sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Reinventar os Bancos, os Governos e os Partidos

Devemos começar pelos Bancos

Leiam um grande e importante artigo assinado pela presidente mundial do Banco SANTANDER.

Quem me conhece sabe que sempre tive uma postura crítica em relação ao papel do Banco Santander no Brasil. Este banco chegou aqui graças às privatizações fajutas do governo FHC, que fez com que o Banespa fosse vendido à preço de banana. Uma pechincha... O Banespa era uma potência. Era a cara do Estado de São Paulo e o orgulho de todo município paulista. Quando surgiu o boato de que o Bradesco e o Banco do Brasil iam comprar o Santander, acompanhei com muita atenção durante meses. O negócio não deu certo. Para o bem ou para o mal...

Ontem, dia 10/11/16, TODOS os grandes jornais brasileiros deram página inteira informando a mudança da presidência do Banco Itaú, maior e mais importante banco brasileiro. Uma das informações mais importante presente nas matérias foi que o novo presidente do Itaú, Cândido Bracher...

"assumirá o Itaú em um momento de grande transformação no varejo bancário, com migração dos clientes para canais de atendimento digital e fechamento de agências".

Quando eu reproduzi a matéria do Valor no dia 09 passado, informando antes dos jornais impressos a mudança na presidência do Itaú, registrei que ter lucros extraordinários como o Itaú tem conseguido é muitíssimo importante, mas cuidar de tratar bem os clientes e os funcionários também é fundamental.
Ao ler o bom artigo de Ana Botín, presidente mundial do Santander, percebemos que ela sinaliza um olhar para os Bancos, bem diferente do que está acontecendo com o Itaú e com o Banco Central brasileiro, que agora também está sob o controle do Itaú.

Depois das eleições nos Estados Unidos, fica mais evidente de que o mundo precisa  REINVENTAR os Bancos, os Governos e os Partidos Políticos... O mundo criado a partir da Independência dos Estados Unidos e depois da Revolução Francesa, em 1789, esse mundo está superado, mesmo sem ainda sabermos qual é o novo mundo que está surgindo. Por falar em Revoluções americana e francesa, no próximo ano, 2017, o mundo estará fazendo balanço dos 100 anos da Revolução Russa de 1917.

Talvez o NOVO, não seja nem o Capitalismo Neoliberal, nem o Comunismo ditatorial tipo stalinista. O NOVO pode ser Democrático, Participativo, Laico, Desenvolvimentista, variado etnicamente e coloca o sistema financeiro à serviço do povo, das empresas e das comunidades. Os bancos capitalistas podem continuar existindo, mas o sistema financeiro não pode ser usado exclusivamente para servir aos lucros dos banqueiros privados. A moeda é tão importante quanto a água, a saúde, a educação e a segurança. O povo deve estar em primeiro lugar.


Mesmo que Ana Botín tenha apenas assinado o artigo e que este tenha sido escrito por um ótimo assessor econômico, tenho certeza que ela leu e concordou com o conteúdo. Como tenho certeza que, aqui no Brasil, nenhum presidente de banco, nem do Santander Brasil, teria coragem de assinar artigo igual. Meus mais fortes parabéns a Ana Botín.

Um outro sistema financeiro é possível...
Leiam o ótimo artigo da presidente mundial
do BANCO SANTANDER.

Reinventando os bancos

Valor - 11/11/2016 ­ 05:00

Por Ana Botín – presidente mundial do Santander

O professor Clay Christensen, da Harvard Business School, publicou recentemente um livro chamado "Competing Against Luck" (Competir contra a sorte, ainda sem tradução no Brasil), no qual afirma que as empresas dedicam tempo demais em olhar "para dentro", para ver o que elas próprias podem fazer, em vez de olhar "para fora" e perguntar o que os clientes querem.

O que esperam de nós.
Nós, os bancos, dedicamos tempo demais a temas internos. Participamos de reuniões com reguladores em Basileia, Washington e Frankfurt. Discutimos regulação e resiliência, assuntos importantes e imprescindíveis que, obviamente, merecem toda a nossa atenção, porque queremos estar à altura das exigências do cenário atual. 
Bancos e reguladores têm uma responsabilidade compartilhada: apoiar o crescimento sustentável e inclusivo. Por isso, os clientes são a nossa prioridade. São eles que ditam o caminho e o ritmo a seguir, como devemos nos reinventar e como podemos oferecer-lhes a melhor experiência possível e ajudá-los a prosperar.

Mervyn King, expresidente do Banco da Inglaterra
propõe deixemos de usar as ferramentas econômicas tradicionais, aceitemos a existência de um estado de "incerteza radical" e nos fixemos nas tendências básicas que impulsionam as mudanças sociais.

Os bancos são as artérias da economia.
Quando cumprimos nossa função e conquistamos a confiança dos clientes, todos ganham.
Os funcionários crescem profissionalmente, os clientes progridem e o mesmo acontece com nossos acionistas e com a sociedade. A demanda do público é por serviços mais personalizados e mais ágeis.

Vivemos em um mundo de "alta velocidade".
Nossa ambição é responder em tempo real, ser o provedor preferencial de serviços financeiros e de pagamentos para todos os clientes, em todos os mercados onde atuamos.

Temos uma grande obrigação, que vai muito além da clássica "responsabilidade social corporativa". Tudo o que fazemos deve ser socialmente responsável. O trabalho diário em nossa atividade bancária, quando bem feito, gera um grande impacto positivo para nossos clientes.

Para apoiá-los, precisamos dispor de profissionais de talento.
Pessoas que queiram agregar valor em tudo o que fazem, atendendo inclusive aos clientes mais inovadores e exigentes. Estamos em busca de empreendedores com os quais possamos colaborar, nos quais possamos investir. Queremos suas ideias e seu entusiasmo. Queremos ser uma empresa atrativa para pessoas com talento e estamos abertos para colaborar com elas.

A confiança é a base da atividade bancária.

Esse sentimento costumava ser construído por meio de relações pessoais. Com o tempo, isso se tornou o alicerce das sociedades modernas e permitiu a criação de instituições públicas sólidas e capazes de crescer de forma sustentável. Mas, nos últimos anos, essa confiança se fragilizou. Recuperá-la é responsabilidade de todos - governos e instituições privadas.

Os bancos podem contribuir reconquistando a confiança dos clientes.
Para tanto, é preciso atuar de forma responsável. Isso significa atuar com mais integridade e transparência. E também com eficiência, a fim de garantir nossa solidez financeira.

O capital social e o financeiro são os pilares que sustentam a confiança no banco. Quanto ao capital financeiro, os bancos europeus elevaram sua base de capital em € 600 bilhões desde o início da crise. Porém, para que a transmissão da política monetária funcione, é preciso que os requisitos de capital estejam claros.

Na Europa, os bancos são a principal fonte de financiamento das pequenas e médias empresas (PMEs) e a segunda para as grandes empresas. O financiamento bancário representa 70% do total na Europa, frente a 30% nos EUA. As regras globais, para serem justas, devem ser flexíveis em sua adaptação a cada mercado.

Baixas taxas de juros podem ajudar na recuperação econômica, porém somente se resultarem em maiores volumes de crédito. E esse crescimento depende de setor financeiro conhecer com clareza suas exigências futuras de capital. A melhoria da economia europeia dependerá também da conclusão das reformas estruturais. É cedo para comemorar a vitória, mas os dados mais recentes sugerem que o empenho de todos está gerando efeitos positivos.

Olhando para o futuro, um dos maiores desafios sociais e comerciais será como incorporar a tecnologia. A cada dia surge uma nova startup, que nos obriga a rever nosso modus operandi.

Os bancos têm a opção de se esconder atrás das barreiras regulatórias, esperando sobreviver ou liderar a transformação.

Mas, voltando à pergunta do Professor Clay Christensen: 
o que os clientes esperam de nós?

Eles querem a garantia de que seus depósitos estão seguros. Querem acesso ao crédito a taxas justas. Querem que seus investimentos sejam administrados de forma responsável. E que suas operações sejam realizadas com agilidade e eficiência.

Se quisermos continuar a ter a preferência de nossos clientes, será preciso mudar. Em alguns aspectos, de forma incremental e em outros, radical.
Em seu último livro, intitulado "The End of Alchemy" (O Fim da Alquimia, ainda sem tradução no Brasil), Mervyn King, ex-presidente do Banco da Inglaterra, propõe que deixemos de utilizar as ferramentas econômicas tradicionais para prever o futuro e aceitemos a existência de um estado de "incerteza radical".

Ele sugere que, em vez disso, nos fixemos nas tendências básicas que impulsionam as mudanças sociais. Talvez, se tivéssemos seguido seu conselho, teríamos acertado o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura deste ano.

Como já dizia Bob Dylan, em sua canção, quando os tempos começam a mudar, "ou você nada, ou afunda como uma pedra".

Ana Botín é presidente do Banco Santander


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