sábado, 8 de outubro de 2016

Itaú compra Citi e AB Inbev compra SABMiller

Os lucros crescem e os empregos diminuem

Por apenas 710 milhões o Banco Itaú compra o varejo do Citi no Brasil. O valor pago pela rede de agências e operações do Citi é menor do que o lucro de apenas um mês do Itaú. Já pensaram o que isso significa?

Quase 5 mil funcionários do Citi poderão ou deverão perder o emprego com essa compra. Porque deverão é mais provável do que o poderão? Porque o Itaú já é tão grande e tão bem estruturado que basta trazer as contas e os clientes. Não precisa de mais funcionários. Isso já aconteceu com a compra de outros bancos. E não adianta dizer que a compra depende do Banco Central e do CADE. Já está tudo combinado...

Já a cervejaria belgo-brasileira Anheuser-Busch InBev NV, conquistou no dia 28 de setembro passado, aprovação para a aquisição de sua rival SABMiller PLC por mais de US$ 100 bilhões, criando uma nova ordem mundial para o setor.

O negócio fortalece a posição da AB InBev como potência do setor cervejeiro, com estimados 46% dos lucros mundiais e 27%   do volume global de cerveja. A aquisição é apenas a mais recente de uma séria para a dona de marcas como Buweiser e Brahma. Criada com a união, em 2004, da brasileira AmBev e da belga Interbrew, a empresa já comprou grandes cervejarias desde 2008. (As informações sobre a AB InBev foram aproveitadas da excelente matéria publicada no The Wall Street Journal Americas, publicada no jornal Valor de 29/09/2016).

Na Era do Capitalismo Financeiro, conglomerados como AB InBev, no setor de cervejas, mesmo não tendo um braço financeiro como retaguarda, mostra que, aos poucos, as grandes empresas vão ficando maior do que a maioria do Países e seus PIB´s.

Se as de empresas de bebidas, de esportes, de Petróleo e Gás, mais as mineradoras, as siderurgias, as montadoras e as de informática já estão presentes em todos os países da Terra, interferindo na política, na economia e no social, imaginem quando alguns bancos passam a controlar o fluxo de dinheiro e de investimentos, ficando mais poderosos que o Banco Central  de seu país?

Antigamente o Brasil tinha mais de 100 bancos de varejos, hoje em dia tem apenas cinco. Sendo que dois são do governo federal. Com o golpe do impeachment, o Banco Itaú, que é o maior banco brasileiro em lucratividade, passou a influenciar o Banco Central e, por tabela o Banco do Brasil e a CEF - Caixa Econômica Federal.

Em 2008, com a grande crise financeira, o fato de Lula ser o presidente da república na época, possibilitou que o BB e a CEF mantivessem o estímulo ao consumo, enquanto o Itaú, o Bradesco e o Santander contiveram os financiamentos, aumentando a possibilidade de recessão. A partir do golpe, tanto os empresários passaram a ficar reféns de dois ou três bancos, como o nível de emprego dependerá também destes dois ou três bancos. E não contem com o governo. Este está à serviço dos patrões nacionais e internacionais.

Curiosamente o banco Itaú esperou o fim da greve nacional dos bancários, que durou 31 dias, para comunicar oficialmente a compra do varejo do Citi no Brasil e seus quase 5 mil funcionários. Não fazia sentido os bancos serem contra repor a inflação, alegando a crise e, ao mesmo tempo, estarem comprando empresas. O Bradesco comprou o HSBC no Brasil e incorporou os funcionários. O Itaú também pode fazer um plano de valorização dos funcionários e, com isso, melhorar o atendimento aos milhões de clientes.

O jornal Valor já noticiou durante a greve nacional dos bancários, que o Itaú está querendo comprar parte significativa da BR Distribuidora. A empresa mais importante depois da própria Petrobrás.

Nos Estados Unidos, 1% controla 99% da riqueza, o Brasil está no mesmo caminho. Isto é, o que fazem lá, é copiado aqui, só que de forma bem pior para o povo, até porque, é mais fácil dar um golpe no Brasil do que nos Estados Unidos.

People First! 
As pessoas em primeiro lugar, já dizia uma campanha mundial em defesa do emprego e do trabalho decente. Ou as empresas não precisam de gente?

Gosto de ver empresários brasileiros terem sucesso no Brasil e no mundo, mas nunca gostei de ver os trabalhadores serem tratados como descartáveis...
Provavelmente esse foi um fator importante para eu ter virado sindicalista, mesmo tendo estudado Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas.


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