sexta-feira, 10 de março de 2017

Escola da Vila, FGV-SP, racismo e cidadania

Para que servem as escolas?

Escola da Vila vendida a Fundo de Investimento


No dia 15 de fevereiro publiquei um comentário sobre a venda da querida Escola da Vila. A notícia tinha saído publicada no Estadão, bem escondidinha. Como faço parte dos admiradores da Escola, li e reproduzi a informação. De lá para cá, todos os dias alguém acessa o blog para ler sobre o assunto. Reproduzo a informação no final do comentário de hoje.

Quase um mês depois, finalmente a Folha hoje toca no assunto, desta vez informando mais sobre as preocupações dos pais dos alunos sobre a sobrevivência do Projeto Pedagógico. Informa também que a Vila, como nós a chamamos, tem 1.556 alunos e a mensalidade no ensino médio está em R$3.177,00.

Na outra página da Folha, há uma grande matéria com o título:

“Bolsista negra é hostilizada na FGV de SP”.


“Negrinha , aqui, não!”, ouviu a caloura do curso de administração...” continua a matéria da Folha. O jornal também informa que as mensalidades do curso de Administração de Empresas na FGV-SP são superiores a R$3.500,00.
Minha filha estudou na Escola da Vila e eu estudei na FGV-SP, onde fiz o curso de Administração de Empresas. Fui aluno muito atuante naqueles anos de 1974 a 1978. Período onde a ditadura militar ainda era muito forte, mas a GV protegia e formava seus alunos, fossem eles burgueses ou esquerdistas. Lá convivemos eu, Gushiken, Ricardo Young, Marcelo Barbieri, Osmar Santos, Claudia Costin e muitos outros. Não me lembro de ter um aluno negro...
O interessante é que os cursos particulares das duas escolas, a da Vila e a FGV, estão custando 3.500,00 reais por mês. Quem pode pagar este preço ou valor por cada filho na escola? Esta “seleção natural” já indica para onde está indo a educação brasileira.

Até os anos setenta a educação pública era boa. Eu e meus irmãos, todos estudamos em escolas públicas, tanto em Serrinha-Bahia, como em São Paulo. Fizemos boas faculdades: FAU-USP, FEA-USP, FISICA-USP, FGV-SP, Belas Artes de SP, Medicina na UFBA, além de mestrados e doutorados.

Mesmo as escolas particulares de nossa filha, a Vila e o Vera, antigamente tinham preços módicos. Recordo-me que em viagem à trabalho, numa reunião na Holanda comentei que pagava 500 dólares por mês na escola de nossa filha e o funcionário de um banco holandês respondeu surpreso que na Holanda a Educação era gratuita e de qualidade para todos. E 500 dólares hoje correspondem a 1.600,00 reais. Bem menos que os 3,5 mil reais....

Naquele tempo de GV, anos setenta, eu já falava da importância da CIDADANIA, do Brasil para todos, da importância das liberdades democráticas, do respeito aos trabalhadores se organizarem em partidos e sindicatos. Já perguntava onde estavam os negros de São Paulo?

Quarenta anos depois, os problemas aumentaram, a tolerância diminuiu – ou explicitou-se a intolerância – as escolas públicas definharam, sem recursos e sem prioridade pelo poder público e todo mundo passou a preferir as escolas privadas, os convênios médicos particulares e a andar de carro, mesmo que seja sozinho e o trânsito fique infernal. Ao contrário da Holanda, da Alemanha e da França.

Para que servem mesmo as escolas?


Agora revejam a notícia publicada no dia 15 de fevereiro de 2017.

Escola da Vila vendida para a Bahema Investimentos
O Brasil virou um mercado persa


O jornal Estadão de hoje, noticia no rodapé da página B10, do Caderno de Negócios. Afinal, Educação no Brasil virou NEGÓCIOS.

A informação diz que:

"A Bahema assinou ontem contrato de compra de 80% do capital daESCOLA DA VILA, em São Paulo, por R$ 34,5 milhões.

A operação prevê ainda a aquisição de 5% da Escola Parque, no Rio de Janeiro, por R$7,75 milhões."

A Escola da Vila é um símbolo em educação em São Paulo.
Nossa filha estudou lá e temos ótimas lembranças da época da escola.

Vamos ver se a nova proprietária manterá o compromisso pedagógico e a formação social que sempre estiveram presentes na escola, nos professores e nos alunos.

No Brasil tudo está à venda.
E o povo vai virando mero consumidor.

Um país que está nas mãos de multinacionais,
sem projeto próprio e sem empresários competitivos internacionalmente.

Um país sem autoestima e sem perspectiva.
sem contar o desemprego, a recessão e as reformas que acabam com
as Políticas Públicas.

Triste Brasil.

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