segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um erro primário da BRF e de Abílio

Uma empresa do mundo "não pode esquecer os Negros"

1 - Ao ler os jornais hoje cedo, deparei-me com propaganda da BRF de duas páginas na Folha de S.Paulo. O primeiro pensamento que me veio foi que a BRF e Abílio estavam passando dinheiro para a Folha, já que estes anúncios enormes na parte política sempre têm a ver com política e dinheiro. Fui olhar no Estadão e o anúncio também estava lá... Aumentando minha impressão de que havia política e dinheiro por trás do anúncio.

2 - Como gosto de marketing, fui ler o texto do anúncio #alimentandoomundo. O anúncio fala de grandes marcas, da construção de cultura e que a BRF está presente em mais de 150 países, RECONHECENDO QUE A PLURALIDADE CULTURAL, já faz parte do DNA da BRF....

3 - Qual é o grande erro da propaganda da BRF e de Abílio?

Como é que uma empresa brasileira, que está presente em mais de 150 países, faz uma propaganda de duas páginas, nos principais jornais brasileiros, põe uma fotografia com sete pessoas, sendo duas mulheres, um japonês e NÃO TEM NENHUM NEGRO NA FOTO?

Isso no mês da CONSCIÊNCIA NEGRA? 

Isso no mês em que o SAMBA comemora 100 anos de existência?

E ainda mais num país chamado BRASIL, que,
segundo o IBGE, em 2014, os NEGROS 
e pardos representam 53,6% da população?

Além dos negros brasileiros, dos 150 países que a BRF está presente, quantos % são de população negra?

4 - Fui ver qual era a agência de propaganda e, depois de muito procurar, achei em letras tamanho cinco, minúsculas, DM9. Parece que é a agência de Nizzan Guanaes, pessoa que adoro, que é baiano e muito inteligente. Será que Nizan também comeu bola? Bola aqui no sentido de errar, não de receber dinheiro por fora... Como Nizzan, também sou baiano e cresci reconhecendo a importância dos negros...

5 - Já que os brasileiros gostam de copiar tudo que é americano, vocês já observaram que nos filmes de TV americanos SEMPRE têm atores e personagens NEGROS, LATINOS e ASIÁTICOS? Isso é o Politicamente Correto, isso é reconhecer a PLURALIDADE ÉTNICA e CULTURAL.

Fiz parte do Conselho de Administração do BNDES quado esse banco, liderado por Luiz Carlos Mendonça de Barros, seu presidente na época, resolveu salvar a Perdigão, com a ajuda dos Fundos de Pensão do BB, da CEF e do BNDES. Torci para que desse certo.

Quando Lula decidiu ajudar a Sadia, mais uma vez com a ajuda dos Fundos de Pensão e dos bancos estatais, também torci para dar certo. Como torci para a BRF dar certo...

Quando soube que Abílio estava comprando ações da BRF e ia ser presidente, torci para ambos, embora ficasse apreensivo com a fama de predador de Abílio. Mas, acabei gostando de a BRF ficar mais agressiva no mercado internacional.

Não se esqueçam dos negros. 

Esta é a maior dívida do Brasil.

Reconhecer sua discriminação, seu preconceito, sua exclusão. Garantir a presença dos negros, por cota ou não, nas Universidades, nos empregos, na medicina, nas pesquisas e, principalmente, no mercado internacional.

Lembrem de Dona Ivone Lara cantando "Sonho meu" e de Cartola cantando "As rosas não choram". O que seria do Brasil sem os negros? A espécie humana começou na África e, a partir da África, se espalhou pela Terra. Pensem nisso...

Pensem em Paulinho da Viola cantando "Não sou eu que me navega, quem me navega é o mar..."

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