domingo, 16 de outubro de 2016

O Brasil corrupto de ontem e de hoje

Os Tenentes e a guerra civil brasileira

Depois de ler uma resenha sobre o livro de Pedro Doria, "Tenentes - A Guerra Civil Brasileira", comprei um exemplar para ver se tinha sustentação a ideia da guerra civil brasileira. Eu acho que no Brasil ainda não houve uma guerra civil. Houve muitas rebeliões, levantes e quarteladas, não algo que envolve o país e que possamos chamar de guerra civil.

Comecei o livro e o achei meio chatinho, livro romanceado para crianças e pré-adolescentes, não achei um livro que eu indicaria para colegial ou faculdade. Mas o livro vai evoluindo até chegar nos conflitos de 1922 em diante, deixando de ser um livro de escolinha para ser um bom livro sobre o conservadorismo brasileiro, embora o autor insista em dar pompas aos políticos e militares.

Uma das novidades que descobri no livro foi que no Brasil de antigamente só votavam os católicos, quem não era católico não votava. E quem mudou esta história foi o famoso Rui Barbosa. Fui pesquisar mais sobre o assunto mas não achei. Só sei que a inquisição também passou pelo Brasil. Inclusive agora está de volta com a operação lava jato...

Outra história interessante é a existência de fascistas católicos em 1922. Estes se aliavam à polícia, tanto para bater nos oposicionistas, como para proteger os agressores. Lembra um pouco os dias de hoje, quase um século depois... A maçonaria daquela época era bem mais forte do que a atual, embora continue conservadora.

Nas disputas da época, ainda não tinha a força do rádio, mas já tinha a força dos jornais e boletins. Vejam que frase emblemática: "A pressão dos jornais e dos militares iria interferir no processo de desempate das eleições". Atualmente, são os jornais, rádios e TVs, mais o judiciário que estão interferindo na vontade do povo...

Em 1922 o Brasil, além de conhecer a Grande Semana de Arte de 22, representando seu lado modernistas, o Brasil também conheceu mais uma tentativa de Golpe de Estado. Os fazendeiros e políticos do Brasil vivam um impasse na política do café com leite, entre São Paulo e Minas Gerais. Ante o impasse, os militares foram chamados a interferir. E o resultado foi o levante do Forte de Copacabana, com vários mortos e muitos feridos.

Era o começo de uma série de tentativas que culminou em março de 1964, com o golpe que transformou-se numa ditadura militar por 21 anos. Mas o golpe de 1964, bancado por São Paulo, foi o contra-golpe aos militares do tenentismo de 1922 e da Revolução de 1930.

Com a redemocratização do Brasil, graças ao fato de ser um país urbano, industrializado e moderno, foi possível legalizar todos os partidos e ter um período de liberdade de organização e manifestação que culminou na eleição de Lula como presidente do Brasil.

A reação não demorou e os paulistas lideraram novo golpe de Estado. Desta vez liderado pela imprensa, o judiciário, os evangélicos e os políticos conservadores. O Brasil voltou ao velho sistema de governo autoritário e manipulador. Alguns dos golpistas atuais são filhos e netos dos golpistas de 1922...

Nada será como antes?
Amanhã...
Já cantava Milton Nascimento.

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