terça-feira, 11 de outubro de 2016

O mundo em 1929 e em 2016, quem imaginou?

Prenúncios de tragédias colossais

No início do século passado, o mundo caminhava para o fim dos governos monarquistas, o crescimento de governos democráticos e, cada vez mais, com a economia de mercado globalizada, tendo novos competidores, além da hegemonia crescente dos Estados Unidos. Mas o centro do mundo ainda estava na Europa e na Inglaterra.

Churchill,em seu brilhante livro "Memórias da Segunda Guerra Mundial", já sinalizava: "Em 1929, a situação da Europa era tranquila como não fora em vinte anos e não voltaria a ser em outros vinte.... A nova Alemanha assumiu seu lugar na mutilada Liga das Nações. Sob a benigna influência dos empréstimos americanos e ingleses, a Alemanha estava renascendo rapidamente."

Berlim era o centro cultural do mundo e ninguém previa a tragédia que em apenas quatro anos tomaria conta da própria Alemanha e da Europa.

Em 1929, a eleição geral na Inglaterra, os socialistas obtiveram pequena maioria sobre os conservadores. Parecia que o século vinte seria uma bela primavera...

Já o livro de Adam Tooze, professor de História na Universidade de Cambridge, "O preço da destruição",  reconhece que, com a introdução do nazismo na Alemanha, o século seria de disputa e guerra, adiando a primavera.

"Em uma abordagem radicalmente nova sobre a Segunda Guerra Mundial, o autor põe a ECONOMIA - ao lado das questões étnicas e políticas - no cerne da história.

Parte significativa do esforço militar de Hitler fundamentou-se em sua visão macroeconômica e na crise bancária pelo qual passavam os Estados Unidos, cujos desdobramentos desestabilizaram a Europa, como não acontecia desde a Primeira Guerra Mundial.

Além disso, Hitler entendeu que a relativa pobreza da Alemanha em 1933 resultara não apenas da Grande Depressão, mas também dos limitados territórios e recursos naturais do país.

Prevendo o surgimento de um mundo novo e globalizado, no qual a Europa seria esmagada pelo poder avassalador dos Estados Unidos, restava-lhe apenas uma chance: a criação de um super-Estado sob o domínio da Alemanha."

Da obsessão hegemonista alemã, surgiu a Segunda Guerra Mundial com a formação de dois blocos hegemonizados pela Rússia e pelos Estados Unidos. A Inglaterra foi fundamental, mas acabou a guerra como coadjuvante.

Em 2016, o mundo caminha novamente para o impasse. 

Os Estados Unidos, que tiveram a crise de 1929, agora tem a crise de dois candidatos à presidente que representam a loucura e o delírio conservador. Os partidos já não representam o povo. A Europa desmancha-se com a crise econômica e de imigração.

O Brasil, que vinha sendo uma nova esperança de democracia com inclusão social e respeito às regras do jogo, sofreu o novo golpe típico das republiquetas latino-americanas, e está sendo destruído pelo fisiologismo, pela corrução e pelo entreguismo. A nova ditadura brasileira não é militar, é civil. O que vai requerer novas formas de enfrentamento ao governo, ao judiciário e à imprensa golpista.

A cada dia os golpistas destroem mais um pedaço do Estado e das Políticas Públicas. Os 35 partidos continuam servindo de fachada democrática e a Justiça cegou-se ante a pressão neoliberal e ao conservadorismo evangélico. Até o narcotráfico está legitimando-se com  o governo golpista.

Escrever é preciso... Viver?

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