sexta-feira, 24 de março de 2017

A destruição do "Brasil para todos

O Brasil está mais para Índia que para Bélgica

Os economistas criaram a expressão Belíndia para mostrar que o Brasil tinha uma parcela da economia que se parecia com a Bélgica e outra parcela da economia que se parecia mais com a Índia.

O Sul e o Sudeste eram a Bélgica e o Nordeste e o Norte eram a Índia. O Centro Oeste ficava no meio, por ser pouco povoado e pouco explorado.

O Brasil cresceu muito dos anos 60 para cá.


Urbanizou-se, industrializou-se, incorporou todas as regiões do país na vida econômica, cultural e social e passou a ser visto internacionalmente como um grande potencial de consumo em todas as áreas. Com a redemocratização houve melhoras significativas na educação, na saúde e nas políticas públicas. Mesmo ainda persistindo, houve diminuição da violência e dos assassinatos. Até as instituições passaram a ser mais democráticas e transparentes, culminando com a imprensa adquirindo grande papel formativo de opiniões.

Acontece que o modelo político, econômico e social, desenvolvido a partir da redemocratização levou o país a um impasse. No governo Sarney ainda se acreditava na construção de um país democrático, desenvolvimentista e participativo. Um país que entraria no cenário internacional como um grande parceiro, defensor das liberdades democráticas e da economia de mercado. Acreditava-se que "ditaduras, nunca mais"...

De repente, a visão desenvolvimentista começou a ser corroída pelo processo inflacionário, minando as instituições e as esperanças de inclusão social. O mundo também começou a viver o impasse entre o desenvolvimentismo e o neoliberalismo. Com Reagan nos Estados Unidos e Thatcher na Inglaterra, começou a destruição do modelo do "bem estar social". Com a implosão da União Soviética, abriu-se plenamente o caminho para a implantação do neoliberalismo no mundo e no Brasil.

A polarização deixou de ser "capitalismo x comunismo",
para ser "neoliberalismo x desenvolvimentismo".


No Brasil, formou-se uma grande frente neoliberal liderada pela imprensa - diga-se Rede Globo e Folha - os banqueiros e pelo PSDB. O judiciário foi aderindo aos poucos.

Com a vitória de Collor e a resistência do PT em participar do governo Itamar Franco, abriu-se a porta para os neoliberais do PSDB assumirem o ministério da Fazenda, fazerem o plano Real e ganhar facilmente as eleições presidenciais. Afinal, o fim do processo hiperinflacionário credenciou o PSDB a governar o país.

Com o PSDB de FHC na presidência em 1994
, começou a desmonte do Estado Social brasileiro, as privatizações a preço de banana e a redução da classe média oriunda das empresas estatais e do funcionalismo público, aumentando assim a concentração de renda e a exclusão social. Com a crise cambial e a maxidesvalorização do real, FHC perdeu a credibilidade e assim o PT ganhou as eleições de 2002.

Lula fez o milagre de incluir 40 milhões de brasileiros
, respeitar a democracia, divulgar o Brasil internacionalmente e crescer a economia e o consumo. Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve. Mas, além de não ter conseguido fazer as reformas estruturais que o Brasil precisa, error em apoiar a reeleição da sua sucessora em 2014. Lula deveria ter voltado à presidência. Com Dilma e com a crise econômica, ficou fácil para os neoliberais, defenderem a derrubada do governo e a composição de uma nova maioria no Congresso Nacional. Uma maioria e um presidente da República que não foram eleitos para executar o programa de governo neoliberal e entreguista que estão executando.

Foi o golpe dentro do golpe.

O PMDB aceitou fazer o serviço sujo do PSDB e o Brasil está sendo destruído.

Estão acabando com todas as conquistas sociais, ampliando o desemprego, criando mecanismos de barateamento da mão de obra, de redução de custos tributários e de pessoal, dificultando a capacidade de organização e de resistência dos trabalhadores. Até a classe média da região sudeste está sendo destruída com as novas medidas dos golpistas. Por exemplo, jornalistas vão ter que trabalhar como PJ - pessoas jurídicas, em vez de assalariados. Perdendo férias, 13o. e FGTS. Isto já está acontecendo em todas as áreas de profissionais liberais e vai ampliar para todos os assalariados.

Estamos deixando de ser uma Bélgica para ser uma Índia.


A imprensa comemora, as entidades patronais torram dinheiro com anúncios comemorativos pela conquista da terceirização plena e o direito do trabalho escravo ou serviçal. O Judiciário desmoraliza-se acusando um ao outro, além de servir aos golpistas.

O povo, que a tudo assistia passivamente,
aos poucos vai mostrando que não está gostando.

No dia 15 de março participou de manifestações.
Unido contra o fim da aposentadoria.


Agora também estará unido contra o fim do emprego.


Março significou o "ponto de inflexão" dos golpistas.
Abril pode ser a grande vitória do povo e o fim dos golpistas.

O Brasil só voltará a ser respeitado com novas eleições.

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