sábado, 14 de janeiro de 2017

O mundo ameaçado

Estados Unidos, entre outras coisas, criaram 1929 e 2008

Em 1929 tivemos várias guerras, mas também tivemos Roosevelt para superá-las. Em 2008, o mundo continua com suas guerrinhas e com muita crise econômica, mas ainda não apareceu um Roosevelt.

Qual será o papel de Trump?

Ao escrever sobre a segunda guerra mundial, pouca gente aprofunda o papel que a economia americana teve na crise de 29, que levou à guerra mundial. Com a crise financeira internacional, em 2008, criada a partir da quebra dos bancos americanos, o mundo patina na economia, trava na política e cai no impasse social. Quem tem feito o papel de Roosevelt é a primeira ministra alemã, Ângela Merkel.

Com a posse de Trump, os Estados Unidos podem ajudar ou atrapalhar. Obama ajudou a distencionar. Lá atrás, Reagan ganhou a disputa internacional. De lá para cá os Estados Unidos têm mais perdido do que ganhado. E os americanos não gostam de perder... Trump pode ser mais emocional do que racional.

Como diz Ian Kershaw, em seu livro "De volta do inferno", sobre as guerras mundiais no século XX:

"Por si só, o desarranjo econômico não basta para produzir uma grande perturbação política. Para isso, é necessária uma crise de LEGITIMIDADE do Estado, sustentada por uma disputa ideológica e por cisões culturais profundas que exponham as elites detentoras do poder a novas pressões decorrentes da mobilização das massas.

Tais condições se acham presente em muitos países da Europa, sobretudo naqueles onde o nacionalismo extremado - oriundo da sensação generalizada de perda de prestígio nacional e da frustração de expectativas de status de grande potência (ou de deixar de ser classe média) - fomenta um movimento que extraia energia da suposta força dos inimigos diabólicos que alega enfrentar e está em condições de aspirar ao poder num Estado de fraca autoridade.

O que falta é o entrelaçamento desses componentes da crise."

Observação: 

Adequei às afirmações que estavam no "passado", para o "presente" e tudo bate direitinho, mostrando que o diagnóstico continua atual. O entre parênteses também é meu.

Ironicamente, o autor do livro, aborda no mesmo capitulo que "em 1949 surgiu um novo e vital elemento: as bombas atômicas e de hidrogênio."

Mas, além das bombas atômicas e de hidrogênio, em 1949, houve uma grande guerra civil que derrotou os colonizadores e ascendeu ao poder uma nova forma de governo que levou a China a ser a segunda economia mundial e a ser o país mais influente, depois dos Estados Unidos.

O mundo atual  continua refém dos fatos criados pelas guerras do século passado.

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