quinta-feira, 17 de novembro de 2016

De Bernie Sanders para os Brasileiros

Para onde vão os democratas?

Leiam artigo publicado no NY Times e no Estadão, dia 15/11/2016.
Vale tanto para os americanos, como para os brasileiros.

Leiam com muita atenção, inclusive pensando no PT...


Para onde vão os democratas?

       
        Estadão - 15 Novembro 2016 | 05h00
Bernie Sanders

Milhões de americanos votaram em protesto no dia 8, manifestando sua oposição a um sistema político e econômico que põe a riqueza e os interesses corporativos acima dos interesses da população.

Apoiei Hillary Clinton e trabalhei duro em sua campanha por achar que ela era a melhor opção. Mas Donald Trump conquistou a Casa Branca.

Sua retórica de campanha explorou com sucesso um medo muito real e justificado – um medo que muitos democratas tradicionais também sentem.

Fiquei triste, mas não surpreso, com o resultado.

Acredito que milhões de pessoas que votaram em Trump o fizeram porque estão cansadas da atual situação da economia, da política e da mídia. Famílias operárias veem como políticos recebem doações de campanha de bilionários e de representantes de corporações – e como, uma vez eleitos, esses políticos passam a ignorar os interesses dos americanos comuns.

Nos últimos 30 anos, muitos americanos foram vendidos pelos patrões. Enquanto trabalhavam cada vez mais, e por salários cada vez menores, viam os bons empregos irem para China, México ou outro país de salários mais baixos.

Cansaram-se de ver diretores de empresas ganhando 300 vezes mais que eles, com 52% dos novos salários indo para o 1% de empregos de cúpula. Muitas de suas antes belas cidades do interior ficaram despovoadas, as lojas fechadas, os jovens tendo de sair de casa por falta de emprego – enquanto as corporações sugavam a riqueza das comunidades para depositá-las em paraísos fiscais.

Trabalhadores americanos não conseguem mais pagar por assistência decente e qualificada para suas crianças. Não podem mais mandar os filhos para a faculdade. Ao se aposentarem, não têm nada na conta bancária. Em muitas partes do país não encontram moradia pela qual possam pagar e o preço do seguro-saúde é alto demais. Muitas famílias vivem em desespero: drogas, álcool e suicídio encurtam a vida de um número cada vez maior de pessoas.

Trump está certo: os americanos querem mudanças.

Mas que tipo de mudança ele oferece?

-       Terá coragem de enfrentar os poderosos que são os responsáveis pelo sofrimento econômico de tantas famílias trabalhadoras?
-       Ou dirigirá essa raiva majoritária para as minorias, para os imigrantes, para os pobres e desprotegidos?
-       Terá ele coragem de peitar Wall Street, de tentar domar as instituições financeiras “grandes demais para quebrar”, de forçar os grandes bancos a investir em pequenos negócios, criando empregos no interior do país?
-       Ou vai nomear outro banqueiro de Wall Street para chefiar o Departamento do Tesouro e manter os negócios como estão?
-       Vai, como prometeu, enfrentar a indústria farmacêutica e obrigá-la a baixar os preços dos remédios?

Fico angustiado ao ouvir histórias de americanos sendo assediados e intimidados na esteira da vitória de Trump e de famílias que vivem com medo de serem separadas. Avançamos muito como país que combate a discriminação.

Não vamos retroceder.

Estejam certos:
não haverá concessões quanto a racismo, preconceito, xenofobia e sexismo.

Vamos combater isso em todas suas formas, quando e onde voltar à tona.

Manterei a mente aberta para ouvir que ideias Trump oferecerá, para como e quando poderemos trabalhar juntos. Mas, tendo perdido no voto popular, ele faria bem em prestar atenção às opiniões dos progressistas.

Se estiver falando sério sobre adotar políticas que melhorem a vida dos trabalhadores, dou a ele algumas sugestões para que tenha meu apoio.

-       Vamos reconstruir nossa destroçada infraestrutura e criar milhões de empregos bem pagos.
-       Vamos elevar o salário mínimo para um patamar que permita a sobrevivência.
-       Vamos ajudar os estudantes a pagar a faculdade.
-       Vamos garantir licença-maternidade, licença médica e ampliar o seguro social.
-       Vamos reformar um sistema econômico que permite a bilionários como Trump não pagarem um centavo de impostos federais.
-       E, mais importante que tudo, vamos acabar com a possibilidade de grandes doadores de campanha comprarem os resultados de eleições.

Nos próximos dias,
também vou propor reformas para revigorar o Partido Democrata.

- Tenho convicção de que a agremiação deva se libertar de seus laços como o establishment corporativo para voltar a ser o partido da classe trabalhadora, dos idosos e dos pobres.

- Precisamos abrir o partido para o idealismo e a energia dos jovens e para todos os que lutam pela justiça econômica, social e ambiental.

- Temos de ter a coragem de conter a ganância e o poder de Wall Street, das empresas farmacêuticas, das seguradoras e da indústria petrolífera.

- Quando minha campanha chegou ao fim, prometi a meus apoiadores que a revolução política continuaria. Agora, isso precisa ocorrer.

Somos a nação mais rica da história da humanidade.
Quando nos unimos e não permitimos que demagogos nos dividam por raça, gênero ou origem, não há nada que não consigamos fazer.

Precisamos avançar, não retroceder. 

/ TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

*SENADOR DE VERMONT, DISPUTOU 
AS PRÉVIAS DEMOCRATAS DE 2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário