quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Desmonte da Infraestrutura, da Petrobras e do Brasil

Agora são os INDIANOS e CHINESES QUE ESTÃO COMPRANDO

Venda de nossos ativos e da nossa soberania nacional

Os brasileiros estavam acostumados com a ideia de que o Brasil era o país que mais crescia no mundo, que "aqui se plantando, tudo dá", que éramos o seleiro do mundo etc e tal.

Aprendemos também que a China e a Índia eram dois países pobres, ex-colônias da Inglaterra e o Brasil era muito mais rico...

Hoje, lendo a capa do jornal Valor, fiquei com uma tristeza imensa. "Chineses e Indianos vão disputar linhões" de transmissão de energia.

O governo ilegítimo de Temer está vendendo tudo à preço de bananas. Inclusive vendendo a Soberania Nacional.

A maior empresa de energia da China, a State Grid, que constrói em parceria com a Eletrobrás o primeiro linhão de BELO MONTE, do Pará ao SUDESTE, também deve participar.

TRES COMPANHIAS INDIANAS deverão apresentar lances; Sterlite Power Transmission, Adani Transmissiona Limited India e a Power Grid Corporation.

Venderam o Pré-Sal, vão vender parte da BR-Distribuidora e venderão muito mais.

Estão desmontando o Estado brasileiro, estão vendendo nossas empresas à preço de bananas...

E os militares continuam calados.

Ainda bem que o povo brasileiro começa a reagir.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Direita brasileira se unifica contra Lula

Vejam as capas dos jornais de hoje

O Globo

"Julgamento de Lula em janeiro antecipa quadro eleitoral

Se for condenado, ex-presidente ficará inelegível"

O Estado


"TRF-4 marca julgamento de recurso de Lula ara janeiro

Eventual condenação imposta no caso do tríplex do Guarujá pode antecipar campanha presidencial de 2018"

Valor

"Julgamento que pode tirar Lula da eleição é marcado para 24 de janeiro."

Folha

"Tribunal marca julgamento de Lula para o dia 24 de janeiro"


Todos os jornais unidos na luta contra Lula.

Mais uma vez fica claro que os jornais, rádios e TVs estão à serviço do golpe contra Lula e o PT.

Mais uma vez fica claro que o Judiciário, em todos os níveis, está à serviço do golpe contra Lula e o PT.

Mais uma vez fica claro o porquê os empresários estão pagando para os políticos corruptos fazerem reformas que prejudicam o povo brasileiro e o Brasil.

Mais uma vez fica claro o porquê as empresas gastam tanto dinheiro com propaganda de páginas inteiras defendendo o governo e as reformas.

Enquanto o povo sofre, os parasitas ganham dinheiro fácil para trair o Brasil e acabar com a soberania nacional.


Estão destruindo as Universidades públicas,

estão destruindo os programas sociais,

estão destruindo a dignidade nacional.

E as Forças Armadas estão caladas...

O povo está reagindo e vai reagir cada vez mais.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Abílio Diniz, a BRF e os Clientes

A crise não está superada

O Estadão desta segunda-feira, ontem, trouxe uma chamada de capa sobre a BRF e Abílio Diniz. A matériapublicada na capa do caderno de economia pareceu "encomendada", mas serve para destacar algumas questões:

A chamada interna é: "Conflitos entre sócios e crise na BRF foram superados, afirma Abilio Diniz"

Já na chamada superior, as informações são importantíssimas:

Para empresário, dono de (apenas) 3,92% da gigante de alimentos e PRESIDENTE do conselho de administração, companhia vive "outro clima" após troca de presidente e melhora de resultados; Fundos de Pensão, no entanto, dizem que continuam insatisfeitos com desempenho do negócio.

Vejam que informações delicadas:


1 - Por magia do mundo de ações, regulado pelo deus "mercado", Abílio Diniz com apenas 3,92% das ações, indica o presidente do Conselho de Administração, por contar com o apoio de alguns outros acionistas. Abilio é aliado da Tarpon, que tem mais ou menos 10% das ações.

2 - Os Fundos de Pensão - Petros e Previ, MAIORES ACIONISTAS, com 11% cada um, estavam contra o fato de Abílio Diniz continuar indicando o presidente, pelo fato de, nos últimos três trimestres a empresa ter fechado no vermelho.

3 - O cliente também reclama.
Neste sábado, quando fui comprar frango, o dono da banca começou a reclamar que estava difícil comprar da BRF. Os vendedores antigos tinham sidos substituidos por vendedores novos, sem experiência, que faziam os pedidos errados, provocando devoluções de produtos e perda de vendas na ponta.

O vendedor de frangos repetia que não conseguia os produtos da BRF que queria comprar e não entendia o porquê de haver tanta gente querendo comprar e as empresas não ofereciam os produtos.

Mesmo tendo estudado administração de empresas na FGV-SP, sempre tive dificuldade de entender o capitalismo brasileiro. Sempre dependente do Estado, cheio de jogo sujo e de baixa competitividade. Sem contar que os empresários adoram políticos corruptos e pedir apoio do judiciário e da polícia contra os trabalhadores.

Esta história de Abílio Diniz na BRF precisa de mais transparência...

Folha trocou editor internacional?

Mostrando o outro lado, fora do Brasil

Normalmente a Folha tem publicado o caderno Mundo (Internacional) sempre com uma visão de defesa da política americana, seja ela apoiando golpes,guerras, invasões, boicotes e aplicação do neoliberalismo.

É a prática da ditadura do olhar único, acobertado por uma pretensa liberdade...

Não sei o quê aconteceu hoje, o caderno Mundo vem bem melhor que o caderno internacional do Estadão. Vejam três exemplos:

1 - Nas eleições do Chile


A Folha fez campanha aberta para os conservadores, declarando que Pineda ganharia no primeiro turno. O povo votou diferente do que queria a Folha. Neste final de semana será o segundo turno e, para evitar novo vexame,a Folha publica longa matéria com o candidato socialista, que, aparentemente está atrás em 2%, mas pode ser que ganhe quando for apurar os votos.

Recomendo que leiam a entrevista do candidato apoiado pelos progressistas, Alejandro Guillier.


2 - Eleições na Venezuela


Na parte inferior da página com a entrevista do candidato progressista do Chile, há uma matéria sobre as eleições municipais na Venezuela. Para quem não lembra ou não sabe, a Folha sempre apoiou qualquer iniciativa contra o governo Caves e agora contra o governo Maduro.

Acontece que a Folha considerava Maduro um "cachorro-morto", isto é, um presidente desqualificado e que perderia qualquer eleição que disputasse.

O título da matéria de hoje é: "Sozinhos, chavistas vencem eleições municipais".

Oposição boicota pleito e governistas conquistam 90% das prefeituras venezuelanas.

Depois das eleições para a Constituinte, a oposição vem perdendo força e o governo vem se recuperando. Parece que a Folha não anda acertando seus prognósticos...


3 - Guerra na SÍRIA


Uma matéria rara na Folha. O jornalista Igor Gielow faz uma análise bastante realista, sem adjetivar os personagens, e mostrando que o governo americano errou na forma de se relacionar com a Síria, abrindo espaço para o crescimento de Putin na região.

O título do artigo é: "Putin canta vitória na guerra síria e amplia ação no Oriente Médio".

Fazia tempo que não via na Folha uma análise internacional tão bem feita.


Será que a Folha trocou o editor internacional?

Ou a Folha resolveu aprender com o New York Times?

O importante é que continue melhorando, garantindo a pluralidade e a diversidade...

Quem sabe, com o tempo a Folha também volte a ser plural no noticiário nacional?

domingo, 10 de dezembro de 2017

Negros, prisões de reitores e a nova ditadura

Queria mostrar a vida dos negros, mas a política não deixa

Estou desde sexta-feira passada com o caderno EU&fim de semana, do jornal Valor, que tem 19 fotografias de negros e negras e o título: "Alunos da Primeira Classe".

"Estudantes narram histórias de ascensão e frustração dez anos depois da formatura da turma que inaugurou a Zumbi dos Palmares, faculdade com mais de 80% de negros."

Ainda não consegui tempo para ler a reportagem, um dos motivos foi porque tive que ler a reportagem sobre a palestra do juíz Barroso e repercuti-la neste blog. Depois tive que ler as mentiras e as verdades sobre a convenção do PSDB, a Caravana de Lula no Rio de janeiro e ainda ler sobre os abusos da Polícia Federal contra os reitores e às universidades federais e estaduais.

A ditadura voltou?


Prender reitores agora dá Ibope e aumento salarial
para a Polícia Federal e os juízes que autorizarem?

E o Estado de Direito?
Também acabou para os professores universitários?

Tentei aproveitar partes da denúncia muito bem feita de Élio Gaspari,
mas, mesmo sendo assinante da Folha e da UOL, não consegui baixar o texto.
Depois reclamam que nas ditaduras, o povo não tem acesso a certas informações. Aqui não se tem acesso, mesmo pagando. Êta capitalismo chifrim...

Mas eu prefiro falar dos negros e negras de São Paulo


Ao abrir o caderno do Valor, fui procurando página por página e não encontrava a reportagem sobre os negros e negras. Várias entrevistas neoliberais e de gente branca antecipavam as notícias raciais...

Lá na página 18, em página dupla apareceu: "A classe da pele", e quem assinava era a grande jornalista Maria Cristina Fernandes, a melhor jornalista do melhor jornal do Brasil...

A reportagem vai até a página 27, com fotos, bonitas fotos e muitos depoimentos. Vou ler tudo com carinho. Leiam também!

O nosso sindicato, dos Bancários de São Paulo, sempre teve diretores e diretoras negras. Agora tem um diretor que acabou o mestrado e foi aprovado no doutorado. No Mackenzie.... Maravilhoso, não?

Quando eu cheguei em São Paulo, em Janeiro de 1970, em me perguntava:

"Onde estão os negros de São Paulo?"


Aos poucos fui descobrindo e hoje, tenho orgulho em ver Julio, nosso diretor, matricular-se no doutorado. E ver os negros e negras de São Paulo brilhando no Passarela da Vida, de igual para igual com os brancos paulistas, os brancos estrangeiros e melhor do que muita gente que vemos por aí.

Os negros e negras de São Paulo já fazem parte da nossa vida e das nossas alegrias.

O novo livro de Zuza está caro

Fui comprar e levei um susto: R$82,00!

Tenho quase todos os livros de Zuza Homem de Mello.

Leio quase todos os seus artigos e agora tenho tido o prazer de ouvir seus programas na Rádio USP. Mesmo com toda a idade, ouvir Zuza e suas histórias, é como ouvir e ler Fernanda Montenegro e alumas outras pessoas maduras e idosas que representam "o Brasil que deu certo". Pessoas que não se corromperam nem deixaram de ser o que sempre foram.

Guardei comigo o Caderno 2 do Estadão, de sexta-feira passada, dia 08, para ler a longa crítica de Julio Maria ao novo livro de Zuza, "Copacabana - A trajetória do Samba-Canção", editado pela 34, que é um ótima editora, no nível da Companhia das Letras.

Por mais que o livre represente 13 anos de pesquisas, considero o preço alto.

Estamos em clima de Natal e se gasta com tantas coisas que fica difícil comprar livros com preços acima da média. Porque a Pinguim consegue vender livros tão baratos? Livros clássicos e históricos? Eu pagaria 60 reais com tranquilidade e ainda compraria vários exemplares para dar de presente, como já fiz em anos anteriores. Acho que a editora poderia ter definido uma estratégia melhor.

Se Zuza passava férias em Copacabana nos anos 50, em nasci em 1953, mas convivi com todo tipo de música dos anos 40 para cá. Nossa mãe é uma exímia cantora, nascida em 1923, e que canta até hoje. Outra convivência com estas música, foi ouvindo-as nos sistema de alto-falante dos parques de diversões. Crianças e adolescentes, íamos para a cama ouvindo: "Conceição, eu me lembro muito bem..." ou então: "Será que sou feia? Não é não senhor. Então eu sou linda? Você é um amor..." Sem contar as músicas de Francisco Alves. Tudo isto em Serrinha, no interior da Bahia.

Já nos anos 70, vivendo em São Paulo, íamos para os shows de Bethânia e Gal, ouvir Índia, Antonico, e as músicas dos festivais... Já era a ditadura e a tropicália. Com exílio e muita censura. A Bossa Nova ficou no meio entre as música cantadas por nossa mãe e as músicas dos festivais.

Minha primeira convivência com a Bossa Nova foi ouvindo uma colega cantando e dizendo que precisava aprender músicas brasileiras para cantar nos Estados Unidos. Isto em 1972... Ela cantava: "Um cantinho, um violão... da janela vê-se o Corcovado, o Redentor..." Depois passei a ouvir "O Corcovado" na voz maravilhosa de Nara Leão.

Zuza, fale com a Editora 34 para pensar uma forma de baratear o preço do livro. Eu ajudo na divulgação.

Que tal fazer um comercial com Fernanda Montenegro e Jô Soares contando histórias das músicas que você aborda no livro?

Quem sabe se vender mais livros de Zuza, a gente ajude a reencontrar o caminho que leve o Brasil à Paz e a Inclusão Social, que transforme este país numa Nação soberana?

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Até o juiz Barroso deixou-se picar pela vaidade

Juízes e Procuradores se colocam acima da sociedade

Até então, Barroso vinha sendo um juiz exemplar, numa conjuntura em que os novos ditadores são juízes – em qualquer nível – mais os procuradores, contando também com a ação indefinida da Polícia Federal.

Para que servem o executivo e o legislativo, quando o judiciário se coloca acima dos demais poderes?

Quem garante tantos poderes a estes bacharéis?


Os empresários suicidas? As empresas estrangeiras? Os governos estrangeiros? As Forças Armadas?

Onde fica o POVO?

Não sei a resposta, só sei que o golpe começou liderado pelo PSDB, que comprou o apoio do PMDB e do Centrão, tudo isto articulado com os bancos, as multinacionais e a imprensa.

E é muito curioso que esta palestra de Barroso, tenha sido NOS ESTADOS UNIDOS.

Vejam os sinais de Barroso... publicado no site do jornal Valor de hoje.

“Refundação do Brasil não tem volta, diz Barroso em palestra nos EUA


Por Vinicius Mota (Folhapress) – Valor – 08/12/2017

PALO ALT O (EUA) - O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, disse durante palestra na Universidade Stanford (EUA) que as mudanças iniciadas pelas grandes operações anticorrupção representam uma "refundação do país que não tem volta", apesar de hoje haver uma reação oligárquica contra elas.

Barroso fez a fala de abertura do seminário "Estado de Direito na América Latina", que ocorre nestas quinta (7 ) e sexta-feiras (8) na universidade da costa oeste dos EUA.

"O retrato hoje é devastador, mas o filme é claramente bom", afirmou Barroso. Ilustrou o "retrato"para uma audiência composta também por pesquisadores estrangeiros, mencionando a quantidade de políticos citados em delações, processados e condenados no Brasil recentemente.

Além disso, o ministro brasileiro identifica um "pacto oligárquico"na base do que chamou de reação natural contra os avanços da Lava Jato. "Essas pessoas têm aliados por todos os lados", disse. Sobre o "filme", relembrou conquistas do país nas últimas três décadas: estabilidade institucional e monetária, além da redução da pobreza em magnitude "talvez só menor que a da China no período".

O filme deve prevalecer sobre a foto, segundo Barroso, porque a sociedade está sintonizada com a luta contra os privilégios e porque há independência de fato nas organizações de controle, como o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal. Para o futuro, Barroso recomendou uma agenda calcada numa reforma política que aproxime o eleitor de seu representante e baixe o custo das campanhas.

Também defendeu a ampliação da inclusão social,

citando descaso com a educação e o saneamento básico, e a liberalização da economia.

A sociedade brasileira está "viciada em Estado", que se tornou uma entidade apropriada pela oligarquia, afirmou. "Reduzir o Estado é a atitude progressista correta a tomar", disse Barroso, que defendeu também a reforma na Previdência para ajustar as contas públicas ao perfil demográfico do país.”

CUT e Centrais na luta em defesa da APOSENTADORIA!

CUT define campanha de resistência
contra a Reforma da Previdência



Ainda sob o efeito da confusão plantada pela UOL-Folha, as centrais sindicais reuniram-se hoje para atualizar a estratégia de resistência contra a Reforma da Previdência que acaba com a aposentadoria.

Entramos no período de tudo ou nada e o governo, que tinha dito que votaria no dia 18, já fala em adiar para fevereiro do ano que vem.

Ou o governo está mentindo,
ou o governo não tem votos suficiente.

A verdade é que o POVO BRASILEIRO está contra esta reforma.


Quem está a favor de acabar com a Previdência são os banqueiros e
os mercenários que estão ganhando dinheiro para enganar o povo.

Acompanhem as informações no site diário da CUT, participe das atividades do seu sindicato e da sua associação comunitária. Agora somos nós contra eles. É matar ou morrer!

Leiam a nota publicada pela CUT:


CUT e centrais deflagram
Estado de Greve


A greve acontecerá no dia em que os golpistas colocarem na pauta de votação a reforma da Previdência:

“se botar para votar, o Brasil vai parar”

Escrito por: Tatiana Melim e Marize Muniz • Publicado em: 08/12/2017 - 14:58 • Última modificação: 08/12/2017 - 16:18

Em reunião na sede da CUT nesta sexta-feira (8), as principais centrais sindicais do Brasil – CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central, Intersindical, Conlutas e CGTB – definiram entrar em estado de greve contra a reforma da Previdência. Uma nova reunião já foi agendada para o próximo dia 14 para avaliar as movimentações na Câmara dos Deputados e a possível colocação da reforma em pauta.

“A greve acontecerá no dia em que os golpistas colocarem para votar a nova proposta de reforma”, disse Vagner Freitas, presidente da CUT.
E durante todo o mês de dezembro, as centrais realizarão com seus sindicatos, federações e confederações uma jornada de luta para mobilizar, aquecer e preparar a greve em todo o Brasil.

O centro da estratégia discutida na reunião desta sexta é impedir a votação da nova reforma da Previdência, utilizando todo o tipo de pressão já a partir deste domingo (10), quando começa a jornada de luta, que consiste em ações como, recepção aos parlamentares nos aeroportos, idas aos gabinetes dos deputados e deputadas, denúncias em suas bases eleitorais, assembleias com os trabalhadores e trabalhadoras, panfletagens à população.

O dia 13, quarta-feira, será um dia especial para a base da CUT mobilizar os trabalhadores e as trabalhadoras com atos em todas as capitais e grandes cidades, visitas às bases dos parlamentares e panfletagens. “Tudo isso é um aquecimento para greve que faremos no dia em que a Câmara colocar a proposta em votação”, salienta Vagner.

Com esse tipo de ações impedimos a aprovação do desmonte da aposentadoria até agora, lembra Vagner, que afirma:

“Eles não votaram porque nós conseguimos disputar a opinião pública e vencer.

O povo entendeu que não é reforma, é desmonte, é o fim do direito de se aposentar
.”

Segundo Vagner, a pressão nas bases eleitorais dos parlamentares e a mobilização das categorias em todo o Brasil estão surtindo efeito. “Não podemos ter dúvidas disso. Precisamos intensificar as ações na próxima semana e, se for necessário, a greve será mais um instrumento da nossa luta”, explica o dirigente.

Vagner diz que vai ter greve, sim,
mas isso só ocorrerá quando a Câmara colocar na pauta a votação da nova proposta de reforma.


“O dia em que colocarem para votar,
nós vamos parar o Brasil”,
garante o presidente da CUT.


O secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, explica que o golpista Temer (PMDB-SP) não tem a menor preocupação com a classe trabalhadora, nem mesmo com a opinião pública, já que se conformou com a popularidade de 1% nas pesquisas.

“Ele tem uma tarefa a cumprir e está sendo pressionado para isso. Votar a reforma da Previdência a qualquer custo este ano é o recado que o governo precisa dar ao mercado”, diz Sérgio.

Segundo ele, quem tem preocupação com a opinião pública são os deputados, pois estão de olho nas eleições de 2018. “O governo sabe que ano que vem pode ter mais dificuldade em passar a reforma, por isso está tentando de tudo para aprovar e nossa tarefa urgente neste momento é manter a pressão”.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, reforça que a base da Central está em estado de greve e pode cruzar os braços a qualquer momento. “Estamos criando as condições necessárias para que os sindicatos e os trabalhadores e trabalhadoras possam realizar uma grande e excelente greve”, explica.

“A CUT está junto dos seus sindicatos na construção da greve para o que der e vier”, completa.

“A greve geral do dia 28 de abril é um excelente exemplo do que podemos fazer caso ousem votar a reforma da Previdência na última semana antes do recesso parlamentar”, alerta Vagner.

Na Pressão: quem vota, não volta em 2018!

É hora de colocar pressão nos parlamentares e dizer que eles não serão reeleitos caso votem pelo fim do direito à aposentadoria de milhões de brasileiros e brasileiras. De acordo com levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), 167 deputados declararam que vão votar a favor da reforma. Outros 152 disseram que vão votar contra e 198 estão indecisos.

Uma das formas de pressionar os deputados e deputadas é utilizar o site Na Pressão, uma ferramenta da CUT lançada em junho deste ano e que permite contatar os parlamentares por e-mail, mensagens, telefone ou redes sociais.

O Na Pressão possibilita enviar, de uma só vez, e-mail para todos os parlamentares indecisos ou a favor do governo do ilegítimo Temer pelo link "Ativar Ultra Pressão". Ao clicar na foto individual do parlamentar, é possível acessar informações completas do deputado, como partido, estado e até mesmo contato para envio de mensagens por meio do whatsapp. Entre agora e pressione!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Mobilização total: Temer marca votação da aposentadoria para dia 18


O governo marcou a votação da Previdência, O BRASIL VAI PARAR!


As centrais vinham discutindo fazer greves e manifestações no dia 13, quando o governo cogitava por em votação a reforma da Previdência que acaba com a aposentadoria.

Agora o governo decidiu que a votação será no dia 18.

Uma segunda-feira, antes do Natal, quando normalmente o Congresso Nacional, o Judiciário e os servidores públicos já estariam em férias de final de Ano.

Agora estão suspensas as férias, as folgas de ambos os lados.

É MATAR OU MORRER!


Ou nós derrotamos o governo, ou estes corruptos acabam com a aposentadoria.


Ou os trabalhadores, do campo e das cidades, impedem que este Congresso Nacional corrupto aprove o fim da aposentadoria, ou os trabalhadores ficarão sem se aposentar, as mulheres deverão trabalhar muito mais, os jovens morrerão antes de se aposentar e quem quiser ter algum dinheiro, vai ter que procurar os bancos para fazer previdência privada. PRIVADA!

São os quinze dias mais importantes da história recente do Brasil.


Esta pode ser a primeira e grande derrota deste governo corrupto e ilegítimo!

É hora de impedir que os 308 deputados aprovem este crime hediondo chamada reformada da Previdência.

Precisamos discutir e acertar quando começam as mobilizações e greves, como organizar as vigílias e orientar a sociedade de que as manifestações só acabarão quando o projeto for derrotado em votação ou seja tirado da pauta.

O Brasil e a classe trabalhadora não perdoarão os que votarem contra o povo brasileiro.

Vejam as informações resumidas confirmando a votação para o dia 18:


Temer acerta com líderes votação da Previdência dia 18 de dezembro


UOL – ECONOMIA - Ricardo Brito 07/12/201720h37

O presidente Michel Temer acertou, em reunião com lideranças da Câmara na tarde desta quinta-feira (7), somente colocar em votação a nova versão da reforma da Previdência na semana entre os dias 18 e 22 de dezembro, a última de atividade legislativa do Congresso.

Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse que "ficou acordado que o dia para podermos apreciar a PEC da reforma da Previdência seria no próximo dia 18".

A avaliação foi que, com mais uma semana de trabalho para convencer deputados da base, será possível garantir uma margem de segurança para aprovar o texto.

No meio da tarde, o presidente recebeu no Palácio do Planalto a visita do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e dos líderes do governo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), do PP, Arthur Lira (AL), do DEM, Efraim Filho (PB), do PRB, Cleber Verde (MA), e um dos vice-líderes do governo na Casa, Beto Mansur... -
CUT repudia má-fé da Folha de S. Paulo

Central não negocia retirada de direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, muito menos com um governo golpista, ilegítimo e corrupto

Escrito por: CUT Nacional • Publicado em: 07/12/2017 - 10:24

A CUT repudia a má-fé da Folha de S. Paulo que distorce e manipula informações com o claro objetivo de enfraquecer a luta do movimento sindical contra os ataques aos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Uma nota do Painel da Folha insinua que o governo irá liberar recursos em troca de apoio a nova proposta de reforma da Previdência que praticamente acaba com a aposentadoria.

Em minutos a nota virou manchete do UOL,
como se fosse uma verdade incontestável.

É mais uma mentira da Folha de S. Paulo!

O governo não está liberando nada. Esse dinheiro pertence a CUT e demais centrais e foi bloqueado indevidamente pela Caixa Econômica Federal.

Temer não faz mais do que a obrigação ao liberar um dinheiro que pertence à classe trabalhadora e vai ser usado na luta contra os ataques aos direitos sociais e trabalhistas patrocinado por esse governo usurpador e corrupto, como afirmou o ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

A Folha de S. Paulo repete o que já se tornou tradição no jornal, manipula as informações para induzir o leitor a acreditar que a CUT e demais centrais estão negociando recursos em troca de apoio ao desmonte da Previdência.

- A CUT, a maior e mais combativa central sindical do país,
reafirma que não negocia direitos dos trabalhadores.

- A CUT reafirma também que não negocia nada com o governo ilegítimo e golpista de Temer.

- A CUT denuncia a manipulação e a má-fé deste jornal golpista que tem interesse em defender o fim das aposentadorias.

- Um aviso a Folha e ao governo: se botar para votar, o Brasil vai parar!


Vagner Freitas

Presidente Nacional da CUT

Temer libera 500 milhões para as Centrais Sindicais?

Painel da Folha, publicado na UOL provoca as Centrais Sindicais

- Se venderam?

- Vão fazer greves e manifestações apenas pró-forma?

- O dinheiro era direito das Centrais ou "moeda de troca", como fazem os políticos?

Não podemos nos omitir, é importante ter transparência na representação da Classe Trabalhadora.

Vejam a íntegra da Nota do Painel da Folha na UOL de hoje:

Em meio a ofensiva pela Previdência,
governo libera R$ 500 milhões para centrais sindicais


Por Painel – Folha – UOL -07/12/2017

Mel na sua boca Em meio às negociações para a aprovação da reforma da Previdência,
o Planalto fez um aceno às centrais sindicais que se opõem às mudanças.

Michel Temer garantiu, na terça (5), que baixará portaria semana que vem para liberar o pagamento de cerca de R$ 500 milhões em verbas do imposto sindical que estavam retidas na União.

O dinheiro é fruto de um acordo entre as entidades, o MP, a Caixa e o governo. O ministro Ronaldo Nogueira (Trabalho) vai assinar o texto.

Erro
Os R$ 500 milhões foram bloqueados por falhas no preenchimento de dados obrigatórios para o pagamento.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Ser marxista-cristão é perigoso?

A despedida de Martinho da CUT foi um sucesso

Milhares de pessoas acessaram este blog para ler a bela mensagem de despedida que Martinho Conceição escreveu para os amigos do facebook. Eu a achei tão bonita que a reproduzi com edição especial e foi um grande sucesso de público.

O curioso foi que Martinho declarou-se Marxista-Cristão!


Algo "demodê" mas, perto dos jihadistas, poderia dar a impressão que ele fazia parte de uma organização perigosa.

Tão perigosa que chamou à atenção dos serviços especiais americanos e houve mais de 700 acessos oriundos dos Estados Unidos...

Eu já conhecia os Socialistas, Espíritas da Teologia da Libertação, Espíritas de Esquerda, como eu me declaro e muitos amigos também, mas nunca tinha visto a expressão "marxista-cristão". Eu já tinha visto livro de Engels que aborda fenômenos mediúnicos, algo que tem a ver com espiritismo, mas ainda não tinha visto cristão-marxista.

Agora que ganhei "a biografia definitiva de Marx",

de autoria de Gareth Stedman Jones,
vou descobrir se Marx também teve experiência mediúnica.

Se o mundo tem um papa argentino que faz muito sucesso,

porque não podemos ter marxistas-cristãos para trazer bastante amor,
democracia e economia solidária para todos?

O nosso Martinho pode fazer tanto sucesso sendo cristão-marxista,
quanto o Martinho Lutero fez com o Protestantismo.

Portanto, ser marxista-cristão NÃO É PERIGOSO!

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Martinho despede-se da CUT. Àquele abraço!

Martinho Conceição:

Um bom militante, um bom companheiro e um bom amigo, despede-se da CUT

05 DE DEZEMBRO DE 2017. E LÁ VOU EU....

32 anos se passaram. Muito estudo, trabalho e lutas. Dei muitos cursos, seminários, debates que avalio importantes no "fazer-se" de muitos homens e mulheres que se tornaram lideranças nas lutas da classe trabalhadora brasileira. Fiz o que esteve ao meu alcance. Se houve erros, também tenho culpa.

Sou um comunista-cristão, que apreendeu de Marx e muitos outros de seus seguidores as ferramentas para fazer a crítica à sociedade capitalista na qual vivemos e de São Francisco de Assis compreendi que humildade é um valor fundamental na construção da alteridade. Talvez, por esta razão, não falei tudo que poderia falar e nem ousei em tudo que poderia ousar. Me propus mais a ouvir.

E ouvindo argumentos e práticas, mais que falando, vivi minhas últimas três décadas e meia uma vida com sentido: escrevendo, ensinando e apreendendo. Assim, compreendi que na vida não existe sorte. Existem oportunidades que demandam escolhas das quais resultam o que somos ou seremos.

Apreendi que o hoje, foi futuro ontem e será passado amanhã. Se chegamos aqui como chegamos, é porque talvez em nem tudo acertamos. Exatamente por isso, perceber e se importar com as intrínsecas relações existentes entre memória, história e representação, pode nos conduzir a um caminho menos doloroso rumo ao horizonte que almejamos.

Tenho orgulho de ter dedicado grande parte da minha vida, contribuindo para a construção da maior e mais importante Central Sindical existente no Brasil - a Central Única dos Trabalhadores. Por ela sonhei, com ela apanhei, em "tempos nublados" o sono perdi, em outros momentos quase chorando, por ela e com ela voltei a sorrir.

Atesto que não há no Brasil uma universidade da vida, para nos fazer mais humanos, que a experiência vivida coletivamente em tempos de glórias e mesmo sombrios, que o espaço construído no sindicalismo classista, quando os princípios da solidariedade, da cooperatividade, da coletividade e da impessoalidade se impõem. São forças motoras que nos fazem enfrentar tempestades.

E quantas tempestades enfrentamos nestas três últimas décadas. Por isso, o sentimento que nutro e manifesto aos meus e minhas inúmeros e inúmeras camaradas do movimento sindical e do meio acadêmico, é da minha mais profunda gratidão. Minha aposentadoria chegou. Muito ainda há por se fazer.

Vivemos em um cenário de golpe institucional. Um momento complexo, duro ao extremo para quem imaginou, depois de derrotada a ditadura militar nos anos 80, jamais voltar a experimentar a vida em um Estado de Exceção. Momento que nos faz aflorar uma gama de inquietações e contradições.

Porém, marxista-cristão que sou, concebo as contradições não como sinal de uma crise fatal ao que nos propusemos construir, e sim como uma das fontes para as necessárias e profícuas reflexões sobre onde queremos chegar. Para mim, de tudo que importa e fica, são as incontáveis histórias, sorrisos e lágrimas que foram derramadas por amor ao "fazer-se" sujeito na luta de classes e na busca em querer acertar, para a vida do povo trabalhador melhorar.

Assim, vou eu ! Fica o recado:


QUANDO EU MORRER, NÃO QUERO CHORO NEM VELA, QUERO UMA BANDEIRA VERMELHA, ESTAMPADA COM O NOME DELA - CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES E DAS TRABALHADORAS. Fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii..

Muito calor e clima de vale tudo

Será o "salve-se quem puder?"

De manhã cedo a gente comprar o pão e estranha que cada dia o tamanho do pão é diferente.

Vai ler os jornais e fica impressionado com tantas notícias de corrupção na política, manipulação no judiciário e noticiário dirigido para um olhar conservador. A verdade desaparece...

Vai de carro para o trabalho e sofre com o calor e com o trânsito. Dizem que é o Natal...

No trabalho, ficamos assustados com a quantidade de problemas para ajudar a resolver. Será que, se as regras fossem mais transparentes, não seria mais fácil de tomar decisão e ajudar as pessoas a superar os novos desafios de 2018?

Com o calor e o corre-corre, aumentam os problemas de saúde, consumimos mais remédios e ficamos mais tensos.

Ao voltar para casa, temos a surpresa de o aparelho de TV parar de repente, como se não quisesse que a gente visse tantas notícias ruins e que, em vez de ver TV, que a gente vá ler livros e conversar em família.

E amanhã, a vida continua,
com calor, trânsito e mais reuniões...

Sorria, isto é Natal.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Temer chama servidores públicos de privilegiados

Temer ataca servidores e coloca em risco
serviço público no País


Taxados de privilegiados por Temer, que se aposentou aos 55 anos com 30 mil,
servidores públicos no Brasil recebem em média R$ 3 mil por mês

Escrito por: Tatiana Melim - CUT • Publicado em: 01/12/2017 - 18:56

Os servidores públicos entraram na mira do governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (PMDB-SP) na nova proposta de Reforma da Previdência, encaminhada para a Câmara dos Deputados. A votação estava marcada para o dia 6, mas foi retirada da pauta porque o governo não tem os 308 votos necessários para a aprovação das mudanças.

Pela nova proposta apresentada, para ter direito à aposentadoria, os servidores públicos, que hoje fazem parte do Regime Próprio de Previdência (RPPS), terão de contribuir no mínimo 25 anos para receber uma aposentadoria correspondente a 70% da média salarial. Há ainda exigência da idade mínima de 65 anos homem e 62 anos mulher para terem direito ao benefício.

“Vamos morrer trabalhando. É isso o que Temer quer”, critica José Carlos de Oliveira, coordenador Geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Estado de Pernambuco (Sindsep).

Além disso, os servidores, que são tratados com desprezo e taxados de privilegiados pelo governo, inclusive sendo alvos das propagandas oficiais enganosas sobre a reforma, terão de contribuir durante 40 anos para atingir o valor integral da aposentadoria, que passará a ser o teto do INSS, de R$ 5.531,31.

“A propaganda do governo tenta fazer a população acreditar que
os problemas da Previdência são, única e exclusivamente, culpa do servidor público”, contesta José Carlos. “Querem jogar a opinião pública contra os servidores e utilizam os meios de comunicação para atacar o seu próprio corpo técnico. É um desestímulo e uma provocação sem tamanho”, completa.

A opinião do dirigente dialoga com a recente decisão da juíza da 14ª Vara Federal de Brasília, Rosimayre Gonçalves de Carvalho, que, ao perceber a manipulação nas propagandas do governo que atacavam diretamente os servidores, decidiu pela imediata suspensão dos anúncios publicitários.

Em sua decisão, ela afirmou que “a despeito de nada informar, propaga ideia que compromete parcela significativa da população com pecha de pouco trabalhar e ter privilégios, como se fosse essa a única razão da reforma”.

José Carlos questiona a provocação do governo de que servidor público tem privilégio com a realidade salarial dos servidores no Brasil, perguntando se receber, em média, R$ 3 mil por mês é ser privilegiado. “Quero saber qual é o privilégio disso”, diz ele, que destaca: “a maioria desses servidores prestam serviços nas escolas, hospitais, universidades, segurança, administração pública, entre outros serviços essenciais à população”.

“Privilégio, na realidade, é o que o Temer conseguiu.

Se aposentou aos 55 anos e ganha 30 mil reais,” devolve a provocação o dirigente CUTista.

É importante toda a classe trabalhadora saber que quase metade do salário de muitos servidores públicos é gratificação por produção, ou seja, não faz parte do salário. Isso significa que o servidor perde cerca de 33% do valor da sua remuneração ao se aposentar, pois gratificação não conta nos cálculos da aposentadoria.

“O ataque é brutal”, diz o coordenador-geral do Sindsep, que lembra ainda que o servidor público não tem direito ao FGTS, nem à negociação coletiva.

Segundo ele, o governo ilegítimo de Temer está esfacelando completamente o conceito de Seguridade Social para dar espaço ao mercado com os pacotes de previdência privada e complementar. “Para governos como este, com uma política neoliberal, servidor público é despesa. Só esquecem que, em países com maior IDH, o serviço público de qualidade é uma premissa.”

Segundo o presidente da CUT, Vagner Freitas, a proporção de servidores públicos em relação ao total de trabalhadores em países como os Estados Unidos, por exemplo, é de 23%. Tem países desenvolvidos que essa relação ultrapassa os 30%.

“Aqui no Brasil a relação é de 12% e ainda temos muito para investir e, não, cortar, como quer este governo corrupto e ilegítimo que não teve voto para estar onde está”, diz Vagner. “Parlamentar que votar essa proposta não volta em 2018”, finaliza o dirigente.

Votação adiada
Prevista inicialmente para ser votada no dia 6 de dezembro, a reforma Previdenciária, que acaba com o direito à aposentadoria de milhões de brasileiros e trata os servidores públicos com desprezo, teve a data da votação adiada, após a pressão dos trabalhadores e trabalhadoras.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Folha diz que golpistas votarão em Bolsonaro

Serão apenas dois candidatos pra valer: Lula e Bolsonaro

A Folha adora jogar na confusão, para levar o povo a fazer o que ela quer.

É evidente que a Folha, juntamente com a Globo e o judiciário, não querem que Lula volte nos braços do povo. Por isto eles deram o golpe de Estado e derrubaram Dilma.

Só que, os golpistas radicalizaram tanto que o povo não está aceitando votar em candidato do PSDB, que é o pai do golpe.

O povo, ou quer que Lula e bote ordem no país, gerando mais empregos e mais renda para o povão, ou então, a parte mais conservadora do povo está preferindo que o escolhido seja um militar, mesmo que seja um ignorante e estúpido como Bolsonaro. É o discurso da Ordem e da Segurança em primeiro lugar.

Em 1964, Carlos Lacerda
, que tinha jeito de tucano e de PSDB, organizou o golpe militar e ficou exigindo eleições presidenciais para ele se candidatar. Os militares cassaram Carlos Lacerda, isto é, tirou os direitos políticos do tucano da época e o proibiu de ser candidato. Os militares acabaram com as eleições diretas para presidente da República.

Em 2018 pode acontecer a mesma coisa.

A direita representa pelo Judiciário e apoiada pelo PSDB, baixar uma lei feita pelo judiciário, e não pelo legislativo, impedindo Lula de ser candidato e, indiretamente, abrindo o caminho para Bolsonaro vir com o discurso que vai botar ordem na zona...

E o PSDB?

Lembram que o humorista Zé Simão apelidou o Alckmin de "picolé de chuchu"?
Do jeito que as coisas vão, Alckmin, mais uma vez vai ficar a ver navios...

Se o povo quer Lula na presidência?
Vai ter que lutar por ele.

Democracia não cai do céu, conquista-se!


A pesquisa Datafolha publicada neste domingo,
só reforçou o que as pesquisas CUT/Vox Populi vem mostrando há um bom tempo:

O povo quer Lula lá!
O povo quer Lula presidente!
O povo quer governo popular e democrático.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Veja diz que "A Miséria voltou"

Chamada de capa reconhece o mal que fizeram

Enquanto estava na fila do supermercado neste sábado, vi que várias revistas estavam à venda em um dos lados do corredor do caixa.

Chamou-me atenção duas chamadas: "A Miséria voltou" e "O voo dos tucanos".

A revista golpistas, de extrema direita, reconhece que, neste governo golpista, com a redução substancial das políticas sociais houve um significativo aumento da miséria. E, ainda na capa, publica a fotografia de uma pessoa dormindo na rua.

Já o voo dos tucanos, com chamada principal, mostra o oportunismo do PSDB.


Ideólogos do golpe, do neoliberalismo no Brasil e do entreguismo das nossas riquezas e da nossa soberania, agora que o governo Temer tem apenas 3% de apoio da população, os tucanos, liderados por Aécio Neves e pelo governador de São Paulo, Alckmin, defende que todos os tucanos saiam do governo e fiquem apoiando-o no legislativo. Oportunismo bem típico do PSDB.

Realmente a miséria voltou:


- a miséria da imprensa;
- a miséria do judiciário;
- a miséria dos governos mentirosos;
- a miséria da segurança;
- a miséria do presidente medíocre;
- a miséria da redução das políticas públicas;
- a miséria da redução de verbas para pesquisa;
- a miséria da redução de verbas para universidade públicas;
- a miséria da redução de verbas para cultura;
- a miséria dos juros altos;
- a miséria do centrão no Congresso Nacional;
- a miséria da omissão dos que apoiaram o golpe.

Já para aqueles que cantam:

"O CAMPEÃO VOLTOU!"


Realmente o campeão voltou e o Corinthians é mais uma vez campeão nacional.


Ainda temos o futebol para consolar os brasileiros da miséria que tomou conta do Brasil.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Acabou 2017, como será 2018??

Chegamos em Dezembro, podem consultar os astros...

Se 1968 foi o ano que não acabou, 2017, como 2016,
foram anos que não precisavam ter acontecido.

E como será 2018?


Vivemos tempos sombrios, umbralinos, tempo de Sodoma e Gomorra, tempo de salve-se quem puder e de pouca solidariedade. Vivemos como se estivéssemos em 1932, sofrendo as consequências de 1929, quando o crack da bolsa de Nova York desestruturou o mundo e abriu as portas para a segunda guerra mundial. Em 1932 começou o nazismo, que em 2017 começa com o nome de neoliberalismo...

Não podemos ficar passivos nem entreguista!


Se vamos a um jantar entre amigos, ouvimos mais sobre a violência, os assaltos, a corrupção, a falta de confiança na justiça e na polícia, o medo do desemprego e o medo do preço das coisas. Ouvimos que o Brasil está caro e corrompido. Todos perguntam como mudar este baixo astral. Como impedir que "a serpente" cresça e destrua a vida de milhões de pessoas.

Mesmo num jantar de aniversário, a pauta é a mesma.

Sobrando pouco tempo para se falar de família, de amizades, das flores, do espírito do Natal e do Ano Novo, se falar das viagens, (que estão ficando escassas), e como será que mudaremos o Brasil. Ou, se conseguiremos mudar este país. Se não estamos virando um México.Vivemos sem modelo social e econômico vigente para ser copiado. Precisamos nós mesmos criar o novo.

Muitos preferem mudar para outros países,

mas a maioria não quer emigrar ou não pode. A vida nos colocou aqui e temos que superar este período ruim daqui mesmo. Sem esmorecer nem desistir.

Assistindo ao filme "Os dez mandamentos",

não deixa de ser curioso ver Moisés dizendo aos hebreus de que ele não era o enviado de Deus. Que ele não tinha sido avisado disso. Que ele queria "ouvir" de Deus. Não é muita petulância?

Mas, há tantas formas de se falar com Deus.

Lendo um livro, olhando as flores, dando passagem a uma mãe com a criança, conversando com os velhos e escutando os sonhos dos jovens. Ouvindo uma música, fazendo caminhada e também ouvindo e dando atenção às pessoas.

Neste mês de Dezembro, podemos mudar nossa conduta.

Podemos "conversar com Deus" e fazer como Caetano Veloso que pediu nos jornais para pensar no "Natal sem fome", Ou fazer uma promessa de que não aceitará comportamentos ilegais, desrespeitosos e racistas. Que em 2018 vai varrer a política dos corruptos e entreguistas. Que não aceitará um judiciário partidarizado e golpista, que não aceitará um imprensa manipuladora.

Ainda podemos planejar:


Que vai contribuir para que 2018 não seja igual a 1968.
Que haja mais paz e liberdade entre os povos.

E estamos apenas começando o mês de Dezembro.


Que haja menos consumo e mais fraternidade.
Que haja menos desemprego e mais trabalho para todos.
Que haja menos remédios caros e mais saúde e alegria.

Que venha o Natal, o Ano Novo e 2018.





quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Chineses estão comprando o Brasil

Entreguistas vendem o Brasil e nossa soberania

A direita babona brasileira, liderada pelo centrão, pela bancada evangélica e pelo PSDB, defende a privatização de tudo, defende a precarização das políticas públicas e são contra os comunistas, os socialistas e todos que defendem a inclusão social e dignidade nacional.

Mas estão vendendo o Brasil à China.

São de direita e combatem a esquerda, mas na hora de ganhar dinheiro, não interessa se o comprador é americano neoliberal ou chinês comunista. É a lógica mercenária...

O Brasil já foi mais rico que a China, hoje, o Brasil é apenas uma reserva de minérios, de agricultura e de consumo para produtos fabricados na China. O comunismo restabeleceu à dignidade do povo chinês, enquanto o neoliberalismo entreguista, restabeleceu o servilismo brasileiro aos Estados Unidos e demais países da Europa. Lamentável!

Vejam as notícias dos jornais de ontem:

APETITE CHINÊS NO BRASIL


Estadão, página B10.

Brasil é segundo destino em todo o mundo entre 2014 e 2017.


21 aquisições realizadas entre 2015 e 2017:


Atlântico Transmissão
Linhas de Transmissão de Montes Claros
Banco BBM SA (80%)
PSafe Tecnology
XCMG Brazil Investment (90%)
PCHs da Triunfo
Tecnologia Automotiva Catarinense
Azul SA (23,7%)
Usinas de Jupiá e Ilha Solteira
Onyx Tecidos e Filmes Refletidos (51%)
Anglo American Fosfatos e Nióbio
Fiagril (57%)
Porto de São Luis
CPFL Energia (54,6%)
Rio Bravo Investimentos
Duke Energy Brasil
Concremat Engenharia e tecnologia (80%)
99 Taxis Desenvolvimento de Software
CPFL Energias Renováveis (48,4%)
CPFL Energia SA (45,4%)
Unicoba Baterias Participações (59,2%)

fonte: AT Kearney, Dealogic, Até 9 de março de 2017.

Agora vocês entendem por que nossa imprensa
deu tanta importância ao Congresso do Partido Comunista da China!

Grêmio, campeão que convence

Renato Gaucho mostra o caminho da vitória

O time joga muito bem, mas nem sempre é suficiente.
Um bom técnico faz a diferença.

Renato Gaucho estimulou o time a jogar rápido, bem posicionado, sem medo do adversário e com muita vontade de ganhar.

O futebol brasileiro, como todo o Brasil, tem andado de lado, ressabiado, depois que os brasileiros se dividiram entre ser a favor de Dilma e do governo petista ou ser contra Dilma e exigir sua destituição com um golpe latino-americano. O Brasil piorou, o povo está em situação pior do que estava, mas não vai às ruas nem se manifesta. Aguarda 2018...

Renato Gaucho não esperou 2018.

Fez do Grêmio o melhor time do Brasil, melhor mesmo do que o Corinthians.

E, se botar este time para jogar com a nossa seleção brasileira, é capaz de o Grêmio ganhar...

Tite que fique esperto. Há um outro gaucho dando vida ao nosso futebol.

Parabéns aos meninos do Grêmio!

Parabéns a Renato Gaucho!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Submarino afundado e índios afetam imagem da Argentina

Presidente da Argentina, Macri, desencanta

Aos poucos, a imprensa vai tendo que mostrar o outro lado dos candidatos e políticos da direita na América Latina. Antes,a direita não ganhava eleições e assim apelava para golpes militares apoiados pelos Estados Unidos.

Com a crise dos governos de esquerda, o povo, decepcionado, passou a votar na direita, sendo que a imprensa vendia a imagem de que a direita sabia administrar, enquanto que a esquerda gastava mal.

Passado o período inicial e de euforia estimulada pela imprensa, a direita vai batendo cabeças e o povo vai aprendendo que é preciso exigir mais resultados positivos e menos demagogia, seja o governante de direita ou de esquerda. Afinal, só se aprende, praticando, principalmente quando se trata de democracia.

No caso da Argentina, além da crise com o desaparecimento do submarino, houve também a morte de índio mapuche. No sábado passado, uma reintegração de posse conduzida pela polícia argentina na comunidade indígena mapuche de Villa Mascardi, em BARILOCHE, um jovem ativista de apenas 22 anos, foi assassinado com um tiro pelas costas.

Os membros da comunidade mapuche protestavam contra a reintegração de posse e foram reprimidos por agentes da Polícia Nacional.

Não basta ser de direita ou de esquerda, é preciso respeitar o povo e governar com transparência e competência.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O melhor sobre as Eleições no Chile

Avanço da Esquerda no Chile

A Folha mais uma vez comeu bola e o Valor continua sendo o melhor jornal do Brasil.
Vejam o melhor artigo já publicado no pais. A autoria é de um profissional do Financial Times, de Londres, e publicado no Valor de hoje. Os melhores historiadores geralmente são os ingleses. Por isto que defendo abrir o mercado de rádio, jornal e televisão para o mercado internacional. Afinal, se nossa imprensa defende a lei da concorrência internacional no Brasil, que esta concorrência internacional também sirva para todos os setores da mídia. Não há meio capitalismo. Como não há meia democracia. Ou meia liberdade.

Leiam este belíssimo artigo sobre o Chile.

Avanço da Esquerda no Chile
altera tradicional equilíbrio de poder


Por Benedict Mander - Financial Times – Valor 25, 26 e 27/Nov/2017.

Envergando um boné de beisebol, tênis e uma camisa sem enfiar na cintura, Giorgio Jackson não joga pelas velhas regras do Congresso do Chile, cujos corredores são agitados por homens de ternos escuros e grisalhos - a maioria pelo menos com o dobro de sua idade.

Mas os eleitores não parecem se importar com isso.
Pelo contrário, o ex-estudante de 30 anos de idade conquistou mais votos do que quase qualquer outro candidato ao Congresso nas eleições chilenas de domingo passado, contribuindo para o desempenho sensacional do bloco de esquerda Frente Amplio que subverteu a tradicional correlação de forças políticas.

Agora Jackson e seus companheiros preveem conseguir ditar algumas das novas regras.
Sem o apoio deles, argumenta ele, Alejandro Guillier, que representa a parte remanescente da dividida coalizão de centro-esquerda da presidente Michelle Bachelet, terá dificuldades para vencer o candidato de centro-direita, o bilionário empresário Sebastián Piñera, no segundo turno da eleição presidencial, marcada para dezembro.

"Será muito difícil para Guillier conquistar o apoio de todos os eleitores do Frente Amplio", diz Jackson, para quem o sucesso do candidato depende da possibilidade de ele poder lhes fazer uma oferta que valha o seu apoio: "Embora haja um grupo [entre nós] que é muito anti-Piñera e que vai votar em Guillier de qualquer maneira, precisaremos de mais do que isso para ganhar as eleições".

Ainda que Beatriz Sánchez, a candidata do Frente Amplio a presidente, tenha deixado por pouco de entrar para o segundo turno, o bloco emergiu como a terceira maior força política do Chile após ganhar mais que o dobro do número de cadeiras no Congresso do que o previsto nas pesquisas.

Fundado por ativistas estudantis, entre os quais Jackson, a ascensão do bloco tem raízes nas manifestações de massa de 2011 contra os altos níveis de desigualdade no Chile, e no crescimento da classe média durante o surto de crescimento das commodities de 2000 a 2014, que criou novas demandas sociais.

Entre elas estão apelos por uma reformulação radical do sistema de aposentadoria, visto como pouco generoso, e por uma Assembleia Constituinte para reformular a Constituição implementada na ditadura de Augusto Pinochet, e vista por muitos como ilegítima.

Identificado de maneira mais próxima com o Partido Podemos espanhol, de extrema esquerda - bem como com o senador americano independente Bernie Sanders e com Jeremy Corbyn, o dirigente de esquerda do Partido Trabalhista britânico -, o desempenho do Frente Amplio repercutiu em todo o sisudo sistema político chileno, dominado por dois blocos desde a década de 1990.

"O espaço eleitoral está mudando e as pessoas estão se manifestando de maneira diferente",
diz Sergio Bitar, um assessor próximo de Guillier, que destaca que 55% dos chilenos votaram em candidatos de esquerda nas eleições.

"Resta conferir se essa maioria poderá ser canalizada para apenas um candidato", reconhece ele, destacando, porém, que as perspectivas eleitorais de Guillier melhoraram muito. "É um campo aberto, podemos ganhar. Uma semana atrás era mais difícil dizer isso".

Até a próxima quarta-feira a Frente Amplio, ou Frente Ampla, deverá decidir se apoiará ou não Guillier. Mas dirigentes do partido deixam claro que não conseguirão fazer isso sem gestos claros sobre as questões mais importantes para o bloco dominado por forças estudantis, entre os quais a aposentadoria e a reforma constitucional.

Javiera Parada, uma figura destacada do Frente Amplio, diz que a legenda foi fundada para enfrentar a "exaustão" da estrutura política chilena, que não conseguiu se renovar e permitir o ingresso de políticos jovens - até agora.

"Somos uma nova alternativa política que não reage à relação promíscua entre os negócios e a política.

‘Queremos romper a lógica neoliberal que imperou no Chile nos últimos 50 anos,
imposta pela ditadura [Pinochet], mas que foi amplamente mantida", diz ela.

No entanto, a frente é feita de uma associação de grupos muito diferentes - cerca de 13 partidos, no total. Isso levou a uma confusão em torno do que exatamente ela representa, com opiniões contrastantes sobre o quanto o governo do líder venezuelano Nicolás Maduro é democrático, por exemplo. "Não sabemos, na verdade, o que é o Frente Amplio - eles são muito diferentes entre si", diz Bitar.

Alfredo Moreno, o ministro das Relações Exteriores de Piñera em seu governo de 2010 a 2014, destaca que há muito há eleitores desiludidos no Chile que não optaram por nenhum dos principais partidos.

O candidato "outsider" Marco Enríquez-Ominami, por exemplo, ganhou 20% dos votos nas eleições de 2009 - quase o mesmo que Beatriz Sánchez no 1º turno.

"Esse voto sempre existiu.

Mas [em 2009] foi em uma pessoa, não em um movimento", diz ele. Ele observa, porém, que as reformas eleitorais de Bachelet, que introduziram a representação proporcional, permitiram que o Frente Amplio aproveitasse seu apoio e despontasse com um bloco significativo no Congresso:

"Hoje há a possibilidade de que eles estejam aqui para ficar".


No entanto, o desempenho do Frente Amplio no domingo passado pegou a todos de surpresa - principalmente Jackson.

"É como na roleta, quando você joga todo o seu dinheiro em um número", diz ele. "Você sabe que tem chance de ganhar, mas que não é tão provável, por isso é claro que vai gritar [de contente] quando ganha".

domingo, 26 de novembro de 2017

Feliz Aniversário com este governo neoliberal?

Eu tenho tantos amigos...

Já cantava Mercedes Sosa.

E um deles é mulher moça, que se chama Liberdade.


Quando olhamos os jornais de domingo, quando vários amigos e amigas fazem aniversário hoje, ficamos sem saber se podemos mandar mensagens de Feliz Aniversário.

Como ser feliz, como desejar Feliz Natal e Próspero Ano Novo com o Brasil vivendo um dos piores momentos da sua história? Quando vemos os amigos e amigas serem demitidos, ficarem desempregados, e a gente não ter para onde indicar para ver se consegue novos empregos ou mesmo novos trabalhos?

Destruíram nossa alegria, destruíram nossa base de sustentação financeira e tentam destruir nossa capacidade de resistência e nossa esperança.

Deram um golpe de Estado, destruíram o pleno emprego que existia antes, provocaram milhões de demissões como forma de baratear a mão de obra e de reduzir custos e ainda tentam esconder o papel que os políticos, a imprensa, o judiciário e as empresas estão tendo nesta destruição do Brasil.

Já que não conseguimos dizer Feliz Aniversário, podemos dizer:
Estamos juntos neste momento da vida.
Juntos, somos muitos, juntos somos forte. Lembram?

Não devemos esquecer... As ditaduras começam e acabam, as crises aparecem e depois voltam para seus ninhos de mentirosos, covardes e manipuladores. Se aceitarmos passivamente, perdemos nossos direitos e nossa dignidade com mais facilidade.

Temos que resistir, ser fortes e sermos solidários.
De pé oh vítimas do neoliberalismo e do entreguismo!

Somos parte de uma geração que enfrentou a ditadura militar, ajudou a criar um período de paz, prosperidade e liberdade como nunca tivemos antes.

No entanto, esquecemos de organizar a classe trabalhadora para impedir que a direita reacionária, escondida nos ministérios públicos, no judiciário, na imprensa, nas empresas e nos partidos políticos - religiosos ou não, desse mais um golpe de Estado.

Quando a direita deu mais este golpe de Estado,
imaginávamos que haveria uma reação espontânea.
Houve frustração, mas não houve levante popular espontâneo.
Isto não existe. ]

Direitos só se garante com sociedade organizada e preparada para defender suas conquistas. Estas não caem do céu. Deus disse: Vai por mim que te ajudarei. Não disse: Espere que eu te darei tudo.

Que cada um se faça merecedor de seus direitos e de sua liberdade.

Mas, apesar de tudo que estamos vivendo, recomendo aos aniversariantes que reúnam os parentes e amigos e comemorem seus aniversários fraternalmente, estimulando a solidariedade e a coragem de, juntos, lutarem por um mundo melhor.

Juntos somos forte! E temos tantos amigos...

Parabéns aos aniversariantes,
os mais chegados e os mais distantes.
Não vou citar nome de nenhum para não ser injusto.

A luta continua...

sábado, 25 de novembro de 2017

Todos reclamam do Brasil?

Destruição de imagem e da autoestima

O Brasil vinha de longo período de crescimento econômico, inclusão social, modernização e criação cultural. Este progresso vinha desde a primeira guerra mundial.

Como esta boa imagem passou a ser associada a Lula e sua capacidade de governar e ganhar eleições, os conservadores, também a direita e parte significa do PSDB, começaram a trabalhar para derrubar o governo petista, mesmo que, junto com a água, destruíssem também a bacia.

A direita brasileira, liderada pelo PSDB
e por seu presidente nacional, Aécio Neves, começou a estruturar o golpe de Estado. Afinal, quando não se ganha as eleições, impede-se que o vencedor governe. É o anti-fair play, isto é, o anti-jogo.

Usaram o Judiciário
, não foi suficiente;
Usaram a imprensa, não foi suficiente;
Usaram as polícias estaduais, não foi suficiente;
Usaram empresários corruptos, não foi suficiente;

Então, resolveram comprar os deputados e senadores
, e decidiram desconsiderar quem foi eleito apoiando situação ou oposição, compraram a maioria do congresso nacional, usaram a imprensa para incendiar as ruas, pregando desobediência civil, usaram o judiciário para ignorar a Constituição e os códigos legais, usaram apoio internacional, principalmente do Estados Unidos, e assim,foram aproveitando os erros do governo Dilma, aos poucos, as condições estavam prontas para derrubar o governo.

Como os movimentos sociais foram às ruas denunciando o golpe de Estado
, chamado de impeachment sem fato gerador, inventaram denúncias inconsistentes e aos poucos a receita foi ficando pronta.

Por vias das dúvidas, consultaram juízes e as Forças Armadas.


A resposta dos juízes foi:
Se Dilma não conseguir juntar 200 deputados em mais de 500 parlamentares, não merece ficar no governo.

Já os militares, responderam:
Usem as leis que nós usarem a força para defender a ordem legal, mesmo que seja ilegítima. Os militares também não gostavam de Dilma. Gostavam e gostam de Lula.

Pronto. Deram o golpe do impeachment
e o Brasil passou a ser governado por uma grande quadrilha de políticos corruptos e cínicos. Topam tudo por dinheiro, ficando barato vender o Brasil para os estrangeiros, acabando com nossa soberania nacional.

Sendo governado por corruptos
, gozando do apoio da imprensa e do judiciários, as quadrilhas do tráfico, de sequestradores, salteadores, ladrões e todo tipo de violência tomaram conta do Brasil. A população passou a ficar sem a proteção do Estado. Sem segurança.

Agora o povo discute se vai embora do Brasil,
vai morar no estrangeiro ou se fica no Brasil até aparecer uma forma de botar ordem no Brasil, dar segurança, emprego e dignidade. Restabelecer a soberania nacional e voltar a ser reconhecido internacionalmente.

Até a parcela da população, até os jornalistas, os juízes, os militares, os empresários, os intelectuais, todos os que deram o golpe, reconhecem que a situação do Brasil piorou com o governo ilegítimo de Temer.

E o PSDB, que patrocinou esta degradação toda
, liderado por Aécio Neves, que foi pego também fazendo ilegalidades, o PSDB agora que passar a imagem de que não teve nada a ver com isto e que pretende ganhar as eleições presidenciais do ano que vem.

Só se for roubando...


Como?
O voto é secreto, não existe cédula impressa, não tem como ser conferido e, portanto...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O mundo na Encruzilhada

Angústia e insegurança leva ao "salve-se quem puder"

Angela Mercel, na Alemanha, não consegue compor seu ministério e pode cair.

Presidente dos Estados Unidos vive crise de autoridade e pode sofrer impeachment.

Inglaterra diz que vai sair, mas não consegue sair da União Europeia.

França vive ameaça de reformas e de imigrantes.

Papa Francisco faz parceria com os trabalhadores na defesa do emprego e da vida.

Argentina mobiliza-se para achar o submarino que desapareceu. 44 podem morrer.

O Brasil continua com governo, congresso e judiciário destruindo o Brasil do Bem Estar Social.

Ao mesmo tempo, ex-governadores, parlamentares e empresários, compartilham presídios com traficantes e assassinos. Chamem o Dr. Drauzio Varella!

Chile vive clima eleitoral do "vale tudo".

Mais um golpe militar na África. Desta vez, autorizado pela China. Pela China?

Putin, presidente russo, telefona para Trump, comunicando que está negociando a paz para a Síria. Os Estados Unidos estão passivos?

China continua comprando empresas brasileiras e de outros países. O mundo será dos comunistas chineses?

Entidades internacionais promovem seminários em defesa da Democracia e da Liberdade. E a Economia, quando será debatida para se construir uma alternativa ao neoliberalismo?

Enquanto tudo isto acontece, o "mercado" impõe uma nova moda trazida dos Estados Unidos:

No mês da Consciência Negra, o Brasil promove o BLACK FRIDAY!


Começou a circular o Expresso 2222...

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Abílio Diniz mantém incerteza na BRF

Abílio conseguiu emplacar novo presidente na BRF

Ou mostra resultados positivos,
ou não fica na presidência.

Não é meritocracia?


Abílio fez uma grande "engenharia política e financeira" e conseguiu montar uma composição que fez com que, mesmo tendo pouca participação acionária na BRF, Abílio tem indicado seus últimos presidentes. Sinal de que Abílio continua sendo bom especulador.

Desde que Abílio passou a indicar os presidentes da BRF que a empresa passou a ter resultados negativos.
Azar ou incompetência?

Agora, ante a pressão dos Fundos de Pensão, que são os maiores acionistas individuais, e também de parte significativa do mercado, Abilio conseguiu indicar mais um presidente.

Enquanto a Petros tem 11,4% e a Previ tem 10,7% de participação, Abílio tem apenas 4% das ações da BRF. Só que Abilio conta com o apoio de outros fundos e de outros acionistas, conseguindo assim fazer maioria.

Só que, uma empresa para ser bem administrada, é recomendável que seus acionistas façam acordo de gestão, sem atritos e sem desconfianças.

E quando uma empresa tem prejuízos, é igual ao trabalhador desempregado, a paz interna desaparece.

Time que não ganha jogo demite o técnico.

Empresa que não tem lucro,
demite o presidente, ou muda a composição acionária.


Abílio Diniz voltou ao centro da polêmica.

O Rio de Janeiro continua sendo...

O retrato do Brasil

O Judiciário resolveu assumir o poder no estado do Rio de janeiro e está prendendo todo mundo... menos os políticos tipo Aécio, é claro.

Até que ponto o Rio de Janeiro é diferente dos demais estados brasileiros?


Por que tanta garra para prender os políticos do Rio? E os outros?

Agora, prenderam até o casal Garotinho!
Estão prendendo também políticos evangélicos?
Vão prender o prefeito do Rio?

Se revolveram fazer uma devassa nas contas do Rio de Janeiro, porque não fazem em todos os estados? Está faltando transparência nisto tudo.

Como cantava Gilberto Gil:


O Rio de Janeiro continua lindo,
O Rio de Janeiro continua sendo...

O Rio ainda continua sendo a cidade mais bonita do mundo,


apesar da violência explícita,
apesar da decadência econômica,
apesar da corrupção generalizada,
apesar da pobreza e das favelas,
apesar da degeneração no futebol,
apesar da insegurança nas praias e
nas ruas...

O Rio continua sendo o retrato do Brasil.

Folha manipula resultado eleitoral no Chile

Cantou vitória antes da hora

A Folha virou um jornal do "pensamento único" em relação à política e ao neoleiberalismo.
Uma pena, já que a Folha foi durante bom tempo o melhor jornal do Brasil.
Agora virou jornal de visão única, mesmo que tenha que manipular as informações.

O exemplo das eleições no Chile,
repete a forma de noticiar as eleições na Argentina e também nos demais países.
A Folha cantou vitória antecipada do candidato conservador - de direita - antes das eleições. Afirmava que não haveria segundo turno e que a vitória seria exemplar.

Afinal, vivemos um momento histórico em que o POVO está votando na DIREITA NEOLIBERAL,
fazendo aquilo que antes só acontecia com golpes militares. Isto é, o povo chileno iria votar nos candidatos conservadores que apoiam Pinochet e a ditadura militar chilena. Na Argentina, pela primeira vez o povo votou na direita em oposição aos peronistas. E assim vai a farra do boi na Folha.

Quando saiu o resultado eleitoral no Chile, a Folha ficou perplexa.


O que aconteceu de errado?
Confesso que eu também não sei.
O Brasil ficou refém do noticiário conservador.

Já o Estadão, que na parte internacional é bem melhor que a Folha
, informou com neutralidade.

No caderno Internacional da terça-feira, a manchete foi:

"Pinera diz que quer votos da EXTREMA DIREITA para vencer segundo turno no Chile".


Isto é, o jornal não esconde que Pinera é de direita e que quer o apoio da extrema direita...

O Estadão também publica uma pequena matéria com o título:

"Para analista, segundo turno vai FAVORECER a esquerda no Chile"


Até o artigo do The Economist publicado no Estadão, tambémé cuidadoso com o resultado eleitoral no Chile.

"Chilenos entram em terreno desconhecido"


Realmente o mundo anda imprevisível, inseguro, imponderável e tudo indica que caminhamos para mais turbulências. Principalmente quando a imprensa deixa de informar e passa a manipular informações.

Como já dizia um ilustre jornalista inglês:

"Na guerra, a primeira vítima é a verdade."

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O povo não quer votar nos políticos tradicionais e clama por algo novo

Vejam o recado do Chile...

O jornal El País, da Espanha, destaca o que vem sendo apresentado como mais relevante da política internacional:

O povo não quer mais votar nos políticos tradicionais. Os governos eleitos pela minoria da população, não têm legitimidade para privatizar, vender o país a preço de bananas, nem tem legitimidade para vender a soberania nacional.

O sistema republicano, de três poderes, está superado historicamente. Os governantes são corruptos, os parlamentares não ouvem o clamor do povo, e o judiciário está à serviço das grandes empresas.

O povo clama por algo novo!

Vejam os números do CHILE:


Um dos grandes protagonistas da jornada eleitoral foi a abstenção.


No pleito presidencial de 2013, 51% votaram, uma cifra que já deixava o Chile entre os países com maior redução na participação do eleitorado.

Desta vez, porém, caiu ainda mais.

Apenas 47% dos eleitores compareceram às urnas.


A participação vem caindo no Chile desde 1993, pouco depois da recuperação da democracia,

mas foi em 2012 que as cifras de abstenção dispararam, quando o voto passou de obrigatório a voluntário.

Nas eleições municipais de 2016, participaram apenas 36% dos eleitores habilitados.


Atenção:


Vejam a diferença entre a LEGALIDADE e a LEGITIMIDADE.

Uma coisa é mostrar o resultado tomando por base só quem votou e não sobre o total de eleitores em condições de votar. Os conservadores escondem os números...

Dos 100% de eleitores, compareceram e votaram apenas 47%.
Menos da metade.

Se meus cálculos estiverem certos, calculando o percentual apresentado como resultado oficial sobre o total de pessoas que efetivamente votaram, teremos:

Pinera - direita - teve apenas 17,20% de votos

Guillier - socialista - teve apenas 10,34% de votos

Beatriz - frente ampla - teve apenas 9,40% de votos

Os pinochetistas - tiveram apenas 3,76% de votos

e a Democracia Cristã - teve apenas 2,82% de votos.

Porém, se somarmos os votos dos socialistas com os votos da Frente Ampla e da Democracia Cristã podemos concluir que a direita, representada por Pinera, tem tudo para perder as eleições no segundo turno.

O interessante é que a imprensa internacional, e a brasileira muito mais, só fala da vitória da direita. Não foi por acaso que a imprensa perdeu nas eleições americanas. Esconderam informações para o povo e o povo deu o troco.

Por um sistema eleitoral e de representação mais participativo e mais legítimo.

Jorge Zahar e a cultura brasileira

Uma bela história

No vai-e-vém da Folha, ontem não li nenhum artigo, hoje aparece um belo artigo de crítica ao livro "A Marca do Z", contando a biografia de Jorge Zahar, que lançou a Editora Zahar que fez história no Brasil e na nossa vida. O livro é de autoria de Paulo Roberto Pires.

Para nossa geração dos anos 60 e 70, falar em livros de política, era falar da Editora Zahar. Por exemplo, fui na biblioteca pegar um dos livros da editora para ver a data da publicação. Entre outros livros, achei um com o titulo:

"Autogestão: Uma Mudança Radical", de autoria de Alain Guillerm e Yvon Bourdet. Publicado em 1976. Para quem não lembra ou não sabe, em 1976 o Brasil ainda estava sob uma ditadura militar...

Uma boa história contada no artigo da Folha de hoje, foi como Zahar decidiu publica o livro "A História da Arte", de Gombrich.

Durante anos o editor Jorge Zahar sonhou em oferecer para o leitor brasileiro o livro considerado clássico da história da arte, no Brasil só existia em inglês e espanhol. A decisão de correr o risco veio durante a Feira de Frankfurt de 1977, quando ele se deparou com a VERSÃO FINLANDESA do livro.

A Finlândia tinha 5 milhões de habitantes. O Brasil 120 milhões.


De 120, se tira metade, que não consome. Ficam 60 milhões, tira metade, que nunca pensou em ler. Ficam 30 milhões. Corta mais uma metade, que nunca viu um livro de arte. Sobram 15 milhões. Dividido ao meio, ainda dão 7,5 milhões de "finlandeses brasileiros". Mais do que a população da Finlândia. Então tinha que dar certo. E deu! Vendeu 130 mil exemplares.

Gostei ainda mais do exemplo acima, porque em 10/04/2011 comprei a edição do "The Story of Art", de Gombrich, editado pela Phaidon. Em papel bíblia e muito gostoso de ler. Em 30/07/2011, comprei a edição em português. Era a 16a. edição, da LTC... Não era da Zahar. Não sei porque?

Leiam o artigo da Folha. Tem como título:

"Biografia retrata formador de leitores"
e está no caderno Ilustrada.

Este negócio de povo que ler e pessoas que não leem é muito interessante.

Amador Aguiar, dono do banco Bradesco, tinha segundo ano primário e, além de fundar o maior banco privado do Brasil durante décadas, criou também a Fundação Bradesco que atende crianças de todo o Brasil.

Minha mãe também estudou apenas até o segundo ano primário, mas já leu mais de 500 livros...

Meu sogro, que veio do Japão com apenas 11 anos, já estava na quinta série quando veio para São Paulo. Para sua surpresa, não havia escolas nem para brasileiros, quanto mais para japoneses. Seu Yassuo teve onze filhos. Todos fizeram faculdade, sendo quatro médicos e professores de medicina.

O Brasil está cheio de belas histórias
, mas a imprensa só tem priorizado tragédias. Inclusive àquelas criadas pela própria imprensa, como este governo ilegítimo e este congresso nacional corrompido.

Todos os jornais, rádios e TVs, deviam sempre contar bons exemplos.

O Brasil tem mais libaneses que o Líbano. E os sírios-libaneses, além de criarem o melhor hospital do Brasil, também são ótimos professores, advogados, comerciantes e escritores...

Os brasileiros, mesmo viajando pelo mundo, quando querem um bom livro de história, nem sempre acham...

Precisamos de mais livrarias e mais editores.

domingo, 19 de novembro de 2017

João Guimarães Rosa morreu há 50 anos, neste dia 19 de Novembro de 1967.

Ainda estamos aguardando sua biografia definitiva

Não achei nada na Folha de hoje sobre os 50 anos da morte de Guimarães Rosa.
O quê anda acontecendo com a Folha? Como esquecer Guimarães Rosa?

Já o Estadão, mesmo reacionário na política, na cultura e na internacional continua melhor que a Folha
O Estadão deu capa ontem e dois artigos exemplares, um de Guilherme Sobota e outro de Silviano Santiago sobre 0s 50 anos da morte de Guimarães Rosa.

Depois de publicar ontem e hoje o brilhante discurso do médico, escritor, voluntário, homem de mídia e brilhante brasileiro DRAUZIO VARELLA, não poderia esquecer a bela homenagem do Estadão a Guimarães Rosa.

Leiam este belíssimo artigo de Silviano Santiago:

'Grande Sertão: Veredas' continua tão moderno como outro clássico nacional, 'Os Sertões'


Silviano Santiago, ESPECIAL PARA O ESTADO
18 Novembro 2017

O francês Roland Barthes e o italiano Giorgio Agamben
se encontram em definição de caráter histórico e filosófico que explica a magia atemporal do romance Grande Sertão: Veredas e ainda salienta seu significado inesgotável. Barthes e Agamben sustentam que “o contemporâneo é o inatual”.

No Brasil a vibrar com a construção de Brasília no planalto central e, posteriormente, com a abertura da Transamazônica em plena selva, nada mais inatual artística e socialmente e, no entanto, mais contemporâneo, que o monstruoso romance escrito por Guimarães Rosa em meados do século 20 e publicado em 1956.

Recordemos a década de 1950.

João Cabral de Melo Neto tinha anunciado o credo minimalista dos anos 1950. Poetar com 20 palavras, sempre as mesmas. Os irmãos Campos e Décio Pignatari reduzem o verso e até o poema a uma única palavra. A primeira Bienal de São Paulo (1954) abole a figura humana e favorece como atual o abstracionismo geométrico da escultura de Max Bill e da tela de Ivan Serpa. As rádios adotam o singelo, doce e nostálgico balanço da bossa-nova, tão cool quanto o jazz moderno que o vocábulo inglês qualifica tão bem.

Lembram “do barquinho a deslizar no macio azul do mar”
(Roberto Menescal)? Os exemplos se sucedem e todos desautorizam o atrevido e descomunal Grande Sertão: Veredas como modelo da temática e escrita comprometidas com a atualidade brasileira em plena modernização cosmopolita.

O romance é incompreendido.

Faltam-lhe leitores. O monstro não se entrega sem as transgressões e asperezas estilísticas da vida cotidiana num enclave perdido no Alto do São Francisco. Incomoda e não seduz. Numa série de entrevistas curtas publicadas na revista Leitura, romancistas e poetas destacados se reúnem para falar mal. A matéria ganha título explícito e demolidor:

“Escritores que não conseguem ler Grande Sertão: Veredas”.

Autor do originalíssimo A Luta Corporal, Ferreira Gullar declara: “Li 70 páginas do Grande Sertão: Veredas. Não pude ir adiante. A essa altura, o livro começou a parecer-me uma história de cangaço contada para os linguistas”.

Compete a uma jovem e já notável geração de críticos literários, com destaque para Antonio Candido, assumir a tarefa de demonstrar o valor e o significado do romance. Apesar da inatualidade do texto ficcional de Rosa, eles se entusiasmam com o ineditismo da sua prosa e se entregam ao trabalho de amansar o bicho selvagem para o leitor. Há que torná-lo palatável ao gosto dos mestres romancistas e do leitor comum.

Por que não inseri-lo numa tradição de épicos brasileiros que facilitaria a compreensão do texto e interesse pela trama, evidenciando, ainda que de modo ligeiramente falso, sua atualidade?

Gera-se um consenso.

Grande Sertão: Veredas é tão moderno e atual quanto Os Sertões, de Euclides da Cunha.

Os grandes críticos presentes no pioneiro número 8 da revista Diálogo saem de mãos dadas: ainda que inatual, o romance de Rosa é, no entanto, tão genial quanto a obra-prima de Euclides. Assassina-se a letra; salva-se o espírito?

Constitui-se uma tradição de leitura
do Grande Sertão: Veredas que hoje nos incomoda e perturba. Haja vista o recente espetáculo apresentado no Sesc de São Paulo, dirigido por Bia Lessa. A qualidade selvagem do romance - sua wilderness - tinha sido domesticada. É ela, no entanto, que agiganta a originalidade de Grande Sertão: Veredas na América Latina e na literatura ocidental.

Desdomesticá-la, eis a nova proposta.


A fatura do romance de Rosa não é histórica nem simbólica. Pouco ou nada tem a ver com os fatos que levam a história do Brasil a transitar do período monárquico ao republicano pela dramatização da revolta dos conselheiristas na Bahia. Não há data no romance. Riobaldo não menciona uma só vez o nome da capital federal.

A fatura do romance é alegórica e paradoxal.

Quando é que quisemos ser modernos e terminamos por gerar regiões mais atrasadas do que as mais atrasadas? Desde sempre. Ou melhor, na história da nação brasileira, é assim que os administradores agem de maneira intermitente. Os governos dialogam com a história social e econômica da nação, despreocupando-se com o destino dos menos favorecidos. Somos fantásticos na construção civil e desastrados no planejamento habitacional das cidades.

Gestamos enclaves selvagens.


No período pós-escravidão africana, quisemos ser modernos na construção da Avenida Central, no Rio de Janeiro, e erigimos as favelas nos morros da capital federal. Em tempos de Vidas Secas (refiro-me aos candangos), quisemos construir nova e moderníssima capital federal e deixamos ao lado, no Alto do São Francisco, um enclave onde a anarquia feroz dos jagunços se assemelha à encontrada hoje nas penitenciárias das metrópoles. Em tempos de Carandiru, quisemos armar sistema de controle de enclaves, afinado com o moderno saber das ciências sociais, e nos tornamos tão ou mais irascíveis que Zé Bebelo.

Modernizamos e segregamos.


Afirma Agamben que ser contemporâneo não é ser atual. O contemporâneo é aquele que se descola das luzes do presente em que vive para perceber o escuro da realidade em que vivemos todos. O artista contemporâneo neutraliza as luzes sedutoras que norteiam sua época para enxergar as trevas, de que são inseparáveis.

Só é contemporâneo quem recebe no rosto o facho de trevas - e não de luzes - que provém do seu tempo.

Recebe o facho de trevas no rosto e, no entanto, enxerga.

Escreve o romance Grande Sertão: Veredas.

Drauzio Varella continua falando muito, para o bem do Brasil

Leiam a segunda parte do lindo depoimento de Drauzio Varella

Como Fernanda Montenegro, Drauzio continua sendo um dos brasileiros mais escutados atualmente.

A Folha ontem acertou uma grande reportagem. Hoje, não achei nenhuma matéria para ler. Só chatice...

Melhor ler o jornal de ontem, com grande artigo de Drauzio Varella:

Enquanto frequentávamos a faculdade, havia 80 milhões de brasileiros.

Na Copa do Mundo de 1970, já éramos "90 milhões em ação". Hoje, somos 207 milhões. Apesar das desigualdades sociais revoltantes, dos desmandos predatórios de representantes políticos que elegemos e da parte de nossa elite financeira mancomunada com eles, levamos a medicina aos quatro cantos do Brasil, tarefa anteriormente impensável num país de dimensões continentais.

Muitos de meus colegas de turma e eu fomos criados sem pediatras, mesmo morando em São Paulo.

Se não havia cuidados pediátricos para as crianças da capital, o que aconteceria no campo, onde viviam 80% dos brasileiros? Hoje, apesar do crescimento populacional explosivo, praticamente não há crianças sem algum acesso à assistência médica.

As cenas de bebês morrendo de desidratação
, um atrás do outro, nos plantões do pronto socorro de pediatria, que tanto nos revoltavam, não acontecem mais. A mortalidade infantil caiu no país inteiro. Quando saímos da faculdade, a taxa de mortalidade infantil era de 73 para cada mil nascimentos. No ano passado, foi de 14.

Apesar de todas as deficiências, desorganização, uso político, corrupção e demais desmandos do SUS, no curto espaço de 30 anos implementamos o maior programa gratuito de vacinações, de transplantes de órgãos e de tratamento da infecção pelo HIV, do mundo inteiro. Nosso programa de saúde da família, que cobre a maior parte do país, é considerado pelos organismos internacionais um dos dez mais importantes da saúde pública mundial. As transfusões de sangue se tornaram seguras, o Resgate socorre pessoas no Brasil inteiro.

Essas conquistas convivem com o subfinanciamento crônico, as filas nos prontos-socorros e nos ambulatórios, a demora para marcar exames e conseguir internações hospitalares e as dificuldades de acesso a cuidados médicos de qualidade.
Ao lado dessas transformações, vimos nascer, junto com a instalação da indústria automobilística no ABC, os primeiros planos de saúde, que se popularizaram a partir dos anos 1990. Hoje, a saúde suplementar oferece
assistência médica a 50 milhões de brasileiros.

Os recursos disponíveis à saúde suplementar e ao SUS expõem a desigualdade brasileira:

mais de R$ 137 bilhões para cuidar de 50 milhões de beneficiários dos planos de saúde, contra cerca de R$ 240 bilhões destinados aos 150 milhões dos que dependem exclusivamente do SUS.

Nesse novo panorama
, pouquíssimos conseguiram exercer a profissão liberal para a qual fomos preparados. Passamos a ser funcionários públicos ou prestadores de serviços em empresas, convênios e planos de saúde ou funcionários de hospitais e grupos empresariais de assistência médica.

A lógica de mercado invadiu o sistema de saúde.


Administradores alheios à profissão trouxeram palavras de ordem às quais não estávamos habituados: produtividade, racionalização da mão de obra, economia de escala, lucratividade, fusões, corporações, capital de risco.

A nova ordem permitiu a construção de grandes hospitais, conglomerados de laboratórios de análises, equipamentos modernos e operadoras de saúde com milhões de associados. Assim, milhões de pessoas doentes puderam fazer exames complexos e receber tratamentos inacessíveis no passado. A oncologia moderna e outras áreas da medicina não existiriam no Brasil, não fosse a saúde suplementar.

O preço pago foi alto, no entanto.
Reduzido à condição de número, o paciente deixou de ser o centro da atenção
e a razão de existir do sistema.
Premidos pelas novas circunstâncias, muitos médicos se afastaram dos doentes. A queixa de que "o médico não me examinou, nem olhou na minha cara", se tornou frequente. A má fama e o desinteresse dos colegas frustrados com os salários e as condições de trabalho fizeram perder parte do prestígio que tínhamos na sociedade, quando disputávamos com os bombeiros a primazia da profissão mais respeitada.

É pena, porque muitos se esquecem do grande número de médicos dedicados que, a despeito da remuneração e da falta de recursos materiais para o trabalho, mantêm o atendimento à população de baixa renda espalhada pelo interior ou aglomerada na pobreza da periferia de nossas cidades. Muitos de meus colegas estão entre as pessoas mais generosas que conheci.

Quando penso nessas contradições e nos desafios sociais que nós enfrentamos nos últimos 50 anos vem a certeza de que fomos muito privilegiados. De um lado, cada um a sua maneira, ajudamos a levar a assistência médica ao país inteiro. O SUS é um projeto em construção a ser aprimorado pelos que hoje estudam no grande número de faculdades espalhadas sem critério reconhecível pelo país afora. Estudando em escolas medíocres, estarão à altura desse desafio?

De outro, em nossos anos de atuação profissional testemunhamos um salto de qualidade técnica da medicina, que não encontra paralelo na história da humanidade. Quando nos formamos dispúnhamos de análises laboratoriais, eletrocardiogramas e mais alguns exames. As imagens se achavam restritas aos raios-X, simples ou contrastados.
Nestes 50 anos, vimos surgir as imagens dos órgãos internos, reveladas com nitidez pelos ultrassons, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, cintilografias, PET-scans, endoscopias.

Quando nos formamos,
a cirurgia era a especialidade mais prestigiada. Ao terminar o segundo ano de residência no Hospital das Clínicas os colegas disputavam para saber quem havia feito mais gastrectomias, colecistectomias, operado mais hérnias e abdomens perfurados por facas e armas de fogo.

Nos anos seguintes,
o papel da cirurgia clássica ficou mais acanhado. Medicamentos novos, capazes de curar úlceras duodenais, fizeram cair o número de gastrectomias. Os avanços da radiologia praticamente acabaram com as chamadas laparotomias exploradoras. Cirurgias minimamente invasivas realizadas por via endoscópica se tornaram rotineiras. A robótica entrou na prática, criando a possibilidade de operar pacientes a distância.

Em 1967, os grandes problemas nacionais eram as doenças infectoparasitárias
que, embora ainda persistam, são menos prevalentes do que as enfermidades degenerativocrônicas. A faixa etária da população que mais cresce é a que está acima dos 60 anos. Hoje, somos 19 milhões, em 2050 seremos 40 milhões.

O envelhecimento populacional dos últimos 30 anos
levou 60 anos para acontecer na Europa desenvolvida. Os brasileiros envelhecem, e envelhecem mal: temos pelo menos 14 milhões de pessoas com diabetes. Metade das mulheres e homens chega aos 60 anos com hipertensão arterial. Doenças cardiovasculares e câncer disputam o título de principal causa de morte. A obesidade virou epidemia: 52% dos brasileiros estão acima do peso. Os quadros demenciais estão presentes em grande número de famílias.

Em 1967, contávamos com meia dúzia de medicamentos para controlar a pressão arterial e as taxas de glicose no sangue. Hoje, existem tantos que há necessidade de especialistas para lidar com eles. Quem sofria um infarto naquela época dependia da ajuda divina para continuar vivo. Cateterismos, stents, pontes de safena e UTIs aliviaram o trabalho do Criador na recuperação desses pacientes.

Pouco havia a ser feito nos casos com câncer que não se curavam com cirurgia ou radioterapia. Nossa geração assistiu ao aparecimento da quimioterapia e, agora, vê nascer as terapias-alvo e a imunoterapia moderna, primeiros passos de uma mudança de paradigma na oncologia do século 21.

Vimos emergir a epidemia de Aids, em 1981.


Três anos mais tarde, a ciência já tinha isolado o vírus e desenvolvido um teste para identificar os infectados. Em 1985 surgia o AZT. Em 1995, os inibidores da protease, que criaram a possibilidade de controlar a doença. Nunca a humanidade lidou com uma epidemia com tamanha rapidez e eficiência.

Nos últimos 30 anos, os avanços da pesquisa pura e da biologia molecular produziram uma avalanche de informações sobre a natureza íntima do DNA, do RNA e das proteínas envolvidas em processos infecciosos, inflamatórios, degenerativos e neoplásicos. As consequências desses conhecimentos darão origem à medicina personalizada que levará em conta a biodiversidade humana, aos transplantes de células-tronco e de genes que corrigirão defeitos genéticos ou adquiridos.

O domínio das informações
que brotam incessantemente das bancadas dos laboratórios e dos estudos clínicos internacionais com milhares de participantes está além da capacidade humana para digeri-las. Sem a ajuda da informática e de supercomputadores que aprendem com a experiência -como os que conceberam o Watson, da IBM-, não haverá como reconhecer-lhes a prioridade e incorporá-las à prática. O médico que toma decisões não amparadas em evidências científicas sólidas será uma figura tão ultrapassada quanto a dos que aplicavam ventosas e propunham sangrias.
Os próximos desafios serão os de levar os benefícios dessa medicina altamente tecnológica ao restante da população. Tarefa para gerações, porque exigirá a reinvenção de um SUS que ainda nem conseguimos implantar com a abrangência necessária.

Os custos dessa nova medicina serão tão altos
que talvez venhamos a nos convencer, finalmente, de que o investimento preferencial deve ser na prevenção. Impedir que as pessoas fiquem doentes evita sofrimento e sai bem mais em conta.
Pela primeira vez na história de nossa espécie pudemos oferecer alimentos de qualidade a grandes massas populacionais e tornamos possível ganhar a subsistência no conforto das cadeiras. Obesidade e sedentarismo são os grandes males das sociedades modernas.

Preocupados com as lagoas de coceira da esquistossomose, as casinhas de pau a pique da doença de Chagas e com a falta de saneamento básico causadora de tantas enfermidades, qual de nós imaginou que um dia a principal mensagem de saúde pública seria: "Não dá para passar o dia inteiro sentado, comendo tudo o que te oferecem."

Os médicos que nos precederam transmitiam mensagens de saúde ao encontrar as pessoas nas ruas, nas praças, nas festas da comunidade. As praças de hoje são as estações de rádio, os canais de televisão, o Facebook, o Google, o YouTube e os sites da internet.

A tela do celular é o meio mais rápido de transmissão de informações médicas.


Graças a esses meios de comunicação, o paciente de hoje é muito mais informado do que há 50 anos. Muitos dos que nos introduziram na profissão eram médicos autoritários, que impunham suas condutas sem levar em conta as idiossincrasias individuais. A função do médico moderno é a de apresentar as possibilidades técnicas, para ajudar a pessoa doente a decidir qual delas se adapta melhor às suas necessidades e desejos particulares.

Quantos desafios cada um de nós experimentou.

Quantas dificuldades, exigências e sacrifícios pessoais e familiares o exercício profissional nos impôs nessas cinco décadas. Amigos e contemporâneos nossos que escolheram outras profissões podem ter levado vida mais tranquila, menos sacrificada, e ganhado mais dinheiro com menos esforço. Mas, duvido terem conhecido o prazer de ver alguém à beira da morte sobreviver graças aos nossos conhecimentos, dedicação e envolvimento pessoal desinteressado.

O arquiteto deve sentir prazer diante da casa construída, o advogado por defender o interesse do cliente, o publicitário pela campanha idealizada, o mecânico ao ver o motor consertado, o agricultor ao admirar o verde da plantação. Serão esses prazeres comparáveis ao que sentimos ao aliviar o sofrimento humano, a razão maior da existência de nossa profissão?

Queridos amigos,
nessa apresentação procurei deixar claro que jamais me arrependi da escolha que fiz ao prestar o exame vestibular para a nossa faculdade. Continuo encantado pela medicina, profissão caprichosa como a mulher amada, capaz de despertar crises inesperadas de paixão pela vida inteira.

sábado, 18 de novembro de 2017

Temos muitos DRAUZIO VARELLA no Brasil

Ah, se ouvissem mais o Drauzio Varella...

De vez em quando a Folha tem uma recaída, das boas, e faz uma boa reportagem. Daquelas que lembra à Folha de antigamente, quando também lutava pela redemocratização do Brasil.

Hoje resolveu dar duas páginas inteiras, não à propagandas de bancos e empresas que apoiaram e se beneficiam do golpe do impeachment. Resolveu dar duas páginas às sábias palavras do cidadão e médico brasileiro DRAUZIO VARELLA.

Vou reproduzir a primeira metade da reportagem. Bonita, informativa, emocionante.


Para nós que temos 40 anos de formados e de serviços prestados ao Brasil,para nós que lutamos contra a ditadura militar e contra golpes de Estado, para nós que acompanhamos os artigos e o trabalho social de Drauzio Varella, para nós que temos médicos na família, dá uma alegria danada ler cada palavra escrita por Drauzio Varella.

Além de revolucionar o Brasil quando escreveu sobre Carandiru
, o presídio de barbárie em pleno centro de São Paulo e depois escrever sobre AS PRISIONEIRAS, as mulheres no cárcere, esta nova obra de arte de Drauzio e, porque não, também da Folha, merece ser mostrada a todos os brasileiros.

Se, em vez de só mostrar a bandidagem, priorizarmos a mostrar os brasileiros e brasileiras, como Dona Zilda Arns e tantos outros, veremos que, mesmo lentamente, estamos construindo uma NAÇÃO.

Leiam esta primeira parte da reportagem especial da Folha, com Drauzio Varella:

Drauzio Varella faz retrospectiva
de 50 anos da medicina no Brasil


DRAUZIO VARELLA
COLUNISTA DA FOLHA - 18/11/2017

Ao comemorar o jubileu de ouro de sua formatura na Faculdade de Medicina da USP, no mês passado, o médico e colunista da Folha Drauzio Varella, 74, tomou de novo o palanque que assumira 50 anos antes como orador da turma.

Diante dos colegas da 50ª leva de formados da instituição, fez, no último dia 27, no teatro da faculdade, na zona oeste de São Paulo, um "resumo do resumo, coisa despretensiosa" sobre as transformações pelas quais a atividade passou desde aquela fala na cerimônia "ilegal" no Theatro Municipal, em 1967.

Naquele ano, a escolha do paraninfo, Luiz Hildebrando Pereira da Silva (1928-2014), demitido e expulso do país pela ditadura, levou a direção da faculdade a renegar o evento.

A criação do SUS (Sistema Único de Saúde) é a maior das revoluções deste meio século, disse à Folha, com ênfase: "O SUS é uma conquista definitiva. E um processo em andamento."

No discurso, reproduzido aqui na íntegra, não minimiza os desafios que se antepõem: levar as novas tecnologias a toda a população "exigirá a reinvenção de um SUS que ainda nem conseguimos implantar com a abrangência necessária".
*
AS PALAVRAS DO CIDADÃO E MÉDICO DRAUZIO VARELLA

Cinquenta anos atrás, no Theatro Municipal, fui o orador de nossa turma. Naquela ocasião, a escolha do professor Luiz Hildebrando como paraninfo foi considerada uma afronta pela direção da faculdade, que houve por bem não participar nem considerar oficial a cerimônia de formatura.

Eram tempos de ditadura. Ao escolher um professor que fazia parte de um grupo de docentes demitidos da universidade por razões puramente ideológicas, fazíamos um protesto veemente contra o autoritarismo militar e sua influência na academia.

No final do discurso, eu dizia com ardor juvenil:


"A ninguém assiste o direito de exigir que nos transformemos em seres amorfos dentro da sociedade, reduzidos unicamente às funções de estudar e calar. Nosso silêncio poderá ser cômodo às classes dominantes, para a pátria, porém, representaria gravíssima traição".

Meu pai depois diria ter tido certeza de que eu seria preso no final da cerimônia. Não era preocupação descabida, perdemos colegas de faculdade e amigos, desaparecidos nos porões da repressão. Ao contrário da maioria dos universitários de hoje, tínhamos sonhos grandiosos naquele tempo. Queríamos combater a miséria, acabar com a esquistossomose, Chagas, varíola, poliomielite, tuberculose e a desnutrição das crianças. Ao mesmo tempo, sonhávamos com a criação de universidades, metrópoles como Brasília, cidades novas pelo interior e em alfabetizar todos os brasileiros.

Não vamos esquecer, no entanto, que a memória é editora falaciosa, especialista em deletar experiências desagradáveis. Em matéria de costumes éramos bem mais atrasados do que os jovens de agora. Não tínhamos consciência do nosso machismo: em nossa turma de 100 alunos, havia apenas 15 mulheres, espécie de cidadãs de segunda classe na faculdade, no intervalo das aulas, recolhidas nas salas do departamento feminino.

Quando ouço falar da revolução sexual provocada pela pílula nos anos 1960, lamento ela ter acontecido onde eu não estava. O racismo da sociedade brasileira se refletia em nós. Não achávamos estranho haver em nossa turma os dois únicos estudantes de ascendência negra entre os 500 alunos da faculdade.

Colegas homossexuais eram alvo de chacotas grosseiras. Pertencíamos a uma elite estudantil que, ao receber o diploma da USP, julgava garantida a ascensão social. Apesar da gravidade dos problemas de saúde pública com os quais convivíamos no Hospital das Clínicas, a faculdade nos formava para ganharmos a vida como profissionais liberais. Pouquíssimos de nós imaginavam que um dia dependeríamos de empregos formais para sustentar a família.

Vamos lembrar que naqueles dias os pacientes sem condições financeiras para arcar com os custos médicos ficavam limitados ao antigo INPS. Os demais eram rotulados como indigentes, portanto dependentes da caridade pública.

Apesar da formação inadequada para as necessidades do país, nossa geração de médicos esteve à frente da maior revolução da história da medicina brasileira: a criação do Sistema Único de Saúde. Na Constituição de 1988, escrevemos "Saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado".

A despeito da demagogia do slogan que não garante os meios para cumprir tal dever e infantiliza o cidadão, ao retirar dele a responsabilidade de cuidar da própria saúde, foi de fato uma revolução.

Nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes
ousou oferecer saúde gratuita a todos, sem exceção.