segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A eleição americana foi um repúdio ao jornalismo?

A imprensa é importante, mas não é a dona da verdade.

Hoje, olhando os jornais, encontramos assuntos interessantes. Uma boa entrevista do juiz do STF Barroso, sensato como sempre, embora não reconheça a partidarização da Lava Jato. Boas matérias sobre as dificuldades econômicas e os números negativos da economia. Um bom debate sobre o papel das centrais sindicais no apoio ou não aos governos. E boas matérias sobre o governo Trump e a imprensa. Até parece que a imprensa está tentando voltar a ser plural e mais neutra. Talvez seja verdade ou talvez seja apenas ressaca do que aconteceu nos Estados Unidos.

Enquanto a imprensa estimulava e estimula as oposições contra governos muçulmanos, governos próximos à Rússia, ou aos governos de esquerda na América Latina, tudo era aclamado, tudo era permitido e estimulado. Dez ou vinte pessoas nas ruas, quebrando lojas e ocupando prédios públicos, desde que fizessem o que a imprensa queria, seria capa de jornais e revistas, além de longas reportagens na TV.

Agora o jogo se inverteu. 

A imprensa que era algoz, passou a ser vítima nos Estados Unidos.
E, para esconder sua responsabilidade, mais uma vez usa reportagens para tentar minimizar seus erros e manipulações. Felizmente jornais como o New York Times teve coragem e saiu na frente fazendo sua auto-crítica. Mas isso ainda não faz parte da imprensa brasileira. Aqui a imprensa é golpista, manipuladora e onipotente. E ai de quem discorde disso. Vai para o index.

A imprensa já não fala das Primaveras Árabes, como não fala dos países vizinhos à Rússia e que acreditaram no milagre neoliberal e agora passam por desemprego e crise social. A imprensa continua comemorando suas vitórias na América Latina. Cada ano que passa é mais um governo de esquerda que ela consegue contribuir fortemente para derrotá-lo. E tem conseguido muitas vitórias.

O ódio estimulado pela imprensa tem levado os extremos a terem mais forças do que realmente tem. E isso está levando a uma intimidação dos setores sociais que representam a ampla maioria da população. A maioria silenciosa acaba legitimando os atos violentos das minorias extremadas. Qual é o limite para isso?

Lúcia Guimarães é uma jornalista brasileira que mora há muitos anos em Nova York e é correspondente do Estadão. Uma pessoa muito sensata. Veja alguns exemplos de terrorismo social que está surgindo nos Estados Unidos, apresentado por ela no Estadão de hoje:

1 - Há crianças latinas nascidas nos Estados Unidos desaparecendo das salas de aula porque seus pais, imigrantes sem documentos, têm medo de ser separados dos filhos;

2 - Na sexta-feira, uma escola pública de Los Angeles flagrou um professor da sexta série se divertindo em assustar alunos latinos, prometendo que seus pais seriam deportados;

3 - Há negros tendo seus carros pichados, sendo seguidos por supremacistas brancos.

4 - No feriado dos veteranos, um soldado negro foi acossado e expulso do restaurante da cadeia Chili's, onde o gerente lhe tomou a refeição grátis que a cadeia serve para os veteranos em seu dia.

5 - Um casal gay birracial na Luisiana encontrou uma arma apontada para eles enquanto caminhava.

6 - Jovens muçulmanas estão descobrindo a cabeça para não ser atacadas.

7 - Universitários estrangeiros não brancos têm que ser escoltados por colegas para assitir á aula eecontram suásticas pintadas em seus dormitórios.

8 - E o silêncio dos novos líderes, os que vão controlar as duas casas do Congresso e a Casa Branca continua ensurdecedor.

Lucia Guimarães finaliza seu artigo de hoje: 

"O editor da revista New Yorker, David Remnick, fazendo o inventário dos últimos dias, perguntou, será que estou tendo uma alucinação?

Também pergunto eu:

Os violentos nossos são diferentes dos violentos americanos?
Ou são apenas mais dissimulados ou ocultados pela mesma imprensa?

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