domingo, 23 de outubro de 2016

Juros, Selic e a PEC 241

Estamos todos no mesmo barco à deriva 

O jornal Estadão, apesar de atualmente ser fascista, e talvez sem perceber, publicou hoje um ótimo artigo do economista Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela FGV. 

Além de mostrar que a fiscalização das contas públicas no Brasil é lerda e ineficiente, facilitando o descontrole, Almir Khair mostra outra omissão, tanto de quem é a favor, como de quem é contra a PEC 241.

Esta falta de agilidade na fiscalização abriu brecha para o golpe do impeachment contra Dilma, e a falência de vários Estados. Estes sem impeachment em função de serem governados por apoiadores do golpe.

O governo Temer diz que a Reforma Fiscal vai resolver tudo, principalmente com a PEC do Fim do Mundo, a 241. No entanto, a despesa com juros responde por 80% do déficit público, e seguirá sempre elevado para gáudio do Sistema Financeiro. 

A recente redução da Selic em 0,25, pelo Banco Central, faz casquinha no déficit público.

O que matou o governo Dilma nos últimos anos foi a despesa com juros no setor público, que explodiu:

Passou de 249 bilhões de reais (4,7% do PIB) em 2013,
para 311 bilhões (5,5% do PIB) em 2014 e
502 bilhões (8,5% do PIB) em 2015,
levando o déficit nominal para o pico de 613 bilhões (10,4% do PIB)! 

É o Banco Cental contribuindo para o desrespeito à meta fiscal nominal.

Vale ressaltar esses dados, pois estão sendo OMITIDOS PELO GOVERNO e pelas análises ligadas ao MERCADO FINANCEIRO para não atrapalhar a aprovação da PEC 241. 

Enquanto isso, em cada dia corrido aumenta 1,4. Bilhão de reais o déficit fiscal em despesa com juros. 

O problema dessa PEC, é que ela deixou de fora do limite de despesas a relativa à JUROS para deixar o Banco Central livre em adotar a Selic que julga necessária necessária ao controle da inflação. 

Essa é a falha principal da PEC e várias análises pro e contra a PEC passam ao largo disso. 

E por último, a elevada Selic repercute nas altas taxas de juros que infernizam as despesas financeiras das empresas levando várias a encerrar suas atividades (fecharem, quebrarem e ficarem os proprietários e empregados endividados). 

Isso agrava a recessão e reduz a oferta de bens e serviços. 
O resto é consequência e descompromisso social.

Nenhum comentário:

Postar um comentário