sexta-feira, 14 de abril de 2017

Golpe de Estado, Revolução e Democracia

“Ainda temos Paris”

A Folha fala em uma “França rebelde”, o Valor fala em “Uma outra revolução francesa”. E o mundo aguarda o primeiro turno das eleições, no próximo dia 23, no país que fez a mais importante revolução para a democracia no mundo.

Enquanto isso, no Brasil, a direita destrói o “Estado de Bem Estar Social” e implanta a servidão, o mercenarismo parlamentar e a ditadura do judiciário e da imprensa. Tudo isso em nome de entregar as riquezas nacionais às empresas multinacionais e acabar com a soberania nacional.

Já a esquerda e o povo, aos poucos vão percebendo o tamanho da destruição que os golpistas estão realizando e, perplexos, vai aumentando a reação, ante nova pesquisa nacional onde mostra que 93% dos brasileiros são contra a reforma da previdência e o presidente golpista tem apoio de apenas 5% da população.

Qual será a reação brasileira aos golpistas?


Eleições Gerais e Nova Constituição?
Insurreição, golpe ou revolução?
Ou vai ficar como está?

Ainda é cedo para saber o que vai acontecer com o Brasil.
Já na França, mais uma semana e saberemos.
Ainda temos Paris...

Os partidos tradicionais franceses, como nos demais países, estão perdendo apoio eleitoral e legitimidade para continuarem aplicando o modelo econômico neoliberal. Mais do que a União Europeia, a rigidez do Euro está sendo questionada tanto pela direita, como pela esquerda.

Enquanto o Ocidente ataca o Oriente Médio, o terrorismo e as imigrações ajudam a destruir a velha ordem, lembrando o período pré-guerras do século passado. Para se acabar com o imperialismo de ocupação direta, as revoluções nacionalistas aconteceram até os anos 70.

O jornal Valor fez uma boa série de matérias sobre as eleições na França. Mas o artigo publicado na Folha de quinta-feira está bem melhor. Com o título de “França rebelde” e de autoria da professora da FEA-USP, Laura Carvalho, eu aproveitei a parte que destaca mais o desempenho do candidato mais à esquerda, Mélenchon.

Como diz a professora Laura:


“A tolerância com o desemprego alto, a redução da rede de proteção social e a gritante elevação dos lucros financeiros parecem estar se esgotando mundo afora.”

Se quiserem ler a íntegra do artigo, consultem à Folha. Minha prioridade é mostrar que nem tudo está perdido. Há luz no fim do túnel...
Ainda temos Paris, como diz o filme histórico Casablaca. Com a palavra a professora Laura.

França rebelde

Folha De S.Paulo - 13 Apr 2017 - LAURA CARVALHO (Professora da FEA-USP)

A DEZ dias do primeiro turno das conturbadas eleições francesas, uma pesquisa mostrou pela primeira vez Jean-Luc Mélenchon —candidato com programa econômico antiausteridade— em terceiro lugar, com 18% dos votos.

Com o ganho de sete pontos percentuais, Mélenchon pode ter ultrapassado o vencedor das primárias da direita, François Fillon, e fica a apenas cinco pontos de Marine Le Pen — candidata anti-imigração da extrema direita —e de Emmanuel Macron, o jovem exministro da Fazenda do presidente François Hollande, que optou por candidatar-se por um novo partido.

Os resultados só surpreendem os que não têm acompanhado o aumento da popularidade dos discursos antissistema, após nove anos de crise econômica global e várias décadas de ampliação das desigualdades nos países ricos. A rejeição da população ao status quo fica cada vez mais evidente: da participação do Bloco de Esquerda na coligação que governa Portugal à força de Bernie Sanders nos EUA; do “brexit” no Reino Unido à eleição de Donald Trump.

O candidato da France Insoumise, que já começa a amedrontar os mercados financeiros europeus, promete elevar tributos progressivos para financiar a ampliação de investimentos e preservar o Estado de bem-estar social francês. Aproximase assim de Bernie Sanders, que, apesar da derrota nas primárias do Partido Democrata, acabou tendo o programa econômico incorporado parcialmente à plataforma de Hillary Clinton nas eleições dos EUA.

Em comício a céu aberto que contou com a presença de 70 mil pessoas em Marselha no domingo (9), Mélenchon posicionou-se de forma contundente contra o extremismo dos mercados, que estariam “transformando o sofrimento, a miséria e o abandono em ouro e dinheiro”.

A subida do candidato aumenta a forte indefinição sobre o resultado das eleições do dia 23. Sua possibilidade de ida ao segundo turno dependerá, grosso modo, da capacidade de atrair os eleitores do socialista Hamon.

Independentemente do resultado, a força da candidatura dele e da de Marine Le Pen deve servir como sinal de alerta aos que mantêm o discurso tecnocrata de que não há alternativas. A tolerância com o desemprego alto, a redução da rede de proteção social e a gritante elevação dos lucros financeiros parecem estar se esgotando mundo afora.

Força de Mélenchon e de Le Pen deve servir de alerta ao discurso tecnocrata de que não há alternativas


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