segunda-feira, 22 de maio de 2017

A Folha em crise

Democracia de conveniência ou Democracia para valer?

Para os leitores da Folha
, entender o que o jornal está mostrando virou um labirinto mais que político, mas um labirinto freudiano.

Um jornal que teve papel tão importante na campanha pela redemocratização do Brasil, agora patina sem saber como lidar com a tragédia do governo imoral e ilegítimo de Temer.

Por ironia do destino, na campanha das Diretas Já pela redemocratização, a Folha era a vanguarda e a Globo era o atraso.
Agora, a Globo sai na frente denunciando os descalabros do governo Temer, e a Folha, com medo das diretas, sai defendendo manter o governo Temer, até que a direita e os golpistas consigam construir o seu "Colégio Eleitoral", isto é, uma solução conservadora, sem eleições diretas, mas que seja capaz de destituir Temer escolher um sucessor por vias indiretas, impedindo que o POVO decida soberanamente o que é melhor para o Brasil.

A Folha pressiona a Globo para que a solução não seja via Diretas Já. A Folha não quer que a solução seja democrática e soberana. É o famoso "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". É a democracia aristocrática! Sem povo e sem soberania.

Apesar da crise de Temer e da Folha,
tivemos uma boa surpresa hoje.
A coluna semanal assinada por Aécio Neves, em homenagem aos tucanos e aos mineiros, deixou de ser publicada e foi substituída por ótimo texto de Marcos Augusto Gonçalves. Espero que a Folha o mantenha. Mesmo nestes tempos bicudos...

O Brasil precisa de mudanças estruturais e profundas. Estas mudanças podem ser feitas via golpe de impeachmente ou respeitando-se a soberania do voto universal. A Folha, numa crise conservadora, apoiou o golpe e está apoiando a transição conservadora ante as loucuras de Temer, já o seu bom jornalista, defende reformas e a modernização do Brasil, mas que isto se dê respeitando-se e com a participação de todos os brasileiros.

Democracia e Liberdade não fazem mal a ninguém.


Na Democracia, as pessoas e as empresas sempre podem se refazer e buscar as melhores opções, os melhores caminhos. Nós, que continuamos lendo a Folha, sempre contamos com a possibilidade de a Folha voltar a ser um grande jornal e voltar a ser uma referência de modernidade democrática.

Leiam o bom artigo de Marcos Augusto Gonçalves, Tempos bicudos

publicado na Folha de hoje.

É com satisfação que me vejo a suprir por um dia a ausência do ex-senador Aécio Neves neste espaço -do qual, enfim, se despede. Alivia-se o leitor de suas chorumelas, e o país, de uma fraude moral e política que obteve 51 milhões de votos no último pleito.

Acompanho com cautela o fundamentalismo messiânico do juiz Sergio Moro e sua força-tarefa
, mas não há como escapar de certo contentamento ao ver cair a máscara desse séquito de hipócritas e heróis do povo brasileiro -à esquerda e agora, finalmente, à direita- que vai sendo apanhado no exercício de atividades incompatíveis com o espírito republicano e contrárias aos interesses dos brasileiros.

Nesse cenário, não deixa de chamar a atenção que o presidente Michel Temer venha merecendo a advocacia de setores da opinião pública com o intuito de desqualificar ou minimizar as denúncias que vieram à luz com a delação do desembaraçado rebanho de executivos do grupo JBS.

Que a peça de Rodrigo Janot tem fragilidades, não se discute.
Mas como bem notou o colunista Hélio Schwartsman, na última sexta-feira (19/5), em que pesem as ambiguidades jurídicas, há um contexto que não deixa dúvida sobre do que se trata.

Sempre se pode, como no caso de Aécio, fingir que não é bem assim, mas o tempo muito provavelmente se encarregará de demonstrar o que já se sabe. Temer não reúne condições morais e não tem apoio da população para governar.
Duas vezes aliado do PT em chapa presidencial, trocou de lado, como é habitual na malta que o PMDB congrega, para tentar "estancar a sangria" e ser fiador de uma mudança na economia -que, de resto, se fazia necessária.
Lamentável é que o esforço de recuperação da racionalidade econômica tenha prosperado em meio a uma conspiração e de costas para o povo.

É certo que o Brasil precisava de um ajuste fiscal e precisa de uma reforma da Previdência,
mas se escolheu para atingir esses objetivos uma trilha sombria em seu desprezo pela legitimidade política, em sua aversão a qualquer medida de justiça tributária e em seu descaso por contrapesos distributivos.

Chegou-se ao ápice do economicismo elitista ao se elevar à categoria de virtude o fato de o presidente não gozar de nenhuma popularidade -circunstância que atingiria o grau de perfeição num regime ditatorial.

E agora?


Veremos uma onda de adesão às diretas que as elites até aqui se recusaram a considerar?
Defenderemos a Constituição, facultando ao Congresso desmoralizado a escolha de um novo fantoche?
Ou quem sabe seguiremos ladeira abaixo com o pato manco?
Veremos.
Como dizia-se antigamente, tempos bicudos.

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