sábado, 17 de dezembro de 2016

Brasil perde a inocência

Perde a ética, a neutralidade e a vergonha

Durante anos aprendemos que o Estado era neutro, isto é, o juízes não tomavam partido, os militares não tomavam partido, os professores não tomavam partido e os pregadores religiosos como padres e pastores evangélico priorizariam as palavras de Deus e da Bíblia, em vez de fazerem pregação partidária.

Acabamos com a ditadura militar, num processo de ampla mobilização nacional, recebendo de volta os exilados, anistiando os cassados pela ditadura, legalizamos todos os partidos políticos, como nunca antes acontecera por um longo período e acreditamos que estávamos entrando numa nova fase da vida brasileira.

Estávamos deixando de ser vira-latas, para ser cidadãos do mundo. 
Esta esperança de um novo Brasil também contaminou o mundo. O clima era tão bom que até tivemos autorização do mundo para realizar no Brasil uma Copa do Mundo e um Olimpíadas. O máximo da aceitação internacional.

Até elegemos um sociólogo, um operário e uma mulher como presidentes da República. Parecia que o atraso e o preconceito eram coisas da República Velha. Coisa da época da guerra-fria...

De repente, não mais que de repente, veio uma crise econômica internacional, em 2008, provocada pelos bancos americanos e europeus, e o mundo mais uma vez teve que pagar a conta. Principalmente os países mais pobres e menos estruturados.

No primeiro momento, o Brasil tinha gordura para queimar, e Lula afastou a marolinha. Com o fim das gordurinhas e a eleição de uma pessoa que não tinha a habilidade de Lula, as coisas foram ficando mais difíceis, facilitando as provocações e os boicotes da direita.

A direita grosseira, cínica e ditatorial que a gente pensava que não existia mais, essa direita foi tomando coragem, começou a voltar às ruas, e, na medida que o governo Dilma errava, a direita crescia e mostrava suas garras...

Essa direita foi ficando tão cínica que já não esconde a manipulação na Imprensa, já não nega que legisla para tirar as conquistas democráticas e sociais da época da Constituinte e da redemocratização, até o judiciário, que antes era cuidadoso, agora, usa e abusa da legislação para prender, ameaçar, intimidar, espionar, divulgar fatos reais e imaginários, intimidando a todos, como forma de fazer valer suas intenções.

O Brasil que tinha acabado com a ditadura militar, depois de um período de esperanças e de grandes realizações, voltou a ser um país pequeno, uma ditadura - não militar - mais jurídica e da imprensa. Uma forma mais "civilizada" de fazer ditaduras.

A direita brasileira não precisa mais do "brasileiro cordial".
Agora, esta direita acha que "manda quem pode e obedece quem tem juízo". Nada de querer passar a impressão de que "éramos todos iguais". Não somos. Talvez, nunca tenhamos sidos. Esse é um dos nossos desafios históricos: Reconhecer o que cada um é e o que somos enquanto país. Juntos, porém, diferentes.

O Brasil ainda não estava preparado para ser uma Nação unida, porém plural nas etnias, nas religiões, nos partidos políticos, na cultura e no lazer. Este novo Brasil terá que ser construído com novos embates, nova Constituição, novas regras de concessão de Rádio e Televisão. Um Brasil onde se ensine nas escolas que somos iguais e diferentes, que somos singular e somos plural.

Se a direita nunca aceitou a "ditadura do proletariado",
a esquerda e o povo também não precisam aceitar
as ditaduras militares ou civis.
Muito menos ditaduras jurídicas e midiáticas.

Nunca é tarde lembrar que Democracia quer dizer,
o governo do povo, com o povo e para o povo.

Dom Paulo Evaristo Arns continuará sendo
o Patrono da nossa Democracia e da nossa Liberdade.

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