quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O Tom de Jobim e o tom do Brasil

Aniversário de Tom e de São Paulo

Não sei porque, mas os jornais Estadão e Folha resolveram falar do aniversário de Tom Jobim no domingo passado, dia 22, sendo que o aniversário de Tom Jobim é hoje, dia 25. Será que foi em função do aniversário da cidade de São Paulo? Mas os jornais de hoje falam pouco de São Paulo...

O interessante é que, como sempre, o Caderno 2 do Estadão deu um banho no Ilustrada da Folha. Não consigo entender como o Estadão na política está tão fascista, enquanto que nos demais cadernos continua o velho e bom Estadão.

O primeiro texto que li no Estadão foi o de Zuza Homem de Melo. Brilhante como sempre. Tenho quase todos os livros de Zuza...

O curioso foi que, para escrever sobre Tom, peguei o maravilhoso livro "Histórias de Cancões de Tom Jobim", de autoria de Wagner Homem & Luiz Roberto Oliveira. Quando peguei o Caderno 2 do Estadão, a primeira página é o bom artigo de...Roberto de Oliveira. Não sei se é a mesma pessoa do livro. Mas a escrita é muito parecida e de boa qualidade.

Ler sobre Tom Jobim é ler sobre um Brasil que deu certo. Um Brasil quando a beleza, o bem estar e a vontade de trabalhar juntos era mais forte do que a baixaria que se vive hoje. Ler sobre Tom Jobim é descobrir uma pessoa maravilhosa. Não apenas um grande compositor, arranjador e tudo mais... Tom como pessoa é algo divino...

Se hoje Tom estaria completando 90 anos de idade, fiquei surpreso ao saber que Tom já gravava em abril de 1953. Isto é, Tom faz sucesso há mais de 60 anos!

Quando viajamos, nos taxis, nos aeroportos, nos restaurantes, sempre ouvimos músicas de Tom Jobim. E nos sentimos em casa. Matamos a saudade do Brasil. Tom Jobim e João Gilberto, Tom e tantos outros...

Tom Jobim conviveu muito com a cidade de São Paulo. 
Tom também gostava de São Paulo.
Tom fica surpreso com a riqueza de São Paulo.
Mas amava o Rio de Janeiro em primeiro lugar.

Nós, brasileiros de todos os Estados, gostamos de São Paulo.
Cheguei em São Paulo em Janeiro de 1970.
Tive tempo de ver vários shows e
participar de muitas manifestações contra a ditadura militar.

Trabalho no Centro de São Paulo desde 1970.
Conheço cada prédio, cada rua e cada praça,
com suas histórias e estórias.

São Paulo anda feia e agressiva.
Não sei se é em função das crises nacionais,
ou se é por falta de Estadistas.

O Centro não pode ficar abandonado como está.
O Viva o Centro tem ajudado, mas é pouco.

Se eu pudesse, eu transformaria o Centro
num grande BULEVAR. Um grande condomínio cultural.

Um espaço cultural, social e comercial
que funcionasse 24 horas por dia.

O Centro de São Paulo é o coração da cidade,
é o seu passado e o seu presente.

O Centro, é o espelho de seus habitantes.
Feios, sujos e malvados,
ou alegres, festivos e solidários?

Uma das músicas de Tom que aprendi nos anos setenta,
começava assim:

Um cantinho um violão
Esse amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama,
Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar

(trazendo para São Paulo)

Da janela vê-se o Municipal
O Viaduto do Chá, que lindo!

A música "O Corcovado" é muito linda e pode ajudar a imaginar o Centro de São Paulo e suas histórias. O Viaduto Santa Efigênia, o Largo do Arouche, etc.

Aniversário sempre é uma data para trazer lembranças.
Minhas lembranças de São Paulo são muito boas e positivas.
Como as lembranças das músicas e da vida de Tom Jobim.

São Paulo bem que merece lembrar de Tom Jobim. 

Afinal, "de que servem as flores que nascem, pelo caminho, se o meu caminho, sozinho é nada. É nada. É nada." Já cantava Tom Jobim em 1963, com Inútil Paisagem...

Nenhum comentário:

Postar um comentário