de pressão para DELATAR as atividades da Internacional Comunista e ENTREGAR SEUS COMPANHEIROS.

Em todos os relatos dos policiais nazistas, é destacada a determinação de Olga de JAMAIS fazer qualquer tipo de CONFISSÃO (delação). Os policiais, então, segundo eles mesmos escrevem, iniciam uma TORTURA emocional usando o BEBÊ como peça de barganha para forçá-la a reconhecer sua militância comunista. SEM SUCESSO.

Olga escreveu de próprio punho sob os olhos da Gestapo:

"Se os outros se tornaram traidores, eu jamais o serei".

A imprensa internacional fez ampla campanha pela libertação de Olga Benário Prestes, principalmente por ela estar grávida. Durante essa campanha, documentos mostram o esforço, em vão, da imprensa americana, britânica e francesa em denunciar os nazistas. Olga morreu na câmara de gás dos nazistas. Palavras impressas não tinham mais força diante de Hitler.

O quê diferencia esta mulher grávida
dos empresários brasileiros presos
que se tornam DELATORES?

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