quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Brasil, Estados Unidos, Rússia e Síria

Gilles Lapouge dá o recado

Apesar de a parte de política nacional do jornal Estadão ter virado fascista, ainda há coisas boas no jornal. Gilles Lapouge, correspondente em Paris há décadas, um bom exemplo.

Vejam que bons comentários Lapouge fez sobre a situação da Europa e do Oriente Médio, na edição de ontem, quarta-feira:

1 - É bem possivel que, após as eleições presidenciais francesas, em maio do ano que vem,haverá uma reaproximação entre Moscou e Paris, e mesmo entre Paris e Damasco. Como explicar essa provável mudança da política francesa no ano que vem?

2 - A primeira razão é que a ameaça jihadista ficou tão perigosa, tão obscena, que as prioridades geopoliticas mudaram. Há alguns anos, a França e os Estados Unidos, orgulhavam-se de apoiar e defender a democracia em todas as regiões dominadas por tiranos.

3 - Daí surgiu a grande campanha da Primavera Árabe, que, da Tunísia ao Egito, depois à Síria, fustigaram os regimes de força e devolveram a dignidade aos povos desses países. Porém, hoje sabemos que as primaveras viraram Outonos e, em suas reverberações, sobretudo na Síria, os assassinos do Estado Islâmico e da Al-Qaeda se infiltraram livremente.

4 - Ante o perigo mortal do Estado Islâmico, as prioridades hoje são outras. A primeira responsabilidade do Ocidente NÃO é mais levar à força a democracia aos países infectados, MAS, POR FIM AO DESFILE DE SANGUE E MORTE. Portanto, a guerra contra o EI e todas as formas de terrorismo passou a ser prioridade absoluta.

5 - Com as guerras no Oriente Médio, passou a ser assustador o aumento do número de imigrantes que, vindos principalmente da SÍRIA, abalam todos os países europeus.

6 - Passou a ser prioridade privilegiar a estabilidade política nos países de origem das migrações. É por isso que o ocidente passou a tolerar, e às vezes até ajudar regimes tão discutíveis quanto o do marechal Abdul Fatah al-Sissi, no EGITO, ou o da família real Saud, na Arábia Saudita.

7 - O Ocidente precisa reconhecer que "a política dura com a Rússia não deu resultado. Putin, em vez de contemporizar, radicalizou e a população russa vê na firmeza de Putin uma maneira deesquecer os 20 anos de humilhações...

8 - O Krelim se tornou, no Oriente Médio, um ator que não dá para evitar.

Depois destas sábias palavras de Lapouge, chegamos à conclusão que no caso da América Latina, Obama está aplicando o mesmo método do Oriente Médio.

Para combater os governos progressistas que estão desenvolvendo políticas internacionais independentes dos Estados Unidos, derrubam-se estes governos e implantam-se democracias de fachadas, como fizeram no Egito.

Estas democracias de fachadas são verdadeiras ditaduras civis, com o aparelho do Estado, principalmente o Judiciário, sendo usado como instrumento de legalização das ditaduras. E a imprensa serve como fachada de liberdade de comunicação.

Com as novas eleições americanas, talvez o governo dos Estados Unidos volte a praticar as intervenções mais diretas e explícitas como instrumento de dominação regional.

Tudo isso faz parte da reorganização do mundo.
Tanto a globalização econômica, como a inclusão de novos atores estratégicos como a China e a Alemanha. Da mesma forma que, no século vinte, a Inglaterra deu lugar para os Estados Unidos, como principal ator imperialista, no século vinte e um, nada pode ser resolvido sem a participação da China, da Alemanha e da Rússia. Quanto ao Brasil, este talvez volte a ter importância mais tarde, quando livrar-se do entreguismo do PSDB e da estupidez do PMDB. O mundo gira...

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